{"id":274520,"date":"2023-03-13T09:00:48","date_gmt":"2023-03-13T09:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=274520"},"modified":"2023-03-13T12:08:13","modified_gmt":"2023-03-13T12:08:13","slug":"senta-te-descansa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/senta-te-descansa\/","title":{"rendered":"Senta-te. Descansa!"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Jorge Giroto, Diocese de Lamego<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-274522 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/P-Antonio-Jorge-Giroto-lamego.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Cansados, n\u00e3o nos sentamos. O bel\u00edssimo texto da Samaritana que S\u00e3o Jo\u00e3o nos oferece fala-nos do cansa\u00e7o de Jesus, mas n\u00e3o nos apresenta um Senhor cansado.<\/p>\n<p>\u201cJesus, cansado da caminhada, sentou-se, sem mais, na borda do po\u00e7o. Era por volta do meio-dia\u201d (Jo 4,6).<\/p>\n<p>A pressa do tempo obriga-nos a correr para o acompanhar. As corridas da vida levam-nos, inevitavelmente, ao cansa\u00e7o. Byung-Chul Han, o pr\u00f3ximo fil\u00f3sofo da moda, nasceu em Seul h\u00e1 64 anos. Com cerca de 30 anos saiu de Seul para vir para a Alemanha onde acabou por estudar e ficar a residir. Talvez por vir de fora e de longe, olha para n\u00f3s, europeus, de um outro modo, vendo aquilo que vamos desvalorizando, com uma acuidade que s\u00f3 algu\u00e9m muito profundo e atento consegue. Tem escrito muito sobre n\u00f3s a quem chama a \u201csociedade do cansa\u00e7o\u201d. O excesso de ocupa\u00e7\u00f5es e mais ainda a press\u00e3o dram\u00e1tica que colocamos sobre n\u00f3s mesmos, conduz a uma esp\u00e9cie de \u201cviol\u00eancia neuronal\u201d que n\u00e3o permite o repouso. O autor lembra-nos ainda do nosso medo do sofrimento em \u201cSociedade Paliativa\u201d e da incapacidade de lidar com a dor. Em \u201cdesaparecimento dos rituais\u201d, o autor adverte-nos para a produ\u00e7\u00e3o constante exigida, para uma coa\u00e7\u00e3o \u00e0 performance que j\u00e1 n\u00e3o vem do exterior. Em tudo, este dedicado coreano alerta-nos para a rapidez do tempo que vivemos e para a absoluta necessidade de parar, de descansar, de ter tempo para o lazer e para a frui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 este o tempo de parar, de contemplar, de ver demoradamente. De n\u00e3o permitir que a nossa pressa e cansa\u00e7o nos impe\u00e7a de ver em cada pessoa um irm\u00e3o. Em \u201cO Crep\u00fasculo dos Deuses\u201d, o suspeito mestre Nietzsche sublinha a necessidade de serem ensinadas as mais importantes tarefas: ensinar a ver, a pensar, a falar e escrever. Vede como estas tarefas continuam t\u00e3o atuais. Em tempo de fake news facilmente identific\u00e1veis, mas tamb\u00e9m no tempo das not\u00edcias \u201cfakezinhas\u201d, tendenciosas e ardilosamente elaboradas, que bom \u00e9 recuperarmos a profundidade do pensamento e das suas tarefas mais elementares.<\/p>\n<p>Ensinar a ver \u00e9 hoje, na minha \u00f3tica, a tarefa primordial. E para isso temos mesmo de parar, de nos sentarmos na borda daquele po\u00e7o e deixarmos que o nosso olhar pouse sobre aquele que vem, para dele fazermos um pr\u00f3ximo. \u00c9 ao som das \u00e1guas profundas do po\u00e7o de Jacob ali de Sicar, mas tamb\u00e9m de todas as \u00e1guas que ainda correm, que nos apercebemos que \u00e9 meio-dia. Estamos, portanto, a meio do dia, com a manh\u00e3 j\u00e1 passada, que n\u00e3o mudaremos, mas ainda bem longe da noite escura. Talvez pare\u00e7a que \u00e9 uma s\u00edndrome de anoitecer que nos atinge, mas temos ainda a tarde toda. Que faremos? Aproveit\u00e1-la-emos para fazer a vida de algu\u00e9m valer a pena? A quest\u00e3o decisiva \u00e9 mesmo esta: Vamos fazer algo por algu\u00e9m, ou s\u00f3 n\u00f3s interessamos?<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos deixaram ali Jesus, junto ao po\u00e7o. Apesar da inaptid\u00e3o apontada e confessada dos homens em fazer compras, n\u00e3o teriam que ir certamente os doze ao mercado! Talvez porque \u00e9 necess\u00e1rio estar ali, perto da nascente. Era ali que estava a samaritana e Jesus tinha de fazer a sua vida voltar a valer a pena, voltar a fazer sentido, sem julgamentos apressados, sem preconceitos. Para Jesus aquela mulher era isso mesmo, uma mulher. S\u00f3 depois era samaritana e, depois ainda, t\u00e3o pecadora como aqueles que n\u00e3o fomos atingidos pela torre de Silo\u00e9.<\/p>\n<p>O multitasking do telem\u00f3vel e da vida faz-nos olhar para muita coisa e ver muito pouco. Urge esta pedagogia do ver, que precisa de tempo, de aten\u00e7\u00e3o, de foco, de paci\u00eancia, de acolhimento, de entrega, de miseric\u00f3rdia e de di\u00e1logo. Basta de conversa desinteressante em que defendemos apenas a nossa teoria ou ideia e somos incapazes de olhar a verdade presente no outro, no meio da sua fragilidade e fortaleza. Acostumando assim os olhos \u00e0 serenidade, cada encontro ser\u00e1 junto ao po\u00e7o de Jacob. Dele irradiar\u00e1 uma luz e jorrar\u00e1 uma \u00e1gua que transformar\u00e3o a nossa vida, que nos converter\u00e3o. Luz e \u00e1gua que chegar\u00e3o aos que encontrarmos e conduzir\u00e1 cada um ao brilho da alegria e ao transbordar da felicidade.<\/p>\n<p>Senta-te. Descansa. \u00c9 meio-dia. Vem a\u00ed a tarde. Diverte-te a fazer algu\u00e9m feliz!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jorge Giroto, Diocese de Lamego<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":274522,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-274520","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274520\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/274522"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}