{"id":276349,"date":"2023-03-29T10:45:33","date_gmt":"2023-03-29T09:45:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=276349"},"modified":"2023-03-31T12:35:35","modified_gmt":"2023-03-31T11:35:35","slug":"saude-mental-temos-em-maos-uma-pandemia-silenciosa-e-arriscamo-nos-a-perder-esta-geracao-joao-ameal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saude-mental-temos-em-maos-uma-pandemia-silenciosa-e-arriscamo-nos-a-perder-esta-geracao-joao-ameal\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade mental: \u00abTemos em m\u00e3os uma pandemia silenciosa e arriscamo-nos a perder esta gera\u00e7\u00e3o\u00bb &#8211; Jo\u00e3o Ameal"},"content":{"rendered":"<p><em>Psic\u00f3logo educacional, que acompanha crian\u00e7as e adolescentes, afirma que n\u00fameros de \u00abansiedade e depress\u00e3o\u00bb s\u00e3o \u00abgalopantes\u00bb<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_276292\" aria-describedby=\"caption-attachment-276292\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/joao-ameal1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-276292 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/joao-ameal1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/joao-ameal1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/joao-ameal1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/joao-ameal1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/joao-ameal1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/joao-ameal1-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-276292\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 29 mar 2023 (Ecclesia) \u2013 O psic\u00f3logo educacional Jo\u00e3o Ameal alertou hoje para uma \u201cpandemia silenciosa\u201d em curso, com \u201cn\u00fameros exponenciais\u201d de crian\u00e7as e adolescentes com ataques de \u201cansiedade e p\u00e2nico\u201d e sublinha a necessidade de acompanhar para prevenir futuras incapacidades geracionais.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma segunda pandemia em m\u00e3os, mas \u00e9 muito silenciosa que \u00e9 a pandemia da sa\u00fade mental. Os n\u00fameros t\u00eam sido exponenciais. Todos os dias acompanho mais um adolescente com um ataque de ansiedade, de p\u00e2nico. Isto \u00e9 uma doen\u00e7a que mata e muito, e tem de ser encarada de forma s\u00e9ria ou arriscamo-nos a perder esta gera\u00e7\u00e3o. Estou preocupado com os n\u00fameros alarmantes de mi\u00fados que est\u00e3o deprimidos, ansiosos, medicados. Se a gera\u00e7\u00e3o acima n\u00e3o se preocupar seriamente em abordar isto com cuidado, vai ser muito dif\u00edcil com esta gera\u00e7\u00e3o chegar a um mercado de trabalho, tornar-se aut\u00f3noma\u201d, alerta em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>O profissional de sa\u00fade, que acompanha alunos num col\u00e9gio em Lisboa, lamenta o \u201cestigma acusat\u00f3rio\u201d de quem procura ajuda psicol\u00f3gica: \u201cFoi porque n\u00e3o foi forte o suficiente para ultrapassar os problemas; a culpa \u00e9 pessoal, porque s\u00f3 os fracos \u00e9 que v\u00e3o ao psic\u00f3logo\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Ameal explica que \u201ca beleza\u201d do seu trabalho concretiza-se na ajuda em \u201cmomentos chave\u201d da vida dos pacientes.<\/p>\n<p>\u201cNo curso percebi a import\u00e2ncia do sil\u00eancio: as pessoas n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 procura de respostas mas de ser ouvidas. Muitas vezes n\u00e3o h\u00e1 respostas, tantas vezes o que sei sobre a vida daquelas pessoas, \u00e9 muito pouco e curto. O que \u00e9 que eu sei? Muitas vezes calo-me e escuto, e descobrimos as respostas em conjunto\u201d, valoriza.<\/p>\n<p>O profissional observa a velocidade da vida quotidiana e lamenta que essa rapidez esteja a tirar qualidade e rumo \u00e0s pessoas.