{"id":27310,"date":"2007-10-02T11:38:09","date_gmt":"2007-10-02T11:38:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/10\/02\/militancia-catolica-e-intervencao-politica-2\/"},"modified":"2007-10-02T11:38:09","modified_gmt":"2007-10-02T11:38:09","slug":"militancia-catolica-e-intervencao-politica-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/militancia-catolica-e-intervencao-politica-2\/","title":{"rendered":"Milit\u00e2ncia cat\u00f3lica e interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>A Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa acolheu o lan\u00e7amento da Obra &#8220;&#8221;Um cat\u00f3lico militante diante da crise nacional: Manuel Isa\u00edas Ab\u00fandio da Silva (1874-1914)&#8221;, da autoria do historiador Ant\u00f3nio Matos Ferreira. A edi\u00e7\u00e3o do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa (CEHR) da UCP apresenta a vida de um leigo comprometido, que defendeu a seculariza\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa e se afirmou como cat\u00f3lico &#8220;dentro do exerc\u00edcio da cidadania&#8221;. Op\u00e7\u00f5es dif\u00edceis num per\u00edodo de estertor da monarquia e implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, \u00e9poca atravessada por constantes crises pol\u00edticas, mas tamb\u00e9m religiosas, \u00e9 retratado numa obra que \u00e9 lan\u00e7ada esta quarta-feira. Defensor da chamada &#8220;democracia crist\u00e3&#8221; num per\u00edodo de forte divis\u00e3o pol\u00edtica entre os cat\u00f3licos, Ab\u00fandio da Silva procurou &#8220;ancorar o catolicismo \u00e0 realidade social&#8221;. N\u00e3o fazendo parte do poder pol\u00edtico nem do poder eclesi\u00e1stico, este leigo &#8220;formulou e encarnou um projecto de reforma da sociedade&#8221;. Jo\u00e3o Medina, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, destacou a &#8220;lucidez de s\u00edntese&#8221; e a &#8220;isen\u00e7\u00e3o&#8221; de Matos Ferreira na abordagem a esta personagem, assegurando que a obra &#8220;marcar\u00e1 a hist\u00f3ria religiosa, pol\u00edtica e cultural&#8221; do nosso pa\u00eds&#8221;. J\u00e1 D. Manuel Clemente, Bispo do Porto e director do CEHR, diz que o conceito de &#8220;milit\u00e2ncia cat\u00f3lica&#8221; \u00e9 a chave para ler o livro, obra que &#8220;poucas pessoas poderiam escrever em Portugal&#8221;. Este respons\u00e1vel destacou o percurso de Ab\u00fandio da Silva, um miguelista que conseguiu, depois, passar para &#8220;o reconhecimento positivo da realidade n\u00e3o cat\u00f3lica&#8221;. Na apresenta\u00e7\u00e3o da obra, o Bispo do Porto lembra que &#8220;uma apresenta\u00e7\u00e3o do nosso catolicismo oitocentista como uma mera reac\u00e7\u00e3o ao Liberalismo, un\u00edvoca e sem matizes, esquecia o consider\u00e1vel caudal de iniciativas pessoais e de grupo que, sob a designa\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de &#8216;movimento cat\u00f3lico&#8217;, quis restabelecer em termos novos a presen\u00e7a eclesial na sociedade portuguesa&#8221;. Matos Ferreira, por seu lado, escreve que quis ajudar a compreender, atrav\u00e9s de um &#8220;protagonista polifacetado&#8221;, aquilo que se poder\u00e1 designar como &#8220;metamorfoses do campo religioso&#8221;. &#8220;A milit\u00e2ncia cat\u00f3lica surge como exerc\u00edcio real de uma interven\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-pol\u00edtica, alimentada por motiva\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e espirituais&#8221;, aponta o historiador.  <b>Do Miguelismo \u00e0 democracia<\/b> Pouco antes, o Conde de Samod\u00e3es ensaiara um discurso conciliador entre catolicismo e liberalismo pol\u00edtico, numa tentativa de relan\u00e7ar o movimento cat\u00f3lico em Portugal, em 1870, com uma ac\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia que se prolongam at\u00e9 \u00e0 Rep\u00fablica. Um grupo de cat\u00f3licos procurou, com \u00eaxito, separar os objectivos pol\u00edticos dos objectivos religiosos, abrindo um espa\u00e7o pr\u00f3prio na quest\u00e3o pol\u00edtico-religiosa e afirmando-se como um dos mais significativos defensores do discurso conciliador entre catolicismo e liberalismo pol\u00edtico. Ab\u00fandio da Silva \u00e9 apresentado muitas vezes como cat\u00f3lico de inspira\u00e7\u00e3o franciscana, em oposi\u00e7\u00e3o ao partido nacionalista, influenciado pelos jesu\u00edtas. A pol\u00edtica portuguesa desta \u00e9poca, com o estremar de campos, a guerra civil e a quest\u00e3o religiosa, num embate violento entre ideias e princ\u00edpios, um per\u00edodo de grande agita\u00e7\u00e3o e de v\u00e1rias expectativas quanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da Igreja com a sociedade. A problem\u00e1tica, com uma componente pol\u00edtica muito forte. Nas suas &#8220;Cartas a um Abade&#8221; (1913), fala das guerras entre liberais e absolutistas, lembrando que &#8220;os partid\u00e1rios do senhor D. Miguel opunham&#8230; a Igreja&#8221;. &#8220;Um cat\u00f3lico n\u00e3o podia ser constitucional, pedir o parlamento, a Carta, a fiscaliza\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o no seu governo. O rei aclamado pelos Tr\u00eas-Estados foi divinizado: era o pr\u00f3prio arcanjo S\u00e3o Miguel mandado por Deus para exterm\u00ednio dos cartistas como o fora para o terr\u00edvel castigo dos eg\u00edpcios&#8221;, escreveu. Ab\u00fandio da Silva criticava o clero regular e secular que, em vez de desfazer este equ\u00edvoco em rela\u00e7\u00e3o ao miguelismo &#8211; &#8220;chegaram a ver nele o pr\u00f3prio Jesus&#8221; &#8211; e \u00e0 sua confus\u00e3o com o catolicismo, acabava por explor\u00e1-lo. &#8220;Foi ele (o clero) que mais ajudou a alimentar essa demagogia infame do cacete; ele que calou a sua voz n\u00e3o erguendo um protesto contra as for\u00e7as, ele que transformou o p\u00falpito em tribuna de com\u00edcio donde desferiu an\u00e1temas contra o sr. D. Pedro e os seus sequazes&#8221;, referiu. <i>OCt\u00e1vio Carmo, AE<\/i> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa acolheu o lan\u00e7amento da Obra &#8220;&#8221;Um cat\u00f3lico militante diante da crise nacional: Manuel Isa\u00edas Ab\u00fandio da Silva (1874-1914)&#8221;, da autoria do historiador Ant\u00f3nio Matos Ferreira. 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