{"id":27247,"date":"2007-09-28T11:40:38","date_gmt":"2007-09-28T11:40:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/28\/vejo-um-ramo-de-amendoeira-jr-111\/"},"modified":"2007-09-28T11:40:38","modified_gmt":"2007-09-28T11:40:38","slug":"vejo-um-ramo-de-amendoeira-jr-111","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vejo-um-ramo-de-amendoeira-jr-111\/","title":{"rendered":"Vejo um ramo de amendoeira (Jr 1,11)"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Couto, Bispo Auxiliar de Braga, no dia da sua ordena\u00e7\u00e3o episcopal <!--more--> Com uma flor de amendoeira nos olhos 1. Na bel\u00edssima e fin\u00edssima, imensa cena da voca\u00e7\u00e3o de Jeremias, tecida em forma dialogal \u2013 que \u00e9 a maneira de ser da inteira Escritura, logo a\u00ed um desafio para n\u00f3s \u2013, Deus confia a Jeremias uma miss\u00e3o dif\u00edcil: \u00abEis que ponho as minhas palavras na tua boca. V\u00ea! Eis que te constituo hoje,\/ sobre as na\u00e7\u00f5es e sobre os reinos,\/ para arrancar e para destruir,\/ para exterminar e para demolir,\/ para construir e para plantar\u00bb (Jr 1,9-10). Os verbos falam por si. Quatro verbos negativos, os primeiros. Apenas dois verbos positivos, os \u00faltimos. \u00c0 primeira vista, a miss\u00e3o de Jeremias apresenta-se ingrata, espinhosa, arrasadora, quase catastr\u00f3fica. Primeiro destruir, e muito; s\u00f3 depois construir, um bocadinho.  2. \u00c9 verdade que o grande profeta vai atravessar a \u00e9poca mais negra da hist\u00f3ria do seu pa\u00eds. Assiste, em 609 a. C., \u00e0 morte inesperada e tr\u00e1gica de Josias, rei justo e bom, em quem estavam depositadas tantas esperan\u00e7as (Jr 22,15-16)! Assiste, entre 609 e 597, \u00e0 ac\u00e7\u00e3o prepotente e insolente do tirano Joaquim, que esbulha o povo de Jud\u00e1 (Jr 22,13.17) e desrespeita a Palavra de Deus, queimando cinicamente na braseira em que se aquecia o rolo ditado por Jeremias, escrito por Baruc e lido por Judi (Jr 36,23). Assiste ainda \u00e0s duas entradas devastadoras do babil\u00f3nico Nabucodonosor em Jerusal\u00e9m, em 597 e 587. A segunda, em 587, \u00e9 para p\u00f4r fim \u00e0 na\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1, arrasar a sua capital, Jerusal\u00e9m, incendiar o Templo, levar o rei Sedecias e muitos nobres e artes\u00e3os para o Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia. Era o fim de um pa\u00eds e o fim de uma religi\u00e3o: ainda era cred\u00edvel e rent\u00e1vel o culto a um Deus que tinha aparentemente abandonado o justo e os seus fi\u00e9is, e deixado destruir o seu pr\u00f3prio Templo, a sua Casa? Era o fim de um mundo1 o que se avistava agora de Jerusal\u00e9m! Para c\u00famulo, aproveitando as debilidades de Jud\u00e1, os Edomitas atacaram pelo sul, apoderando-se de muitas terras de Jud\u00e1, deixando o seu territ\u00f3rio reduzido a 20.000 pobres e a uma faixa de terra de 50 km na sua extens\u00e3o norte-sul: desde Betel at\u00e9 Bet-Sur, um pouco a norte do Hebron, cidade que vai ficar fora do territ\u00f3rio de Jud\u00e1 durante quatro s\u00e9culos, at\u00e9 163 a. C.2  3. Nestas condi\u00e7\u00f5es desgra\u00e7adas, n\u00e3o admira que, desde 609 a. C., Jeremias destile tamb\u00e9m tristeza, dor, queixumes e amarguras, confessando-se claramente um homem de cora\u00e7\u00e3o dorido (Jr 4,19; 8,18). O que admira, e \u00e9 nisso que o devemos seguir, \u00e9 que ele n\u00e3o fique com os olhos e a alma toldados e atolados na lama e no lodo (Jr 38), na mis\u00e9ria, na ru\u00edna e na morte, num mundo sem Deus, mas tenha aprendido a ver o mundo, Deus e a religi\u00e3o de outra maneira. Sem \u00e1libis.