{"id":274780,"date":"2023-03-16T09:00:42","date_gmt":"2023-03-16T09:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=274780"},"modified":"2023-03-15T10:30:51","modified_gmt":"2023-03-15T10:30:51","slug":"e-tempo-do-exercicio-da-responsabilidade-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-tempo-do-exercicio-da-responsabilidade-na-igreja\/","title":{"rendered":"\u00c9 tempo do exerc\u00edcio da responsabilidade na Igreja"},"content":{"rendered":"<p><em>Sofia Salgado Pinto, diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Sofia-Salgado-Pinto.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-274781 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Sofia-Salgado-Pinto-400x256.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Sofia-Salgado-Pinto-400x256.jpeg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Sofia-Salgado-Pinto-480x307.jpeg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Sofia-Salgado-Pinto.jpeg 578w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>Estamos a viver momentos dif\u00edceis na Igreja. Abriram-se canais de den\u00fancia que permitem o anonimato e os casos de abusos sexuais apareceram. A Comiss\u00e3o Independente para o Estudo e Abusos Sexuais na Igreja Cat\u00f3lica, profissional e competente, fez a audi\u00e7\u00e3o, a an\u00e1lise e o tratamento da informa\u00e7\u00e3o. O resultado foi um relat\u00f3rio muito completo e bem estruturado com uma lista de suspeitos.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode ficar indiferente a este relat\u00f3rio que foi apresentado no passado dia 13 de fevereiro. \u00c9 imposs\u00edvel um cat\u00f3lico n\u00e3o ficar profundamente triste, porque uma irm\u00e3 ou um irm\u00e3o seu em Cristo, foi enganado, usado e abusado por quem o devia proteger. Entendo que o relat\u00f3rio produzido pela Comiss\u00e3o Independente deve ser de leitura obrigat\u00f3ria para todos os membros do clero. \u00c9 duro, mas \u00e9 pedag\u00f3gico e impele \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a rea\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa de dia 3 de mar\u00e7o em F\u00e1tima e depois das primeiras atitudes dos bispos \u00e0 lista de suspeitos que a Comiss\u00e3o Independente entregou a cada diocese, julgo ser minha responsabilidade partilhar a minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Do meu \u00e2ngulo de observa\u00e7\u00e3o no mundo empresarial, assinalo que nos \u00faltimos tempos t\u00eam sido mais denunciados casos de ass\u00e9dio moral. E isso tem acontecido n\u00e3o porque existam casos em maior n\u00famero, mas porque existem os canais adequados \u00e0 sua den\u00fancia. E que d\u00e3o a devida confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Isto, porque em todas as empresas com mais de 50 empregados \u00e9 obrigat\u00f3rio ter canais de den\u00fancia que salvaguardem o anonimato do denunciante e que deem seguimento \u00e0 adequada investiga\u00e7\u00e3o dos casos registados. E os casos aparecem.<\/p>\n<p>A Igreja come\u00e7ou agora a lidar com o registo deste tipo de ocorr\u00eancias e tem de se preparar para a continuidade das den\u00fancias. E ser\u00e1 um espa\u00e7o seguro, se fizer o adequado tratamento das mesmas. N\u00e3o descredibilizando ou ocultando, pois n\u00e3o estamos a viver uma mera fase. \u00c9, isso sim, o in\u00edcio de uma nova forma de tomar conhecimento e de saber o que fazer com a informa\u00e7\u00e3o revelada. Isto exige uma nova atitude e novos comportamentos.<\/p>\n<p>Procuro saber o que me diz Jesus aqui e agora nestas situa\u00e7\u00f5es. O Evangelho inspira e o Esp\u00edrito Santo continua a ecoar no meu cora\u00e7\u00e3o dizendo-me que olhe para os vulner\u00e1veis, que Cristo est\u00e1 com os fragilizados, com as v\u00edtimas dos mais diversos abusos, com os que choram, e com os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a. E a salvaguarda destes tem de se fazer com o assumir da responsabilidade por mais dura que ela seja.<\/p>\n<p>Quem leu o relat\u00f3rio percebe que o tema \u00e9 delicado. E quem tem acompanhado estes temas no contexto das organiza\u00e7\u00f5es e empresas tamb\u00e9m o sabe. \u00c9 preciso acompanhar as v\u00edtimas, mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso acompanhar os abusadores. Ningu\u00e9m disse ou pensou que a tarefa \u00e9 f\u00e1cil. Mas h\u00e1 especialistas dispon\u00edveis para ajudar, apenas \u00e9 preciso humildade para reconhecer e pedir ajuda. \u00c9 hora de proteger cada v\u00edtima e cada pessoa em perigo de abuso. \u00c9 hora de deixar de lado o que nos bloqueia e de tomar o \u201cjugo de Jesus\u201d.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m em nenhuma organiza\u00e7\u00e3o, na sociedade em que vivemos, est\u00e1 acima do direito \u00e0 dignidade humana. \u00c9 disso que falamos e \u00e9 dessa viola\u00e7\u00e3o que se trata. E os p\u00e1rocos e os bispos, pelo seu minist\u00e9rio, devem exercer a sua responsabilidade salvaguardando o respeito por cada ser humano, atrav\u00e9s da aten\u00e7\u00e3o e do controlo continuados, acompanhando quem sofre sempre que algo de errado tiver acontecido.<\/p>\n<p>Como prev\u00ea a Santa S\u00e9, s\u00f3 a\u00e7\u00f5es concretas de afastamento de suspeitos e a transpar\u00eancia de a\u00e7\u00f5es de controlo e acompanhamento permitir\u00e3o fazer regressar a confian\u00e7a. Rezo para que cada membro do clero e da Igreja, fa\u00e7a desta Quaresma um momento de abertura \u00e0s solu\u00e7\u00f5es que o Senhor nos indica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sofia Salgado Pinto, diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":274781,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-274780","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274780"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274780\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/274781"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}