{"id":275076,"date":"2023-03-20T09:00:22","date_gmt":"2023-03-20T09:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=275076"},"modified":"2023-03-17T14:35:57","modified_gmt":"2023-03-17T14:35:57","slug":"deus-nao-abencoa-guerras-nem-violencias-contra-ninguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/deus-nao-abencoa-guerras-nem-violencias-contra-ninguem\/","title":{"rendered":"Deus n\u00e3o aben\u00e7oa guerras nem viol\u00eancias contra ningu\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p><em>Pe. V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-268285 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Andam por a\u00ed muitas confus\u00f5es \u00e0 volta de Deus e das religi\u00f5es. E o mais chocante e incompreens\u00edvel \u00e9 que s\u00e3o as pr\u00f3prias religi\u00f5es a colaborar para a confus\u00e3o, quando deveriam contribuir para a clarificar e purificar. Vou servir-me da atualidade, mas todas as religi\u00f5es t\u00eam um ba\u00fa de barbaridades e contradi\u00e7\u00f5es, de que pouco ou nada se orgulham. Desde o in\u00edcio da guerra da R\u00fassia \u00e0 Ucr\u00e2nia, a igreja ortodoxa russa tem sido uma fonte de perplexidades, nomeadamente pela voz do Patriarca de Moscovo, Kirill. J\u00e1 se sabia que era um grande amigo de Putin, considerou, desde a sua aurora, o seu governo \u201cuma b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus\u201d, e elogiou e aprovou a guerra contra a Ucr\u00e2nia. Algumas das suas \u00faltimas interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem deixar de escandalizar e confundir os crentes e os homens de boa vontade, como prometer aos militares russos a lavagem dos pecados pelo cumprimento do servi\u00e7o militar na guerra, com a poss\u00edvel morte. Primeiro pergunta-se como \u00e9 que uma religi\u00e3o crist\u00e3 pode apoiar um regime ditador e oligarca como \u00e9 o regime de Vladimir Putin. Depois pergunta-se como \u00e9 que se pode obter qualquer gra\u00e7a ou indulg\u00eancia de Deus, combatendo-se numa guerra em que a R\u00fassia n\u00e3o foi atacada, uma guerra que \u00e9 profundamente insustent\u00e1vel, injusta e imoral, levada a cabo ao arrepio de todos os acordos e tratados internacionais, que a R\u00fassia assinou. Nenhum sacrif\u00edcio da vida vale o que quer que seja numa guerra profundamente cruel e sem sentido. O que dizer quando se descobrem valas comuns onde est\u00e3o enterrados, na sua maioria, velhos indefesos e enterradas mulheres e crian\u00e7as que foram barbaramente torturadas e assassinadas? Quem fez isto ainda vai ter um perd\u00e3o dos pecados?<\/p>\n<p>\u00c9 lament\u00e1vel vermos uma religi\u00e3o crist\u00e3 provocar tantos equ\u00edvocos e gerar tantas contradi\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o um tenebroso contratestemunho, em profunda infidelidade ao Evangelho. \u00c9 o que d\u00e1 a religi\u00e3o viver colada ao poder, alian\u00e7a que nunca d\u00e1 bons resultados para os interesses de Deus e para a verdade do Evangelho. As Igrejas e as religi\u00f5es devem estar acima e al\u00e9m de todo e qualquer poder, para n\u00e3o perderem a sua consci\u00eancia cr\u00edtica e a sua liberdade no an\u00fancio e testemunho do Evangelho de Jesus Cristo. Quando religi\u00e3o e poder entram em n\u00fapcias, h\u00e1 uma grande probabilidade de uma confiss\u00e3o religiosa distorcer a sua mensagem e trair a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Na B\u00edblia, todos conhecemos a c\u00e9lebre passagem do livro do