{"id":274791,"date":"2023-03-15T11:05:19","date_gmt":"2023-03-15T11:05:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=274791"},"modified":"2023-03-15T11:05:19","modified_gmt":"2023-03-15T11:05:19","slug":"um-pequenino-entre-os-maiores-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-pequenino-entre-os-maiores-do-mundo\/","title":{"rendered":"Um pequenino entre os maiores do mundo"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-184289 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Jo\u00e3o Cidade Duarte era o seu nome de Batismo. Ao aproximar-se o seu dia, em plena Quaresma, vou torn\u00e1-lo presente. A vida dos santos s\u00e3o um est\u00edmulo, provocam, desafiam. Os santos s\u00e3o a fina flor da humanidade! Para o recordar, sirvo-me de sites de divulga\u00e7\u00e3o da sua vida e obra, quer da sua Ordem, quer do site \u2018santos e \u00edcones cat\u00f3licos-cruz terra santa\u2019, quer de outros. Uns dizem que n\u00e3o se sabe o dia nem o m\u00eas em que nasceu, outros dizem que nasceu a 8 de mar\u00e7o de 1495, data em que tamb\u00e9m faleceu. Certo \u00e9 que nasceu em Montemor-o-Novo, \u00e9 portugu\u00eas. Seu pai, Andr\u00e9 Cidade, e sua m\u00e3e, Teresa Duarte, vendiam fruta, na rua. Aos oito anos, Jo\u00e3o Cidade desapareceu, talvez levado por algu\u00e9m que por ali passara. Vinte dias ap\u00f3s o seu desaparecimento, a sua m\u00e3e morreu de tristeza. Posteriormente, seu pai foi para um convento de franciscanos, por l\u00e1 terminou os seus dias. Jo\u00e3o, depois de mais algumas curvas e contracurvas a que a vida o obrigou, foi acolhido por Francisco, o administrador dos rebanhos do Conde de Oropesa, perto de Toledo. Porque ningu\u00e9m sabia ao certo quem era o menino e muito menos de onde vinha, deram-lhe o nome de \u201cJo\u00e3o de Deus\u201d. Francisco, homem bom, \u201ceducou Jo\u00e3o como a um filho, juntamente com a pequenina filha que a fam\u00edlia tinha. Depois, dos catorze aos vinte e oito anos, Jo\u00e3o trabalhou para Francisco como um pastor. A rela\u00e7\u00e3o entre eles era quase como a de pai e filho. Quando a filha de Francisco atingiu idade para se casar, Francisco quis cas\u00e1-la com Jo\u00e3o de Deus. Jo\u00e3o, sem querer o casamento e sem saber o que fazer, fugiu e come\u00e7ou uma vida errante\u201d. Alistou-se soldado do rei Carlos V. Como soldado, participou na guerra contra os franceses e contra os turcos. Abandonando o ex\u00e9rcito, peregrinou por toda a Europa. Tendo passado por \u00c1frica, fez-se vendedor ambulante na cidade de Gibraltar, at\u00e9 que resolve voltar a Montemor-o-Novo. Ningu\u00e9m o reconheceu na sua terra, seus pais j\u00e1 tinham morrido, apenas encontrou um tio. Ent\u00e3o, parte de novo, agora para Ceuta, tornando-se empregado de um fidalgo portugu\u00eas desterrado. Para garantir o sustento desta fam\u00edlia em apuros, Jo\u00e3o Cidade acabou por se disponibilizar para a ajudar, trabalhando na constru\u00e7\u00e3o das muralhas da cidade. Com mais uns aban\u00f5es pelas tempestades da vida, regressa a Espanha e fixa-se em Granada, onde abre uma livraria. Aqui, pelo ano de 1538, Jo\u00e3o de Deus ouviu uma prega\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o D\u2019\u00c1vila que o tocou de tal maneira que, numa atitude radical contra a hipocrisia reinante, saiu da igreja aos gritos de &#8220;miseric\u00f3rdia, Senhor, miseric\u00f3rdia&#8221;. Distribuiu os bens que tinha pelos pobres e iniciou uma vida de penit\u00eancia rigorosa. O povo, sem compreender o que se passava, tinha pena do homem ou gozava com a situa\u00e7\u00e3o. Tido como louco, Jo\u00e3o de Deus foi internado no hospital, onde recebeu tratamento desumano e cruel, fruto dos preconceitos e da ignor\u00e2ncia da \u00e9poca quanto \u00e0s doen\u00e7as mentais. Libertando-se de tal situa\u00e7\u00e3o, ele desejava que os tidos como \u2018loucos\u2019 tivessem tratamento mais adequado. Acolhido e orientado por Jo\u00e3o d&#8217;\u00c1vila, ele funda, com esse objetivo, uma \u201cCasa-Hospitalar\u201d. Percorreu as ruas da cidade de Granada, ajudando e transportando os que n\u00e3o conseguiam valer-se sozinhos, levava-os para o seu hospital e separava-os por doen\u00e7as, tratando-lhes das feridas do \u201ccorpo e da alma\u201d, e apregoando pela cidade: \u201cIrm\u00e3os, fazei o bem a v\u00f3s mesmos, dando aos pobres!