{"id":274256,"date":"2023-03-12T09:30:13","date_gmt":"2023-03-12T09:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=274256"},"modified":"2023-03-11T12:17:06","modified_gmt":"2023-03-11T12:17:06","slug":"igreja-abusos-todos-temos-de-ter-a-preocupacao-de-conquistar-confianca-jose-souto-moura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-abusos-todos-temos-de-ter-a-preocupacao-de-conquistar-confianca-jose-souto-moura\/","title":{"rendered":"Igreja\/Abusos: \u00abTodos temos de ter a preocupa\u00e7\u00e3o de conquistar confian\u00e7a\u00bb &#8211; Jos\u00e9 Souto Moura"},"content":{"rendered":"<p><em>O presidente da Equipa de Coordena\u00e7\u00e3o Nacional das Comiss\u00f5es Diocesanas de Prote\u00e7\u00e3o de Menores \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_274322\" aria-describedby=\"caption-attachment-274322\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-274322 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2592-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-274322\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>A Coordena\u00e7\u00e3o Nacional vai analisar a lista de alegados abusadores disponibilizada pela Comiss\u00e3o Independente? A documenta\u00e7\u00e3o vai ser pedida \u00e0s Comiss\u00f5es Diocesanas? <\/em><\/p>\n<p>As comiss\u00f5es diocesanas dependem da op\u00e7\u00e3o que cada bispo tomar. Aquilo que aconteceu na Comiss\u00e3o a que eu perten\u00e7o, que \u00e9 a Comiss\u00e3o do Patriarcado de Lisboa, j\u00e1 tomou a decis\u00e3o de facultar a lista dos sacerdotes que t\u00eam a ver com a Patriarcado de Lisboa, e j\u00e1 a facultou a todos os membros da Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E, portanto, a partir da\u00ed se ver\u00e1 como \u00e9 que a n\u00edvel nacional, depois, cada Comiss\u00e3o decide? <\/em><\/p>\n<p>Cada uma decidir\u00e1 a n\u00edvel nacional, mas eu n\u00e3o mando nos bispos, s\u00f3 coordeno as comiss\u00f5es. Admito perfeitamente, que j\u00e1 haja uma orienta\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal sobre esse assunto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que a interven\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ter a coordena\u00e7\u00e3o nacional? considera importante para n\u00e3o haver diferen\u00e7as de tratamento das situa\u00e7\u00f5es, existir a informa\u00e7\u00e3o\/documenta\u00e7\u00e3o com procedimentos a adotar pelas dioceses nas situa\u00e7\u00f5es de alegados abusos? <\/em><\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o das 21 comiss\u00f5es est\u00e1 orientada por uma base comum que j\u00e1 tem mais de 1 ano, e que eu elaborei com os meus colegas da equipa de coordena\u00e7\u00e3o e essa base comum, diz, para quem n\u00e3o tiver regulamentos pr\u00f3prios &#8211; porque h\u00e1 muitas comiss\u00f5es que j\u00e1 tinham e t\u00eam regulamentos pr\u00f3prios &#8211; mas quem as n\u00e3o tiver orienta-se pela base comum.\u00a0E mesmo quem as tiver, tem de adaptar a base comum para haver a tal uniformidade, sem disparidade de comportamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s, apesar desse trabalho estar a ser feito h\u00e1 muito tempo, e temos tido oportunidade at\u00e9 de acompanhar encontros das Comiss\u00f5es Diocesanas em F\u00e1tima, a verdade \u00e9 que nos \u00faltimos dias se criou alguma, ou bastante confus\u00e3o no espa\u00e7o P\u00fablico, mormente com o debate sobre medidas cautelares ou suspens\u00f5es que t\u00eam significados diferentes na opini\u00e3o p\u00fablica, ou no direito can\u00f3nico.\u00a0\u00c9 importante tentar serenar o ambiente e passar uma mensagem de determina\u00e7\u00e3o, esclarecendo estes conceitos e tamb\u00e9m dando como exemplo as medidas que j\u00e1 est\u00e3o a ser tomadas por algumas dioceses?