{"id":27030,"date":"2007-09-18T11:11:32","date_gmt":"2007-09-18T11:11:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/18\/dar-e-dizer-algo-de-novo-as-familias\/"},"modified":"2007-09-18T11:11:32","modified_gmt":"2007-09-18T11:11:32","slug":"dar-e-dizer-algo-de-novo-as-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dar-e-dizer-algo-de-novo-as-familias\/","title":{"rendered":"Dar e dizer algo de novo \u00e0s fam\u00edlias"},"content":{"rendered":"<p>As leituras proclamadas nesta eucaristia tornam-se refer\u00eancia para uma peregrina\u00e7\u00e3o arciprestal na qual peregrinamos, reflectimos e assumimos um Programa para as nossas vidas. Importa a ora\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m \u00e9 fundamental \u00abouvir\u00bb os apelos de Deus para cada um e para as comunidades. A Primeira Leitura recorda o que aconteceu variad\u00edssimas vezes com o Povo de Israel. O \u00abmeu\u00bb povo \u00abcorrompeu-se\u00bb e desviou-se do caminho que lhes tracei, dizia Deus observando os comportamentos alheios \u00e0 alian\u00e7a que Deus com eles tinha estabelecido. O Evangelho ousa propor uma estrat\u00e9gia que poder\u00e1 parecer irreflectida. Trata-se de deixar as noventa e nove ovelhas fi\u00e9is e ir ao encontro da perdida para fazer festa pelo reencontro. Assim como a mulher deixa muitas outras actividades para ocupar-se na procura da dracma perdida e fazer festa pela alegria de a voltar a possuir. S. Paulo reconhece a sua pequenez e incapacidades, mas agradece que Deus o tenha julgado digno de confian\u00e7a e o tenha chamado para o Seu servi\u00e7o. A nossa reflex\u00e3o vai naturalmente para uma aplica\u00e7\u00e3o destas propostas b\u00edblicas ao mundo da fam\u00edlia. N\u00e3o porque n\u00e3o saibamos que a sua abrang\u00eancia \u00e9 maior. Mas sabemo-lo todos muito bem, queremos renovar o nosso empenho na ajuda \u00e0s fam\u00edlias para prosseguirmos o nosso Programa Pastoral. N\u00e3o sou pessimista e sei descortinar os avan\u00e7os da humanidade que os \u00faltimos tempos nos proporcionam em diversas \u00e1reas da sociedade. Acontece, por\u00e9m, que um diagn\u00f3stico sereno da realidade familiar diz-nos que as grandes mudan\u00e7as aconteceram, dum modo verdadeiramente significativo, na fam\u00edlia. Tenho consci\u00eancia e impressiona-me o contexto dos lares crist\u00e3os e num ambiente marcadamente religioso como \u00e9 o nosso. Tamb\u00e9m aqui se perdeu ou vai-se perdendo o sentido da fidelidade; a aceita\u00e7\u00e3o exigente da unidade e indissolubilidade atenua-se numa liberdade mal entendida; a comunh\u00e3o de amor profundo entre esposos e entre pais e filhos superficializa-se; as pessoas coabitam com pouca profundidade; a responsabilidade numa verdadeira educa\u00e7\u00e3o humana, crist\u00e3, acad\u00e9mica nem sempre \u00e9 partilhada permitindo-se uma mera preocupa\u00e7\u00e3o pelo material e imediato; os idosos t\u00eam dificuldades em conviver e verificam-se muitas situa\u00e7\u00f5es de conflitos e marginalidade. Se a esta dimens\u00e3o acrescentarmos problemas de ordem social como a pobreza que se vive em muitos lares, viol\u00eancia dom\u00e9stica que atormenta muitas pessoas, diferentes possibilidades de acessos a uma escolariza\u00e7\u00e3o, muitos casos de insucesso e abandono escolar, o deficiente apoio aos idosos particularmente do interior, o diminuto apoio \u00e0 maternidade com um consequente envelhecimento das nossas comunidades, o desemprego e dificuldades em aceder ao mercado de trabalho que condiciona muitas vidas\u2026 reconhecemos que se exige uma participa\u00e7\u00e3o mais respons\u00e1vel para que a alegria e seguran\u00e7a de viver regresse \u00e0s nossas fam\u00edlias. S\u00e3o dados inquestion\u00e1veis que n\u00e3o nos podem deixar indiferentes. Como crentes teremos de reconhecer que muitas fam\u00edlias se desviam dos caminhos tra\u00e7ados por Deus. Perante estas realidades n\u00e3o podemos cair na ilus\u00e3o de que tudo est\u00e1 a correr bem ou limitarmo-nos a condenar estranhos a quem se atribui a culpa por estas situa\u00e7\u00f5es. Deus convida-nos a que nos coloquemos do lado dos valores perenes e ousemos colocar-nos ao Seu servi\u00e7o. Perante muitos que se afastam n\u00e3o podemos ser disc\u00edpulos se n\u00e3o nos colocarmos em atitude de ir ao encontro com uma mensagem de solicitude e verdadeiro interesse para que as fam\u00edlias continuem a ser esperan\u00e7a da humanidade. Por onde passa a nossa interven\u00e7\u00e3o? O Programa Pastoral aponta duas pistas. 