{"id":27224,"date":"2007-09-27T11:22:14","date_gmt":"2007-09-27T11:22:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/27\/carta-aos-capelaes-hospitalares-da-diocese-do-porto\/"},"modified":"2007-09-27T11:22:14","modified_gmt":"2007-09-27T11:22:14","slug":"carta-aos-capelaes-hospitalares-da-diocese-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-aos-capelaes-hospitalares-da-diocese-do-porto\/","title":{"rendered":"Carta aos Capel\u00e3es Hospitalares da Diocese do Porto"},"content":{"rendered":"<p>Caros Capel\u00e3es,  Perante algumas interroga\u00e7\u00f5es sobre o futuro jur\u00eddico e pastoral das capelanias hospitalares, quero dirigir-vos duas palavras. Uma de apoio e outra de discernimento. O apoio \u00e9 total, \u00e0 vossa vontade comprovada de estar ao lado dos doentes, bem como das suas fam\u00edlias e de todos os que nos estabelecimentos hospitalares e de sa\u00fade, p\u00fablicos ou privados, se dedicam ao respectivo tratamento. E de estar ao seu lado com o que \u00e9 espec\u00edfico dos ministros duma religi\u00e3o que tem no servi\u00e7o do pr\u00f3ximo a sua inspira\u00e7\u00e3o e prop\u00f3sito constantes, \u00e0 luz da par\u00e1bola do Bom Samaritano.  Apoio tamb\u00e9m a tudo quanto tem sido feito para desenvolver nesses estabelecimentos uma ac\u00e7\u00e3o conjugada das capelanias com a medicina em geral, para o apoio espiritual aos doentes, tantas vezes reconhecido como determinante para a sua recupera\u00e7\u00e3o ou tratamento, bem como para a viv\u00eancia serena de momentos decisivos.   O discernimento \u00e9 preciso, em termos de esclarecimento pr\u00f3prio e alheio. \u2013 O que est\u00e1 em causa, quando se restringe a proposta religiosa, geral ou espec\u00edfica, no espa\u00e7o p\u00fablico ou estatal? Pode estar em causa um preconceito de tipo laicista, que fere a liberdade pessoal e contraria a pr\u00f3pria laicidade ou secularidade do Estado.  Detenhamo-nos um pouco sobre este ponto. A laicidade ou secularidade do Estado \u00e9 um real ganho da hist\u00f3ria e da civiliza\u00e7\u00e3o. Considera que, no seu \u00e2mbito espec\u00edfico e como organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica fundamental, o Estado n\u00e3o tem nem promove uma confiss\u00e3o religiosa particular, em detrimento de outras ou de nenhuma, dos cidad\u00e3os que a n\u00e3o compartilham. Mas, se daqui partirmos para uma atitude estatal que considere irrelevante ou meramente individual a atitude religiosa, para concluir que n\u00e3o lhe deve dar condi\u00e7\u00f5es de auto-desenvolvimento e concretiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, ent\u00e3o estamos diante duma laicidade negativa, tamb\u00e9m designada por laicismo ou secularismo. A maior dificuldade que esta atitude acarreta prov\u00e9m da sua natureza ideol\u00f3gica. Na verdade, n\u00e3o parte do respeito pela realidade de cada pessoa e da pr\u00f3pria sociedade ou sociabilidade, mas duma abstrac\u00e7\u00e3o conceptual que pretende criar outra realidade. Parte do princ\u00edpio de que a convic\u00e7\u00e3o religiosa ou a prefer\u00eancia cultural s\u00e3o algo de individual, que cada um resolve por si mesmo. Esquece que, sendo dimens\u00f5es intr\u00ednsecas do ser humano, como toda a hist\u00f3ria demonstra, s\u00e3o necessariamente inter-pessoais. Esquece que, como facto cultural e social, a religi\u00e3o pode e deve ser reciprocamente proposta, mesmo que n\u00e3o seja acolhida. Devemos aos outros a proposta religiosa e a partilha das convic\u00e7\u00f5es. Quando tal n\u00e3o acontece nem \u00e9 promovido, \u00e9 a pr\u00f3pria viv\u00eancia democr\u00e1tica que se rarefaz.  Pelo contr\u00e1rio, a laicidade positiva levar\u00e1 o Estado a respeitar a realidade, tamb\u00e9m religiosa, de cada sociedade e, sem se imiscuir nela, criar as condi\u00e7\u00f5es da respectiva concretiza\u00e7\u00e3o e proposta, possibilitando a todas as confiss\u00f5es a sua interac\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico, como manifesta\u00e7\u00e3o criativa da vitalidade social e cultural. S\u00f3 assim se respeita activamente a realidade de cada pessoa e dos seus grupos de perten\u00e7a.  Avancemos pois. E que este momento de reflex\u00e3o seja tamb\u00e9m de cultura e cidadania activas. A bem da cultura da vida, de cada pessoa enferma e da sociedade de n\u00f3s todos.  Sempre convosco,  <i>+ Manuel Clemente, (Bispo do Porto)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros Capel\u00e3es, Perante algumas interroga\u00e7\u00f5es sobre o futuro jur\u00eddico e pastoral das capelanias hospitalares, quero dirigir-vos duas palavras. Uma de apoio e outra de discernimento. 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