<\/em><\/p>\n<p>Acho que \u00e9 muito importante dar conhecimento de que est\u00e1 tudo em movimento. Eu falo da Comiss\u00e3o de Lisboa, e na Comiss\u00e3o de Lisboa j\u00e1 se substituiu e est\u00e1-se em curso de conseguir um novo coordenador para a Comiss\u00e3o, porque o elemento que coordenava que era D. Am\u00e9rico Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa, vai sair porque ser\u00e3o s\u00f3 leigos a tomar conta das comiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a medidas como, por exemplo, suspens\u00e3o de cl\u00e9rigos, suponho que se queria referir a isso de cl\u00e9rigos?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sim, a pergunta vai no sentido de se perceber se a terminologia muito pr\u00f3pria da igreja, nesta mat\u00e9ria, prejudicou a comunica\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que prejudicou a comunica\u00e7\u00e3o porque h\u00e1 alguma confus\u00e3o de termos e do significado desses termos. Fala-se em suspens\u00e3o, mas em Direito Can\u00f3nico, suspens\u00e3o, eu at\u00e9 posso ler aqui um artigo do Vade-m\u00e9cum foi \u00e9 feito pela congrega\u00e7\u00e3o, ou Dicast\u00e9rio da doutrina da f\u00e9, e esse artigo \u00e9 muito claro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Deve ser o 62, imagino?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 o 62. Para evitar confus\u00f5es, diz: \u201cObserva-se frequentemente que ainda est\u00e1 em uso a antiga terminologia da suspens\u00e3o <em>a divinis<\/em> para indicar a proibi\u00e7\u00e3o de exercer o minist\u00e9rio imposta como medida cautelar a um cl\u00e9rigo. \u00c9 bom evitar tal designa\u00e7\u00e3o, bem como a de suspens\u00e3o <em>ad cautelam<\/em>, porque na legisla\u00e7\u00e3o em vigor a suspens\u00e3o \u00e9 uma pena e, nesta fase, ainda n\u00e3o pode ser imposta\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Da\u00ed utilizar-se afastamento? <\/em><\/p>\n<p>A forma correta para designar tal disposi\u00e7\u00e3o ser\u00e1, por exemplo, afastamento ou proibi\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio do Minist\u00e9rio.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A minha quest\u00e3o \u00e9 nesse sentido. Acha que h\u00e1 ambiente medi\u00e1tico para as pessoas pararem, serenarem e perceberem que efetivamente estamos a falar de coisas diferentes quando se calhar depois, a resposta vai ao encontro das preocupa\u00e7\u00f5es? Porque um afastamento tempor\u00e1rio como aconteceu j\u00e1 nalguns casos, responde \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es das pessoas&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Sim. Eu acho que a terminologia a usar mais correta e para evitar a tal suspens\u00e3o <em>ad cautelam<\/em> ou a<em> divinis<\/em> \u00e9 afastamento. \u00c9 um afastamento tempor\u00e1rio, apesar de n\u00e3o ser uma san\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 que \u00e9 importante, porque se fosse uma san\u00e7\u00e3o seria da compet\u00eancia de Roma &#8211; sendo o afastamento, pode ser do bispo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fazendo um paralelismo com a lei civil, no fundo, ser\u00e1 a constitui\u00e7\u00e3o de um arguido para sua pr\u00f3pria defesa? <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tem nada a ver com isso. Tem a ver eventualmente com a medidas de preven\u00e7\u00e3o, que acontecem no processo penal. S\u00e3o medidas estritamente processuais n\u00e3o penais, n\u00e3o de san\u00e7\u00e3o. S\u00e3o judiciais porque \u00e9 um juiz que as imp\u00f5e, no caso civil. porque pode haver perigo de fuga, perigo de preju\u00edzo de conserva\u00e7\u00e3o da prova &#8211; pois podem estar a ser destru\u00eddas provas se o arguido estiver em liberdade &#8211; e, al\u00e9m disso, h\u00e1 arguidos que podem continuar a cometer crimes.