{"id":27321,"date":"2007-10-02T16:08:41","date_gmt":"2007-10-02T16:08:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/02\/um-olhar-da-igreja-sobre-a-realidade-activo-comunitario-e-de-realizacao-pessoal-e-social\/"},"modified":"2007-10-02T16:08:41","modified_gmt":"2007-10-02T16:08:41","slug":"um-olhar-da-igreja-sobre-a-realidade-activo-comunitario-e-de-realizacao-pessoal-e-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-olhar-da-igreja-sobre-a-realidade-activo-comunitario-e-de-realizacao-pessoal-e-social\/","title":{"rendered":"Um olhar da Igreja sobre a realidade: activo, comunit\u00e1rio e de realiza\u00e7\u00e3o pessoal e social"},"content":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia de D. Manuel Clemente nas Jornadas Nacionais de Comunica\u00e7\u00e3o Social <!--more--> Quando falamos de \u201colhar\u201d, falamos j\u00e1 de uma realidade, de uma realidade activa. Duma realidade que, em boa medida, cria mais realidade, outra realidade. Vai muito al\u00e9m da dimens\u00e3o \u201coftalmol\u00f3gica\u201d, porque a interpreta e orienta. Interpreta-a em fun\u00e7\u00e3o de valores pr\u00e9vios, que seleccionam, relativizam e hierarquizam a realidade observada; e orienta-a porque a reac\u00e7\u00e3o que manifesta, de correspond\u00eancia ou n\u00e3o-correspond\u00eancia, tem sempre seguimento pr\u00e1tico. Os olhos s\u00e3o, de facto, \u201cas janelas da alma\u201d; mas janelas de r\u00e9s-do-ch\u00e3o, por onde tanto se entra como se sai.  Formas de olhar Apliquemos estas considera\u00e7\u00f5es \u00e0 Igreja que todos somos e as concretiza\u00e7\u00f5es ser\u00e3o v\u00e1rias. Selecciono estas: 1\u00aa) Um \u201colhar de Igreja\u201d, por ser essencialmente contemplativo, \u00e9 necessariamente activo e activador. 2\u00aa) Um \u201colhar de Igreja\u201d, por ser comunit\u00e1rio, soma muitos olhares, unifica perspectivas convergentes. 3\u00aa) Um \u201colhar de Igreja\u201d, por se referir ao Deus de Jesus Cristo (Deus humanado), refere-se tamb\u00e9m \u00e0 pessoa humana e \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o (salva\u00e7\u00e3o), pessoal e social, como crit\u00e9rio de discernimento. Para ilustrar o primeiro ponto &#8211; de um \u201colhar de Igreja\u201d, por ser essencialmente contemplativo, ser\u00e1 tamb\u00e9m necessariamente activo e activador -, aludo aqui a um dos pronunciamentos mais sugestivos que ouvi nas \u00faltimas semanas. Refiro-me a uma resposta que o Papa Bento XVI deu aos jovens reunidos em Loreto, no s\u00e1bado 1 de Setembro. A pergunta que lhe fizeram na altura foi a seguinte: \u201cA muitos de n\u00f3s, jovens da periferia, falta um centro, um lugar, ou pessoas capazes de dar-nos uma identidade. [\u2026] Disto nasce a experi\u00eancia da solid\u00e3o e, \u00e0s vezes, algumas depend\u00eancias. Santidade, h\u00e1 algo ou algu\u00e9m para o qual podemos tornar-nos importantes? Como \u00e9 poss\u00edvel esperar, quando a realidade nega todos os sonhos de felicidade, todos os projectos de vida?\u201d. Pergunta muita realista, podemos dizer, posta com for\u00e7a e amplid\u00e3o pr\u00f3prias do sentimento juvenil. Quase dir\u00edamos manifestando a realidade \u201cem bruto\u201d, como \u00e9 sentida e sofrida. O Papa responde com uma proposta concreta e activadora, mas que lhe brota de convic\u00e7\u00f5es de origem \u201ccontemplativa\u201d, isto \u00e9, alimentadas pela fixa\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia e do sentimento religioso na revela\u00e7\u00e3o divina. \u00c9 muito interessante segui-lo neste