{"id":26950,"date":"2007-09-13T18:23:53","date_gmt":"2007-09-13T18:23:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/13\/summorum-pontificum-sem-regressos-ao-passado\/"},"modified":"2007-09-13T18:23:53","modified_gmt":"2007-09-13T18:23:53","slug":"summorum-pontificum-sem-regressos-ao-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/summorum-pontificum-sem-regressos-ao-passado\/","title":{"rendered":"<i>Summorum Pontificum<\/i>: sem regressos ao passado"},"content":{"rendered":"<p>Motu Proprio de Bento XVI sobre o antigo rito entra em vigor esta Sexta-feira e \u00e9 acolhido com serenidade em Portugal <!--more--> O Motu Proprio de Bento XVI sobre a Liturgia Romana anterior \u00e0 reforma do Conc\u00edlio Vaticano II entra em vigor a partir desta Sexta-feira, 14 de Setembro. O documento aprova a utiliza\u00e7\u00e3o universal do Missal promulgado pelo Beato Jo\u00e3o XXIII em 1962, com o Rito de S\u00e3o Pio V, utilizado na Igreja durante s\u00e9culos.  O Rito de S\u00e3o Pio V, que a Igreja Cat\u00f3lica usava at\u00e9 \u00e0 reforma lit\u00fargica de 1970 (com algumas modifica\u00e7\u00f5es, a \u00faltimas das quais datada de 23 de Junho de 1962) foi substitu\u00eddo pela Liturgia do &#8220;Novus Ordo&#8221; (Novo Ordin\u00e1rio) aprovada como resultado da reforma lit\u00fargica do Conc\u00edlio Vaticano II.  Com o novo documento, Bento XVI estende a toda a Igreja de Rito Latino a possibilidade de celebrar a Missa e os Sacramentos segundo livros lit\u00fargicos promulgados antes do Conc\u00edlio.  Esta aprova\u00e7\u00e3o universal significa que a Missa do antigo Rito poder\u00e1 ser celebrada livremente em todo mundo, pelos sacerdotes que assim o desejarem, sem necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica (licen\u00e7a ou indulto) de um Bispo. Os livros lit\u00fargicos redigidos e promulgados ap\u00f3s o Conc\u00edlio continuar\u00e3o, contudo, a constituir a forma ordin\u00e1ria e habitual do Rito Romano.  D. Ant\u00f3nio Bessa Taipa, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Liturgia no nosso pa\u00eds, refere \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que \u00e9 necess\u00e1rio acolher com &#8220;serenidade&#8221; todas estas mudan\u00e7as, criticando as reac\u00e7\u00f5es &#8220;despropositadas&#8221; que se seguiram \u00e0  publica\u00e7\u00e3o do Motu Proprio (documento legislativo da iniciativa do Papa).  &#8220;Em primeiro lugar, h\u00e1 que lembrar que a celebra\u00e7\u00e3o anterior n\u00e3o foi nunca proibida. Por outro lado, o gesto do Santo Padre vai no sentido de manter e defender a comunh\u00e3o e a unidade na Igreja&#8221;, explica.  Este respons\u00e1vel n\u00e3o esconde a sua &#8220;admira\u00e7\u00e3o&#8221; pela &#8220;coragem&#8221; do Papa em tomar esta medida e mostra-se grato pelo gesto do Papa que enviou uma carta aos Bispos onde justificava a sua atitude e a pedir-lhes que &#8220;comuniquem os resultados do que vai acontecer, inclusivamente&#8221;.  D. Ant\u00f3nio Taipa admite que estas novas disposi\u00e7\u00f5es possam ser &#8220;aproveitadas por muitos para regredir naquilo a que se chegou depois do Conc\u00edlio&#8221;, mas manifesta a confian\u00e7a de que o Papa &#8220;ter\u00e1 for\u00e7a suficiente para saber at\u00e9 onde dever\u00e1 ir&#8221;.  O presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Liturgia n\u00e3o v\u00ea no documento de Bento XVI nenhum retrocesso na vida da Igreja, porque &#8220;a Igreja alberga muitas mentalidades, sensibilidades muito diferenciadas e \u00e9 preciso manter a comunh\u00e3o do diferente&#8221;.  Quanto \u00e0 reimpress\u00e3o dos livros lit\u00fargicos necess\u00e1rios para a celebra\u00e7\u00e3o no rito antigo, o Bispo Auxiliar do Porto n\u00e3o regista nenhum pedido nesse sentido e mostra-se mais preocupado com a tradu\u00e7\u00e3o do novo Missal, &#8220;que j\u00e1 deveria estar feita&#8221;.  <b>As raz\u00f5es do Papa<\/b> Reconcilia\u00e7\u00e3o: esta \u00e9 a palavra chave e a raz\u00e3o positiva apresentada pelo Papa para a &#8220;liberaliza\u00e7\u00e3o&#8221; do Missal Romano de 1962.  &#8220;Trata-se de chegar a uma reconcilia\u00e7\u00e3o interna no seio da Igreja. Olhando para o passado, para as divis\u00f5es que no decurso dos s\u00e9culos dilaceraram o Corpo de Cristo, tem-se continuamente a impress\u00e3o de que, em momentos cr\u00edticos quando a divis\u00e3o estava a nascer, n\u00e3o fora feito o suficiente por parte dos respons\u00e1veis da Igreja para manter ou reconquistar a reconcilia\u00e7\u00e3o e a unidade&#8221;, refere o Papa, na carta que envia aos Bispos de todo o mundo para explicar o Motu Proprio publicado a 7 de Julho. O objectivo \u00e9, portanto, &#8220;realizar todos os esfor\u00e7os para que todos aqueles que nutrem verdadeiramente o desejo da unidade tenham possibilidades de permanecer nesta unidade ou de encontr\u00e1-la de novo&#8221;. O princ\u00edpio fundamental \u00e9 que a liturgia romana, mantendo um s\u00f3 rito, dispor\u00e1 de agora em diante de duas formas (\u201cusus\u201d). Desde o seu primeiro ponto, o documento de Bento XVI estabelece claramente que o Missal Romano promulgado por Paulo VI em 1970 \u00e9 &#8220;a express\u00e3o ordin\u00e1ria&#8221; da Igreja Cat\u00f3lica de Rito Latino (o mais difundido em todo o mundo) e o Missal de 1962 uma &#8220;forma extraordin\u00e1ria&#8221; de celebra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o criando divis\u00f5es. As celebra\u00e7\u00f5es no Rito de S\u00e3o Pio V podem ter lugar em dias festivos, Domingos e durante a semana, podendo ainda ser permitida em circunst\u00e2ncias particulares, como o matrim\u00f3nio, funerais ou peregrina\u00e7\u00f5es. O Motu proprio prev\u00ea tamb\u00e9m a possibilidade de usar o Ritual anterior para os sacramentos do Baptismo, da Penit\u00eancia, do Matrim\u00f3nio e da Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos (artigo 9.\u00ba). Permanecem, por\u00e9m, v\u00e1lidas todas as prescri\u00e7\u00f5es das Confer\u00eancias Episcopais sobre a prepara\u00e7\u00e3o requeridas para estes sacramentos.   <b>Par\u00f3quias do antigo Rito<\/b> O Motu proprio permite a quem o desejar o uso da liturgia anterior, mas n\u00e3o pretende impor a ningu\u00e9m essa forma extraordin\u00e1ria. Entre as novas regras estabelecidas, o artigo 5.\u00ba aborda, em particular, a realidade das par\u00f3quias, dispondo que onde existir de forma est\u00e1vel um grupo de fi\u00e9is que adere \u00e0 antiga tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, o p\u00e1roco deve acolher de bom grado o seu pedido para a Missa segundo o rito do Missal de 1962.  Os respons\u00e1veis devem procurar harmonizar o bem destes fi\u00e9is com o &#8220;cuidado ordin\u00e1rio&#8221; da par\u00f3quia, sob a orienta\u00e7\u00e3o do Bispo local, evitando qualquer disc\u00f3rdia e favorecendo a unidade.  O Bispo do lugar pode erigir uma par\u00f3quia pessoal, caso haja um n\u00famero consistente de fi\u00e9is que desejam seguir a liturgia anterior (artigo 10.\u00ba). A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista no c\u00e2none 518 do C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, onde se l\u00ea que &#8220;onde for conveniente&#8221; podem constituir-se par\u00f3quias pessoais &#8220;determinadas em raz\u00e3o do rito&#8221;, como neste caso.  Na carta que envia aos Bispos, o Papa procura afastar &#8220;o temor de que uma possibilidade mais ampla do uso do Missal de 1962 levasse a desordens ou at\u00e9 a divis\u00f5es nas comunidades paroquiais&#8221;.  &#8220;O uso do Missal antigo pressup\u00f5e um certo grau de forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e o conhecimento da l\u00edngua latina; e quer uma quer outro n\u00e3o \u00e9 muito frequente encontr\u00e1-los. Por estes pressupostos concretos, j\u00e1 se v\u00ea claramente que o novo Missal permanecer\u00e1, certamente, a Forma ordin\u00e1ria do Rito Romano, n\u00e3o s\u00f3 porque o diz a normativa jur\u00eddica, mas tamb\u00e9m por causa da situa\u00e7\u00e3o real em que se encontram as comunidades de fi\u00e9is&#8221;, explica.  Quando um grupo de fi\u00e9is que queira celebrar no antigo Rito n\u00e3o v\u00ea o seu pedido satisfeito por parte do p\u00e1roco, o artigo 7.\u00ba estabelece que disso seja informado o Bispo diocesano, que \u00e9 &#8220;vivamente&#8221; recomendado a responder ao seu desejo. Quando tal n\u00e3o seja poss\u00edvel, a quest\u00e3o dever\u00e1 ser referia \u00e0 Comiss\u00e3o Pontif\u00edcia Ecclesia Dei, criada por Jo\u00e3o Paulo II em 1988 e que Bento XVI quer ver mais envolvida na promo\u00e7\u00e3o dos valores da antiga Liturgia.  A \u201cEcclesia Dei\u201d \u00e9 uma Comiss\u00e3o que tem objectivo \u201cfacilitar a plena comunh\u00e3o eclesial\u201d dos fi\u00e9is ligados \u00e0 Fraternidade fundada por Monsenhor Lefebvre, \u201cconservando as suas tradi\u00e7\u00f5es espirituais e lit\u00fargicas\u201d. Criada por Jo\u00e3o Paulo II, em 1988, a Comiss\u00e3o quer ser um sinal de comunh\u00e3o para todos os fi\u00e9is cat\u00f3licos que se sentem vinculados a algumas precedentes formas lit\u00fargicas e disciplinares da tradi\u00e7\u00e3o latina, procurando adoptar \u201cas medidas necess\u00e1rias para garantir o respeito das suas justas aspira\u00e7\u00f5es\u201d.  Os \u00faltimos artigos do &#8220;Summorum Pontificum&#8221; esclarecem que a Comiss\u00e3o continua a exercer a sua miss\u00e3o.  Enquanto Cardeal, o actual Papa foi membro da Comiss\u00e3o Pontif\u00edcia &#8220;Ecclesia Dei&#8221; e deseja que a mesma &#8220;se transforme num organismo da Santa S\u00e9 com a finalidade pr\u00f3pria de conservar e manter a liturgia latina tradicional&#8221;, segundo revelou o Cardeal Castrill\u00f3n Hoyos, actual presidente da Comiss\u00e3o.  Segundo este respons\u00e1vel, existe hoje em dia um &#8220;renovado interesse&#8221; pela liturgia que esteve em vigor desde o Conc\u00edlio de Trento (Missal de Pio V &#8211; 1570) at\u00e9 ao novo ritual p\u00f3s-conciliar (Novus Ordo Missae &#8211; 1970).  &#8220;Por esta liturgia, que nunca foi abolida e que \u00e9 considerada um tesouro, existe hoje um novo e renovado interesse. Tamb\u00e9m por esta raz\u00e3o, o Santo Padre pensa que chegou o tempo de facilitar, como j\u00e1 o tinha desejado a primeira Comiss\u00e3o Cardinal\u00edcia, em 1986, o acesso a esta liturgia fazendo dela uma forma extraordin\u00e1ria do \u00fanico rito Romano&#8221;, referiu o Cardeal Castrill\u00f3n Hoyos, aquando da sua passagem pela Confer\u00eancia de Aparecida, em Maio deste ano.  Bento XVI procura apresentar todas estas decis\u00f5es em continuidade com a Tradi\u00e7\u00e3o, ligando-se \u00e0s reformas dos seus predecessores, de S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno a S\u00e3o Pio V, de Clemente VIII a Urbano VIII, de S\u00e3o Pio X a Bento XV, passando por Pio XII, o Beato Jo\u00e3o XXIII, Paulo VI e Jo\u00e3o Paulo II.  <b>Missa em latim?