{"id":273437,"date":"2023-03-03T12:27:06","date_gmt":"2023-03-03T12:27:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=273437"},"modified":"2023-03-03T12:27:06","modified_gmt":"2023-03-03T12:27:06","slug":"18-de-marco-o-pais-caminha-pela-vida-caminhar-por-aqueles-a-quem-a-vida-nao-corre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/18-de-marco-o-pais-caminha-pela-vida-caminhar-por-aqueles-a-quem-a-vida-nao-corre\/","title":{"rendered":"18 de mar\u00e7o, o pa\u00eds caminha pela vida &#8211; Caminhar por aqueles a quem a vida n\u00e3o corre"},"content":{"rendered":"<p><em>Lu\u00eds Silva, Diocese de Aveiro<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-266200 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>N\u00e3o se faz um seguro para os dias em que tudo corre bem. Esperamos que nos proteja, quando algo (ou, mesmo, tudo) corre mal. De que serviria, afinal, se, na hora em que mais dele precisamos, nos deixasse a suprir, pelas nossas pr\u00f3prias for\u00e7as, os limites que a ele incumbia proteger?<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um texto de apologia ou elogio a seguradoras ou entidades similares, mas um manifesto de inquieta\u00e7\u00e3o perante a desblindagem daquele que \u00e9 o maior seguro de vida e a mais relevante ap\u00f3lice da nossa carteira coletiva: o reconhecimento da inviolabilidade da vida humana.<\/p>\n<p>Sustentar que a vida humana \u00e9 inviol\u00e1vel de pouco nos servir\u00e1 se tal significar que s\u00f3 n\u00e3o se lhe pode tocar quando tudo corre bem. Decisivo ser\u00e1 permanecer fiel ao princ\u00edpio quando \u2018nem tudo corre\u2019, pois \u00e9 para essa hora que, afinal, celebr\u00e1mos, coletivamente, o contrato firmado em ap\u00f3lice com o nome de <em>Constitui\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Com este pressuposto, tenho defendido, desde o referendo de 2007, que, se bem vistas as coisas, ap\u00f3s a liberaliza\u00e7\u00e3o do abortamento volunt\u00e1rio at\u00e9 \u00e0s dez semanas, todos os nascidos posteriormente a essa data s\u00e3o, efetivamente, sobreviventes. Sobreviventes de uma lei que deixou \u00e0 decis\u00e3o das vontades individuais a determina\u00e7\u00e3o de se uma vida \u00e9 ou n\u00e3o inviol\u00e1vel.<\/p>\n<p>S\u00ea-lo-emos (continuamos a acreditar que o tempo verbal certo ser\u00e1 \u2018s\u00ea-lo-\u00edamos\u2019), tamb\u00e9m, se for (fosse) legalizada a eutan\u00e1sia\u2026 Todos os que vierem (viessem) a morrer de morte natural ser\u00e3o (seriam) sobreviventes a uma tal lei.<\/p>\n<p>N\u00e3o se inverteu, portanto, o paradigma de refer\u00eancia ao deixar de considerar que \u00e9 perante a vida que devem acomodar-se as vontades (por ela ser inviol\u00e1vel), para se entender, pelo contr\u00e1rio, que \u00e9 esta que deve acomodar-se \u00e0s vontades?<\/p>\n<p>\u00c9 que, com efeito, as vontades s\u00e3o vol\u00faveis, variam, mudam, alteram-se, podem desejar e deixar de desejar, enquanto a vida n\u00e3o tem ondula\u00e7\u00f5es nem grada\u00e7\u00f5es: est\u00e1 ou n\u00e3o est\u00e1! E \u00e9 por a sua rejei\u00e7\u00e3o ser irrevers\u00edvel que a sua inviolabilidade deve ser \u2013 l\u00e1 est\u00e1! \u2013 mesmo inviol\u00e1vel.<\/p>\n<p>E \u00e9 especialmente quando a vida \u00e9 mais fr\u00e1gil, quando a vida n\u00e3o corre, que a sua ap\u00f3lice de seguro deve ser acionada, para que as vontades n\u00e3o a fa\u00e7am sucumbir \u00e0 sua for\u00e7a.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do reconhecimento da inviolabilidade da vida mostra que o percurso foi lento, de cerca de 2000 anos, mas sustentado. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, por\u00e9m, por um processo que faz lembrar o retrato descrito por George Orwell, no \u2018triunfo dos porcos\u2019 e em \u20181984\u2019, em que as verdades da primeira hora v\u00e3o sendo alteradas e moldadas de modo a j\u00e1 pouco significarem do inicialmente defendido, temos vindo a assistir a um desblindar dessa ap\u00f3lice de seguro de vida. Temos vindo a ser arrastados por um processo de insensibiliza\u00e7\u00e3o paulatina, encaminhando-nos num sentido que n\u00e3o \u00e9 de progresso, contrariamente ao que pretendem dizer-nos, mas de evidente retrocesso, com a agravante de se pretender acantonar, na trincheira dos radicais, quem ousa dizer que o rei vai nu. Consciente dessa estrat\u00e9gia, o Papa Francisco recordou, logo na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u2018Evangelii Gaudium\u2019 que \u201cmuitas vezes, para ridicularizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posi\u00e7\u00e3o como ideol\u00f3gica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 defesa de qualquer direito humano.\u201d (EG 213), acrescentando, mais adiante: \u201cA prop\u00f3sito, quero ser completamente honesto. Este n\u00e3o \u00e9 um assunto sujeito a supostas reformas ou \u00abmoderniza\u00e7\u00f5es\u00bb.\u201d (EG 214)<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o pa\u00eds vem, pouco a pouco, despertando para esta evid\u00eancia de que a vida \u00e9 anterior \u00e0s vontades que a devem, sim, acolher. Despertando deste torpor que a todos pretende insensibilizar, os portugueses t\u00eam-se mobilizado, dando respostas, organizando-se, acolhendo, cuidando e, tamb\u00e9m, caminhando\u2026 caminhando por aqueles (e, afinal, por todos n\u00f3s, algum dia\u2026) a quem a vida n\u00e3o corre.<\/p>\n<p>Neste ano, em 18 de mar\u00e7o, dez cidades do pa\u00eds realizar\u00e3o caminhadas por aqueles (por todos n\u00f3s\u2026) a quem a vida \u2018n\u00e3o corre\u2019, caminhadas pela vida. A sua causa \u00e9 a mais decisiva de todas; nasce do reconhecimento de que a vida antecede as vontades, pede para ser acolhida, pois se tal n\u00e3o acontece, nada \u00e9 o que lhe sobra, o futuro acaba ali. A sua \u00e9 a voz daqueles a quem nunca a concederam ou pretendem vir a tirar. Como n\u00e3o ver isto? Como permanecer-lhe indiferente?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Silva, Diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":266200,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-273437","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=273437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273437\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=273437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=273437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=273437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}