passo: \u201cV\u00f3s apresentastes realisticamente a situa\u00e7\u00e3o de uma sociedade [\u2026]. Tudo parece concentrado nos grandes centros do poder econ\u00f3mico e pol\u00edtico, as grandes burocracias dominam e quem se encontra nas periferias, com efeito, parece ser exclu\u00eddo desta vida. [\u2026] E, devo dizer aqui, fala-se com frequ\u00eancia na Igreja de periferia e de centro, que seria Roma, mas na realidade na Igreja n\u00e3o existe periferia, porque onde est\u00e1 Cristo, ali est\u00e1 todo o centro. [\u2026] A Igreja viva, a Igreja das pequenas comunidades, a Igreja paroquial, os movimentos deveriam formar outros centros na periferia e assim ajudar a superar as dificuldades que a grande pol\u00edtica obviamente n\u00e3o supera e devemos ao mesmo tempo tamb\u00e9m pensar que, n\u00e3o obstante as grandes concentra\u00e7\u00f5es de poder, precisamente a sociedade de hoje tem necessidade de solidariedade, do sentido da legalidade, da iniciativa e da criatividade de todos\u201d.  Ultrapassar as periferias do mundo Importa real\u00e7ar que o Papa incluiu na resposta uma importante considera\u00e7\u00e3o eclesiol\u00f3gica. Ouvimo-lo tamb\u00e9m dizer que o policentrismo eclesial deve tornar-se num est\u00edmulo para a ultrapassagem de todas as periferias do mundo, tornando significantes e decisivas as mais pequenas realiza\u00e7\u00f5es da sociabilidade. E \u00e9 ainda a partir da \u201ccontempla\u00e7\u00e3o\u201d evang\u00e9lica que Bento XVI olha a realidade poss\u00edvel: \u201cVimos e vemos hoje no Evangelho que para Deus n\u00e3o existem periferias. A Terra Santa, no amplo contexto do Imp\u00e9rio Romano, era periferia; Nazar\u00e9 era periferia, uma cidade desconhecida. E todavia precisamente aquela realidade era, de facto, o centro que mudou o mundo! E assim tamb\u00e9m n\u00f3s devemos formar centros de f\u00e9, de esperan\u00e7a, de amor e de solidariedade, de sentido da justi\u00e7a e da legalidade, de coopera\u00e7\u00e3o. Somente assim a sociedade moderna pode sobreviver\u201d (1) . \u00c9 tamb\u00e9m da \u201ccontempla\u00e7\u00e3o\u201d da realidade que brota a considera\u00e7\u00e3o dos \u201csinais dos tempos\u201d, como a prop\u00f4s o Conc\u00edlio Vaticano II. Os trechos s\u00e3o eloquentes, como estes da Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral Gaudium et Spes. Diz-nos no n\u00famero 3 que a Igreja \u201ctem em vista um s\u00f3 fim: continuar, sob o impulso do Esp\u00edrito Par\u00e1clito, a obra do pr\u00f3prio Cristo, que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e n\u00e3o para condenar, para servir n\u00e3o para ser servido\u201d. &#8211; E como se realiza tal objectivo? Continua o n\u00famero 4: \u201cPara cumprir tal miss\u00e3o, a Igreja tem o dever de perscrutar incessantemente os sinais dos tempos e de os interpretar \u00e0 luz do Evangelho, de tal sorte que possa responder, de um modo adequado a cada gera\u00e7\u00e3o, \u00e0s perenes interroga\u00e7\u00f5es dos homens sobre o sentido da vida presente e futura e sobre a sua rela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca. Importa, por conseguinte, conhecer e compreender este mundo no qual vivemos, as suas esperan\u00e7as, as suas aspira\u00e7\u00f5es, a sua \u00edndole frequentemente dram\u00e1tica\u201d. Quer isto dizer, entre muito mais, que a realidade pode e deve ser olhada a partir da f\u00e9. F\u00e9 da Igreja, correspondendo \u00e0 esperan\u00e7a do mundo, sobrando esta, apesar de tudo, da perplexidade da hist\u00f3ria pessoal e colectiva. A esta luz se interpreta a realidade presente, a esta luz se abre a realidade futura, ou melhor, se faz convergir o drama humano com a P\u00e1scoa de Cristo.  