{"id":272067,"date":"2023-02-20T09:00:12","date_gmt":"2023-02-20T09:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=272067"},"modified":"2023-02-17T17:57:22","modified_gmt":"2023-02-17T17:57:22","slug":"a-tentacao-do-paganismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-tentacao-do-paganismo\/","title":{"rendered":"A Tenta\u00e7\u00e3o do Paganismo"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<div><em>Padre Victor Pereira, Diocese de Vila Real<\/em><\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-268285 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Nunca nos faltariam apelos exteriores e interiores para o tempo da quaresma. N\u00e3o nos \u00e9 dif\u00edcil encontrar pecado em n\u00f3s e \u00e0 nossa volta, infidelidade ao Evangelho e \u00e0 santidade a que nos comprometemos viver desde o batismo e no exerc\u00edcio dos nossos minist\u00e9rios ou estados de vida. S. Paulo exprimiu isto muito bem quando escreve que guardamos tesouros em vasos de barro. Contudo, este ano temos diante de n\u00f3s o relat\u00f3rio da comiss\u00e3o independente sobre os abusos sexuais dentro da Igreja, j\u00e1 depois de termos conhecido outros noutros pa\u00edses. Apesar de s\u00f3 um pequeno n\u00famero ter tomado parte nestes abjetos delitos, \u00e9 toda uma Igreja que se sente triste, abalada, ferida, perturbada, dilacerada pelas profundas mis\u00e9rias e contradi\u00e7\u00f5es que aninha no seu ventre, em profunda contradi\u00e7\u00e3o com a sua miss\u00e3o e com o Evangelho que proclama. \u00c9 uma Igreja a precisar de renova\u00e7\u00e3o e de uma profunda terapia, quem sabe quimioterapia, exigente e dolorosa, mas libertadora e purificadora.<\/p>\n<p>Nesta quaresma que se aproxima, escutaremos a for\u00e7a e a veem\u00eancia das palavras da Profecia de Joel, que vamos escutar na quarta-feira de cinzas: \u00abConvertei-vos a Mim de todo o cora\u00e7\u00e3o, com jejuns, l\u00e1grimas e lamenta\u00e7\u00f5es. Rasgai o vosso cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o os vossos vestidos. (&#8230;)Tocai a trombeta em Si\u00e3o, ordenai um jejum, proclamai uma reuni\u00e3o sagrada. Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anci\u00e3os, reuni os jovens e as crian\u00e7as. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu t\u00e1lamo. Entre o vest\u00edbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: \u2018Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e n\u00e3o entregueis a vossa heran\u00e7a \u00e0 ignom\u00ednia e ao esc\u00e1rnio das na\u00e7\u00f5es.\u00bb<\/p>\n<p>No entanto, o que me faz discorrer estas palavras, \u00e9 o paganismo que cada vez mais prolifera na sociedade, paganismo que anda tamb\u00e9m por a\u00ed bem dissimulado nos cora\u00e7\u00f5es e mentalidades de muitos crist\u00e3os e no cora\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Igreja. Em 2009, numa confer\u00eancia, o Rabi Adin Steinsaltz afirmou: \u00abvivemos hoje num mundo ocidental que est\u00e1 esvaziado do cristianismo e do judeo-cristianismo. E este vazio est\u00e1 agora a ser preenchido por outra coisa, e essa outra coisa \u00e9 o paganismo\u00bb. Os deuses pag\u00e3os da \u00e9poca pr\u00e9-crist\u00e3 dominam a sociedade, mascarados com novos nomes, novas imagens, novos templos, com adoradores em todo o lado.<\/p>\n<p>O primeiro desses deuses \u00e9 Baal, o deus do poder e do dinheiro. Mandar e dominar e ser rico continua a ser o ideal da maioria das pessoas e das empresas, em sacrif\u00edcio de muitas \u00abv\u00edtimas\u00bb, que parece que n\u00e3o nasceram para ter dignidade e realiza\u00e7\u00e3o humanas, exploradas e espezinhadas a toda a hora. Os seus templos s\u00e3o as sacrossantas institui\u00e7\u00f5es financeiras e os seus sacerdotes s\u00e3o os executivos e os gestores.