{"id":27446,"date":"2007-10-09T16:11:26","date_gmt":"2007-10-09T16:11:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/09\/artista-portugues-da-vida-aos-misterios-do-rosario-em-fatima\/"},"modified":"2007-10-09T16:11:26","modified_gmt":"2007-10-09T16:11:26","slug":"artista-portugues-da-vida-aos-misterios-do-rosario-em-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/artista-portugues-da-vida-aos-misterios-do-rosario-em-fatima\/","title":{"rendered":"Artista portugu\u00eas d\u00e1 vida aos Mist\u00e9rios do Ros\u00e1rio, em F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 Sala de Imprensa do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima o artista pl\u00e1stico portugu\u00eas Pedro Calapez, autor dos trabalhos art\u00edsticos das portas principais e dos pain\u00e9is com o tema dos mist\u00e9rios na Igreja da Sant\u00edssima Trindade, fala cobre o seu trabalho.  <b>Como descreve conceptualmente as obras que elaborou para a nova igreja do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima?<\/b> Os desenhos que realizei fazem refer\u00eancia a artistas que na Hist\u00f3ria da Arte se debru\u00e7aram sobre os temas propostos e aos quais fui retirar inspira\u00e7\u00e3o, por vezes fazendo refer\u00eancias concreta a determinadas pinturas ou desenhos. Artistas incontorn\u00e1veis da arte universal, como Fra Ang\u00e9lico, Giotto, Simone Martini, Masacio, Mantegna e outros s\u00e3o por mim homenageados neste projecto. No caso dos pain\u00e9is o tema \u00e9 \u201cOs Mist\u00e9rios do Ros\u00e1rio\u201d. S\u00e3o vinte temas em quatros grupos de cinco, os Mist\u00e9rios Gozosos,Luminosos, Dolorosos e Gloriosos. Gozoso (1) : A anuncia\u00e7\u00e3o do Anjo a Nossa Senhora. Foi escolhido representar apenas a cabe\u00e7a do anjo, mostrando-se na parte lateral direita um tro\u00e7o de aur\u00e9ola, evoca\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora. A m\u00e3o do Anjo, com o dedo levantado lembra o que veio transmitir. Gozoso (2) : A visita de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel. As duas figuras, uma jovem e outra de mais idade, olham-se nos olhos como que reflectindo todo o futuro que lhes est\u00e1 reservado Gozoso (3) : O nascimento de Jesus em Bel\u00e9m. S. Jos\u00e9 reclina-se sobre a figura de Nossa Senhora embalando o Menino, est\u00e3o diante uma gruta simbolizada nos m\u00faltiplos tra\u00e7os na parte esquerda do desenho. Gozoso (4) : A apresenta\u00e7\u00e3o do Menino Jesus no templo. Duas figuras aparecem do lado esquerdo, sendo Sime\u00e3o a mais central, dirigindo-se a Nossa Senhora que eleva nas suas m\u00e3os o Menino Jesus. Gozoso (5) : O encontro de Jesus no templo, entre os doutores. A figura de Jesus aparece aqui isolada, mas com a m\u00e3o direita levantada, como que discursando. Em fundo evoca-se uma colunata referindo-se assim o local em que se encontra.  Luminoso (1) : O Baptismo de Jesus no Jord\u00e3o. Evocando o momento crucial do Baptismo foi escolhido dar \u00eanfase ao acto do cair da \u00e1gua na cabe\u00e7a de Jesus. A m\u00e3o de Jo\u00e3o Baptista segura uma tigela inclinada sobre a cabe\u00e7a de Jesus. Luminoso (2) : A revela\u00e7\u00e3o de Jesus nas Bodas de Can\u00e3. A transforma\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em vinho \u00e9 aqui simbolizada pelo conjunto de vasilhas que pelo seu conjunto repetitivo evocam o efeito de multiplica\u00e7\u00e3o. Luminoso (3) : O an\u00fancio do Reino de Deus com o convite \u00e0 convers\u00e3o. Escolheu-se aqui a representa\u00e7\u00e3o das m\u00e3os, como elemento simbolizador da ora\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m da prega\u00e7\u00e3o. Luminoso (4) : A transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor. Jesus aparece aqui como que flutuando no ar, surgindo duas figuras lateralmente, evoca\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s e de Elias. Luminoso (5) : A institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia. O c\u00e1lice foi considerado como o elemento a representar de um modo muito afirmativo e assim escolheu-se apresent\u00e1-lo em grandes dimens\u00f5es e como elemento \u00fanico deste desenho.  Doloroso (1) : A agonia de Jesus no horto das oliveiras. Representa-se Jesus ajoelhado junto a um monte rochoso. Ao fundo um c\u00e9u estrelado evocativo do espa\u00e7o de Deus. Doloroso (2) : A Flagela\u00e7\u00e3o de Jesus. Apenas o torso de Jesus em posi\u00e7\u00e3o crispada de dor e um instrumento de tortura do lado esquerdo. Doloroso (3) : A coroa\u00e7\u00e3o de Espinhos. Optou-se aqui tamb\u00e9m por centrar o desenho no elemento principal deste tema, a coroa de espinhos, representada em grande dimens\u00e3o. Doloroso (4) : Jesus a caminho do Calv\u00e1rio. Jesus transporta a cruz, num movimento desequilibrado e tenso, revelando o Seu mart\u00edrio no caminho do Calv\u00e1rio. Doloroso (5) : Crucifica\u00e7\u00e3o e Morte de Jesus. Apenas se v\u00eaem as pernas e os p\u00e9s, estes escorrendo sangue. Do lado direito um dos ladr\u00f5es, noutra cruz.  