\/ Quero dizer:\/ j\u00e1 n\u00e3o vale invocar raz\u00f5es como:\/ \u00abOfereci sacrif\u00edcios,\/ rezei no teu templo\u00bb (cf. Is 29,13),\/ ou \u00abcomemos e bebemos contigo,\/ Tu ensinaste em nossas pra\u00e7as!\u00bb (Lc 13,26). Nasce outra justi\u00e7a,\/ um amor maior desponta. Sim, o justo pode morrer injustamente sem que Deus o abandone!3 Jeremias descobre, no meio da dor da sua vida aquilo que Jud\u00e1 vai descobrir no Ex\u00edlio, o verdadeiro rosto de Deus, irresist\u00edvel e apaixonado companheiro (Jr 20,7.11-13), e confessa, vencido e comovido: \u00abSempre que aparecem as tuas palavras,\/ eu devoro-as.\/ A tua palavra \u00e9,\/ para mim,\/ exulta\u00e7\u00e3o\/ e a alegria do meu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (Jr 15,16). E com mais afinco ainda: \u00abTu me seduziste, Senhor,\/ e eu deixei-me seduzir;\/ Tu foste mais forte\u00bb (Jr 20,7). E continua: \u00abA tua Palavra ardia no meu cora\u00e7\u00e3o como um fogo devorador,\/ encerrado dentro dos meus ossos\u00bb (Jr 20,9). J\u00e1 Mois\u00e9s tinha descoberto aquela chama viva, que ardia e n\u00e3o queimava,\/ mas chamava (Ex 3,2-4). Elias encontrou essa Palavra nova na \u00abvoz de um fino sil\u00eancio\u00bb (1 Rs 19,12)4, escrita fina de Deus,\/ com ponta de diamante,\/ no cora\u00e7\u00e3o do homem (Jr 17,1; 31,33). E o autor da Carta aos Hebreus compara esse \u00abfino dizer\u00bb ou \u00abescrever\u00bb a uma espada de dois gumes, que rasga o \u00e2mago do homem e lhe deixa soltas as pregas do cora\u00e7\u00e3o (Hb 4,12). Como se pode combater este inc\u00eandio,\/ apagar esta chama que chama,\/ calar a voz deste fino sil\u00eancio,\/ fugir deste bisturi que levamos dentro de n\u00f3s?\/\/ Jeremias tem outra vez raz\u00e3o:\/ \u00e9 mais f\u00e1cil enfrentar um furac\u00e3o (Jr 23,18-20). Esse sabemos de onde vem e para onde vai!5  4. De facto, depois de lhe ter confiado aquela miss\u00e3o, aparentemente desgra\u00e7ada, assente naqueles primeiros quatro verbos negativos (s\u00f3 os dois \u00faltimos s\u00e3o positivos), Deus ousa perguntar a Jeremias: \u00abO que v\u00eas, Jeremias?\u00bb Ao que Jeremias responde: \u00abVejo um ramo de amendoeira!\u00bb (Jr 1,11). E Deus manifesta a sua aprova\u00e7\u00e3o a este modo de ver de Jeremias, dizendo: \u00abViste bem, Jeremias, viste bem!\u00bb (Jr 1,12). \u00abBem\u00bb diz-se em hebraico t\u00f4b. Mas t\u00f4b significa tamb\u00e9m \u00abbelo\u00bb e \u00abbom\u00bb. Jeremias v\u00ea, portanto, \u00abbem\u00bb, \u00abbelo\u00bb e \u00abbom\u00bb!  5. A amendoeira \u00e9 uma das poucas \u00e1rvores que floresce em pleno inverno. Ao responder: \u00abVejo um ramo de amendoeira\u00bb, Jeremias j\u00e1 ergueu os olhos da invernia e da tempestade e do lodo e da lama e da cat\u00e1strofe e da morte que tinha pela frente, e j\u00e1 os fixou l\u00e1 longe, ou aqui t\u00e3o perto, na fr\u00e1gil-forte-vigilante flor da esperan\u00e7a que a amendoeira representa. \u00c9 de presumir que, se Jeremias tivesse respondido: \u00abVejo a tempestade, a ru\u00edna, a morte, a crise\u00bb, que era o que tinha mesmo pela frente, em vez de \u00abViste bem, Jeremias, viste bem!