<\/p>\n<blockquote><p>O nosso mundo \u00e9 muito r\u00e1pido, demasiado exigente e a maior parte das pessoas acaba por fazer coisas em piloto autom\u00e1tico. A imagem que tenho \u00e9 de estarmos a correr numa passadeira do gin\u00e1sio sem ir a lado nenhum, porque na verdade n\u00e3o sabemos para onde corremos. Algumas pessoas que acompanho est\u00e3o desenfreadas \u00e0 procura da felicidade, mas n\u00e3o sabem o que \u00e9 e n\u00e3o sabem onde encontra-la. Criam objetivos que acham que \u00e9 o que precisam, e correm atr\u00e1s; quando l\u00e1 chegam compreendem que n\u00e3o era aquilo, e gastam-se no caminho. Acredito que a felicidade passa por desacelerar primeiro, olhar \u00e0 volta, viver uma coisa de cada vez, no presente e n\u00e3o no futuro que n\u00e3o vai chegar e n\u00e3o vai ser o que pens\u00e1vamos que iria ser\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cTodos temos muitas muralhas e estas muralhas surgiram de traumas antigos &#8211; de vezes que procuramos amar e n\u00e3o fomos amados de volta- surgem para n\u00e3o voltarem a magoar-nos. Mas quem n\u00e3o deixa ningu\u00e9m entrar para o magoar, n\u00e3o deixa ningu\u00e9m entrar para amar. E isso eu vejo todos os dias\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Nascido numa fam\u00edlia ligada \u00e0s artes, Jo\u00e3o Ameal afirma nunca ter sentido a press\u00e3o para continuar essa \u201clinguagem familiar\u201d, mas internamente sentiu \u201cuma bifurca\u00e7\u00e3o\u201d e teve de escolher.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o foi a Psicologia, que no fundo, admite, lhe permite continuar a manter a m\u00fasica no projeto \u00abJo\u00e3o Sem-Tempo\u00bb, ou em outros que v\u00e3o surgindo no seu caminho.<\/p>\n<p>Em 2017, pouco depois de casar, Jo\u00e3o Ameal rumou com a sua esposa a Lesbos, onde estiveram cerca de quatro meses como volunt\u00e1rios num campo de refugiados em Karatepe, um local \u201cmuito desolador\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>A crise dos refugiados estava mais presente que nunca e sent\u00edamo-nos muito impotentes e desinformados, na verdade. Envolvemo-nos com a Plataforma de Apoio aos Refugiados e fomos, como volunt\u00e1rios. Um campo de refugiados em termos de sa\u00fade mental \u00e9 mais grave do que estar preso: ali n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o, \u00e9 a vida em suspenso com adultos muito deprimidos, crian\u00e7as aos Deus dar\u00e1, muitos traumatizados com a guerra e a viagem e eu olhava e n\u00e3o sabia o que fazer\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Hoje entende que o \u201csentimento de impot\u00eancia\u201d em Lesbos o ensinou muito: \u201cEu n\u00e3o sou parte da NATO, ACNUR, n\u00e3o sou poderoso, nem importante; o objetivo n\u00e3o era impactar a crise de refugiados. Mas tenho dois ouvidos e um cora\u00e7\u00e3o e posso estar e ajudar no que me for pedido\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Ameal recorda em conversa com a Ag\u00eancia ECCLESIA, a \u201csagrada fam\u00edlia\u201d que conseguiu ajudar em Lesbos, tamb\u00e9m o rap que escreveu com um paciente seu que n\u00e3o conseguia comunicar de outra forma, e o que significou crescer com a \u201ccrise de f\u00e9\u201d que os pais tiveram quando era crian\u00e7a.<\/p>\n<p>A conversa com o psic\u00f3logo educacional \u00e9 emitida esta noite na Antena 1, pouco depois da meia-noite, ficando dispon\u00edvel no portal de informa\u00e7\u00e3o e no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Psic\u00f3logo educacional, que acompanha crian\u00e7as e adolescentes, afirma que n\u00fameros de \u00abansiedade e depress\u00e3o\u00bb s\u00e3o 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