<\/p>\n<p>Essas tr\u00eas raz\u00f5es que s\u00e3o preventivas s\u00e3o medidas que, no Penal, correspondem \u00e0s medidas cautelares do civil, e, portanto, pode estabelecer-se um paralelo entre isso e este afastamento. Agora, \u00e9 importante \u00e9 que se diga que esse afastamento pode ser determinado pelos senhores bispos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nalgumas interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, podemos ouvir e ler que os padres acusados seriam culpados at\u00e9 prova em contr\u00e1rio. \u00a0Tem faltado racionalidade face \u00e0 grande, a grande carga emotiva que todas estas quest\u00f5es geram?<\/em><\/p>\n<p>Desculpe, mas deixe-me perguntar: quando disse padres acusados, s\u00e3o os padres mencionados na lista da Comiss\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sim, refiro-me a essa situa\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Mas, repare, n\u00e3o s\u00e3o acusados, nem suspeitos. S\u00e3o designados pelas pessoas que foram ouvidas. Em 90% dos casos, ser\u00e3o pessoas que os indicaram anonimamente sobre anonimato.\u00a0E claro que s\u00e3o pessoas que v\u00e3o desencadear necessariamente uma investiga\u00e7\u00e3o para se saber qual o fundamento dessa indica\u00e7\u00e3o por parte das v\u00edtimas.\u00a0Eu N\u00e3o acredito que as v\u00edtimas acusem de uma coisa com esta gravidade sem fundamento e, portanto, dou o benef\u00edcio de que est\u00e3o a falar verdade e \u00e9 um facto que aconteceu.\u00a0 Agora, h\u00e1 um princ\u00edpio que \u00e9 um princ\u00edpio b\u00e1sico do processo penal portugu\u00eas e de todo o direito sancionat\u00f3rio, e \u00e9 disso que estamos aqui a falar quer civil, quer can\u00f3nico, e esse princ\u00edpio b\u00e1sico \u00e9 t\u00e3o b\u00e1sico que est\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o: chama-se presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A pergunta ia o sentido de se perceber se tem faltado racionalidade face \u00e0 grande carga emotiva que todas estas quest\u00f5es geraram ou se tudo isto se precipita por causa dessa confus\u00e3o de que v\u00ednhamos a falar ainda h\u00e1 pouco? <\/em><\/p>\n<p>Eu acho que a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e9 natural e \u00e9 necessariamente emotiva. Deixe-me dizer-lhe que, na apresenta\u00e7\u00e3o na Gulbenkian do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Independente, a descri\u00e7\u00e3o que foi feita de v\u00e1rios casos, que foram denunciados e foram descritos pelas v\u00edtimas, essa descri\u00e7\u00e3o contribuiu imenso para que as pessoas ficassem realmente muito impressionadas, se \u00e9 que n\u00e3o estavam j\u00e1. Porque quando se fala de abusos, qualquer adulto percebe de que \u00e9 que se est\u00e1 a falar. Pode ser mais ou menos grave, mas \u00e9 sempre muit\u00edssimo grave.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas considera que n\u00e3o se devia ter feito esse relato?<\/em><\/p>\n<p>O que eu acho \u00e9 que esse relato deveria ter sido feito, tipo a t\u00edtulo exemplificativo. Talvez tenha sido prolongado demais.\u00a0Isso \u00e9 que eu acho, mas tamb\u00e9m percebo que a preocupa\u00e7\u00e3o era criar um impacto, para que as pessoas ficassem realmente motivadas dentro daquilo que possam fazer para combater este malef\u00edcio, que infelizmente ir\u00e1 acontecer mais vezes. Suponho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_274321\" aria-describedby=\"caption-attachment-274321\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-274321\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/IMG_2583.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-274321\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A Confer\u00eancia Episcopal determinou que as Comiss\u00f5es Diocesanas sejam constitu\u00eddas apenas por leigos competentes nas mais diversas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o. Isso poder\u00e1 fazer aumentar o capital de confian\u00e7a das alegadas v\u00edtimas de abusos?