\u00bb, Deus t\u00ea-lo-ia reprovado, dizendo: \u00abViste mal, Jeremias, viste mal!\u00bb Senhor, afina o meu olhar pela flor que Tu quiseres.\/ Faz-me ver sempre bem, belo e bom.\/ Faz-me ver com o olhar com que me v\u00eas,\/ e com que olhas a tua cria\u00e7\u00e3o.\/ Contempla\u00e7\u00e3o.  Com uma vara de amendoeira na m\u00e3o 6. Numa p\u00e1gina sublime do Livro dos N\u00fameros (Nm 17,17-26), Deus ordena a Mois\u00e9s que recolha as varas de comando dos chefes das doze tribos de Israel, para, de entre eles, escolher um que exer\u00e7a o sacerd\u00f3cio em Israel. Em cada vara foi escrito o nome da respectiva tribo. Por ordem de Deus, o nome de Levi foi substitu\u00eddo pelo de Aar\u00e3o. As doze varas foram colocadas, ao entardecer, na presen\u00e7a de Deus, na Tenda do Encontro. Na manh\u00e3 seguinte, todos puderam contemplar que da vara de Aar\u00e3o tinham desabrochado folhas verdes, flores em bot\u00e3o, flores abertas e frutos maduros (Nm 17,23). Dos frutos \u00e9 dito o nome: am\u00eandoas! Vara de amendoeira em flor e fruto, que, por ordem de Deus, ficar\u00e1 para sempre na sua presen\u00e7a, diante do Propiciat\u00f3rio (cf, Hb 9,4), entre Deus e o povo, para impedir que o pecado do povo chegue a Deus, e para facilitar que o perd\u00e3o de Deus chegue ao povo. J\u00e1 ningu\u00e9m estranhar\u00e1 agora que o candelabro (men\u00f4rah) que, noite e dia,\/ ardia\/ na presen\u00e7a de Deus, estivesse ornamentado com flores de amendoeira (Ex 25,31-35; 37,20-22). E tamb\u00e9m j\u00e1 ningu\u00e9m estranhar\u00e1 que a tradi\u00e7\u00e3o judaica tardia refira que a vara do Messias havia de ser de amendoeira. A\u00ed est\u00e3o as coordenadas exactas do lugar do sacerdote e do bispo: entre Deus e o povo. Mais concretamente: pertinho de Deus, mas de um Deus que faz car\u00edcias ao seu povo, um Deus que ama e que perdoa; pertinho do povo, o suficiente para lhe entregar esta car\u00edcia de Deus.  Com Deus no cora\u00e7\u00e3o 7. \u00abTu me seduziste, Senhor,\/ e eu deixei-me seduzir;\/ Tu foste mais forte\u00bb (Jr 20,7). \u00abO Senhor \u00e9 um guerreiro\u00bb, diz o c\u00e2ntico de Mois\u00e9s (Ex 15,3). Jeremias tamb\u00e9m o \u00e9. Tem de o ser. Que outro modo h\u00e1 de lidar com Deus,\/ ou com o amor? N\u00e3o \u00e9 o amor \u00abterr\u00edvel como um ex\u00e9rcito em ordem de batalha\u00bb? (Ct 6,4). Que o digam tamb\u00e9m Mois\u00e9s, Paulo de Tarso, Agostinho de Tagaste, Francisco de Xavier. Todos travam lutas intensas com Deus. Todos saem derrotados, mas n\u00e3o frustrados; antes apaziguados e tranquilos. Eu tamb\u00e9m. Confesso que j\u00e1 perdi v\u00e1rias lutas com Deus. Luto com Ele, e tenho perdido sempre, e ainda bem. J\u00e1 s\u00e3o muitos a zero. Ando nisto desde os 10 anos. O que se passou hoje, aqui, \u00e9 mais uma vit\u00f3ria d\u2019Ele. Assumo publicamente a derrota. Mas compreendo cada vez melhor que a verdadeira voca\u00e7\u00e3o do homem \u00e9 lutar com Deus mil vezes por amor, e mil vezes sair derrotado por amor. Senhor, que eu diga sempre \u00abSim\u00bb:\/ contigo n\u00e3o me importo de perder at\u00e9 ao fim.