{"id":272312,"date":"2023-02-21T09:26:59","date_gmt":"2023-02-21T09:26:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=272312"},"modified":"2023-02-21T11:30:33","modified_gmt":"2023-02-21T11:30:33","slug":"e-nos-caminhos-de-cada-dia-que-o-evangelho-acontece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-nos-caminhos-de-cada-dia-que-o-evangelho-acontece\/","title":{"rendered":"\u00c9 no(s) caminho(s) (de cada dia) que o Evangelho acontece!"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Ant\u00f3nio Henrique, diocese de Viseu<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeAntonioHenrique-viseu.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-268332 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeAntonioHenrique-viseu-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeAntonioHenrique-viseu-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeAntonioHenrique-viseu-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeAntonioHenrique-viseu-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeAntonioHenrique-viseu-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeAntonioHenrique-viseu-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeAntonioHenrique-viseu-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeAntonioHenrique-viseu-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeAntonioHenrique-viseu.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Depois de ter lido a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano, em que, de certa forma, nos prop\u00f5e uma viv\u00eancia quaresmal que inspire o caminho sinodal da Igreja, dei comigo a estudar os Evangelhos de cada um dos domingos e a perscrutar neles algumas atitudes, gestos e palavras de Jesus capazes de nos desafiarem a uma maior profundidade na celebra\u00e7\u00e3o e na viv\u00eancia deste tempo.<\/p>\n<p>Na verdade, a Quaresma n\u00e3o se resume a uma mera compreens\u00e3o cronol\u00f3gica fixada nos 40 dias que v\u00e3o desde a Quarta-feira de cinzas at\u00e9 \u00e0 Quinta-feira Santa (missa da ceia exclu\u00edda). Este per\u00edodo, embora compreendido com as categorias temporais, \u00e9 acima de tudo uma oportunidade de gra\u00e7a em que o crist\u00e3o, n\u00e3o <em>\u201csolitariamente, mas de forma compartilhada\u201d<\/em>, \u00e9 chamado a (re)colocar-se no Caminho (que \u00e9 Jesus) e a fazer uma reflex\u00e3o acerca do modo como tem sido o seu \u00abseguir atr\u00e1s dos passos do Mestre\u00bb, caminhando com Ele e com os irm\u00e3os cuja exist\u00eancia se cruza com a nossa, quotidianamente. \u201c<em>A Jesus, seguimo-Lo juntos; e juntos, como Igreja peregrina no tempo\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Para essa reflex\u00e3o, dentro das leituras que a liturgia nos prop\u00f5e ao longo destes cinco domingos, servem-nos de guia os Evangelhos que, neste ciclo A, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o do itiner\u00e1rio catecumenal, nos apresentam uma proposta marcadamente batismal, que \u00e9 a raiz do caminho sinodal da Igreja!<\/p>\n<p>Assim, no caminho que nos leva da aridez do deserto ao jardim florido, onde se encontra o t\u00famulo vazio, o Evangelho, em cada um destes domingos, lan\u00e7ando-nos um convite para ser vivido durante a semana, desafia-nos a uma atitude de escuta ativa, a olhar a pessoa de Jesus, os caminhos que percorre, as pessoas com quem se encontra, os gestos que cumpre, as palavras que diz e que escuta, os olhares que se trocam, o tempo que oferece a cada pessoa, os acontecimentos e o (des)envolvimento dos que com Ele caminham, naquele tempo como hoje, neste processo que \u00e9 o caminho para (a Nova) Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>O primeiro domingo abre com as chamadas tenta\u00e7\u00f5es de Jesus o deserto. Na verdade, a tradu\u00e7\u00e3o da palavra grega (\u03c0\u03b5\u03b9\u03c1\u03ac\u03b6\u03c9, <em>peir\u00e0zo<\/em>) por tenta\u00e7\u00e3o, significa, sobretudo, o \u00abser posto \u00e0 prova\u00bb. De modo diverso, cada um de n\u00f3s \u00e9 posto \u00e0 prova diariamente, seja com aquelas tr\u00eas realidades com que o Diabo tenta Jesus, sejam essas mesmas tenta\u00e7\u00f5es mascaradas de tantas outras realidades mais comuns e percet\u00edveis nos nossos dias. Importa, com uma vida de encontro com o Senhor, aprender a viv\u00ea-las e a ultrapass\u00e1-las. No caminho da vida, livres e diante das escolhas, aprendamos a escutar o que o Esp\u00edrito nos diz, Ele que sempre nos sustenta e nos guia.