{"id":27311,"date":"2007-10-02T11:41:11","date_gmt":"2007-10-02T11:41:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/02\/estranhos-monges\/"},"modified":"2007-10-02T11:41:11","modified_gmt":"2007-10-02T11:41:11","slug":"estranhos-monges","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/estranhos-monges\/","title":{"rendered":"Estranhos monges"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo os que n\u00e3o sabem onde fica a Birm\u00e2nia ou Rangum, se questionam sobre o batalh\u00e3o de monges fora dos seus mosteiros a serem o alvo principal duma telhuda junta militar que quer correr um pa\u00eds a ferro e a fogo. Temos de admitir que a esta dist\u00e2ncia, que n\u00e3o \u00e9 pouca, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil entender os mecanismos dos jogos militares, manifestantes, agrupamentos jovens e monges, sob o olhar prepotente e assustado de ditadores que tudo mandam mas que andam com medo de tudo perder.  Mas &#8211; pergunta-se de novo &#8211; no meio de tudo isto, que fazem os monges budistas? Primeiro, n\u00e3o h\u00e1 um budismo apenas, mesmo na Birm\u00e2nia. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o individualista que privilegia a passagem para o nirvana fazendo dos obst\u00e1culos ondas de transi\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 uma escola mais empenhada na justi\u00e7a e na liberdade \u2013 lembre-se a corrente Dalai Lama e do seu empenhamento pol\u00edtico pela independ\u00eancia do Tibete. H\u00e1 um terceiro elemento: uma legitima-\u00e7\u00e3o com a aproxima\u00e7\u00e3o popular, que faz do budismo um companheiro do povo nas suas express\u00f5es espirituais e nos seus empenhamentos comunit\u00e1rios. A esta dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica, cultural e religiosa, pouco entendemos das not\u00edcias que nos chegam dum pa\u00eds humilhado por uma ditadura militar em confronto com uma escola de espiritualidade que nem tem refer\u00eancia a Deus como a generalidade das religi\u00f5es que conhecemos. No seu aparente distanciamento da realidade para maior liberta\u00e7\u00e3o interior em rela\u00e7\u00e3o aos mecanismos do poder, do dinheiro, do consumismo hedonista, os monges da Birm\u00e2nia vivem nos seus mosteiros com as esmolas do povo, s\u00e3o uma percentagem significativa da popula\u00e7\u00e3o (praticamente n\u00e3o h\u00e1 fam\u00edlia que n\u00e3o tenha um filho num mosteiro). Vieram para a rua na hora de defender a liberdade e os direitos dos mais indefesos. Puseram-se na linha da frente de contesta\u00e7\u00e3o aos militares sem a mais pequena ambi\u00e7\u00e3o de poder. Com a sua perspectiva de reencarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o desprezam a vida terrena na esperan\u00e7a do que viver\u00e3o no futuro. Dir-se-ia que h\u00e1 muitos aspectos coincidentes com um cristianismo encarnado, activo, interveniente, que tanto apela \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o pessoal, como \u00e0 interven\u00e7\u00e3o social na implanta\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e no respeito por todos e cada um. Estamos realmente muito distantes. N\u00e3o nos revemos nas concep\u00e7\u00f5es dos quatrocentos mil monges que povoam os mosteiros da Birm\u00e2nia. Mas sentimo-nos irmanados em muitos valores humanos que defendem. E n\u00e3o podemos deixar de aprender a forma como ligam contempla\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o e compromisso, espiritualidade e empenhamento social. Ou talvez estejamos menos distantes do que nos parece. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo os que n\u00e3o sabem onde fica a Birm\u00e2nia ou Rangum, se questionam sobre o batalh\u00e3o de monges fora dos seus mosteiros a serem o alvo principal duma telhuda junta militar que quer correr um pa\u00eds a ferro e a fogo. 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