\/\/ Bem se v\u00ea que \u00e9 de amor que falo,\/ ou calo.\/ Importa ouvir sempre a voz do galo,\/ e n\u00e3o perder o rumor dos teus passos no jardim,\/ ou j\u00e1 dentro de mim,\/ suave Senhor de la Sonrisa,\/ fina brisa \u00e0 flor dos l\u00e1bios,\/ alento,\/ encanto.\/\/ Atento,\/ que pode a semente germinar antes do tempo,\/ e a espiga amadurar antes do campo!\/\/ O tempo que me d\u00e1s \u00e9 todo ceifa.\/ Quatro meses para Ti, que coisa s\u00e3o?\/ Apenas o tempo de erguer e poisar os olhos neste ch\u00e3o,\/ Jo\u00e3o 4,35.\/ Assim nos fazes passar do inverno para o ver\u00e3o,\/ e nos deixas no tempo da miss\u00e3o.  Uma Igreja com rosto\u2026 mission\u00e1rio 8. Na homilia\/ da Eucaristia\/ que abria\/ o seu minist\u00e9rio petrino, Domingo, 24 de Abril de 2005, o Papa Bento XVI dizia-se e dizia a Igreja assim: \u00abN\u00f3s existimos para mostrar Deus aos homens\u00bb. Se \u00e9 para mostrar, ent\u00e3o \u00e9 preciso um corpo (cf. Hb 10,5),\/ um rosto,\/ m\u00e3os,\/ p\u00e9s,\/ olhos,\/ cora\u00e7\u00e3o\/. Comunica\u00e7\u00e3o. Em dois not\u00e1veis e oportunos Documentos, significativamente intitulados Comunicar o Evangelo num mundo em mudan\u00e7a (CEMM)6, de 29 de Junho de 2001, e O rosto mission\u00e1rio das par\u00f3quias num mundo em mudan\u00e7a (RMP)7, de 30 de Maio de 2004, a Confer\u00eancia Episcopal Italiana afirma que \u00abA tarefa fundamental da Igreja hoje \u00e9 comunicar o Evangelho neste mundo em mudan\u00e7a\u00bb (CEMM, n.\u00ba 32 e 44; RMP, n.\u00ba 1), e que \u00abtamb\u00e9m hoje \u00e9 poss\u00edvel, belo, bom e justo viver a exist\u00eancia humana de acordo com o Evangelho\u00bb (RMP, n.\u00ba 1; cf. CEMM, n.\u00ba 57). E continua assim: \u00ab\u00c9 necess\u00e1rio e urgente descobrir o primeiro an\u00fancio do Evangelho como dimens\u00e3o fundamental, e n\u00e3o apenas residual ou excedent\u00e1ria ou ulterior, da Igreja e da par\u00f3quia. A miss\u00e3o n\u00e3o pode aparecer apenas como o \u00faltimo ponto de um qualquer programa pastoral mais ou menos bem elaborado, mas tem de ser o horizonte permanente e o paradigma por excel\u00eancia de todo o programa pastoral\u00bb (CEMM, n.\u00ba 32; RMP, n.\u00ba 6). A miss\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas no final; est\u00e1 no princ\u00edpio e desde o princ\u00edpio (CEMM, n.\u00ba 3). A miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um acrescento, um luxo, um adorno,\/ cereja no cimo do bolo\/ de uma identidade crist\u00e3 considerada completa sem a miss\u00e3o. Tudo antes disso: \u00abA miss\u00e3o \u00e9 a gra\u00e7a e a voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da Igreja, de toda a Igreja, a sua identidade mais profunda\u00bb, diz bem e fundo o n.\u00ba 14 da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii Nuntiandi, de Paulo VI, de 8 de Dezembro de 1975. D\u00e1-nos, Senhor,\/ um cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel e fraterno,\/ capaz de escutar\/ e de recome\u00e7ar.\/\/ Mant\u00e9m-nos reunidos, Senhor,\/ \u00e0 volta do p\u00e3o e da palavra.\/ Ajuda-nos a discernir\/ os rumos a seguir\/ nos caminhos sinuosos deste tempo,\/ por Ti semeado e por Ti redimido.\/\/ Ensina-nos a tornar a tua Igreja toda mission\u00e1ria,\/ e a fazer de cada par\u00f3quia, que \u00e9 a Igreja a residir no meio das casas dos homens (RMP, n.