Glorioso (1) : A Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Cristo eleva-se do t\u00famulo perante os soldados vencidos pelo seu esplendor. Glorioso (2) : A Ascens\u00e3o de Jesus no c\u00e9u. Evoca-se pelo desenho um buraco nos c\u00e9us, por onde ascende Jesus. A figura de um ap\u00f3stolo eleva as m\u00e3o na direc\u00e7\u00e3o do Senhor. Glorioso (3) : A descida do Esp\u00edrito Santo sobre Nossa Senhora e os Ap\u00f3stolos. Uma figura nas nuvens , Deus, dirige as suas m\u00e3os em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 terra. Delas emanar\u00e1 o Esp\u00edrito Santo. Glorioso (4) : A Assun\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora. Escolheu-se representar Nossa Senhora a meio corpo, em grande dimens\u00e3o, com o olhar dirigido para o alto. Glorioso (5) : A coroa\u00e7\u00e3o de Nossas Senhora Rainha dos Anjos e Santos. Uma m\u00e3o aparece do lado esquerdo do desenho segurando uma coroa, que est\u00e1 a ser colocada na cabe\u00e7a de Nossa Senhora. Um fundo evocando brilhantes emoldura a cena.  Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Portas, foi escolhido representar um c\u00e9u pleno de nuvens. Numa abertura dessas nuvens surge uma pomba, s\u00edmbolo evocativo da Sant\u00edssimaTrindade. Mais do que uma descri\u00e7\u00e3o visual das cenas decidi evocar situa\u00e7\u00f5es ou escolher elementos que creio se encontram na mem\u00f3ria de todos os Crist\u00e3os, possibilitando tamb\u00e9m a descoberta de cada hist\u00f3ria a partir dos seus pormenores.  <b>Pode descrever alguns pormenores em rela\u00e7\u00e3o ao decorrer do trabalho?<\/b> A realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho passou primeiro pela investiga\u00e7\u00e3o, ver como diferentes artistas em diferentes \u00e9pocas tinham resolvido os temas propostos. Os desenhos que come\u00e7aram a surgir no computador, por vezes partindo de imagens pr\u00e9-existentes, foram estudados tendo em vista o processo t\u00e9cnico escolhido para a sua realiza\u00e7\u00e3o: a fundi\u00e7\u00e3o em bronze.  Escolhi realizar o desenho de uma forma muito sint\u00e9tica e gr\u00e1fica, representando por vezes as cenas em grande amplia\u00e7\u00e3o. A espessura do tra\u00e7o foi assim determinante para fazer resultar a leitura da imagem em tamanho natural. Aconteceu-me por diversas vezes dar por terminado um desenho e depois verificar que n\u00e3o era tecnicamente vi\u00e1vel. Esse foi um dos primeiros problemas a resolver. Por outro lado sendo a linha vazada numa superf\u00edcie lisa a sua leitura era feita pelo contraste com o fundo onde se colocaria o painel. \u00c9 claro que era necess\u00e1rio saber como num fundo de pedra claro a linha teria leitura, se a sombra do painel na parede seria suficiente escura para a linha se ver como negra em contraste com as diferentes cores que o bronze podia tomar ou se pelo contr\u00e1rio a linha se leria clara num fundo escuro. Decidi realizar esta \u00faltima op\u00e7\u00e3o, escolhendo uma patine escura, deliberadamente manchada para animar plasticamente a sua superf\u00edcie. Pensava ent\u00e3o que a linha se destacaria melhor recortada na parede branca, isto \u00e9, linha branca em fundo negro. J\u00e1 em obra, na montagem, verifiquei que tinha escolhido uma patine demasiado escura, e que ainda por cima n\u00e3o exaltava convenientemente a qualidade do material utilizado. Tinha previsto a possibilidade de aclarar a patine mas decidi nesse momento rasp\u00e1-la completamente deixando o material na sua cor natural. O efeito resultou esplendidamente, visualizando-se uma linha negra, forte, em contraste com a superf\u00edcie brilhante do painel. Linha negra sobre fundo claro, o inverso do que tinha originalmente projectado. Apercebi-me ainda nesse momento, que os efeitos das m\u00e1quinas na limpeza do bronze eram efeitos plasticamente interessantes, provocando uma vibra\u00e7\u00e3o na superf\u00edcie muito eficaz visualmente. Decidi assim que esse seria o acabamento dos bronzes. Penso que o que aconteceu s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es comuns aquando da realiza\u00e7\u00e3o de obras de arte destinadas a serem colocadas em espa\u00e7os espec\u00edficos, com arquitectura e ilumina\u00e7\u00f5es que determinam ou podem condicionar o projecto feito no papel. O artista deve sempre estar aberto para modificar a sua obra perante as condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas dum espa\u00e7o que experimenta.  <b>Enquanto artista, o que significa para si estar ligado \u00e0 obra da Igreja da Sant\u00edssima Trindade?<\/b> Pela dimens\u00e3o do projecto e as especiais caracter\u00edsticas do local trata-se de uma situa\u00e7\u00e3o \u00fanica, de significado especial na vida de um artista. F\u00e1tima \u00e9 local de intensa espiritualidade, visitado por milhares de crentes. Pensar como ser\u00e3o vistas as obras que projectei assusta-me e deslumbra-me.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 Sala de Imprensa do Santu\u00e1rio de F\u00e1tima o artista pl\u00e1stico portugu\u00eas Pedro Calapez, autor dos trabalhos art\u00edsticos das portas principais e dos pain\u00e9is com o tema dos mist\u00e9rios na Igreja da Sant\u00edssima Trindade, fala cobre o seu trabalho. 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