{"id":275657,"date":"2023-03-22T23:06:21","date_gmt":"2023-03-22T23:06:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=275657"},"modified":"2023-03-23T17:24:56","modified_gmt":"2023-03-23T17:24:56","slug":"a-consciencia-dos-limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-consciencia-dos-limites\/","title":{"rendered":"A consci\u00eancia dos limites"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Isabel Figueiredo<\/em>,\u00a0<em>diretora do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-207515 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/isabel-figueiredo.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Para tudo h\u00e1 um limite. Estejamos a falar da nossa vida pessoal, estejamos a refletir sobre a vida comunit\u00e1ria, profissional ou social. E assim como todos sentimos que tinha sido atingido um limite para com a falta de aten\u00e7\u00e3o, de cuidado e de prote\u00e7\u00e3o, para com a indiferen\u00e7a quase generalizada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as abusadas &#8211; e esse limite chegou, gra\u00e7as a Deus &#8211; h\u00e1 tamb\u00e9m um limite para a cr\u00edtica agressiva, constante e amplificada, nos mais diferentes f\u00f3runs, a prop\u00f3sito dos abusos de menores no contexto da vida da Igreja.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o podemos continuar a correr permanentemente atr\u00e1s da procura de acusados e de situa\u00e7\u00f5es escondidas, sem nunca deixar uma m\u00ednima margem para a confian\u00e7a e o desejo verdadeiro que as pessoas merecem e t\u00eam, sejam padres, leigos ou bispos, de corrigir o que est\u00e1 errado, de encontrar culpados, de erradicar o drama dos abusos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos ignorar uma quest\u00e3o ser\u00edssima, isto \u00e9, a quest\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia, algo que nos coloca no patamar da justi\u00e7a, que todos desejamos considerar como um direito que a ningu\u00e9m deve ser negado. Agarrado a este direito, conv\u00e9m n\u00e3o esquecer que existe o direito da recupera\u00e7\u00e3o, da supera\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es provadas e condenadas. S\u00f3 assim se entende que, por exemplo, fam\u00edlias sinalizadas como incapazes de cuidar dos seus menores, possam vir a recuperar a cust\u00f3dia dos filhos. Mesmo que depois se venha a verificar o erro tr\u00e1gico que foi ter tomado essa decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas voltando \u00e0 quest\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia. Esta \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que vive paredes meias com a prova da acusa\u00e7\u00e3o. E conseguir-se encontrar a verdade entre estas duas realidades, \u00e9 sempre um trabalho dif\u00edcil e exigente, principalmente quando falamos de abusos de menores em contexto da vida da Igreja, porque \u00e0 humanidade de cada um, se acrescenta justificadamente, uma consci\u00eancia da presen\u00e7a de Deus, proclamada ou vivida, na pessoa do abusador.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Igreja decidiu abrir a porta dos abusos, fechada e escondida durante s\u00e9culos. F\u00ea-lo porque assim foi ordenado por Pedro, o Vig\u00e1rio de Cristo na terra. F\u00ea-lo porque pressionada pela justi\u00e7a de homens que ousaram n\u00e3o calar o que sabiam. F\u00ea-lo demasiado tarde. Sim. Mas fez. E a verdade \u00e9 que ao abrir esta porta, tamb\u00e9m encontrou o caminho de dar voz e espa\u00e7o \u00e0 suspeita.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De um modo muito concreto, o facto de termos permitido que a sociedade portuguesa criasse a expectativa de que, a partir de um estudo sustentado por testemunhos an\u00f3nimos fosse poss\u00edvel chegar a uma culpa provada, tornou-se algo muito dif\u00edcil e doloroso. Que exige que este seja o tempo da procura das provas. N\u00e3o por desrespeito pelas v\u00edtimas que tiveram a coragem de partilhar o seu sofrimento, mas pelo respeito que todos merecem em situa\u00e7\u00f5es de suspeita.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E assim como somos chamados a continuar a acreditar na sociedade livre e democr\u00e1tica que defendemos, em todas as estruturas que a constituem, a sociedade portuguesa precisa de acreditar na vontade expressa de que a Igreja quer a toler\u00e2ncia zero e a transpar\u00eancia total, que o Papa Francisco anunciou e determinou que acontecesse em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Agora \u00e9 o tempo do sil\u00eancio, do resguardo da dor e do sofrimento de todos. \u00c9 o tempo para as comiss\u00f5es diocesanas de prote\u00e7\u00e3o de menores trabalharem no cruzamento dos dados, na procura da verdade. H\u00e1 padres afastados do exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio, sem culpa formada, dispostos a este dur\u00edssimo tempo de prova, porque a Igreja assim lhes pede.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m esta realidade nos exige a capacidade de tornar claro que h\u00e1 limites que n\u00e3o se devem ultrapassar. Um deles foi claramente a cont\u00ednua e excessiva exposi\u00e7\u00e3o do sofrimento das v\u00edtimas. Em situa\u00e7\u00f5es que nada t\u00eam a ver com o contexto da vida da Igreja, s\u00e3o v\u00e1rias as queixas de adultos que passaram a recordar diariamente situa\u00e7\u00f5es de abuso vividas na inf\u00e2ncia e que, perante o mediatismo criado desde o passado dia 13 de fevereiro, se sentem novamente v\u00edtimas de um passado j\u00e1 esquecido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A consci\u00eancia dos limites resguarda a verdade, a liberdade, a compaix\u00e3o e a bondade que tornam poss\u00edvel vivermos em paz.\u00a0 A confian\u00e7a permite vivermos uns com os outros. Os abusos de menores s\u00e3o um drama que destr\u00f3i a verdade, a compaix\u00e3o, a liberdade, a paz, a confian\u00e7a. Aconte\u00e7am numa casa de fam\u00edlia, numa escola, num pavilh\u00e3o desportivo, num acampamento, numa sacristia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Lutar contra este drama \u00e9 uma urg\u00eancia pessoal e coletiva que nos exige a procura da verdade. Com o resguardo da dor e do sofrimento de todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Isabel Figueiredo<\/em><br \/>\n<em>Diretora do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><br \/>\n<em>Membro da Comiss\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o de Menores e Adultos Vulner\u00e1veis do Patriarcado de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isabel Figueiredo,\u00a0diretora do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":207515,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[94],"class_list":["post-275657","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-protecao-de-menores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=275657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275657\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/207515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=275657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=275657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=275657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}