\u00ba 4 e 13),\/ uma Casa grande, aberta e feliz,\/ \u00e1trio de fraternidade,\/ de onde se possa sempre ver o c\u00e9u,\/ e o c\u00e9u nos possa sempre ver a n\u00f3s.   9. Queridos companheiros da Sociedade Mission\u00e1ria da Boa Nova: \u00abN\u00e3o tenhas medo,\/ pequeno REBANHO,\/ porque aprouve (eud\u00f3k\u00easen)\/ ao vosso PAI\/ dar-vos o REINO\u00bb (Lc 12,32). Digo outra vez (podeis dizer comigo), para sentirmos melhor o ritmo e a do\u00e7ura das palavras: \u00abN\u00e3o tenhas medo,\/ pequeno REBANHO,\/ porque aprouve\/ ao vosso PAI\/ dar-vos o REINO\u00bb. Experimentemos saborear s\u00f3 os nomes: Rebanho,\/ PAI,\/ Reino. Convenhamos que, para o Rebanho, seria mais adequado um Pastor, e, para o Reino, um Rei. Mas \u00e9 o PAI que Jesus nos p\u00f5e no meio. Provemos agora s\u00f3 o sabor dos verbos: N\u00e3o tenhas medo,\/ aprouve,\/ dar-vos. Encontramos um Deus e PAI que nos liberta de medos, que olha para n\u00f3s com prazer \u2013 aprouve \u00e9 o verbo aprazer \u2013, e d\u00e1 como um PAI d\u00e1 aos seus filhos. Bento XVI disse quase a mesma coisa na homilia j\u00e1 referida, no in\u00edcio do seu minist\u00e9rio petrino. Disse: \u00abN\u00e3o tenhais medo de Cristo!\/ Ele n\u00e3o tira nada.\/ Ele d\u00e1 tudo\u00bb. E ainda: \u00abQuem deixa entrar Cristo na sua vida, n\u00e3o perde nada, nada \u2013 absolutamente nada \u2013 daquilo que torna a vida livre, bela e grande\u00bb. Queridos companheiros: eu ainda confio nas palavras que escolho,\/ uma a uma,\/ como antigamente\/ escolhia as pedras na torrente.\/\/ Eu ainda sou como um menino.\/ Querido P. Albino:\/ a ti confio hoje esta boa gente. E a ti confio-te ao Senhor da ceifa, da alegria e da esperan\u00e7a. J\u00e1 n\u00e3o vale dizer: \u00abSou ainda uma crian\u00e7a\u00bb, porque \u00abA quem Eu te enviar, ir\u00e1s,\/ e o que te mandar dizer, dir\u00e1s!\u00bb (Jr 1,6-7). Deixa que seja Ele a guiar a tua vida,\/ e a vida dos nossos companheiros por quatro continentes repartida. Em 27 de Junho passado, disseram-me assim: \u00abTu n\u00e3o escolheste,\/ n\u00e3o procuraste,\/ n\u00e3o pediste; talvez seja Deus que anda por a\u00ed\u00bb. \u00c9 o mesmo que te digo hoje a ti, meu querido companheiro, e, a partir de agora tamb\u00e9m meu car\u00edssimo Superior Geral. Conta sempre comigo. Eu sei bem que \u00abOs Bispos, como membros do corpo episcopal, sucessor do Col\u00e9gio Apost\u00f3lico, s\u00e3o consagrados, n\u00e3o s\u00f3 em benef\u00edcio de uma diocese, mas para salva\u00e7\u00e3o de todo o mundo\u00bb (AG, n.\u00ba 38; PA, n.\u00ba 4; RM 63).  10. Querida Arquidiocese de Braga: Senhor Arcebispo Primaz, D. Jorge,\/ Senhor Arcebispo Em\u00e9rito, D. Eurico,\/ Senhor D. Antonino,\/ Ilustr\u00edssimo Cabido,\/ Car\u00edssimos sacerdotes e di\u00e1conos,\/ religiosos e religiosas,\/ seminaristas,\/ povo santo de Deus. Irei em breve ter convosco. Irei como filho de Deus, sorridente porque consciente do amor que Deus me tem,\/ e com que Deus me tem; irei como vosso irm\u00e3o que vos quer muito; irei como pai para gerar filhos na f\u00e9, e aliment\u00e1-los na caridade e na esperan\u00e7a; irei com not\u00edcias,\/ car\u00edcias\/ de Deus, e com sauda\u00e7\u00f5es para cada um de v\u00f3s; irei para vos desafiar a anunciar aquele Jesus Cristo que um dia tivestes (ou tereis) a alegria de encontrar, e que n\u00e3o podeis deixar de testemunhar. Irei para servir e para ajudar. Tenho um sonho: o de poder ver nascer, neste mundo em mudan\u00e7a, em cada par\u00f3quia e em cada pessoa um rosto mission\u00e1rio, evangelizado e evangelizador, acolhido e acolhedor, por puro amor. Entretanto, e sempre, rezai por mim. Senhor Arcebispo Primaz, receba a minha fraterna comunh\u00e3o e humilde dedica\u00e7\u00e3o.  