Ac\u00e7\u00e3o humana e humanizante O n\u00famero 11 da mesma Constitui\u00e7\u00e3o vai no mesmo sentido, qualificando o olhar da Igreja sobre a realidade: \u201co Povo de Deus esfor\u00e7a-se por discernir nos acontecimentos, nas exig\u00eancias e nos desejos que compartilha com os seus contempor\u00e2neos, quais s\u00e3o os verdadeiros sinais da presen\u00e7a ou dos des\u00edgnios de Deus. Com efeito a f\u00e9 ilumina todas as coisas com uma luz nova e faz-nos conhecer a vontade divina sobre a voca\u00e7\u00e3o integral do homem, e assim orienta a intelig\u00eancia para solu\u00e7\u00f5es plenamente humanas\u201d. E \u00e9 muito interessante verificar que &#8211; para o Conc\u00edlio e no final do mesmo n\u00famero &#8211; um olhar crist\u00e3o sobre a realidade nem a aliena nem a deforma, antes lhe garante, sem desist\u00eancias, um sentido plenamente humano: \u201cPor isso aparecer\u00e1 com maior clareza que o povo de Deus e o g\u00e9nero humano, no qual ele est\u00e1 inserido, se prestam um m\u00fatuo servi\u00e7o, de tal modo que a miss\u00e3o da Igreja se mostra como religiosa e, por isso mesmo, sumamente humana\u201d. Este olhar incide sobre a realidade em geral, desde que seja humana e humanizante. Por isso prefere partir do pequeno e concreto para o geral e idealiz\u00e1vel. Toda a B\u00edblia o atesta, na prefer\u00eancia comprovada que Deus revela pelo pequeno, pobre e humilde. Pela fermenta\u00e7\u00e3o da massa e pelo crescimento das sementes, na linguagem das par\u00e1bolas. Escusado ser\u00e1 dizerque a comunica\u00e7\u00e3o social crist\u00e3 ter\u00e1 de ter isto em conta. Observava, a prop\u00f3sito, Christian Duquoc, quer sublinhando a dificuldade de transmitir religiosidade a partir de grandes encena\u00e7\u00f5es rituais, quer apontando a necessidade de a captar na vida comum e comezinha: \u201cOs media, \u00e9 certo, referem-se ao quotidiano e ao que a\u00ed continuamente se tece. Se h\u00e1 emiss\u00e3o religiosa, ela n\u00e3o deve ignorar o que se passa, ela tem por voca\u00e7\u00e3o, sem excesso ret\u00f3rico e sem romantismo, abri-lo para o que de invis\u00edvel nele acontece. Quanto mais parece dif\u00edcil dar ao espect\u00e1culo televisivo uma densidade religiosa com recurso ao rito hier\u00e1tico, mas separado do profano, tanto mais parece dif\u00edcil dar a ver na realidade quotidiana errante a gl\u00f3ria silenciosa de Deus. Ora, a forma medi\u00e1tica do cristianismo \u00e9 convocada para esta tarefa\u201d. E, dentro da mesma ordem de ideias, ainda junta o te\u00f3logo franc\u00eas: \u201cEsta tarefa, porventura paradoxal, vai ao encontro de um pensamento sobre Deus que se imp\u00f4s depois da publica\u00e7\u00e3o de Cartas da pris\u00e3o, de D. Boenhoeffer: a fragilidade de Deus no mundo seria ind\u00edcio anunciador de uma presen\u00e7a mais intensa naquilo que aparentemente O ignora ou lhe foge\u201d (2)  O que \u00e9 a verdade? Retenha-se tamb\u00e9m o seguinte trecho de outro autor: \u201cE o que \u00e9 a verdade? \u2013 perguntava Pilatos a Jesus. Porventura, o procurador romano na Palestina do s\u00e9culo I colocou, sem o saber, uma quest\u00e3o central para este debate sobre os media e as religi\u00f5es. Os media debatem-se com a procura da melhor verdade poss\u00edvel na descri\u00e7\u00e3o dos factos e da realidade. Mas essa aproxima\u00e7\u00e3o nunca \u00e9 perfeita: h\u00e1 sempre diferentes leituras