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 eventualmente um d\u00e9fice de conhecimento do que s\u00e3o as comiss\u00f5es. Porqu\u00ea? Porque as comiss\u00f5es trabalham sem fazer grandes exposi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e as pessoas n\u00e3o sabem que as comiss\u00f5es j\u00e1 t\u00eam especialistas nas v\u00e1rias \u00e1reas que interessam. Eu posso dizer que, por exemplo, a Comiss\u00e3o de Lisboa tem uma psic\u00f3loga do n\u00edvel da Rute Agulhas, do melhor que h\u00e1, tem outra psic\u00f3loga, tem psiquiatra, tem um ex-diretor da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria, tem um ex-diretor-geral da PSP\u2026 espero n\u00e3o me estar a esquecer de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Aqui a quest\u00e3o \u00e9 que a coordena\u00e7\u00e3o dessas comiss\u00f5es deixa de ser confiada, como acontecia nalguns casos, a um sacerdote ou um bispo auxiliar, e passam a ser constitu\u00eddas apenas por leigos. Em que \u00e9 que esta medida vai ajudar as comiss\u00f5es a ganhar a confian\u00e7a de quem sinta necessidade de denunciar?<\/em><\/p>\n<p>O que eu acho \u00e9 que todas as pessoas devem denunciar, v\u00edtimas e quem tem conhecimento da exist\u00eancia dessas v\u00edtimas. Devem denunciar e a comunidade deve estar motivada para esse trabalho. \u00c9 fundamental, porque \u00e9 uma mentalidade e uma cultura que duraram anos ou s\u00e9culos e que \u00e9 uma mentalidade comum \u00e0 sociedade: \u00e9 na Igreja, nos gin\u00e1sios, nas escolas, nos semin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Portanto, esse tabu de n\u00e3o falar nessas coisas desagrad\u00e1veis deve terminar, ali\u00e1s, essa cultura era de tal maneira difundida que no pr\u00f3prio c\u00f3digo penal, at\u00e9 h\u00e1 muito pouco tempo, no crime de viola\u00e7\u00e3o, s\u00f3 poderia haver processo se a v\u00edtima se queixasse. Podia haver uma mulher, ou homens, que preferia o sil\u00eancio, que n\u00e3o se falasse disso do que haver um processo. Isso passou a ser crime p\u00fablico, ou seja, qualquer pessoa que saiba que isso aconteceu pode fazer a den\u00fancia.<\/p>\n<p>Esta cultura tem de acabar. Um fator que pode ajudar, para que realmente todos os casos sejam tratados, \u00e9 dizer \u00e0s v\u00edtimas que n\u00e3o se v\u00e3o queixar a ningu\u00e9m do clero, ou seja, da Igreja institucional. N\u00e3o \u00e9 que eu desconfie de uma Comiss\u00e3o pelo facto de ter l\u00e1 um cl\u00e9rigo, mas da parte das v\u00edtimas \u00e9 poss\u00edvel que se sintam muito menos \u00e0 vontade ou n\u00e3o acreditem que o processo vai ter um desenvolvimento capaz.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Isso poder\u00e1 motivar mais as pessoas a denunciar?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que pode motivar, sobretudo se as pessoas tiveram experi\u00eancias negativas nesse campo. H\u00e1 40 anos ou h\u00e1 50 anos, n\u00e3o excluo que se tenham queixado &#8211; ou at\u00e9 mais recentemente &#8211; e que n\u00e3o tenham visto o processo seguir o caminho que esperavam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A nova comiss\u00e3o independente, que os bispos anunciaram como \u201cgrupo espec\u00edfico\u201d para escuta das v\u00edtimas, vai passar a responder diretamente \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o Nacional e n\u00e3o \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal. Como deve ser lida esta decis\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>a decis\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 a da cria\u00e7\u00e3o de uma nova comiss\u00e3o. Houve quem propusesse que a Comiss\u00e3o Independente deveria continuar e, sobretudo, que as Comiss\u00f5es Diocesanas ficassem reduzidas, por exemplo, a medidas de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ora \u00e9 importante que se saiba que as Comiss\u00f5es Diocesanas n\u00e3o s\u00e3o uma cria\u00e7\u00e3o portuguesa nem da Igreja portuguesa. O Papa Francisco determinou, por outras palavras, ordenou que todas as dissesses tivessem uma Comiss\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o de menores e n\u00e3o s\u00f3 de menores, mas tamb\u00e9m de adultos vulner\u00e1veis, porque h\u00e1 pessoas que t\u00eam doen\u00e7as ps\u00edquicas que tamb\u00e9m s\u00e3o abusadas.