<\/b> As caracter\u00edsticas mais facilmente reconhec\u00edveis da chamada Missa Tridentina s\u00e3o o uso do latim como l\u00edngua lit\u00fargica assim como a posi\u00e7\u00e3o do sacerdote, de costas para a assembleia. Limitar a celebra\u00e7\u00e3o a estes dados, contudo, seria amplamente redutor. A liturgia segundo os livros de 1962 celebra-se em latim, mas as leituras podem ser proclamadas em l\u00edngua vern\u00e1cula. Para favorecer uma participa\u00e7\u00e3o activa, os fi\u00e9is s\u00e3o convidados a recitar juntamente com o celebrante diversas partes do Ordin\u00e1rio da Missa (Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Agnus Dei), as quais deveriam ser de prefer\u00eancia cantadas. Recomenda-se aos fi\u00e9is que sigam as ora\u00e7\u00f5es da Missa com um missal bilingue.  As duas formas da liturgia seguem dois Calend\u00e1rios diversos, diferentes na data de algumas festas secund\u00e1rias, e t\u00eam dois Leccion\u00e1rios diversos. Tal diferen\u00e7a n\u00e3o deveria criar grandes dificuldades: tamb\u00e9m o rito ambrosiano (da diocese de Mil\u00e3o), por exemplo, tem um calend\u00e1rio e um leccion\u00e1rio pr\u00f3prios.  A prop\u00f3sito do Missal de 1962, em latim, recorda-se que se trata de um Missal \u201cplen\u00e1rio\u201d, \u201cintegral\u201d, que cont\u00e9m tamb\u00e9m as leituras das celebra\u00e7\u00f5es. Prev\u00ea uma s\u00f3 Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica (o C\u00e2none Romano, I Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica do Missal conciliar).  Boa parte das ora\u00e7\u00f5es (mesmo da Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica) s\u00e3o recitadas pelo celebrante em voz baixa. No final da Missa, recita-se o pr\u00f3logo do Evangelho segundo S. Jo\u00e3o.  O Missal de 1962 n\u00e3o prev\u00ea a concelebra\u00e7\u00e3o. Nada diz sobre a orienta\u00e7\u00e3o do altar e a posi\u00e7\u00e3o do celebrante, voltado ou n\u00e3o para a assembleia.  A Missa, a partir do s\u00e9culo XIII, costumava ser dividida em duas partes: &#8220;missa dos catec\u00famenos&#8221; e &#8220;missa dos fi\u00e9is&#8221;; eram admitidos \u00e0 primeira parte os que aspiravam a se tornar crist\u00e3os e, uma vez que estavam ainda na fase de prepara\u00e7\u00e3o doutrinal, eram exclu\u00eddos do sacrif\u00edcio eucar\u00edstico e participavam somente na liturgia da Palavra, com claro valor catequ\u00e9tico; na segunda parte participavam todos os crentes.  O altar, colocado no cimo de alguns degraus, significava a subida ao G\u00f3lgota; por isso, as ora\u00e7\u00f5es de introdu\u00e7\u00e3o ao sacrif\u00edcio eram recitadas pelo celebrante aos p\u00e9s dos degraus: remonta ao s\u00e9culo IX a recita\u00e7\u00e3o do salmo 42, &#8220;Iudica me, Deus&#8221;, com o Gl\u00f3ria e o Confiteor, cuja f\u00f3rmula \u00e9 do s\u00e9culo XII, o sacerdote sobe ao altar, que incensa com tr\u00eas voltas, se a missa \u00e9 solene. A recita\u00e7\u00e3o do Credo, depois da leitura do Evangelho e da homilia, \u00e9 introduzida no s\u00e9culo VI no Oriente e no s\u00e9culo XI no rito latino.  A segunda parte da Missa tinha in\u00edcio com a apresenta\u00e7\u00e3o dos dones; seguiam-se ora\u00e7\u00f5es, chamadas &#8220;pequeno c\u00e2none&#8221; que, no rito latino, n\u00e3o s\u00e3o anteriores ao s\u00e9culo XIV: &#8220;Suscipe&#8221;, &#8220;Sancte Pater&#8221;, talvez de origem galicana, e o &#8220;Deus qui humanae substantiae&#8221;, antiga ora\u00e7\u00e3o da liturgia natal\u00edcia romana; feita a oferta, procedia-se a uma nova incensa\u00e7\u00e3o do altar, seguida do Lavabo, ou lavagem das m\u00e3os, da &#8220;Oratio super oblata secreta&#8221; e, finalmente, do Pref\u00e1cio, que \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica por excel\u00eancia, ou seja, o &#8220;c\u00e2none&#8221; ou &#8220;canon actionis&#8221;. O Pref\u00e1cio come\u00e7a com um di\u00e1logo entre celebrante e fi\u00e9is, continua com uma ora\u00e7\u00e3o de agradecimento e termina com o Tris\u00e1gio, ou Sanctus.  