{"id":270695,"date":"2023-02-08T09:30:02","date_gmt":"2023-02-08T09:30:02","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=270695"},"modified":"2023-02-11T21:49:42","modified_gmt":"2023-02-11T21:49:42","slug":"pastoral-da-saude-nenhum-profissional-estudou-para-tratar-apenas-das-necessidades-biologicas-de-um-paciente-pedro-moises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pastoral-da-saude-nenhum-profissional-estudou-para-tratar-apenas-das-necessidades-biologicas-de-um-paciente-pedro-moises\/","title":{"rendered":"Pastoral da Sa\u00fade: \u00abNenhum profissional estudou para tratar apenas das necessidades biol\u00f3gicas de um paciente\u00bb &#8211; Pedro Mois\u00e9s"},"content":{"rendered":"<p><em>Enfermeiro recorda cinco semanas com as Mission\u00e1rias da Caridade em Calcut\u00e1 e participa\u00e7\u00e3o em cinco edi\u00e7\u00f5es das Jornadas Mundiais da Juventude, em particular imagem do \u00abencontro de paz entre palestinos e israelitas\u00bb<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_270655\" aria-describedby=\"caption-attachment-270655\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-270655 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/pedro-moises3-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-270655\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 08 fev 2023 (Ecclesia) \u2013 O enfermeiro Pedro Mois\u00e9s disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que nenhum profissional de sa\u00fade se formou para tratar \u201capenas das necessidades biol\u00f3gicas\u201d dos pacientes e lamenta que a falta de tempo marque hoje os cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o Bento Menni dizia que uma pessoa vale mais do que o mundo inteiro. A enfermagem olha para a pessoa, quer cuid\u00e1-la no sue todo e esquecer o resto. E tantas vezes \u00e9 dif\u00edcil porque sabemos que os cuidados de sa\u00fade mudaram muito e \u00e9 dif\u00edcil ter tempo. Nem o m\u00e9dico nem o enfermeiro querem s\u00f3 dar resposta \u00e0s necessidades biol\u00f3gicas do doente: nenhum enfermeiro ou m\u00e9dico estudou para isso, mas queremos dar resposta \u00e0 pessoa como um todo\u201d, explica o profissional, atualmente a trabalhar na \u00e1rea cir\u00fargica num hospital em Lisboa.<\/p>\n<p>Tendo passado por \u00e1reas diversas nos cuidados de sa\u00fade, Pedro Mois\u00e9s recorda o privil\u00e9gio de ter passado pelos cuidados paliativos.<\/p>\n<p>\u201cFoi um tempo muito bom com experi\u00eancias muito fortes. \u00c9 um privil\u00e9gio trabalhar em cuidados paliativos. As pessoas em fim de vida n\u00e3o t\u00eam barreiras, d\u00e3o tudo e abrem-se de uma forma que nos d\u00e3o muito a ganhar. E pode-se fazer muita diferen\u00e7a em pequenas coisas que n\u00e3o s\u00e3o para adiar. \u00c9 para hoje: quando \u00e9 para fazer o bem n\u00e3o \u00e9 para adiar\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>Em 2018, Pedro Mois\u00e9s quis fazer um interregno e cumprir um sonho antigo de estar com as Mission\u00e1rias da Caridade em Calcut\u00e1, na \u00cdndia, onde esteve durante cinco semanas a trabalhar na farm\u00e1cia dos pobres e na casa dos moribundos, onde chegavam pessoas \u201cliteralmente apanhadas do ch\u00e3o, em fase terminal\u201d e que tantas vezes \u201cpermaneciam cinco minutos antes de falecer\u201d.<\/p>\n<p>Deste tempo Pedro recorda \u201co amor, a tranquilidade e a esperan\u00e7a\u201d que encontrou naquela casa, ao contr\u00e1rio do que tinha pensado.