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa tamb\u00e9m deu orienta\u00e7\u00f5es nesse sentido. Portanto, j\u00e1 nem depende da Igreja portuguesa, foi uma cria\u00e7\u00e3o de Roma, foi uma determina\u00e7\u00e3o que tem de ser cumprida. Portanto, quem pensar que o tratamento destes casos pode sair do \u00e2mbito das Comiss\u00f5es Diocesanas est\u00e1 muito enganado, porque n\u00e3o pode ser uma organiza\u00e7\u00e3o civil a tratar disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse grupo espec\u00edfico teria mais a ver com a escuta das v\u00edtimas do que propriamente o tratamento can\u00f3nico das den\u00fancias, n\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s tivemos na sexta-feira uma reuni\u00e3o da equipa de Coordena\u00e7\u00e3o Nacional e, na quinta-feira, da Comiss\u00e3o do Patriarcado, de que eu tamb\u00e9m fa\u00e7o parte, em que tudo isso foi abordado. Ainda n\u00e3o h\u00e1 pormenores acerca da compet\u00eancia e do que este grupo vai fazer, especificamente. Aquilo que se disse \u00e9 que esse grupo foi criado para acolher e acompanhar as v\u00edtimas, vai estar em coordena\u00e7\u00e3o com a equipa nacional ou, pelo menos, com a minha pessoa. Neste momento, a minha posi\u00e7\u00e3o \u00e9 de aguardar mais alguns elementos que me digam como \u00e9 que vai ser essa coordena\u00e7\u00e3o, porque isso depende da compet\u00eancia desse grupo. Conv\u00e9m n\u00e3o falar em comiss\u00e3o, porque seria mais uma e a confus\u00e3o fica completamente instalada. \u00c9 simplesmente um grupo, mais nada.<\/p>\n<p>\u00c9 um grupo espec\u00edfico, com uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, que eu entendo como um grupo para acolhimento e acompanhamento. Agora, mais uma vez, esse grupo vem na linha e \u00e9 coerente com a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 cl\u00e9rigos nas comiss\u00f5es, isto \u00e9, a ultrapassar as dificuldades que possam existir, resultado da desconfian\u00e7a das v\u00edtimas em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio clero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Acompanhou a apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio final, a 13 de fevereiro, e quis intervir para responder a algumas cr\u00edticas feitas sobre o trabalho das Comiss\u00f5es Diocesanas. A Comiss\u00e3o Independente enviou 25 casos para o Minist\u00e9rio P\u00fablico, nas Comiss\u00f5es da Igreja esse n\u00famero \u00e9 superior. Isso significa que estamos a falar de espa\u00e7os temporais de an\u00e1lise diferentes? \u00c0s Comiss\u00f5es Diocesanas chegam casos mais recentes?<\/em><\/p>\n<p>Acho \u00e9 que \u00e9 errado comparar os n\u00fameros e o trabalho da Comiss\u00e3o Independente com o das Comiss\u00f5es Diocesanas. Em primeiro lugar, porque a Comiss\u00e3o Independente foi uma comiss\u00e3o para estudo, para levantamento de casos. Portanto, \u00e9 uma comiss\u00e3o com prop\u00f3sitos hist\u00f3ricos e sociol\u00f3gicos &#8211; \u00a0acho que fez muito bem em existir, foi o presidente da Confer\u00eancia Episcopal que a criou e subsidiou. Porqu\u00ea? Porque ningu\u00e9m pode combater um mal sem conhecer a extens\u00e3o desse mal. a Comiss\u00e3o Independente fez-nos um grande favor ao dizer: \u201co que aconteceu foi isto e \u00e9 isto que n\u00e3o pode continuar a haver\u201d. Agora, as Comiss\u00f5es Diocesanas e este grupo que vai funcionar em colabora\u00e7\u00e3o com a equipa de Coordena\u00e7\u00e3o Nacional, est\u00e3o evidentemente virados para o futuro, em receber as not\u00edcias, as den\u00fancias ou as queixas que venham a surgir.