{"id":2736,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-fecundidade-de-deus\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-fecundidade-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-fecundidade-de-deus\/","title":{"rendered":"<i>A Fecundidade de Deus<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Homilia na de D. Jos\u00e9 Policarpo na Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional de F\u00e1tima <!--more--> Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, 13 de Outubro de 2003   Queridos Peregrinos,  1. Aos p\u00e9s de Maria, M\u00e3e de Jesus e nossa M\u00e3e, contemplando e louvando o Senhor pelo dom da sua maternidade, em que todos renascemos para a vida nova, segundo o Esp\u00edrito, proponho-me meditar, convosco, sobre a fecundidade de Deus. Toda a ac\u00e7\u00e3o transformadora do Esp\u00edrito Santo, nos cora\u00e7\u00f5es e na hist\u00f3ria, toda a gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o, concretizada em dinamismos de vida e de comunh\u00e3o, a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja como Povo novo do Senhor e a sua fecundidade sacramental, a pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es da fecundidade do amor divino. Deus \u00e9 fecundo porque \u00e9 Amor. Ama sempre e o Seu amor nunca \u00e9 est\u00e9ril. A vida acontece, participa\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria vida divina, porque Deus ama e as pessoas se deixam amar por Ele. Na Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, a primeira concretiza\u00e7\u00e3o deste amor fecundo de Deus \u00e9 a Sua Palavra. Deus fala-nos porque nos ama, porque tem para n\u00f3s um des\u00edgnio de amor. E a Sua Palavra \u00e9 fecunda e criadora, gera vida naqueles que a acolhem. J\u00e1 no Antigo Testamento a certeza desta fecundidade da Palavra de Deus faz parte das certezas da f\u00e9 de Israel. Ou\u00e7amos o testemunho do Profeta Isa\u00edas: \u201cAssim como a chuva e a neve descem dos C\u00e9us e n\u00e3o voltam l\u00e1 sem ter regado a terra, a ter fecundado e feito germinar (\u2026) assim a Palavra que sai da minha boca n\u00e3o volta a Mim sem resultado, sem ter realizado o que Eu queria e cumprido a sua miss\u00e3o\u201d (Is. 55, 10-11). Na plenitude dos tempos \u00e9 esta Palavra de Deus que fecunda Maria e o fruto do seu seio maternal \u00e9 a pr\u00f3pria Palavra eterna de Deus tornada Homem. A aceita\u00e7\u00e3o de Maria \u00e9 um abandono \u00e0 fecundidade da Palavra de Deus: \u201cfa\u00e7a-se em mim segundo a Tua Palavra\u201d (Lc. 1, 38). E que Palavra foi essa que Deus dirigiu a Maria e a fecundou? Foi uma Palavra de amor porque a Palavra de Deus \u00e9 sempre uma declara\u00e7\u00e3o de amor. \u201cTu \u00e9s a cheia de gra\u00e7a e o Senhor est\u00e1 contigo\u201d (Lc. 1, 28). Ou seja: tu \u00e9s a amada de Deus, Ele vive contigo uma comunh\u00e3o de amor. Depois desta declara\u00e7\u00e3o de que Maria \u00e9 a amada de Deus, o Anjo Gabriel pode anunciar-lhe que, tamb\u00e9m nela, o amor de Deus \u00e9 fecundo: \u201cencontraste gra\u00e7a diante de Deus, conceber\u00e1s e dar\u00e1s \u00e0 luz um Filho\u201d (Lc. 1, 30-31). Ou seja: Deus est\u00e1 a viver uma profunda comunh\u00e3o de amor contigo e esse amor vai ser fecundo em ti.  \u00c9 bom tomarmos consci\u00eancia de que a fecundidade da Palavra de Deus em Maria, n\u00e3o \u00e9 um caso inaudito e \u00fanico. Nela acontece o que Deus deseja desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo: que a Sua Palavra seja acolhida e seja fecunda no cora\u00e7\u00e3o dos crentes e no seio do Seu Povo. Revelou-o continuamente o Senhor, pregaram-no os Profetas, desejaram-no os justos, e rejeitou-o, tantas vezes, um povo infiel, de cora\u00e7\u00e3o duro, ferindo, com essa recusa, o cora\u00e7\u00e3o de Deus. O que \u00e9 \u00fanico no acolhimento que Maria faz da Palavra \u00e9 o fruto do seu ventre, a encarna\u00e7\u00e3o da Palavra eterna de Deus. No seu Verbo, Deus diz a Palavra decisiva aos homens, e porque decisiva, definitiva. Mas f\u00e1-lo respeitando o ritmo da fecundidade da Sua Palavra naqueles que a acolhem. A fecundidade de Deus, no seio de Maria \u00e9 o cl\u00edmax, o ponto de chegada do desejo de Deus gerar a vida naqueles que O acolhem.  