{"id":273732,"date":"2023-03-06T10:49:35","date_gmt":"2023-03-06T10:49:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=273732"},"modified":"2023-03-06T10:51:58","modified_gmt":"2023-03-06T10:51:58","slug":"lusofonias-huambo-nunca-mais-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-huambo-nunca-mais-a-guerra\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Huambo, nunca mais a guerra!"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tony-batalha-huambo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-170893 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tony-batalha-huambo-339x260.jpg\" alt=\"\" width=\"339\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tony-batalha-huambo-339x260.jpg 339w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tony-batalha-huambo-768x590.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tony-batalha-huambo-980x753.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tony-batalha-huambo-480x369.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/tony-batalha-huambo.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><\/a>\u201806 de Mar\u00e7o de 1993. Huambo. UNITA toma o Pal\u00e1cio. Paragem dos combates. Choveu\u2019. Eis o cabe\u00e7alho da p\u00e1gina do meu Di\u00e1rio de Guerra, faz hoje precisamente 30 anos. Foi o ponto final, desesperadamente esperado, dos combates que arrasaram durante 55 dias e 55 noites a cidade capital do planalto de Angola. Foi o primeiro dia do resto da vida dos sobreviventes de t\u00e3o cru\u00e9is combates.<\/p>\n<p>Cito, pela primeira vez em 30 anos, alguns par\u00e1grafos do Di\u00e1rio: \u2018Este dia, para n\u00f3s, come\u00e7ou cedo: \u00e0s 0h25 fomos acordados por ladr\u00f5es que entraram pela horta, junto ao campo de jogos. Corremo-los \u00e0 \u2018garrafada\u2019! Os migs hoje ultrapassaram todos os limites: vieram logo \u00e0s 8h10, debaixo das nuvens e bombardearam a pra\u00e7a do Canhe, entre a Miss\u00e3o masculina e a feminina. Segundo a Irm\u00e3 Oneide, das Servas do Esp\u00edrito Santo, que levou ao Dispens\u00e1rio bastantes feridos, as bombas fizeram mais de cem mortos e muit\u00edssimos feridos! Povo simples que comprava e vendia! Valha-nos Deus! \u00c0s 9h20 voltaram e largaram bombas perto daqui. Mas, pelas 15h25 largaram duas bombas de pot\u00eancia nunca antes experimentada: uma tonelada, dizem os entendidos. O cogumelo de fumo fez lembrar a bomba at\u00f3mica. Uma das bombas caiu no bairro pobre das Cacilhas, deitando abaixo trinta casas de adobes, matando e ferindo centenas de pessoas&#8230;de povo simples e pobre que nada tem a ver com esta guerra!<\/p>\n<p>\u00c0 noite, os avi\u00f5es Kasa vieram semear p\u00e2nico \u00e0s 19h30 e \u00e0s 20h25, lan\u00e7ando bombas sobre a cidade, j\u00e1 controlada pela UNITA\u2019.<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos e a sociedade em geral parecem n\u00e3o ter mem\u00f3ria. N\u00e3o parece normal cometer sempre o mesmo tipo de erros, com consequ\u00eancias desastrosas para as popula\u00e7\u00f5es, sobretudo, as mais fr\u00e1geis. O papa Francisco tem pedido que n\u00e3o se d\u00ea lugar \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, mas as suas palavras ecoam em poucos ouvidos. H\u00e1 que investir numa cultura de vida e de paz, embora certos interesses assentem mais na produ\u00e7\u00e3o e venda de armamentos que obrigam a perpetuar guerras antigas e a criar novos focos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Angola, de momento, est\u00e1 em paz. H\u00e1, contudo, um prov\u00e9rbio, que diz: \u2018quando vires as barbas do teu vizinho a arder, mete as tuas de molho!