{"id":27142,"date":"2007-09-24T10:02:23","date_gmt":"2007-09-24T10:02:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/24\/um-ministerio-para-gerar-esperanca\/"},"modified":"2007-09-24T10:02:23","modified_gmt":"2007-09-24T10:02:23","slug":"um-ministerio-para-gerar-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-ministerio-para-gerar-esperanca\/","title":{"rendered":"Um minist\u00e9rio para gerar esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>D. Jorge Ortiga presidiu \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o de D. Ant\u00f3nio Couto, novo Bispo Auxiliar de Braga <!--more--> O Pontifical Romano, na Ordena\u00e7\u00e3o dos Bispos, aconselha a que, neste momento, se fale do minist\u00e9rio do Bispo que o Direct\u00f3rio (para o Minist\u00e9rio Pastoral dos Bispos) sintetiza afirmando que \u00abentrar na sucess\u00e3o apost\u00f3lica\u00bb significa \u00abentrar na luta pelo Evangelho\u00bb tornando o Bispo \u00abhomem de f\u00e9 e discernimento\u00bb e, particularmente, \u00abde esperan\u00e7a e de real empenho\u00bb. Nesta perspectiva, come\u00e7arei por referir que esta ordena\u00e7\u00e3o deve ser, para a Igreja em Portugal, uma maior consciencializa\u00e7\u00e3o pela causa do Evangelho comprometendo-se num aut\u00eantico empenho que, nos tempos actuais, deve transparecer como sinal e semente de esperan\u00e7a.  As leituras proclamadas, como sempre, apontam-nos este itiner\u00e1rio duma maneira clarividente e inequ\u00edvoca. Para corresponder aos sinais dos tempos, teremos de ser testemunhas de esperan\u00e7a no nosso \u00abser\u00bb e \u00abagir\u00bb quotidiano.  O profeta Jeremias sugere-nos uma dupla maneira de encarar o mundo. Aquele tempo, num olhar anal\u00edtico, realista e humano, mostrava uma \u00e9poca calamitosa repleta de rapinas, ru\u00edna e morte. Perante esse mundo, Iav\u00e9 convida-o a situar-se noutra perspectiva, interpelando o sobre o que, na f\u00e9, estava a descortinar. Surge uma resposta espont\u00e2nea e imediata que \u00e9 program\u00e1tica para o D. Ant\u00f3nio Couto e interpelativa para cada um de n\u00f3s e para a Igreja em Portugal. \u00abVejo um ramo de amendoeira\u00bb (Jo, 1,11). Dois modos de ver o mesmo mundo e duas atitudes totalmente opostas; a destrui\u00e7\u00e3o e o in\u00edcio de algo que importa ver com outros olhos.  Que nos diz esta simbologia? A amendoeira come\u00e7a a florir em pleno Inverno como que anunciando que este est\u00e1 prestes a ser ultrapassado. Da\u00ed que a grande li\u00e7\u00e3o a extrair seja que importa estar no presente da hist\u00f3ria com olhos de serenidade.  O diagn\u00f3stico da sociedade portuguesa, para n\u00e3o nos situarmos numa escala mundial, n\u00e3o permite ingenuidades como algu\u00e9m que caminha de olhos fechados teimando em n\u00e3o querer ver um mundo de desigualdades econ\u00f3micas, culturais e sociais que n\u00e3o garantem uma alimenta\u00e7\u00e3o condigna, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e cuidados de sa\u00fade; uma cultura de morte a atingir indiv\u00edduos, grupos e povos atrav\u00e9s dum terrorismo organizado e com atitudes racistas, violentas e provocadoras da eutan\u00e1sia, do aborto, de inseguran\u00e7a; uma mentalidade de massifica\u00e7\u00e3o e anonimato onde se cresce sem um relacionamento humano verdadeiramente fraterno, com experi\u00eancias de solid\u00e3o nos idosos e vazio existencial nos jovens que procuram outras experi\u00eancias sem conte\u00fado. Quase que apetece procurar outro mundo e emigrar para o campo do sonho que nunca acontecer\u00e1.  