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a casos que j\u00e1 s\u00e3o do conhecimento da Comiss\u00e3o Independente, como por exemplo, a lista dos 100 sacerdotes, evidentemente que v\u00e3o ter de atuar, v\u00e3o analisar a situa\u00e7\u00e3o e depois v\u00e3o orientar o caso para o Minist\u00e9rio P\u00fablico, se n\u00e3o estiver tudo prescrito ou o agente falecido.<\/p>\n<p>Posso dizer que, por exemplo, na lista que tem a ver com a Diocese de Lisboa constam 25 sacerdotes (24, ndr) . N\u00e3o se espere que v\u00e1 haver uma grande revolu\u00e7\u00e3o neste campo.<\/p>\n<p>Falou h\u00e1 bocado dos 25 casos que a Comiss\u00e3o Independente mandou para o Minist\u00e9rio P\u00fablico, mas tamb\u00e9m \u00e9 bom que se saiba que s\u00f3 seis que deram origem a um processo, que est\u00e1 pendente. Foi um passado negro, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, mas a minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Exagerou-se ent\u00e3o, na apresenta\u00e7\u00e3o do n\u00famero de 100 sacerdotes, at\u00e9 a julgar pelo que nos disse agora sobre Lisboa?<\/em><\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Independente tinha de fazer isto. N\u00e3o sei se tem os dados todos sobre se [os sacerdotes] est\u00e3o vivos ou n\u00e3o, embora tenha elementos que lhe permitam supor que nem todos estar\u00e3o vivos. De qualquer maneira, fez bem em apresentar esta lista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para l\u00e1 das pol\u00e9micas das listas e suspens\u00f5es, h\u00e1 um conjunto de recomenda\u00e7\u00f5es que ser\u00e1 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o. Existe essa preocupa\u00e7\u00e3o sobre uma abordagem estrutural \u00e0 quest\u00e3o, no futuro?<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 tudo em movimento, para mexer nisto de uma vez por todas. E acho que todos temos de ter a preocupa\u00e7\u00e3o de conquistar confian\u00e7a nas Comiss\u00f5es Diocesanas e nos outros organismos, porque s\u00f3 assim \u00e9 que a Igreja sai bem disto. E essa confian\u00e7a tem de se conquistar com uma atua\u00e7\u00e3o que se vai conhecendo, embora n\u00e3o se anda a\u00ed a fazer grande publicidade do assunto, e que crie nas pessoas a convic\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 finalmente transpar\u00eancia nisto tudo. E, sobretudo, que a atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja uma atua\u00e7\u00e3o amb\u00edgua, que s\u00f3 tenha como prioridade o interesse das v\u00edtimas. A prote\u00e7\u00e3o do clero, que pode ser necess\u00e1ria em muitas situa\u00e7\u00f5es &#8211; falei h\u00e1 bocado na presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, por exemplo -, vem depois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por \u00faltimo, uma das cr\u00edticas que se tem feito \u00e0 Igreja \u00e9 a de falta de empatia para com as v\u00edtimas e a defesa da institui\u00e7\u00e3o. O que vai ser necess\u00e1rio fazer-se para que a perce\u00e7\u00e3o da sociedade mude?<\/em><\/p>\n<p>Quanto a essa perce\u00e7\u00e3o e essa suposta falta de empatia, eu nunca vi isso, com todos os cl\u00e9rigos que contactei, respons\u00e1veis, bispos, etc. \u00c9 preciso que as pessoas se conven\u00e7am que, quem est\u00e1 nas comiss\u00f5es, atua sem ambiguidade, pode at\u00e9 reagir ao curso de certos processos que desencadeou &#8211; s\u00e3o as comiss\u00f5es que mandam para o Minist\u00e9rio P\u00fablico e que mandam para a diocese ou arquidiocese, para o processo can\u00f3nico. As Comiss\u00f5es devem criar nas pessoas a certeza de que est\u00e3o a atuar sem ambiguidades e com transpar\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente da Equipa de Coordena\u00e7\u00e3o Nacional das Comiss\u00f5es Diocesanas de Prote\u00e7\u00e3o de Menores \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":274322,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-274256","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274256\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/274322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}