{"id":273299,"date":"2023-03-04T09:00:30","date_gmt":"2023-03-04T09:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=273299"},"modified":"2023-03-02T10:55:52","modified_gmt":"2023-03-02T10:55:52","slug":"toda-a-nossa-gloria-esta-na-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/toda-a-nossa-gloria-esta-na-cruz\/","title":{"rendered":"\u201cToda a nossa gl\u00f3ria est\u00e1 na cruz\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Pe. Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-266299 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Todos conhecem o salmo 66, que o Pe. Manuel Lu\u00eds musicou, e que se canta na sexta-feira santa em muitas das nossas igrejas e que tem como refr\u00e3o: \u201cToda a nossa gl\u00f3ria est\u00e1 na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo\u201d.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a cruz continua a ser hoje, como no tempo de S\u00e3o Paulo, motivo de esc\u00e2ndalo e de loucura (cf. 1Cor 1, 23) para muitos. Se ela, at\u00e9 h\u00e1 poucas d\u00e9cadas, estava presente no quotidiano de todos n\u00f3s \u2013 trazida ao peito (em fios de prata e ouro), colocada na parede do quarto, no ter\u00e7o que ca\u00eda do espelho retrovisor do carro e ainda nas salas de aula \u2013 hoje ela est\u00e1 em risco de extin\u00e7\u00e3o na vida das pessoas. O Estado laico, aconfessional, encontrou na cruz um perigo \u00e0 sua laicidade, agora tornada religi\u00e3o obrigat\u00f3ria para todos os cidad\u00e3os \u2013 afinal Jesus Cristo, o seu Evangelho pode deformar as consci\u00eancias do \u2018homem novo\u2019. Esse momento em que foram retiradas as cruzes das salas de aula das escolas publicas, certamente que entristeceu a muitos de n\u00f3s, dado que a maioria dos portugueses se assume como crist\u00e3 e n\u00e3o v\u00edamos na cruz, exposta nas salas de aula, qualquer problema, para este pa\u00eds que se formou \u00e0 sombra da cruz de Cristo.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, como dizia S\u00e3o Paulo, \u00a0a cruz \u201c\u00e9 for\u00e7a \u2026 poder e sabedoria de Deus\u201d (1Cor 1, 18.24); que \u00e9 pela cruz que fomos salvos; que do lado aberto de Jesus crucificado, de onde brotou sangue e \u00e1gua, est\u00e1 a fonte do Baptismo e da Eucaristia \u2013 um insere-nos na fam\u00edlia de Deus como filhos, o outro alimenta-nos no nosso peregrinar at\u00e9 chegarmos \u00e0 casa do Pai. Mas a pouco e pouco a cruz foi saindo do quotidiano de muitos: j\u00e1 n\u00e3o uma cruz em casa \u2013 ter a B\u00edblia j\u00e1 \u00e9 quase um fen\u00f3meno \u2013 h\u00e1 quem tenha deixado de usar como adorno e muitos j\u00e1 n\u00e3o a fazem sobre si, porque j\u00e1 n\u00e3o rezam. Mas aquilo que tamb\u00e9m me vai chocando mais \u00e9 ver igrejas modernas onde a cruz ou est\u00e1 remetida a um canto e em dimens\u00e3o pequena ou ent\u00e3o nem o Cristo tem. Em algumas das igrejas contempor\u00e2neas optou-se por um Jesus ressuscitado em detrimento do crucificado \u2013 talvez porque hoje se tenha avers\u00e3o a encarar o sofrimento de outra pessoa \u2013 e outras t\u00eam uma esp\u00e9cie de cruz, onde o Cristo est\u00e1 presente, mas parece querer fugir do lugar do sacrif\u00edcio, parece estar a despregar-se da mesma, outros h\u00e1 ainda que consideram quase heresia colocar uma cruz em cima do altar \u2013 n\u00e3o fosse este o lugar do sacrif\u00edcio eucar\u00edstico. Se me entristeceu o retirar da cruz das salas de aula, mais me entristece ver esta aparente avers\u00e3o ou horror \u00e0 cruz com Jesus crucificado nas novas igrejas.<\/p>\n<p>Na viv\u00eancia do tempo da Quaresma, em que se faz a Via Sacra, em que em breve teremos as prociss\u00f5es dos passos e do Senhor morto, seria bom que recuper\u00e1ssemos pessoalmente a cruz &#8211; talvez voltar a coloc\u00e1-la ao peito ou ent\u00e3o traz\u00ea-la no bolso, n\u00e3o como mero adorno e muito menos como g\u00e9nero de \u2018amuleto\u2019, mas para que a \u2018visitemos\u2019 com o nosso olhar, tocando-a e fazendo desses momentos ao longo do dia, minutos de ora\u00e7\u00e3o, de presen\u00e7a de Deus. Ter a cruz connosco pode-nos ajudar a rezar mais e melhor, lembrando o grande amor do Senhor por n\u00f3s, ao mesmo tempo que, recordando a pr\u00f3pria cruz, podemos a partir da cruz de Jesus, dar sentido \u00e0 nossa; o ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo dizia a este respeito: \u201ccompleto na minha carne o que falta \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es de Cristo\u201d (Col 1, 24).<\/p>\n<p>Vivemos um tempo de Horto e de Calv\u00e1rio na Igreja em Portugal. A recente apresenta\u00e7\u00e3o publica do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crian\u00e7as na Igreja Cat\u00f3lica em Portugal, criada pela Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, deixou-nos profundamente entristecidos, agoniados com os relatos que mostram o sofrimento das v\u00edtimas de um crime hediondo, que atentou contra as mesmas e contra o pr\u00f3prio Senhor que diz: \u201cQuem receber um menino como este, em meu nome, \u00e9 a mim que recebe\u201d (Mt 18, 5). Certamente que vemos nestes crimes, da parte de quem os perpetrou, o beijo frio da trai\u00e7\u00e3o de Judas; mas este \u00e9 o momento em que todos, sem excep\u00e7\u00e3o, temos de assumir tamb\u00e9m esta cruz \u2013 \u00e9 a cruz da Igreja em Portugal \u2013 e ela s\u00f3 pode ser carregada se for assumida por todos, se todos nos tornarmos Sim\u00e3o de Cirene, acompanhando as v\u00edtimas e acompanhando-nos uns aos outros, aliviando o peso da mesma. \u00c9 f\u00e1cil, nestas horas dif\u00edceis, fazer como fizeram os disc\u00edpulos em rela\u00e7\u00e3o a Jesus, na hora do jardim das Oliveiras: fugir, esconder-se, negar\u2026 \u00c9 mais f\u00e1cil negar hoje a Igreja, na pseudo imagem de estrutura, do que se dizer pertencente a ela, \u00e9 mais f\u00e1cil esconder-se e calar-se, que assumir esta realidade e enfrent\u00e1-la. \u00c9 certo que os crimes de alguns mancham a vida dos outros, mas isso n\u00e3o nos deve desanimar, pelo contr\u00e1rio, deve de unir-nos mais, de desejar ser uma Igreja mais santa em cada um dos seus membros, a come\u00e7ar por cada um, na fidelidade ao Senhor, no amor a Ele e ao pr\u00f3ximo e na queda, recorrer \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus que se derrama no sacramento da confiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje deixo este artigo em forma de medita\u00e7\u00e3o, de desabafo, de desejo de convers\u00e3o ao Senhor, ao seu Amor, mediante o mist\u00e9rio da Cruz de Cristo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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