<\/p>\n<blockquote><p>Havia pessoas que receb\u00edamos e que n\u00e3o estavam em fase terminal e uma irm\u00e3 explicou-se que recebiam aquelas pessoas a quem lhes ia ser dado um banho, fazia-se a barba, dava-se uma refei\u00e7\u00e3o e roupa lavada. Lembro-me de ter dito \u00e0 irm\u00e3: \u00abQue desperd\u00edcio, a \u00cdndia \u00e9 muito grande, n\u00e3o se podem salvar todos\u00bb. E a irm\u00e3 respondeu-me \u00abPedro, isto \u00e9 o amor. N\u00f3s gastamo-nos sem ter nada em troca e vale a pena. A pessoa vai voltar para a rua mas ela foi amada na mesma. As pessoas que apenas aqui ficam cinco minutos e depois morrem, valem a pena porque nesses cinco minutos elas foram amadas\u00bb. Quando me vim embora elas disseram-me que Calcut\u00e1 estava em Lisboa, que a solid\u00e3o existia c\u00e1 assim como pessoas a morrer sozinhas\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Pedro Mois\u00e9s cresceu numa fam\u00edlia alargada e numa casa cheia: mais novo de quatro irm\u00e3os, os pais acolhiam tamb\u00e9m o respons\u00e1vel pelo Caminho Neocatecumeal da diocese de Lisboa, e com ele um mission\u00e1rio: \u201cInicialmente o mission\u00e1rio era portugu\u00eas mas depois foi mudando \u2013 veio peruano, depois veio um espanhol e agora \u00e9 um italiano\u201d.<\/p>\n<p>Na sua casa havia sempre lugar para mais um: \u201cPeregrinos das Jornadas em 2011, alguns brasileiros que ficaram em minha par\u00f3quia; em 1997, madeirenses rumo a Paris; no ano passado, tr\u00eas seminaristas espanh\u00f3is que queriam fazer o caminho at\u00e9 F\u00e1tima ficaram tamb\u00e9m l\u00e1 em casa\u201d, indica.<\/p>\n<p>Pedro reconhece nos pais \u201cpessoas muito agradecidas\u201d que sabem que o que t\u00eam n\u00e3o \u00e9 seu e por isso, \u201ccolocam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de outros\u201d, deixando marcas de \u201csimplicidade, de partilha, de dar e cuidar dos outros\u201d no enfermeiro.<\/p>\n<blockquote><p>Com 12 anos fazia aeross\u00f3is \u00e0 minha av\u00f3 que vivia connosco desde que tinha enviuvado, mas tamb\u00e9m ao meu irm\u00e3o Paulo que devido a uma vacina aos sete anos teve uma infe\u00e7\u00e3o cerebral e deixou de conseguir andar, ler e alimentar-se sozinho &#8211; os seus cuidados envolveram-nos a todos e tamb\u00e9m da minha irm\u00e3 Sara que nasceu surda\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Pedro Mois\u00e9s participou em cinco edi\u00e7\u00f5es das Jornadas Mundiais da Juventude \u2013 em Col\u00f3nia, 2005, Madrid em 2011, Rio de Janeiro em 2013, Crac\u00f3via em 2016, Panam\u00e1 em 2019 \u2013 e prepara-se para estar em agosto, em Lisboa, juntamente com um grupo de jovens com quem feito o percurso \u00abSay Yes\u00bb, de prepara\u00e7\u00e3o para a JMJ Lisboa 2023.<\/p>\n<p>Em Col\u00f3nia, em 2005, Pedro descobriu \u201cuma Igreja muito viva\u201d.<\/p>\n<p>\u201cRecordo-me de entrar em Col\u00f3nia por uma das pontes e ver as bandeiras no ar, todos a cantar os mesmos c\u00e2nticos mas em l\u00ednguas diferentes, encontrar ruas alegres com ambiente saud\u00e1vel e alegre. Conheci jovens com caminhadas muito diferentes. Conheci um grupo de jovens chineses que me falaram da Igreja perseguida. Dei-me conta de uma Igreja universal e percebi a minha responsabilidade de construir a Igreja com os outros, de como me devia preocupar e rezar por eles\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outra imagem que ainda hoje o jovem enfermeiro recorda, ao encontrar juntos jovens palestinos e israelitas.<\/p>\n<p>\u201cQuem me dera poder juntar em Lisboa jovens ucranianos e russos, porque este \u00e9 um encontro de paz\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>A conversa com Pedro Mois\u00e9s pode ser acompanhada esta madrugada, depois da meia-noite, no programa Ecclesia na Antena 1 da r\u00e1dio p\u00fablica, ficando <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel<\/a> no portal de informa\u00e7\u00e3o e no podcast \u00ab<a href=\"https:\/\/anchor.fm\/dashboard\/episodes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alarga a tua tenda<\/a>\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enfermeiro recorda cinco semanas com 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