poss\u00edveis, diferentes descri\u00e7\u00f5es dos mesmos factos, diferentes abordagens da sociedade. Apliquemos este crit\u00e9rio ao necess\u00e1rio preenchimento da liberdade religiosa, que, nem sempre estar\u00e1 assim t\u00e3o garantido\u2026 Foi ainda o Conc\u00edlio, num dos seus mais \u00e1rduos e conseguidos pronunciamentos, que estabeleceu o seguinte, no n\u00famero 15 da Declara\u00e7\u00e3o Dignitatis Humanae: \u201c\u00c9 evidente que os homens de hoje desejam poder professar livremente a religi\u00e3o em privado e em p\u00fablico [\u2026]. Por\u00e9m, n\u00e3o faltam regimes que, embora nas suas Constitui\u00e7\u00f5es reconhe\u00e7am a liberdade de culto religioso, se esfor\u00e7am por afastar os cidad\u00e3os de professarem a religi\u00e3o [\u2026]. Por conseguinte, para que na fam\u00edlia humana se estabele\u00e7am e consolidem rela\u00e7\u00f5es de conc\u00f3rdia e de paz, requer-se que em toda a parte se proteja a liberdade religiosa com uma eficaz tutela jur\u00eddica e se respeitem os deveres e os direitos supremos dos homens para a livre express\u00e3o da vida religiosa na sociedade\u201d. Imaginemos por\u00e9m que, numa determinada sociedade, se afirma a liberdade religiosa na legisla\u00e7\u00e3o fundamental, mas se considera que h\u00e1-de ser exercida apenas no foro privado e na chamada \u201cconsci\u00eancia individual\u201d, devendo desaparecer do tamb\u00e9m chamado \u201cespa\u00e7o p\u00fablico\u201d, na sua manifesta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica ou simb\u00f3lica. E se considera que na escola oficial, mesmo que os encarregados de educa\u00e7\u00e3o ou os pr\u00f3prios alunos pretendam a transmiss\u00e3o do legado religioso em geral ou de uma confiss\u00e3o espec\u00edfica, tal deve ser remetido para hor\u00e1rios dificilmente aproveit\u00e1veis. Ou se determina que os que escolhem o ensino n\u00e3o-estatal, para os seus filhos ou para si mesmos, t\u00eam de o pagar por inteiro, ainda que j\u00e1 o fa\u00e7am para a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. E se entende que o acompanhamento religioso das pessoas crentes, nos estabelecimentos hospitalares ou prisionais, deve ser reduzido aos que expressamente o pedem, excluindo qualquer esp\u00e9cie de proposta ou oferta que suscitasse tal pedido, inclusive para aqueles que previamente se sabe que o desejariam\u2026 Ou ainda, que no campo imenso da assist\u00eancia ao pr\u00f3ximo, as iniciativas confessionais devem ser secundarizadas, mesmo quando seja evidente que s\u00e3o elas as que mais respondem \u00e0s necessidades concretas de popula\u00e7\u00f5es inteiras; e que, sobretudo, respondem em continuidade, porque os que as integram encontram na religi\u00e3o um est\u00edmulo permanente para se dedicarem ao servi\u00e7o dos outros, com abnega\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia\u2026 Imaginemos.   Laicidade e liberdade religiosa Mas, mesmo s\u00f3 imaginando, a conclus\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia para a comunica\u00e7\u00e3o social que se queira crist\u00e3 e humanista: deve estar atenta, esclarecer e eventualmente denunciar, no sentido de efectivar a liberdade religiosa para todos e cada um, como direito fundamental a ser considerado por pr\u00e1ticas sociais e p\u00fablicas correspondentes. E denunciar tamb\u00e9m qualquer teoriza\u00e7\u00e3o puramente formal ou ideol\u00f3gica que encare a sociedade, mesmo a sociedade pol\u00edtica, como um aglomerado de entidades individuais abstractas, sem consist\u00eancia religiosa e