N\u00e3o podemos olhar s\u00f3 para estes ambientes ex\u00f3genos \u00e0 Igreja. Dentro desta e para ela, o Esp\u00edrito delineou, em Assembleia conciliar, um projecto de mist\u00e9rio, comunh\u00e3o e corresponsabilidade. Em muitos ambientes, este projecto parece que j\u00e1 perdeu a actualidade e encanto. A Boa Not\u00edcia vai-se alheando dos mundos da pol\u00edtica, economia, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. A coer\u00eancia e a fidelidade perdem-se e refugiamo-nos, de novo, em conservar em vez de ousar, com energia e arrojo, a \u00fanica alternativa dos valores evang\u00e9licos.  Estes e outros sinais inquietantes deveriam desafiar a Igreja a tornar-se profecia viva da esperan\u00e7a, acreditando que nestes contrastes \u00e9 poss\u00edvel descortinar uma aurora desde que n\u00e3o caminhemos em adapta\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis mas ousemos apostar na exig\u00eancia e coer\u00eancia evang\u00e9lica. A Igreja pode parecer que est\u00e1 debaixo da press\u00e3o de nuvens terr\u00edveis que a tempestade amea\u00e7a sempre. Urge que reconhe\u00e7amos o arco-\u00edris anunciador de tempos novos e que acreditamos que a \u00abtorcida que fumega\u00bb, se n\u00e3o for calcada, provocar\u00e1 novos tempos. Nunca iguais aos do passado e que podem n\u00e3o coincidir com os nossos esquemas. A \u00e9poca da cristandade n\u00e3o voltar\u00e1 e \u00e9 nesta \u00e9poca totalmente diferente que podemos recuperar o encanto e o entusiasmo do disc\u00edpulo fiel. Sejamos, por isso, homens e mulheres da esperan\u00e7a.  Para a Igreja, por outro lado, existe um mandato\/express\u00e3o da vontade divina. Deus quer que todos os homens se salvem, por interm\u00e9dio dum \u00fanico mediador, Jesus Cristo, que iniciou este caminho de liberta\u00e7\u00e3o \u00abentregando-se \u00e0 morte pela reden\u00e7\u00e3o de todos\u00bb. (2.\u00aa leitura)  Se urge a esperan\u00e7a, ela n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 nas Palavras mas passa por esta capacidade de abnega\u00e7\u00e3o e entrega pessoal. Somos \u00abarautos e ap\u00f3stolos\u00bb e, como tal, teremos de mergulhar nas estruturas do mal que parecem considerar ut\u00f3pica a liberta\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Como Igreja teremos de ser resposta \u00e0 noite da humanidade para com ela lhe anunciar Cristo Ressuscitado sabendo que, para isso, teremos de carregar, como o mesmo Cristo, as chagas, as trevas, as ang\u00fastias do homem contempor\u00e2neo e fazer com que destas experi\u00eancias negativas surja uma humanidade nova que brilhe com mais intensidade do que as trevas que sempre nos acompanhar\u00e3o. Somos imprescind\u00edveis e necessitamos de acreditar na mensagem que anunciamos.   Esta aventura de esperan\u00e7a \u2013 dentro e fora da Igreja &#8211; passa por uma op\u00e7\u00e3o capaz de, no exerc\u00edcio da liberdade, acolher Deus na Sua autenticidade. \u00abNenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou n\u00e3o gosta de um e estima o outro ou se dedicar\u00e1 a um e desprezar\u00e1 o outro\u00bb (Lc. 16,12. N\u00e3o se trata de contrapor. Deus \u00e9 o caminho e percorrendo-O estamos num compromisso real com a humanidade. Enviados para esta, levamos uma marca que n\u00e3o nos confunde mas d\u00e1 originalidade. Tudo nos interessa como cria\u00e7\u00e3o de Deus e a todos servimos como express\u00e3o dum Amor oferecido pelo mesmo Deus. Sim a esperan\u00e7a do mundo \u00e9 Cristo e a Igreja ter\u00e1 futuro se for Seu sacramento. Atenuar compromissos ou mitigar convic\u00e7\u00f5es significa trair a f\u00e9 e comprometer-se, quase sempre sem crit\u00e9rios, com a mentalidade corrente.  