Com imensa gratid\u00e3o 11. Em treze pontos, tantos quantos os atributos de Deus anotados em Ex 34,6-7, manifesto a minha gratid\u00e3o. 1) Em primeiro lugar e para sempre a Deus, verdadeiro Senhor da minha vida. 2) Depois a Maria, minha m\u00e3e, que me protege e me guia; 3) Depois, ao Papa Bento XVI, por me ter confiado esta nova miss\u00e3o de amor, a pr\u00f3pria ess\u00eancia de Deus, como ele escreve na Bula da nomea\u00e7\u00e3o; mas tamb\u00e9m pela especial B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica que me concedeu no decorrer da Audi\u00eancia do passado dia 31 de Agosto, e que \u00e9 \u00abextensiva ao clero e ao povo fiel de Braga e aos membros da Sociedade Mission\u00e1ria da Boa Nova\u00bb. 4) Depois, a todos os Senhores Bispos presentes e tamb\u00e9m aos que, por motivos de sa\u00fade ou trabalho inadi\u00e1vel, n\u00e3o puderam estar presentes fisicamente, mas me prometeram estar em comunh\u00e3o espiritual e afectiva. Seja-me permitido destacar a presen\u00e7a muito especial do meu querido companheiro de Instituto, de quem me torno agora tamb\u00e9m companheiro no Col\u00e9gio Episcopal, Senhor D. Jos\u00e9 dos Santos Garcia. 5) Depois, a todos os Presb\u00edteros e Di\u00e1conos, Religiosos e Religiosas, que quiseram estar comigo hoje e aqui, vindos das mais diversas partes. Fica pelas vezes em que tenho sido eu a ir ter convosco. Mas quero tamb\u00e9m mostrar a minha imensa gratid\u00e3o a v\u00e1rias comunidades mon\u00e1sticas e contemplativas, que n\u00e3o est\u00e3o aqui fisicamente, porque optaram, e eu achei muito bonito, por ficar em ora\u00e7\u00e3o o dia inteiro. 6) Depois ex-aequo, a todos os meus companheiros da SMBN que quiseram estar comigo hoje, representando outros companheiros, e que vieram de Mo\u00e7ambique, Angola, Z\u00e2mbia, Brasil, Jap\u00e3o, e das diversas Casas de Portugal. Junto aqui toda a Fam\u00edlia Boa Nova, Mission\u00e1rios e Mission\u00e1rias, ARM, LBN, colaboradores e amigos. Ex aequo com todos quantos vieram da Arquidiocese de Braga, e que quiseram estar aqui hoje comigo. Quero dizer-vos, do fundo do cora\u00e7\u00e3o, amigos bracarenses, que sois bem-vindos, e que estou a pensar seriamente em retribuir-vos a visita em breve. 7) Depois, a todos os meus familiares mais directos, em especial a minha av\u00f3 Maria Am\u00e9lia e a minha m\u00e3e C\u00e2ndida Manuela, que o Senhor guarda junto de si: com elas aprendi quase tudo o que sei, e seguramente o melhor do que sei. Lembro-me sempre de Tim\u00f3teo, da sua av\u00f3 Loide e da sua m\u00e3e Eunice (cf. 2 Tm 1,5). 