<\/p>\n<p>O texto do segundo domingo (Transfigura\u00e7\u00e3o) foi o que serviu de base e inspira\u00e7\u00e3o ao Papa Francisco para que escrevesse a mensagem que nos dirigiu este ano, para que possamos viver a Quaresma como um verdadeiro caminho sinodal, ou seja, como uma oportunidade fundamental de escuta e interioriza\u00e7\u00e3o da Palavra que \u00e9 Jesus. O texto come\u00e7a por referir que Jesus \u201cleva consigo\u201d. No centro deste relato ressoa um imperativo fundamental no caminho da Igreja sinodal: \u201c<em>escutai-O\u201d<\/em>. A quaresma proporciona-nos esta oportunidade para, indo com Jesus, (re)aprendermos a praticar uma escuta amorosa, humilde, ativa e sincera; que dissipa os medos e nos envia.<\/p>\n<p>O terceiro domingo revela-nos que o pr\u00f3prio Jesus experimenta o cansa\u00e7o: \u00abcansado da caminhada\u00bb; mas, mesmo sentado, nem por isso deixa de caminhar e de (nos) fazer caminhar interiormente. Veja-se este maravilhoso e inspirador quadro da \u201cSamaritana\u201d. Junto ao po\u00e7o, Jesus senta-se e demora-se, \u00abperde tempo\u00bb com aquela mulher \u2013 com quem nem sequer deveria falar, afinal era uma samaritana. Faz-lhe um simples e pobre pedido: \u00abD\u00e1-me de beber\u00bb e, desta forma, abre-se todo um magnifico di\u00e1logo que \u00e9 caminho franco e progressivo. Jesus escuta-a, d\u00e1-lhe tempo, espa\u00e7o e liberdade para que esta possa fazer o seu pr\u00f3prio discernimento; um di\u00e1logo marcado pela reciprocidade e pelo tempo que se d\u00e1, at\u00e9 que surge o testemunho e o an\u00fancio: era preciso que com(o) aquela mulher, a comunidade fizesse a experi\u00eancia daquele Caminho e daquela \u00c1gua.<\/p>\n<p>No caminho, sempre no caminho, Jesus encontra agora um cego de nascen\u00e7a. Estamos no quarto domingo. Jesus toca, literalmente, os olhos daquela pessoa; cuida dela como cuida de cada um de n\u00f3s; de tantas e variadas formas atrav\u00e9s de tantas pessoas\u2026 Mais do que ganhar o sentido da vis\u00e3o, aquele homem passou a ver o mundo e a vida de outra forma, de uma outra perspectiva\u2026 mais \u00e0 maneira de Deus, vendo (com) o cora\u00e7\u00e3o! Precisamos de deixar que Jesus nos toque com a sua Palavra que \u00e9 luz e farol; que nos ensine a ver e a contemplar as realidades de cada tempo a partir do modo como Deus (nos) v\u00ea. \u00c9 \u00e0 luz da Palavra que se escuta, se l\u00ea, se estuda e se reza, que podemos cuidar melhor da nossa capacidade de discernimento e convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Este percurso conclui-se (quinto domingo) com um momento dram\u00e1tico. Sempre no caminho das pessoas, isto \u00e9, das suas necessidades, Jesus n\u00e3o foge e n\u00e3o se desvia do seu caminho para Jerusal\u00e9m! E \u00e9 \u00abperdendo tempo\u00bb com as pessoas, nos lugares onde se encontrava que o pr\u00f3prio Jesus nos ensina que mais do que as nossas verdades e seguran\u00e7as, importa (con)fiar-se n\u2019Aquele que tudo pode. N\u00e3o s\u00f3 Jesus est\u00e1 no caminho como ao caminho se fazem as duas irm\u00e3s, em tempos diferentes, mas ambas na mesma dire\u00e7\u00e3o: com os olhos e o cora\u00e7\u00e3o postos no Senhor, mesmo que seja para o confrontar e interrogar, mas, ao mesmo tempo, abertas \u00e0 serenidade e \u00e0 for\u00e7a da sua Palavra de Vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos que os Evangelhos (todo o Novo Testamento), bem como a Quaresma e toda a nossa vida, s\u00e3o escritos e vividos \u00e0 luz daquela gl\u00f3ria que Jesus antecipa aos seus disc\u00edpulos no cimo do monte! \u00c9 \u00e0 luz da ressurrei\u00e7\u00e3o que hoje continuamos a ser chamados para percorrer este caminho sinodal, marcado pela identidade batismal de quem \u00e9 conduzido pelo Esp\u00edrito como filho amado, a quem o Pai n\u00e3o deixa passar sede nem ficar na escurid\u00e3o do medo e da fragilidade, porque \u00e9 o Senhor Ressuscitado quem vem sempre ao nosso encontro para nos dar a (verdadeira) vida.<\/p>\n<p><em>\u201cO processo sinodal apresenta-se \u00e1rduo e por vezes podemos at\u00e9 desanimar; mas aquilo que nos espera no final \u00e9 algo, sem d\u00favida, maravilhoso e surpreendente, que nos ajudar\u00e1 a compreender melhor a vontade de Deus e a nossa miss\u00e3o ao servi\u00e7o do seu Reino\u201d<\/em><em>. Nesta Quaresma deixemo-nos moldar pelo Evangelho <\/em><em>\u201cpara sermos artes\u00e3os de sinodalidade\u201d<\/em><em> no(s) caminho(s) de cada dia.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Ant\u00f3nio Henrique, diocese de Viseu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268332,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-272312","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=272312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272312\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268332"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=272312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=272312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=272312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}