A Igreja aperceber-se-\u00e1 que um mundo novo pode nascer, quando n\u00e3o viver dum passado, fechando-se sobre si mesma e contemplando as maravilhas que j\u00e1 foram realizadas. Ela deve sair de si e ser mission\u00e1ria deste amor que fala pouco mas realiza muito e testemunha toda uma hist\u00f3ria de Salva\u00e7\u00e3o que a Palavra de Deus semeou e continua a desafiar-nos para prosseguir a sementeira. Somos mission\u00e1rios, enviados para dentro das nossas comunidades ou para fora, no mundo profano ou religioso, no pa\u00eds ou no estrangeiro. Para o crist\u00e3o a globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de agora; ela torna-o solid\u00e1rio e sabe que o mundo \u00e9 o terreno onde semear o an\u00fancio prof\u00edcuo dum amor que interv\u00e9m para que a Vida seja vida no encontro com a f\u00e9 e com a dignidade humana. A esperan\u00e7a \u00e9 universal e o seu horizonte s\u00e3o os confins do mundo onde a Boa Nova de Cristo deve continuar a chegar.  A amendoeira floresce no Inverno. Deus poder\u00e1 parecer que se refugiou no mundo do sil\u00eancio. Se estivermos, com ousadia e coragem, do Seu lado e do lado da Igreja continuaremos a luta pelo Evangelho que ser\u00e1 sempre Boa Nova a edificar um mundo de igualdade, fraternidade e liberdade. A hist\u00f3ria da Igreja mostra que vale a pena oferecer-se para gerar esperan\u00e7a nas crian\u00e7as, nos jovens, nas fam\u00edlias, sempre, em todos e em qualquer lugar. Apoiados em Deus que se fez Palavra, vivendo e anunciando o amor, gritaremos que, apesar de tudo e \u2013 sobretudo \u2013 em tudo, a esperan\u00e7a floresce e desponta mesmo que a noite pare\u00e7a impor os seus crit\u00e9rios. O arco-\u00edris lan\u00e7ar\u00e1 os seus bra\u00e7os e abra\u00e7ar\u00e1 a humanidade e Cristo ser\u00e1 \u00abtudo em todos\u00bb e a cada um dar\u00e1 o encanto e a serenidade de viver no meio de tantas intemp\u00e9ries e contrastes.  Seguindo o conselho de S. Paulo a Tim\u00f3teo: \u00abfa\u00e7amos preces, ora\u00e7\u00f5es, s\u00faplicas e ac\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as por todos os homens, pelos reis e por todas as autoridades para que possam levar uma vida tranquila e pac\u00edfica, com toda a piedade e dignidade\u00bb (1 Tim.21) e continuemos a nossa celebra\u00e7\u00e3o na certeza de que caminharemos com o D. Ant\u00f3nio Couto atrav\u00e9s duma ora\u00e7\u00e3o constante e duma unidade permanente para que a sua vida, no meio de diversos desafios e perplexidades seja \u00abtranquila\u00bb e para que, rodeado por tantos conflitos e confrontos, tenha uma vida \u00abpac\u00edfica\u00bb. Deste modo ser\u00e1 para a Igreja e para o mundo o an\u00fancio duma Primavera que pode despontar, ajudando-nos, no emaralhado da vida, a descobrir Ramos de amendoeira a florir na Igreja e na Sociedade.  Cucuj\u00e3es, 23-09-07  <i>\u2020 D.Jorge Ortiga, A. P.     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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