8) Depois, a todos os meus companheiros da SMBN, vivos e falecidos, por quem rezo ao bom Deus, que me foram orientando na caminhada para o sacerd\u00f3cio. 9) Depois, quero estender a minha gratid\u00e3o \u2013 ao mesmo tempo que rezo pela sua sa\u00fade \u2013 a D. Armindo Lopes Coelho, que, neste Semin\u00e1rio das Miss\u00f5es de Cucuj\u00e3es, me ordenou Di\u00e1cono, e a D. Sante Portalupi, ent\u00e3o N\u00fancio Apost\u00f3lico em Portugal, e que o Senhor tamb\u00e9m j\u00e1 guarda junto de si, que, tamb\u00e9m neste Semin\u00e1rio das Miss\u00f5es, me ordenou Presb\u00edtero. 10) Depois, estendo a minha gratid\u00e3o \u00e0 Universidade Cat\u00f3lica e \u00e0 sua Faculdade de Teologia, que \u00e9 tamb\u00e9m um pouco a minha casa, sobretudo o N\u00facleo do Porto. Sa\u00fado o Magn\u00edfico Reitor, Prof. Manuel Braga da Cruz, e o Senhor Presidente do N\u00facleo do Porto, Prof. Joaquim Azevedo, que quiseram estar aqui hoje comigo; sa\u00fado igualmente o Senhor Director da Faculdade de Teologia, Prof. Peter Stilwell, e os Senhores Directores-Adjuntos no Porto e em Braga, Prof. Jorge Cunha e Prof. Jo\u00e3o Duque, que tamb\u00e9m quiseram estar comigo hoje; sa\u00fado os colegas Professores, os amigos funcion\u00e1rios e os meus queridos alunos. Sa\u00fado tamb\u00e9m o Instituto Cultural D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, na pessoa do seu Presidente, Prof. Levi Guerra, com todos os amigos aqui presentes. E deixem-me dizer que sido muito gratificante para mim verificar como a Palavra de Deus tem por l\u00e1 feito uns bons estragos. 11) Depois, ex-aequo, quero saudar a boa gente de Santa Maria de Vila Boa do Bispo, minha terra natal, que tamb\u00e9m me quis acompanhar neste dia, com o seu P\u00e1roco, o seu Presidente da Junta. Apraz-me igualmente registar a presen\u00e7a do Sr. Dr. Manuel Moreira, Presidente da C\u00e2mara de Marco de Canaveses, meu Concelho de origem. Amigos de Santa Maria de Vila Boa do Bispo, tamb\u00e9m vou ver se vos retribuo a visita. Ex-aequo com o bom povo de S. Martinho de Cucuj\u00e3es, com o seu P\u00e1roco e o seu Presidente da Junta, que me quis acolher aqui hoje maravilhosamente. A\u00ed est\u00e1 um belo exemplo de uma Igreja acolhedora. Sem esquecer os amigos da par\u00f3quia do Divino Salvador, de Valadares, com o seu p\u00e1roco, que sempre me t\u00eam distinguido com a sua amizade e simpatia, e que considero, pelos muitos anos que l\u00e1 vivi, a minha segunda terra. 12) Depois, \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social que quis estar aqui presente, e que espero que, ao menos hoje, possa levar ao mundo not\u00edcias diferentes; 13) Depois, quero agradecer a todos quantos colaboraram para a realiza\u00e7\u00e3o deste evento, aqui, neste Pavilh\u00e3o, e no Semin\u00e1rio das Miss\u00f5es. Inexced\u00edvel a Comiss\u00e3o Organizadora, a colabora\u00e7\u00e3o excelente dos Srs. Presidentes das C\u00e2maras Municipais de Oliveira de Azem\u00e9is, S. Jo\u00e3o da Madeira, Santa Maria da Feira, e da Direc\u00e7\u00e3o do Grupo Desportivo de Cucuj\u00e3es, escuteiros, Cruz Vermelha, ac\u00f3litos, grupos corais. Pe\u00e7o desculpa se esque\u00e7o algu\u00e9m, mas ainda quero dizer ao Sr. Arquitecto Manuel Botelho, e car\u00edssimo amigo, que n\u00e3o esque\u00e7o a prepara\u00e7\u00e3o ex\u00edmia das minhas ins\u00edgnias em tempo recorde. Seja tudo para gl\u00f3ria de Deus. A Ele a gl\u00f3ria para sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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