G\u00e9nesis, em que Abra\u00e3o se disp\u00f4s a cumprir a ordem de Deus de sacrificar o seu pr\u00f3prio filho Isaac, matando-o num altar. A cena ainda hoje escandaliza, reveste-se de uma especial dramaticidade, gerou e gera muita acesa discuss\u00e3o \u00e0 volta de Deus, como \u00e9 que Deus se pode revestir de tamanha crueldade. Contudo, essa n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o, nem o tema. A mensagem \u00e9 muito mais profunda. Na dita cena, no derradeiro instante do sacrif\u00edcio, em que a sombra do cutelo j\u00e1 pendia sobre o filho amarrado, Deus manda suspender o sacrif\u00edcio. \u00c9 aqui que est\u00e1 a grande e luminar mensagem: n\u00e3o se pode matar ou sacrificar ningu\u00e9m em nome de Deus ou de qualquer outro valor dito supremo. Abra\u00e3o ia faz\u00ea-lo, obedecendo cegamente a Deus, o tal valor supremo, mas Deus n\u00e3o quer isso. Em nome de Deus, ningu\u00e9m est\u00e1 autorizado a levantar a m\u00e3o contra outro ser humano. J\u00e1 chega de viol\u00eancia entre seres humanos por causa de Deus! Os dez mandamentos n\u00e3o querem dizer outra coisa, e Jesus aclarou isto mesmo de forma nova e l\u00edmpida. N\u00e3o h\u00e1 qualquer viol\u00eancia que se justifique entre pessoas humanas em nome de sistemas de valores, por muito superiores que possam ser. Costuma-se dizer que outros valores se levantam, mas n\u00e3o para matar, esmagar ou aniquilar o outro em nome de Deus. Jamais Deus exige o que quer que seja contra o ser humano. Isso n\u00e3o passa de pura idolatria e trampa ideol\u00f3gica para se manter o poder e atingir a concretiza\u00e7\u00e3o dos interesses humanos, como se tem visto nesta guerra da Ucr\u00e2nia, com o patroc\u00ednio da b\u00ean\u00e7\u00e3o de um l\u00edder religioso para se defender, segundo dizem, uma certa luminosa e superior civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a luz contra as trevas, a pureza contra a podrid\u00e3o e a devassid\u00e3o, os \u201cbons valores\u201d contra a decad\u00eancia.<\/p>\n<p>Ainda assim, brilha o Papa Francisco ao n\u00e3o se cansar de pedir a paz. Quando um jornalista lhe pergunta, num podcast, o que gostaria de pedir como presente, no marcante anivers\u00e1rio que celebra \u00e0 frente da Igreja Cat\u00f3lica, o Papa responde: \u201cA paz, precisamos de paz\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 guerra nenhuma que se justifique e que seja inevit\u00e1vel. E confesso que senti sempre no ar a impress\u00e3o de que n\u00e3o se fez tudo para evitar a guerra contra a Ucr\u00e2nia e n\u00e3o se est\u00e1 a fazer tudo para a parar. Fora o Papa Francisco, e quando em vez Ant\u00f3nio Guterres, no ocidente s\u00f3 se fala de armamento e ced\u00eancia aos interesses da ind\u00fastria belicista. \u00c9 confrangedor n\u00e3o se ouvirem vozes firmes e tonitruantes na defesa da paz e a propor caminhos de paz.<\/p>\n<p>Na cria\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz, em 1967, O Papa Paulo VI afirmou: \u201ca paz \u00e9 poss\u00edvel, se for verdadeiramente querida; e se a paz \u00e9 poss\u00edvel, ela \u00e9 obrigat\u00f3ria\u201d.\u00a0 A caminho da celebra\u00e7\u00e3o de mais uma P\u00e1scoa, que n\u00f3s cat\u00f3licos nos unamos mais \u00e0 volta da paz e fa\u00e7amos por fazer chegar o apelo do Papa Francisco, que \u00e9 um apelo da P\u00e1scoa, que se a paz \u00e9 poss\u00edvel, ent\u00e3o, \u201cpaz, precisamos de paz\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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