{"id":269362,"date":"2023-02-05T09:00:36","date_gmt":"2023-02-05T09:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=269362"},"modified":"2023-01-30T11:01:17","modified_gmt":"2023-01-30T11:01:17","slug":"quem-nao-tem-vergonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quem-nao-tem-vergonha\/","title":{"rendered":"Quem n\u00e3o tem vergonha\u2026"},"content":{"rendered":"<p><em>Lu\u00eds da Silva Pereira, Arquidiocese de Braga<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-269363 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/luis-silva-pereira-braga.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>As sucessivas demiss\u00f5es de ministros, secret\u00e1rios de estado, autarcas e outros funcion\u00e1rios do Estado, a um ritmo nunca visto nos anos que levamos de democracia, bem como as sucessivas investiga\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico a C\u00e2maras Municipais, n\u00e3o podem deixar de provocar espanto e interroga\u00e7\u00f5es de toda a natureza. Instalou-se a ideia generalizada de que as estruturas governativas foram tomadas de assalto por pessoas sem escr\u00fapulos e, n\u00e3o fora a merit\u00f3ria, embora um tanto tardia, den\u00fancia de alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o social, estar\u00edamos impunemente a ser por elas governados.<\/p>\n<p>O Estado parece ter-se tornado propriedade de um partido que atua sem preocupar-se com situa\u00e7\u00f5es de ilegalidade, deixando a impress\u00e3o de que o Estado \u00e9 o pr\u00f3prio partido no poder a quem tudo \u00e9 permitido, sendo ele que determina o que est\u00e1 bem e o que est\u00e1 mal.<\/p>\n<p>O povo costuma dizer que quem n\u00e3o tem vergonha todo o mundo \u00e9 seu. Aqui a falta de vergonha equivale a dizer falta de valores fundamentais no desempenho da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ali\u00e1s, vozes autorizadas e livres, mesmo na \u00e1rea partid\u00e1ria pr\u00f3xima da governa\u00e7\u00e3o, v\u00eam dizendo que se torna absolutamente necess\u00e1rio rever esta situa\u00e7\u00e3o e exigir rigor na escolha dos governantes. De facto, ficamos com a sensa\u00e7\u00e3o de que nunca se viu tanta falta de transpar\u00eancia e de verdade, tanto tr\u00e1fico de influ\u00eancias, tanto nepotismo e corrup\u00e7\u00e3o. Os pol\u00edticos parecem agir com um sentimento de impunidade, como se as leis que regem os outros cidad\u00e3os a eles se n\u00e3o aplicassem.<\/p>\n<p>A vida pol\u00edtica tem de voltar a reger-se por valores \u00e9ticos ou n\u00e3o conseguir\u00e1 aparecer aos olhos dos cidad\u00e3os como uma das mais dignas atividades do ser humano. Creio que foi S\u00e1 Carneiro quem disse que a pol\u00edtica sem \u00e9tica \u00e9 uma vergonha. Para a moraliza\u00e7\u00e3o da atividade pol\u00edtica n\u00e3o basta, por\u00e9m, uma \u00e9tica chamada republicana, que n\u00e3o se sabe muito bem o que \u00e9. Tem de haver, da parte de quem se dedica ao servi\u00e7o do bem comum, uma consci\u00eancia bem formada e uma vontade forte de por ela se orientar. Como se tem visto, quando a atua\u00e7\u00e3o dos governantes pretende regular-se estritamente pelo que est\u00e1 disposto na lei, rapidamente se passa de uma \u00e9tica republicana para \u00e9tica nenhuma. At\u00e9 porque, para al\u00e9m do mais, h\u00e1 leis que s\u00e3o manifestamente injustas ou de tal maneira elaboradas que permitem adaptar-se \u00e0s conveni\u00eancias pessoais ou de grupos de influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Sempre entendemos que os respons\u00e1veis pol\u00edticos deviam ser modelos de comportamento para todos os cidad\u00e3os. Na vida pol\u00edtica, o exemplo tem de vir de cima. Quando n\u00e3o vem, a conduta dos cidad\u00e3os, mais cedo ou mais tarde, acaba por ressentir-se, transformando a vida social numa esp\u00e9cie de salve-se quem puder. N\u00e3o estranhemos, depois, a suspei\u00e7\u00e3o generalizada que vai caindo sobre os pol\u00edticos, o crescente desinteresse pela coisa p\u00fablica, a absten\u00e7\u00e3o nas urnas, a dificuldade de encontrar pessoas experientes, id\u00f3neas e competentes para a assun\u00e7\u00e3o de cargos de superior responsabilidade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o nos queixemos depois que os extremos do espetro pol\u00edtico v\u00e3o crescendo eleitoralmente, ante a surpresa geral, sem que, aparentemente, os outros partidos consigam identificar as causas desse crescimento. Em nosso entender, a principal causa est\u00e1 precisamente no descr\u00e9dito da atua\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos, com esc\u00e2ndalos atr\u00e1s de esc\u00e2ndalos a causarem indigna\u00e7\u00e3o geral e a criarem uma ambiente de suspeita generalizada, de dissolu\u00e7\u00e3o \u00e9tica e social, de fim de regime.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio, pois, acabar com este sentimento de impunidade que parece ter-se apoderado de muitos agentes da vida p\u00fablica, bem como essa incapacidade de assumir a responsabilidade pelos seus atos, atirando sempre para cima dos outros responsabilidades que s\u00e3o suas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds da Silva Pereira, Arquidiocese de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":269363,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-269362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=269362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269362\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269363"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=269362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=269362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=269362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}