\u201d.<\/p>\n<p>A Casa Hospitalar de Jo\u00e3o de Deus come\u00e7ou a dar frutos, curando a muitos doentes mentais para espanto de todos. Assim nascia uma Ordem Religiosa a que ele chamou de Ordem dos Irm\u00e3os Hospitaleiros. Apesar de nunca ter estudado medicina, Jo\u00e3o de Deus conseguia a cura de v\u00e1rios doentes mentais, utilizando a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia aliada \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3. Se a alma for curada, meio caminho estava feito para a cura do corpo, era o seu princ\u00edpio. Jo\u00e3o de Deus, se dizia pertencer ao mundo dos loucos, tamb\u00e9m afirmava pertencer ao mundo dos pecadores, dos indignos. E era precisamente isso que o entusiasmava a trabalhar pela reabilita\u00e7\u00e3o, dignifica\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o tanto dos doentes mentais quanto dos pecadores. \u2018Num mundo onde qualquer dist\u00farbio mental era sumariamente classificado como \u201cloucura\u201d, Jo\u00e3o de Deus criou um modelo de empatia, de tratamento, de contacto e de convic\u00e7\u00f5es profundas, que ajudaram milhares de pessoas sofredoras. V\u00e1rias outras institui\u00e7\u00f5es seguiram as suas inspira\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es, ainda hoje o fazem. Para cuidar dos doentes mentais, Jo\u00e3o de Deus &#8216;usava um processo pr\u00f3prio, que unia a conversa, o acolhimento, a ora\u00e7\u00e3o, a cura interior. Por tudo isso, ele \u00e9 considerado o precursor do m\u00e9todo de tratamento psicanal\u00edtico e da compreens\u00e3o de que as doen\u00e7as t\u00eam origens psicossom\u00e1ticas, ou seja, uma alma ou mente perturbada gera doen\u00e7as f\u00edsicas. Os traumas, os rancores, as m\u00e1goas causam doen\u00e7as f\u00edsicas. Freud e seus disc\u00edpulos chegaram a isso quatro s\u00e9culos depois\u2019. O sucesso da obra de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus foi t\u00e3o grande que, mais de oitenta casas-hospitalares foram fundadas pela Europa. A princ\u00edpio, elas abrigavam os doentes mentais e os doentes terminais. Depois, Jo\u00e3o de Deus e seus seguidores come\u00e7aram a atender todos os tipos de doentes. O seu lema estava sempre presente: &#8220;fazei o bem, irm\u00e3os, para o bem de v\u00f3s mesmos&#8221;. Em Roma, foi fundado o hospital Fatebenefratelli, um dos hospitais mais antigo do mundo.<\/p>\n<p>Para salvar um menino de se afogar num rio, Jo\u00e3o atirou-se \u00e0 \u00e1gua. N\u00e3o conseguiu salvar a crian\u00e7a e apanhou uma broncopneumonia que o levou \u00e0 morte. Faleceu em 1550, a 8 de mar\u00e7o, com cinquenta e cinco anos de idade e fama de santidade. Vivendo a tempo o seu pr\u00f3prio tempo, &#8216;soube ser inovador e projetar o futuro. \u00c9 considerado o fundador do Hospital moderno, \u00e9 Santo e protetor do doentes, bombeiros e enfermeiros. Um homem que encontrou Deus no amor aos seus irm\u00e3os&#8217;.<\/p>\n<p>Nos dias de hoje, a Ordem Hospitaleira de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus tem as dimens\u00f5es de um instituto religioso internacional, com sede em Roma, espalhada por mais de 50 pa\u00edses. Com eles trabalham mais de 55 mil profissionais de sa\u00fade, cerca de 30 mil volunt\u00e1rios e s\u00e3o apoiados por milhares de benfeitores em centenas de obras assistenciais: hospitais, cl\u00ednicas, lares, centros de reabilita\u00e7\u00e3o, albergues, centros de sa\u00fade mental, ambulat\u00f3rios, projetos sociais e escolas de enfermagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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