\u2019. E, verdade seja dita, a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo est\u00e1 a arder. Essa foi a raz\u00e3o principal da visita do Papa. As suas s\u00e1bias e contundentes palavras ainda se podem ouvir: <em>\u2018atormentada pela guerra, a RDC continua a padecer, dentro das suas fronteiras, conflitos e migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas e a sofrer terr\u00edveis formas de explora\u00e7\u00e3o, indignas do homem e da cria\u00e7\u00e3o. Este pa\u00eds imenso e cheio de vida, este\u00a0diafragma da \u00c1frica, atingido pela viol\u00eancia como se fosse um murro no est\u00f4mago, parece h\u00e1 muito sem f\u00f4lego\u2019<\/em>. O Papa diria, depois, \u00e0s v\u00edtimas da viol\u00eancia no Leste do Pa\u00eds: <em>\u2018Trata-se de conflitos que obrigam milh\u00f5es de pessoas a abandonar suas casas, provocam grav\u00edssimas viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, desintegram o tecido socioecon\u00f3mico, causam feridas dif\u00edceis de cicatrizar. S\u00e3o lutas nas quais se entrela\u00e7am din\u00e2micas \u00e9tnicas, territoriais e de grupo; conflitos que t\u00eam a ver com a posse da terra, a aus\u00eancia ou debilidade das institui\u00e7\u00f5es, \u00f3dios nos quais se infiltra, em nome dum falso deus, a blasf\u00e9mia da viol\u00eancia. Mas \u00e9, sobretudo, a guerra desencadeada por uma insaci\u00e1vel gan\u00e2ncia de mat\u00e9rias-primas e de dinheiro, que alimenta uma economia de guerra que exige instabilidade e corrup\u00e7\u00e3o. Que esc\u00e2ndalo, que hipocrisia: as pessoas s\u00e3o estupradas e assassinadas, enquanto os neg\u00f3cios que provocam viol\u00eancias e mortes continuam a prosperar!(\u2026).<\/em><\/p>\n<p>Gritou, por fim, o Papa: \u2018<em>Dirijo um sentido apelo a todas as pessoas, a todas as entidades, internas e externas, que movem os cordelinhos da guerra na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, saqueando-a, flagelando-a e desestabilizando-a. Enriqueceis-vos mediante a explora\u00e7\u00e3o ilegal dos bens deste pa\u00eds e o sacrif\u00edcio cruento de v\u00edtimas inocentes. Escutai o grito do seu sangue (cf.\u00a0Gn\u00a04, 10), prestai ouvidos \u00e0 voz de Deus, que vos chama \u00e0 convers\u00e3o, e \u00e0 voz da vossa consci\u00eancia: fazei silenciar as armas, acabai com a guerra. Basta! Basta de se enriquecer na pele dos mais fr\u00e1geis, basta de se enriquecer com recursos e dinheiro manchados de sangue! (\u2026). Somos todos irm\u00e3os, porque filhos do mesmo Pai: assim nos ensina a f\u00e9 crist\u00e3, professada por grande parte da popula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o levante-se o olhar para o C\u00e9u e n\u00e3o se fique prisioneiro do medo: o mal que cada um sofreu precisa de ser convertido em bem para todos; o desalento que paralisa d\u00ea lugar a um renovado ardor, a uma luta ind\u00f3mita pela paz, a prop\u00f3sitos corajosos de fraternidade, \u00e0 beleza de gritar juntos\u00a0nunca mais\u2026 nunca mais viol\u00eancia, nunca mais rancor, nunca mais resigna\u00e7\u00e3o!\u2019<\/em> .<\/p>\n<p>Regressemos a Angola e \u00e0 Batalha do Huambo terminada h\u00e1 30 anos: Fiquei mais um ano e meio nos escombros desta cidade sitiada. Foram tempos dur\u00edssimos que o povo n\u00e3o aceita repetir. Por isso, quando olho os desenvolvimentos que certas guerras est\u00e3o a ter, s\u00f3 me posso assustar e apetece-me gritar como o fez Jo\u00e3o Paulo II no Huambo: <em>\u2018Nunca mais a guerra, paz a Angola, paz a Angola para sempre<\/em>!\u2019.<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Huambo, nunca mais a guerra!\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/3XsYNnGQ2C29su5UzYBj4w?si=aXdCdiK7R8S6Eu_7ihaiRw&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony 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