Na maternidade de Maria inicia-se a fase decisiva da salva\u00e7\u00e3o, o ritmo definitivo da fecundidade de Deus. A Sua Palavra de amor dirigida aos homens, para que eles renas\u00e7am para a Vida, nunca mais ser\u00e1 s\u00f3 palavras, mas a Palavra, sempre a mesma, expressando sempre a plenitude do amor de Deus, a pedir ser escutada e acolhida, para ser fecunda. Essa Palavra tornada carne humana, \u00e9 gerada em Maria, \u00e9 dita a partir de Maria, \u00e9 o fruto bendito do seu ventre. Os Ap\u00f3stolos proclamaram-na, a Igreja \u00e9 sua serva, sem nunca poder esquecer que essa Palavra que gera em n\u00f3s a vida, continua a ser fruto da fecundidade maternal de Maria. Ela \u00e9, M\u00e3e fecunda, a fonte da gra\u00e7a, M\u00e3e e modelo inspirador da Igreja. Todo o segredo da salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 no acolhimento, pelos crentes, de Jesus Cristo, Palavra amorosa de Deus. E a fecundidade dessa Palavra far-nos-\u00e1 nascer de novo, fazendo de n\u00f3s filhos de Deus, como nos diz S\u00e3o Jo\u00e3o no in\u00edcio do seu Evangelho: \u201cA todos aqueles que O receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aqueles que acreditam no Seu Nome, que nem o sangue, nem o poder da carne, nem a vontade dos homens, mas s\u00f3 Deus gerou\u201d (Jo. 1, 12-13). Naqueles que acolhem Jesus Cristo, na f\u00e9, o amor de Deus continua a ser fecundo.   2. Porque s\u00f3 o amor de Deus \u00e9 fecundo, o Esp\u00edrito Santo, o amor de Deus personificado, \u00e9 o agente de toda a fecundidade de Deus na realiza\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m foi assim na fecundidade maternal de Maria: \u201cO Esp\u00edrito Santo vir\u00e1 sobre ti e a for\u00e7a do Alt\u00edssimo te cobrir\u00e1 com a Sua sombra\u201d (Lc. 1, 35). Come\u00e7a aqui o ritmo definitivo da salva\u00e7\u00e3o: o dom do Esp\u00edrito Santo ser\u00e1, at\u00e9 ao fim, a manifesta\u00e7\u00e3o definitiva do amor de Deus e a garantia da fecundidade salv\u00edfica da Igreja. Sempre que algu\u00e9m acolhe a Palavra e acredita, sempre que um homem se converte e se abre ao amor, quando a vida \u00e9 vivida com a novidade da P\u00e1scoa, tudo isso \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o da fecundidade do amor de Deus em n\u00f3s, atrav\u00e9s da ac\u00e7\u00e3o Esp\u00edrito. Se a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo, fruto maravilhoso do seio fecundo de Maria, \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima do amor de Deus por n\u00f3s, a santidade crist\u00e3 \u00e9 a maior express\u00e3o do amor de Deus em n\u00f3s. Se Jesus \u00e9 o fruto bendito do ventre de Maria, a santidade da Igreja, que a une e identifica com Cristo, \u00e9 o fruto maravilhoso da fecundidade da Igreja, cujo seio tamb\u00e9m \u00e9 maternal, em Maria e como o de Maria.  N\u00e3o \u00e9 por acaso que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o fruto espont\u00e2neo da Igreja nascida da P\u00e1scoa que, com Maria, se prepara para acolher o Esp\u00edrito. \u201cTodos perseveravam unidos em ora\u00e7\u00e3o\u201d (Act. 1, 14). A ora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sempre, na Igreja, o fruto mais precioso, da fecundidade do Esp\u00edrito, como ensinava S\u00e3o Paulo: \u201cV\u00f3s recebestes um esp\u00edrito de filhos adoptivos que nos faz exclamar: Abba, Pai. O Esp\u00edrito de Deus une-se ao nosso esp\u00edrito para atestar que n\u00f3s somos filhos de Deus\u201d (Rom. 8, 15-16).  A pr\u00f3pria Igreja, em cujo seio maternal se processa a fecundidade do Esp\u00edrito, \u00e9, ela pr\u00f3pria, o fruto desse amor fecundo. Como ouvimos na 1.\u00aa Leitura, j\u00e1 no Antigo Testamento se tinha essa consci\u00eancia de que a fecundidade do amor de Deus fazia crescer o Seu Povo: \u201cA linhagem do povo de Deus ser\u00e1 conhecida entre os povos e a sua descend\u00eancia no meio das na\u00e7\u00f5es. Quantos os virem ter\u00e3o de os reconhecer como linhagem que o Senhor aben\u00e7oou\u201d (Is. 61, 9). E no Novo Testamento toda a riqueza da Igreja, na sua variedade de dons e carismas, \u00e9 o fruto bem-aventurado da fecundidade do Esp\u00edrito: \u201cTudo isto (a variedade dos dons) \u00e9 um s\u00f3 e mesmo Esp\u00edrito que o realiza, distribuindo a cada um os Seus dons\u201d (1Cor. 12, 11).   3. Neste Ano do Ros\u00e1rio saudemos Maria, repetindo-lhe: tu \u00e9s bendita entre as mulheres porque \u00e9 bendito o fruto do teu ventre, Jesus. A fecundidade do amor de Deus, em Maria, \u00e9 actual e inspirador da fecundidade do Esp\u00edrito na Igreja. Com ela precisamos de aprender que s\u00f3 o amor \u00e9 fecundo, que todo o verdadeiro amor \u00e9 fecundo. Com ela, teremos uma vis\u00e3o de esperan\u00e7a sobre a Igreja e sobre o mundo, porque Deus continua a amar aqueles que redimiu e o seu amor \u00e9 fecundo. Com ela perceberemos que o destino da Igreja e do mundo est\u00e1 ligado ao acolhimento da Palavra. Se nela, Jesus foi o fruto bendito do seu ventre, em n\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o com Cristo ser\u00e1 o fruto venturoso do nosso acolhimento da Palavra, na f\u00e9 e nos sacramentos. E como o Profeta Isa\u00edas, como Ela na visita a Isabel, experimentaremos esse fruto maravilhoso do Esp\u00edrito que \u00e9 a alegria. \u201cExulto de alegria no Senhor\u201d. O Domingo, dia do acolhimento da Palavra eterna, feita p\u00e3o da vida, pode ser o dia da nossa alegria e da nossa festa.   \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na de D. 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