1 \u2013 Em primeiro lugar o matrim\u00f3nio deve ser acolhido com um \u00abdom\u00bb que recebemos como ele \u00e9. Isto n\u00e3o significa passivismos mas exige muito trabalho na catequese, na din\u00e2mica dos grupos de jovens, na prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, no acompanhamento das fam\u00edlias nomeadamente aquelas que vivem em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, para que, na reflex\u00e3o individual e conjunta, entendamos os verdadeiros par\u00e2metros duma voca\u00e7\u00e3o que vista numa dimens\u00e3o reducionista ou popularista parece ut\u00f3pica. S\u00f3 muita reflex\u00e3o permite compreender este maravilhoso dom da fam\u00edlia. Conhecendo-o, amamos e amando-o somos capazes de ultrapassar as eventuais dificuldades. 2 \u2013 O acolhimento do dom leva \u00e0 viv\u00eancia de compromissos dentro da fam\u00edlia e na comunidade paroquial. Quero sublinhar um. Os pais s\u00e3o os primeiros educadores e devem assumir-se como tais aceitando que a Igreja e o Estado os ajudem na viv\u00eancia desta obriga\u00e7\u00e3o. Ao iniciar um novo ano catequ\u00e9tico e escolar \u00e9 imperioso lembrar aos pais que eduquem com o testemunho e participando responsavelmente na catequese e na escola. As ocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas e o tempo \u00e9 ex\u00edguo; o interesse e o acompanhamento \u00e9 o m\u00ednimo que se pode pretender. A Igreja necessita de crist\u00e3os mais conscientes e a inicia\u00e7\u00e3o come\u00e7a em casa; o futuro na qualidade de vida depende do gosto suscitado pela forma\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o. A Igreja n\u00e3o pode limitar-se a esperar e responsabilizar. Ela tem de sair e tomar consci\u00eancia dos problemas para encontrar solu\u00e7\u00f5es conjuntas. Da\u00ed que n\u00e3o me canse quando, dum modo talvez inoportuno, solicito aos Sacerdotes que procurem constituir equipas de pastoral familiar. O mesmo afirmo em rela\u00e7\u00e3o aos casais. A estes digo: \u00abquanto mais damos a Deus e \u00e0 Igreja mais recebemos\u00bb. N\u00e3o podemos assistir passivamente a uma evolu\u00e7\u00e3o que pretende impor-nos modos de viver alheios \u00e0 f\u00e9 e aos compromissos que a mesma imp\u00f5e. Acredito que, em todas as comunidades, existam casais com talentos. Importa ir ao encontro e n\u00e3o ficar no altar no duplo sentido de convidar nas homilias e de pretender que a pastoral seja, simplesmente, sacramental. Necessitamos de deixar muitas coisas para nos encontrarmos com estes novos desafios. Continuo a repetir, a rotina s\u00f3 gera cansa\u00e7o sem resultados concretos e provoca permanente desencanto. O Evangelho convida-nos a deixar para encontrar algo de novo. S\u00f3 assim a festa e alegria acontecer\u00e1. A Igreja tem a responsabilidade hist\u00f3rica de continuar a dar e dizer \u00e0s fam\u00edlias alguma novidade, ou seja, algo que n\u00e3o encontram noutro lugar. Que a Senhora do Al\u00edvio nos empenhe neste compromisso de oferecer \u00e0s fam\u00edlias uma verdadeira identidade crist\u00e3. Pode parecer que recusam. Mais tarde, saber\u00e3o reconhecer o \u00abdom\u00bb que fomos para elas e os compromissos assumidos em seu favor e outros que elas acolheram em benef\u00edcio da humanidade. <i>Peregrina\u00e7\u00e3o ao Santu\u00e1rio de Nossa Senhora do Al\u00edvio, 16-09-07  D. Jorge Ortiga, A. P. <\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As leituras proclamadas nesta eucaristia tornam-se refer\u00eancia para uma peregrina\u00e7\u00e3o arciprestal na qual peregrinamos, reflectimos e assumimos um Programa para as nossas vidas. Importa a ora\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m \u00e9 fundamental \u00abouvir\u00bb os apelos de Deus para cada um e para as comunidades. 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