cultural, pr\u00f3pria e compartilhada. A laicidade ou secularidade do Estado n\u00e3o se garante pela abstrac\u00e7\u00e3o das cren\u00e7as e motiva\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os e grupos de cidad\u00e3os, mas pela potencia\u00e7\u00e3o da respectiva partilha, patente e aberta, precisamente no espa\u00e7o p\u00fablico, tendo em conta as particularidades locais e garantindo sempre o direito das minorias. Quanto a estas, \u00e9 certo que n\u00e3o devem ser incomodadas mas, mesmo n\u00e3o sendo crentes, n\u00e3o devem ser menosprezadas. E menosprezadas seriam se as consider\u00e1ssemos n\u00e3o suscept\u00edveis de acolher uma proposta cultural ou religiosa. Em tudo e sempre, est\u00e1 apenas em causa o bem da pessoa humana, e o m\u00e1ximo de possibilidades que se lhe ofere\u00e7a para crescer em conhecimento, responsabilidade e liberdade. E, no que \u00e0 actividade pol\u00edtica respeita, tem responsabilidades pr\u00f3prias a comunica\u00e7\u00e3o social crist\u00e3. N\u00e3o pode esta fazer-se eco de pessimismos ou decep\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas em tal campo. Muito pelo contr\u00e1rio, deve estimular e dignificar o que Cristo reconheceu, mesmo em Pilatos, e Pedro e Paulo igualmente reconheceram no Imp\u00e9rio da altura, ou seja, o valor e a fundamenta\u00e7\u00e3o da autoridade pol\u00edtica e da sua finalidade. Cito, a prop\u00f3sito, o que oportunamente escreveu Francisco Sarsfield Cabral: \u201cA cruel frustra\u00e7\u00e3o de tantas esperan\u00e7as postas na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor levou, assim, ao descr\u00e9dito generalizado da ac\u00e7\u00e3o humana e, portanto, da pr\u00f3pria pol\u00edtica. \u00c9 aqui, numa recusa frontal deste esp\u00edrito conformista e desesperan\u00e7ado, que os cat\u00f3licos podem e devem fazer a diferen\u00e7a na pol\u00edtica. Desde logo, reabilitando a pr\u00f3pria pol\u00edtica, devolvendo-lhe objectivos \u00e9ticos sem os quais ela se dissolve num cinismo pseudo-realista. Depois, e sobretudo, assumindo uma atitude de n\u00e3o resigna\u00e7\u00e3o perante a injusti\u00e7a no mundo, de n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o do intoler\u00e1vel. [\u2026] Num mundo desencantado, cabe aos cat\u00f3licos o testemunho da esperan\u00e7a. O resto vir\u00e1 por acr\u00e9scimo\u201d (3) . \u00c9 profundo e exigente o olhar da Igreja sobre a realidade. Creio que, na nossa sociedade, \u00e9 sobretudo um contributo indispens\u00e1vel da comunica\u00e7\u00e3o social crist\u00e3.   1 BENTO XVI \u2013 As respostas do Santo Padre \u00e0s perguntas dos jovens. L\u2019Osservatore Romano (ed. port.).(8 de Set. 2007) 3-4. 2 DUQUOC, Christian \u2013 Os media e o Cristianismo. \u201cS\u00f3 existe aquilo que se d\u00e1 a ver\u201d. Communio. 24 (2007\/1) 24. 3 CABRAL, Francisco Sarsfield \u2013 \u00c9tica na Sociedade Plural. Coimbra: Tenacitas, 2001, p. 251.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia de D. Manuel Clemente nas Jornadas Nacionais de Comunica\u00e7\u00e3o Social<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,139,144,174,193,201,206,275,314,317],"class_list":["post-27321","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-communio","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-de-coimbra","tag-educacao","tag-etica","tag-familia","tag-pascoa","tag-solidariedade","tag-terra-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27321"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27321\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}