{"id":273301,"date":"2023-03-06T09:00:52","date_gmt":"2023-03-06T09:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=273301"},"modified":"2023-03-02T10:59:37","modified_gmt":"2023-03-02T10:59:37","slug":"o-nosso-olho-e-visto-na-pupila-de-outro-olho-platao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-nosso-olho-e-visto-na-pupila-de-outro-olho-platao\/","title":{"rendered":"\u201cO nosso olho \u00e9 visto na pupila de outro olho\u201d (Plat\u00e3o)"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Esta bel\u00edssima express\u00e3o de Plat\u00e3o \u2013 \u201co nosso olho \u00e9 visto na pupila de outro olho\u201d \u2013 manifesta a mundivid\u00eancia e sagacidade do (enorme!) Plat\u00e3o (fil\u00f3sofo grego do s\u00e9culo V\/IV a.C.). Na sua perspectiva antropol\u00f3gica e filos\u00f3fica, Plat\u00e3o ensina-nos que \u00e9 o outro, particularmente aquele que me circunda e que maior intimidade tem comigo, que me revela, me faz descobrir e saber quem eu sou e o que dou a conhecer atrav\u00e9s das minhas atitudes, atrav\u00e9s dos meus olhos. Isto \u00e9 belo! Parece que o outro se encontra junto a uma janela tapada com um cortinado. E ao retirar a cortina, ao descortinar, eis o espasmo e o espanto: somos vistos como somos, como somos no sal\u00e3o interior da nossa vida e do nosso ser.<\/p>\n<p>\u00c9 fascinante pensar a vida nesta perspectiva de duplo dinamismo: permitir que nos vejam e, permitindo, descobrir o que para n\u00f3s (ainda) est\u00e1 oculto. O outro, assumindo as suas idiossincrasias, as suas hist\u00f3rias, as suas viv\u00eancias, as suas ideologias e as suas circunst\u00e2ncias que o marcam e o definem, faz-me ver, por um lado, o que ele v\u00ea de si em mim, projectando-se como se os meus olhos fossem os seus, e, por outro lado, desvela-me e revela-me o que ainda n\u00e3o fui capaz de descobrir em mim ou que nem imaginava que pudesse existir em mim. Louis Lavelle (fil\u00f3sofo franc\u00eas da primeira metade do s\u00e9culo XX) afirmava que \u201ccompreender algu\u00e9m \u00e9 descobrir em si mesmo todos os movimentos que nele se observa, \u00e9 abandonar-se a eles por um momento para que, quando se pensa em segui-lo, seja a si mesmo que o siga. Acontece que vamos \u00e0 frente deles. Os seres n\u00e3o podem conhecer-se separadamente, mas apenas por meio de uma compara\u00e7\u00e3o m\u00fatua que revela as semelhan\u00e7as e as diferen\u00e7as entre eles\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 simultaneamente desafiante e fascinante este processo. Continua Lavelle: \u201cconhecer-me a mim mesmo \u00e9 fazer de mim outro e me confrontar com o outro. Conhecer-te \u00e9 penetrar-me e encontrar-me me ti: descubro em ti um espet\u00e1culo de um acto que s\u00f3 apreendo em mim mesmo no seu puro exerc\u00edcio. Assim, nunca olho para o outro que n\u00e3o seja o reflexo de mim mesmo, cujos tra\u00e7os \u00e0s vezes s\u00e3o opostos e complementares aos meus, \u00e0s vezes mais pronunciados e \u00e0s vezes mais atenuados\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 de singular curiosidade perceber que cada um de n\u00f3s devolve ao outro a sua pr\u00f3pria imagem mais ou menos fiel \u00e0 realidade, envolvendo-a por um conjunto de personagens que, consciente ou inconscientemente, vamos acoplando, como se de m\u00e1scaras ou de capas se tratassem, \u00e0 nossa pr\u00f3pria identidade, usando-as mediante as circunst\u00e2ncias e\/ou as necessidades que se imp\u00f5em ou se exigem. O pr\u00f3prio Lavelle sagazmente afirma que \u201cs\u00e3o v\u00e1rios as personagens em cada um de n\u00f3s: uma personagem de vaidade que se reduz ao espet\u00e1culo que tenta dar e que tem para os outros apenas um olhar de desprezo e ci\u00fame; outra personagem cheio de timidez e ansiedade, com vergonha de chamar a aten\u00e7\u00e3o para ele, mas porque sente dentro de si um outro personagem ainda, mais profundo e verdadeiro que parece sempre fugir dele e a quem a personagem que ele mostra nunca cessa de trair\u201d.<\/p>\n<p>Interessante esta vis\u00e3o de Louis Lavelle. Est\u00e1 a ser para mim uma bela descoberta. Por\u00e9m, na minha muito humilde opini\u00e3o, Lavelle peca por ser demasiado materialista e fenomenol\u00f3gico, sem transcend\u00eancia, sem compreender o mist\u00e9rio do dom e da gra\u00e7a, ou seja, sem compreender que a actua\u00e7\u00e3o de Deus interfere, positiva e substancialmente, nas vidas de cada um de n\u00f3s, modelando-nos, transformando-nos e revigorando-nos no \u00fanico e verdadeiro Amor. Assertivamente, o Papa Bento XVI confirmou na sua pr\u00f3pria vida que o amor \u201c\u00e9 cuidar do outro e preocupar-se com o outro. J\u00e1 n\u00e3o procura a si mesmo, mas anseia pelo bem do ser amado: torna-se ren\u00fancia, est\u00e1 disposto a sacrificar-se, mais ainda, procura-o\u201d. Saibamos n\u00f3s buscar incessantemente este amor que d\u00e1 sentido ao sentido da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-273301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=273301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273301\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=273301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=273301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=273301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}