Tem assim in\u00edcio o C\u00e2none, f\u00f3rmula usada desde o s\u00e9culo VII, com a consagra\u00e7\u00e3o das duas esp\u00e9cies eucar\u00edsticas e sua dupla eleva\u00e7\u00e3o, existente desde o tempo da heresia de Bereng\u00e1rio; todas as ora\u00e7\u00f5es seguintes, sempre expressas em l\u00edngua latina, culminam com o doxologia &#8220;Per ipsum, cum ipso, in ipsum&#8221;.  Com o Pater Noster, tem in\u00edcio a parte da Comunh\u00e3o: primeiro a frac\u00e7\u00e3o da h\u00f3stia, o antiqu\u00edssimo Agnus Dei, a ora\u00e7\u00e3o e o beijo da paz posteriores ao ano 1000, e a comunh\u00e3o do sacerdote. Durante a comunh\u00e3o dos fi\u00e9is, cantava-se um salmo; restam vest\u00edgios disso na actual ora\u00e7\u00e3o da Communio. A ora\u00e7\u00e3o do Postcommunio conclu\u00eda a celebra\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes, com a &#8220;Oratio supra populum&#8221;; depois, o &#8220;Ite, missa est&#8221; fazia a despedida da assembleia. O Placeat com a b\u00ean\u00e7\u00e3o s\u00e3o posteriores ao ano 1000, e o \u00faltimo Evangelho (leitura do Pr\u00f3logo de Jo\u00e3o) era de devo\u00e7\u00e3o particular at\u00e9 o s\u00e9culo XV.  <i>O Conc\u00edlio e o latim<\/i> O rito lit\u00fargico resultante da reforma lit\u00fargica do Conc\u00edlio Vaticano II institui uma nova forma de celebrar a missa que revoga, n\u00e3o o uso do latim, mas o uso do anterior Rito de S. Pio V.   A constitui\u00e7\u00e3o conciliar sobre a Liturgia, Sacrossanctum Concilium, declarou o seguinte sobre a l\u00edngua latina:  (36.) \u00a7 1. Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular.   \u00a7 2. Dado, por\u00e9m, que n\u00e3o raramente o uso da l\u00edngua vulgar pode revestir-se de grande utilidade para o povo, quer na administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, quer em outras partes da Liturgia, poder\u00e1 conceder-se \u00e0 l\u00edngua vern\u00e1cula lugar mais amplo, especialmente nas leituras e admoni\u00e7\u00f5es, em algumas ora\u00e7\u00f5es e cantos, segundo as normas estabelecidas para cada caso nos cap\u00edtulos seguintes.   \u00a7 3. Observando estas normas, pertence \u00e0 competente autoridade eclesi\u00e1stica territorial, (&#8230;) consultados, se for o caso, os Bispos das regi\u00f5es lim\u00edtrofes da mesma l\u00edngua, decidir acerca do uso e extens\u00e3o da l\u00edngua vern\u00e1cula. Tais decis\u00f5es dever\u00e3o ser aprovadas ou confirmadas pela S\u00e9 Apost\u00f3lica.   \u00a7 4. A tradu\u00e7\u00e3o do texto latino em l\u00edngua vulgar para uso na Liturgia, deve ser aprovada pela autoridade eclesi\u00e1stica territorial competente, acima mencionada.   (54.) \u00c0 l\u00edngua vern\u00e1cula pode dar-se, nas missas celebradas com o povo, um lugar conveniente, sobretudo nas leituras e na \u00abora\u00e7\u00e3o comum\u00bb e, segundo as diversas circunst\u00e2ncias dos lugares, nas partes que pertencem ao povo, conforme o estabelecido no art. 36 desta Constitui\u00e7\u00e3o.   <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B> <a href=http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/motu_proprio\/documents\/hf_ben-xvi_motu-proprio_20070707_summorum-pontificum_lt.html> Motu Proprio Summorum Pontificum<\/a> <a href=http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/letters\/2007\/documents\/hf_ben-xvi_let_20070707_lettera-vescovi_po.html> Carta do Papa aos Bispos de todo o mundo sobre o uso da Liturgia Romana anterior \u00e0 reforma realizada em 1970<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Motu Proprio de Bento XVI sobre o antigo rito entra em vigor esta Sexta-feira e \u00e9 acolhido com serenidade em Portugal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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