{"id":27542,"date":"2007-10-12T22:26:42","date_gmt":"2007-10-12T22:26:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/12\/fatima-para-o-seculo-xxi-3\/"},"modified":"2007-10-12T22:26:42","modified_gmt":"2007-10-12T22:26:42","slug":"fatima-para-o-seculo-xxi-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fatima-para-o-seculo-xxi-3\/","title":{"rendered":"<i>F\u00e1tima para o s\u00e9culo XXI<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Conclus\u00f5es do Congresso Internacional <!--more--> Depois destes dias de reflex\u00e3o, foi poss\u00edvel reter algumas sugest\u00f5es e linhas de orienta\u00e7\u00e3o que poder\u00e3o ajudar a conhecer melhor e a tornar mais conhecida a mensagem de F\u00e1tima, dela extraindo cada vez mais riquezas. Algumas miss\u00f5es poder\u00e3o ent\u00e3o ser aqui evocadas e deixadas para o pr\u00f3prio santu\u00e1rio.  Ficou patente a necessidade de conhecer melhor as causas da seculariza\u00e7\u00e3o e o contributo da mensagem de F\u00e1tima para ajudar a superar este processo. No que ao contexto hist\u00f3rico do evento diz respeito, ser\u00e1 \u00fatil perceber o reticulado das rela\u00e7\u00f5es entre as autoridades dos poderes locais e regionais ao tempo das apari\u00e7\u00f5es para melhor compreender os interesses que estavam por tr\u00e1s da recep\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias apari\u00e7\u00f5es, o mesmo \u00e9 dizer, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer as motiva\u00e7\u00f5es que levaram e como levaram as autoridades dos poderes local e nacional a tentar funcionalizar F\u00e1tima.  Continua ainda por explorar a afinidade lingu\u00edstica e simb\u00f3lica entre a mensagem de F\u00e1tima e a apocal\u00edptica. Esta tarefa apenas foi aqui enunciada. A riqueza da simbologia da mensagem configura um cariz eminentemente apocal\u00edptico, o mesmo \u00e9 dizer, desvelat\u00f3rio. Ser\u00e1 necess\u00e1rio explorar o horizonte apocal\u00edptico em que o evento das apari\u00e7\u00f5es se d\u00e1, o g\u00e9nero liter\u00e1rio do apocalipse usado pela Irm\u00e3 L\u00facia bem como a f\u00e9 de tonalidade apocal\u00edptica que nos \u00e9 oferecida na mensagem de F\u00e1tima.  Ficou claro que a mensagem de F\u00e1tima com o seu alcance universal possibilita tamb\u00e9m uma fraterniza\u00e7\u00e3o da piedade popular, o que ter\u00e1 de ser reproposto como viv\u00eancia da f\u00e9 e como possibilidade de viv\u00eancia dessa mesma f\u00e9. Daqui resulta uma outra exig\u00eancia, a da pr\u00f3pria evangeliza\u00e7\u00e3o da piedade popular como espa\u00e7o democr\u00e1tico de experi\u00eancia da comunh\u00e3o eclesial. Para esta tarefa foi tamb\u00e9m pedida a urgente prepara\u00e7\u00e3o de um manual de devo\u00e7\u00f5es  Foi solicitado apresentar a mensagem de F\u00e1tima como proposta que \u00e9 de um desafio cordial da esperan\u00e7a. A terceira parte do segredo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a vis\u00e3o do inferno, mas o an\u00fancio positivo da verdade e da seriedade do amor, palavra t\u00e3o actual culturalmente.  Estando no cora\u00e7\u00e3o da mensagem a adora\u00e7\u00e3o \u00e0 Sant\u00edssima Trindade, \u00e9 l\u00f3gico que a pastoral do santu\u00e1rio n\u00e3o se esque\u00e7a de ajudar e de fomentar o di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso, enquanto espa\u00e7o e mensagem abertos ao mundo.  \u00c9 igualmente claro que \u00e9 necess\u00e1rio dar a conhecer a santidade das crian\u00e7as: elas s\u00e3o infantis por terem pouca idade, mas conseguem e sabem ser respons\u00e1veis, logo s\u00e3o adultas na f\u00e9. \u00c9 preciso anunciar isto, dizer que isto \u00e9 poss\u00edvel como no caso das duas primeiras crian\u00e7as n\u00e3o m\u00e1rtires em toda a hist\u00f3ria da Igreja. Isto poder\u00e1 ser j\u00e1 uma mensagem de esperan\u00e7a, na medida em que apresenta a santidade ao alcance de todos e n\u00e3o apenas de alguns eleitos ou privilegiados. Apresentar os Pastorinhos como modelo de santidade acess\u00edvel a todos ser\u00e1 seguramente uma boa not\u00edcia, evangelho. Dar a conhecer mais a biografia dos santos provavelmente alargar\u00e1 este an\u00fancio e ser\u00e1 pedagogicamente um ve\u00edculo, para anunciar Jesus Cristo.  Sendo assim, poder-se-\u00e1 anunciar a possibilidade da doa\u00e7\u00e3o do sofrimento na catequese e na nova evangeliza\u00e7\u00e3o. Fazer chegar aos secretariados da catequese isso mesmo poder\u00e1 ser um contributo valioso.  A actualidade da mensagem dos Pastorinhos ganha uma pertin\u00eancia cultural muito grande com tudo isto: repropor uma nova concep\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o filial, como correc\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ao moderno princ\u00edpio da autonomia. A vis\u00e3o do homem em F\u00e1tima n\u00e3o se baseia no princ\u00edpio moderno da autonomia e da auto-sufici\u00eancia. Dizer isto ao nosso tempo \u00e9 extremamente dif\u00edcil, ainda que imprescind\u00edvel.  Foi not\u00f3ria e seriamente advertido como \u00e9 a teologia da cruz que consegue precisamente evitar que se transforme o cristianismo numa ideologia. Esta \u00e9 a consequ\u00eancia de um cristianismo sem cruz, ou melhor dito, de um cristianismo que pense ou proponha a exist\u00eancia crist\u00e3 sem cruz. Isto tem evidentes consequ\u00eancias para o discurso teol\u00f3gico e para a pr\u00f3pria pr\u00e1tica da nova evangeliza\u00e7\u00e3o, pois obriga a n\u00e3o escamotear o evangelho.  Provavelmente, a teologia da liberta\u00e7\u00e3o ter\u00e1 novamente de ser recolocada como horizonte hermen\u00eautico do discurso teol\u00f3gico contempor\u00e2neo, no qual a linguagem da pr\u00f3pria mensagem de F\u00e1tima poder\u00e1 adquirir um lugar de relevo enquanto proposta libertadora da condi\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria ou alienante quer de um futuro sem Deus quer de uma exist\u00eancia crist\u00e3 que negue a sua condi\u00e7\u00e3o mortal e a necessidade de a pr\u00f3pria liberdade ser liberta, ser redimida. O apelo \u00e0 f\u00e9 com todo o radicalismo face \u00e0 indiferen\u00e7a religiosa ou \u00e0s viola\u00e7\u00f5es da liberdade religiosa n\u00e3o pode nunca ser abandonado. Pede-se ao santu\u00e1rio a coragem para nunca deixar de anunciar a verdade do evangelho na sua inteireza, na sua verdade.  A mensagem de F\u00e1tima ent\u00e3o ajuda o pr\u00f3prio discurso teol\u00f3gico e a Igreja a corrigir a sua derrapagem ideol\u00f3gica que enfatiza em demasia a gl\u00f3ria ou a ressurrei\u00e7\u00e3o, prescindindo da cruz. Do ponto de vista da cristologia, voltam a ganhar actualidade quer as figuras b\u00edblicas do servo, do Cristo sofredor e do Cristo crucificado de S. Paulo, esc\u00e2ndalo para os gentios e loucura para os judeus (cf. 1 Cor 1,23). A Igreja n\u00e3o pode deixar de anunciar como S. Paulo o Cristo crucificado, gostem ou n\u00e3o do Cristo cercado de espinhos, gostem ou n\u00e3o do Cristo cujo cora\u00e7\u00e3o \u00e9 dilacerado. Essa \u00e9 a nossa verdade e a verdade do amor de Deus. Provavelmente, o discurso teol\u00f3gico ter\u00e1 (pelo menos) de voltar a confrontar a mensagem de F\u00e1tima com a teologia da cruz, e com uma nova teologia da liberta\u00e7\u00e3o, o que tem repercuss\u00f5es ao n\u00edvel da teologia trinit\u00e1ria e depois ao n\u00edvel da teologia social e pol\u00edtica, no sentido da constru\u00e7\u00e3o p\u00fablica da cidade. Reler os beatos Jacinto e Francisco \u00e0 luz de S. Paulo no novo ano Paulino de 2008 certamente ter\u00e1 aqui lugar.  