{"id":275455,"date":"2023-03-21T11:34:36","date_gmt":"2023-03-21T11:34:36","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=275455"},"modified":"2023-03-21T11:34:36","modified_gmt":"2023-03-21T11:34:36","slug":"a-cruz-escondida-225","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-225\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Jacques Mourad, o novo Arcebispo de Homs, recorda o tempo de cativeiro<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-275458\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jacques-mourad-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/h4>\n<h4>\u201cO ter\u00e7o foi a minha arma\u201d<\/h4>\n<p>Esteve em cativeiro dos jihadistas do Estado Isl\u00e2mico em 2015 durante cerca de cinco meses, per\u00edodo em que foi amea\u00e7ado de morte, tendo chegado at\u00e9 a ser colocado perante um pelot\u00e3o de fuzilamento. Sobreviveu a tudo, confiando em Nossa Senhora e na ora\u00e7\u00e3o do Ter\u00e7o, que diz ter sido a sua arma espiritual. Conseguiu fugir e agora, oito anos depois, foi consagrado como Arcebispo de Homs. Para os crist\u00e3os da S\u00edria, n\u00e3o podia haver melhor not\u00edcia\u2026<\/p>\n<p>Ordenado a 3 de Mar\u00e7o como Arcebispo s\u00edrio-cat\u00f3lico de Homs, na S\u00edria, D. Jacques Mourad \u00e9 um verdadeiro s\u00edmbolo da resist\u00eancia da comunidade crist\u00e3 que tem sido for\u00e7ada a enfrentar, ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, a viol\u00eancia da guerra e do terrorismo, e agora tamb\u00e9m da pobreza. Nascido h\u00e1 54 anos em Alepo, a hist\u00f3ria do novo prelado est\u00e1 indelevelmente ligada aos cinco meses em que esteve em cativeiro \u00e0s m\u00e3os de um dos muitos grupos terroristas que alimentaram a guerra na S\u00edria. Um cativeiro que o pr\u00f3prio recordou em diversas iniciativas da Funda\u00e7\u00e3o AIS, como a Noite dos Testemunhos, promovida h\u00e1 alguns anos pelo secretariado franc\u00eas da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre. H\u00e1, na hist\u00f3ria do novo arcebispo, uma data que nunca mais esquecer\u00e1: 21 de Maio de 2015. Foi nesse dia que homens armados invadiram o convento de Mar Elian, de que era respons\u00e1vel, e o arrastaram dali, como ref\u00e9m, juntamente com um jovem postulante. Depois de quatro dias fechado e vendado dentro de um carro, levaram-nos para Raqqa. Foi assim que come\u00e7ou o tempo de sequestro, quase cinco meses, em que Jacques Mourad chegou a ser amea\u00e7ado de morte e a testemunhar o rapto tamb\u00e9m de 250 pessoas da sua par\u00f3quia. Foram cinco meses de cativeiro que refor\u00e7aram poderosamente a sua f\u00e9. No encontro promovido pelo secretariado franc\u00eas da Funda\u00e7\u00e3o AIS, Mourad recordou essa viagem e a proximidade que sentiu com Nossa Senhora.\u00a0 \u201cNa estrada para Raqqa, em direc\u00e7\u00e3o ao desconhecido, uma frase ressoava dentro de mim e que me ajudou a aceitar o que se passava e a entregar-me ao Senhor: \u2018Estou a caminho da liberdade\u2026\u2019. A presen\u00e7a da Virgem, Nossa M\u00e3e, e a ora\u00e7\u00e3o do ter\u00e7o foram a minha arma espiritual.\u201d. Revisitar hoje esse testemunho ajuda a compreender os tempos duros que os crist\u00e3os tiveram de enfrentar no auge da guerra na S\u00edria.<\/p>\n<h4>Os outros ref\u00e9ns<\/h4>\n<p>Nesses anos, com o pa\u00eds transformado num campo de batalha, ningu\u00e9m estava seguro em lado algum. Levado para Raqqa, Jacques Mourad acabou por ficar retiro numa casa durante 84 dias. Um tempo que tamb\u00e9m n\u00e3o esquecer\u00e1 jamais. \u201cQuase todos os dias entravam na minha cela e faziam perguntas sobre a minha f\u00e9. Vivi cada dia como se fosse o \u00faltimo. Mas n\u00e3o cedi. Deus concedeu-me duas coisas: o sil\u00eancio e a amabilidade. Fui assediado, amea\u00e7ado de decapita\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, submetido a um simulacro de execu\u00e7\u00e3o para renegar a minha f\u00e9.\u201d A 4 de Agosto de 2015, o grupo jihadista \u2018Estado Isl\u00e2mico\u2019 conquistou \u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.pt\/search?cr=countryPT&amp;biw=1024&amp;bih=613&amp;tbs=ctr:countryPT&amp;q=Al-Qaryatain&amp;spell=1&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwjR2oGAocfTAhVH1xoKHdtnDWYQBQgeKAA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Al-Qaryatain<\/a> e, no dia seguinte, de madrugada, fez cerca de 250 ref\u00e9ns crist\u00e3os que foram levados para uma regi\u00e3o perto de Palmira. Uns dias mais tarde, o Pe. Mourad foi levado ao encontro desse grupo de ref\u00e9ns. \u00c9 por essa altura que come\u00e7a a planear a pr\u00f3pria fuga, o que veio a acontecer a 10 de Outubro. Numa cena digna de um filme de ac\u00e7\u00e3o, Mourad fugiu dos jihadistas saltando para cima de uma mota conduzida por um amigo mu\u00e7ulmano. Quando recorda esse epis\u00f3dio v\u00ea tamb\u00e9m a\u00ed a presen\u00e7a de Deus e de Nossa Senhora. \u201cCom a ajuda de um jovem mu\u00e7ulmano, consegui sair de <a href=\"https:\/\/www.google.pt\/search?cr=countryPT&amp;biw=1024&amp;bih=613&amp;tbs=ctr:countryPT&amp;q=Al-Qaryatain&amp;spell=1&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwjR2oGAocfTAhVH1xoKHdtnDWYQBQgeKAA\">Al-Qaryatain<\/a> apesar dos riscos que isso implicava. E, novamente, a m\u00e3o misericordiosa de Deus e de Nossa Senhora protegeram-me e acompanharam-me. E nesse caminho de deserto, a palavra \u2018liberdade\u2019 voltou a surgir.\u201d A liga\u00e7\u00e3o do novo Arcebispo de Homs dos S\u00edrios \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS \u00e9 antiga e enche todos de esperan\u00e7a, como lembra Regina Lynch, directora de projectos da AIS. \u201cDurante a sua prova\u00e7\u00e3o, o Padre Jacques continuou a dar um forte exemplo de valores crist\u00e3os, apoiando os seus fi\u00e9is e dando testemunho \u00e0queles que os perseguiam. Agora, como bispo, encontra-se numa posi\u00e7\u00e3o \u00fanica para continuar a encorajar os crist\u00e3os a permanecerem nas suas terras e a serem fi\u00e9is \u00e0s suas cren\u00e7as, mas tamb\u00e9m a empenharem-se no di\u00e1logo com os mu\u00e7ulmanos e a trabalharem para uma coexist\u00eancia pac\u00edfica.\u201d E como \u00e9 importante acreditar numa S\u00edria reconciliada onde todos tenham lugar, onde todos possam viver em paz\u2026<\/p>\n<p>Paulo Aido<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jacques Mourad, o novo Arcebispo de Homs, recorda o tempo de cativeiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-275455","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=275455"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275455\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=275455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=275455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=275455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}