<\/p>\n<p>O segundo deus pag\u00e3o que prevalece na cultura atual \u00e9 o deus ou a deusa da fertilidade e do sexo, ou se quisermos, do prazer, Astarte. Venha donde vier, mesmo em preju\u00edzo de princ\u00edpios e valores, o prazer tornou-se o crit\u00e9rio decisivo da atividade e da conduta humana, tornou-se um \u00edman escravizante, moldando comportamentos e atitudes, pouco importando as muitas v\u00edtimas que arrasta atr\u00e1s de si, obrigadas a descer a n\u00edveis de desumaniza\u00e7\u00e3o inconceb\u00edveis. Prazer e bem-estar tornaram-se os polos condutores da vida.<\/p>\n<p>O terceiro deus pag\u00e3o que impera na sociedade europeia contempor\u00e2nea \u00e9 uma musa promovida a deusa: Calliope, a deusa da fama. Ser conhecido, admirado, falado, considerado, andar nas bocas do mundo, ter prest\u00edgio, por puro orgulho e vaidade, com exibicionismo quanto baste, \u00e9 o sonho e a aspira\u00e7\u00e3o da vida de muitas pessoas, a conce\u00e7\u00e3o de que quanta mais visibilidade se tem, mais valor se tem. Na senda de Descartes, sou conhecido, logo existo, pouco importando a verdade e a consist\u00eancia do que verdadeiramente se \u00e9 e se faz, n\u00e3o se percebendo que se pode viver muito bem sem isso e que \u00e9 cansativo e chato viver para os outros, e que quando se escolhe este caminho acabar-se-\u00e1 por se encontrar a falsidade, a ilus\u00e3o, a desilus\u00e3o, o vazio, o fracasso, a imposturice e a frivolidade. Com esta deusa, nasceram as denominadas celebridades, nas palavras do Rabi, \u00abum ningu\u00e9m muito conhecido\u00bb, mas que ningu\u00e9m conhece muito bem o que faz e porque merece ser c\u00e9lebre. N\u00e3o faltam por a\u00ed as suas v\u00edtimas, com vidas de fachada, sem subst\u00e2ncia e sem alma. O seu templo \u00e9 a televis\u00e3o e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>L\u00e1 no fundo, s\u00e3o as c\u00e9lebres tenta\u00e7\u00f5es que Jesus enfrentou e venceu, que, de facto, s\u00e3o diab\u00f3licas, viram a vida ao contr\u00e1rio, dividem e nos viram contra Deus e contra os outros.<\/p>\n<p>O paganismo a\u00ed anda a moldar mentalidades, ideias, pensamentos, ritos e pr\u00e1ticas, e tamb\u00e9m a\u00ed anda a deformar e a adulterar a viv\u00eancia crist\u00e3 e a vida da Igreja. Um pouco na linha das chamadas de aten\u00e7\u00e3o do Papa Francisco para o perigo da mundanidade e do mundanismo espiritual no seio da Igreja. N\u00e3o \u00e9 por aqui que passa a vida dos crist\u00e3os e a realiza\u00e7\u00e3o da vida humana. E sabemos qual o caminho a seguir: regressar a Cristo e ao Evangelho. Poderemos assim combater a acusa\u00e7\u00e3o que o padre ortodoxo, Paul Evdokimov, nos fez, de vivermos um cristianismo rotineiro, satisfeito, amortecido, inoperante, porque n\u00e3o diz\u00ea-lo, \u201cpag\u00e3o\u201d: \u00abOs crist\u00e3os t\u00eam feito todo o poss\u00edvel para esterilizar o evangelho; parece que eles o submergiram num l\u00edquido neutralizante. Tudo o que impressiona, supera ou investe \u00e9 amortecido. Assim tornada algo inofensivo, esta religi\u00e3o aplanada, prudente e razo\u00e1vel, o homem n\u00e3o pode sen\u00e3o vomit\u00e1-la\u00bb. Boa Quaresma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Victor Pereira, Diocese de Vila Real<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-272067","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=272067"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272067\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=272067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=272067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=272067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}