Na busca de um enquadramento teol\u00f3gico a partir da espiritualidade de F\u00e1tima (mas n\u00e3o s\u00f3 da espiritualidade, igualmente do vocabul\u00e1rio da repara\u00e7\u00e3o e de alguns conceitos da sua mensagem), foi mostrado como a dureza de algumas pr\u00e1ticas ou simbologias em F\u00e1tima (quer na mensagem quer na espiritualidade) est\u00e3o perfeitamente em sintonia com as exig\u00eancias evang\u00e9licas de entrar pela porta estreita (cf. Mt 7,13-14), o que conota a mensagem de F\u00e1tima de um evidente alcance moral e \u00e9tico. Esta dimens\u00e3o provoca \u00e0 insist\u00eancia no convite \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 penit\u00eancia, o mesmo \u00e9 dizer, ao an\u00fancio constante \u00e0 convers\u00e3o, gostem ou n\u00e3o gostem, exista ou n\u00e3o exista audi\u00eancia, oportuna e inoportunamente. \u00c9 necess\u00e1rio manter um forte apelo \u00e0 convers\u00e3o pelo an\u00fancio da penit\u00eancia dos pecados atrav\u00e9s de uma sempre renovada pastoral do sacramento da penit\u00eancia.  Este apelo tem evidentes consequ\u00eancias espirituais e teol\u00f3gicas, pois constitui ele mesmo uma cr\u00edtica ao de\u00edsmo da espiritualidade moderna de um Deus que parece n\u00e3o Se deixar tocar ou influenciar por n\u00f3s. Antes, em F\u00e1tima Deus como que tamb\u00e9m aprende e n\u00f3s como que O podemos ensinar, porque Ele nos deixa tal tarefa respeitando a nossa liberdade e dando-nos o espa\u00e7o do pleno exerc\u00edcio consciente e livre da mesma.  Continua actual o an\u00fancio do segredo do Deus das miseric\u00f3rdias mas tamb\u00e9m como o Deus do julgamento em que a liberdade humana \u00e9 respeitada at\u00e9 ao fim, sendo assim afirmada como espa\u00e7o absolutamente humano do exerc\u00edcio da responsabilidade dos nossos actos, os quais adquirem alcance eterno contra todo e qualquer determinismo antigo ou moderno.  Foi proposto o an\u00fancio sem medo da tem\u00e1tica da repara\u00e7\u00e3o como oportunidade de consola\u00e7\u00e3o de Deus.  Pastoralmente, o santu\u00e1rio continua com a tarefa da educa\u00e7\u00e3o para a mais genu\u00edna devo\u00e7\u00e3o mariana e com a miss\u00e3o da proclama\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o p\u00fablica da f\u00e9 enquanto projecto social e pol\u00edtico, isto \u00e9, com implica\u00e7\u00f5es na mundivid\u00eancia e na organiza\u00e7\u00e3o da cidade dos homens na qual est\u00e1 presente e a cidade de Deus.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conclus\u00f5es do Congresso Internacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,127,154,193,199,207,221,261,268],"class_list":["post-27542","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-catequese","tag-crianca","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-fatima","tag-historia-da-igreja","tag-missoes","tag-nova-evangelizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27542"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27542\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}