{"id":269348,"date":"2023-02-04T09:00:22","date_gmt":"2023-02-04T09:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=269348"},"modified":"2023-01-30T10:38:25","modified_gmt":"2023-01-30T10:38:25","slug":"uma-nova-linguagem-a-mesma-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-nova-linguagem-a-mesma-verdade\/","title":{"rendered":"Uma nova linguagem, a mesma Verdade."},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/padre-hugo-goncalves-beja.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-269350 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/padre-hugo-goncalves-beja-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/padre-hugo-goncalves-beja-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/padre-hugo-goncalves-beja-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/padre-hugo-goncalves-beja-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/padre-hugo-goncalves-beja-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/padre-hugo-goncalves-beja.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>N\u00e3o podemos enterrar a cabe\u00e7a na areia, fingindo n\u00e3o ver aquilo que se passa na Igreja na Europa \u2013 refiro-me \u00e0 perda de fi\u00e9is e \u00e0 pouca ades\u00e3o dos mais jovens. Certamente que s\u00e3o m\u00faltiplas as raz\u00f5es que nos trouxeram at\u00e9 aqui, mas julgo que um dos fatores \u00e9 a quest\u00e3o da linguagem, \u00e0 qual a Igreja n\u00e3o foi capaz de se adaptar.<\/p>\n<p>At\u00e9 h\u00e1 quarenta ou cinquenta anos atr\u00e1s, a maioria das crian\u00e7as, adolescentes e jovens iam \u00e0 catequese e pertenciam a grupos de jovens ou movimentos juvenis cat\u00f3licos; nas fam\u00edlias e na pr\u00f3pria escola respirava-se os valores crist\u00e3os e ningu\u00e9m, por assim dizer, discutia determinadas mat\u00e9rias que t\u00eam que ver com o ser humano, isto \u00e9, o sentido da sua exist\u00eancia, e a quest\u00e3o de Deus, pois parecia n\u00e3o chocar ouvir na escola a teoria da evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e a forma\u00e7\u00e3o do universo, do mundo em que vivemos e, depois na catequese, ouvir que Deus criou o universo e nele o mundo em que vivemos, bem como a cria\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio ser humano. Ora, essa aceita\u00e7\u00e3o \u00b4cega\u2019, esse sil\u00eancio de parte de quem era instru\u00eddo na escola e na catequese acabou h\u00e1 muito. Os adolescente e jovens &#8211; para n\u00e3o dizer tamb\u00e9m os pr\u00f3prios adultos &#8211; romperam o sil\u00eancio e querem respostas mais profundas, mais convincentes e que possam ser compat\u00edveis com o que a ci\u00eancia nos ensina e, infelizmente, grande parte dos agentes da pastoral n\u00e3o foi e n\u00e3o \u00e9 capaz de corresponder aos anseios daqueles que nos interrogam.<\/p>\n<p>S\u00e3o Pedro, na primeira Ep\u00edstola diz-nos que devemos estar \u00ab<em>sempre dispostos a dar raz\u00e3o da nossa esperan\u00e7a<\/em>\u00bb (1 Pe 3, 15). Obviamente que dar raz\u00f5es da nossa f\u00e9\/esperan\u00e7a hoje n\u00e3o ser\u00e1 feita com a mesma linguagem do tempo de S. Pedro ou do tempo de St. Agostinho, de St. In\u00e1cio de Loyola ou mesmo do tempo do Santo John Henry Newman. Embora o conte\u00fado da f\u00e9 seja o mesmo, a linguagem, a abordagem t\u00eam de ser completamente novas. As exig\u00eancias hoje s\u00e3o diferentes de h\u00e1 sessenta, cem ou duzentos anos atr\u00e1s; o conhecimento humano progride a passos largos e s\u00e3o muitos aqueles que hoje a ele t\u00eam acesso \u2013 est\u00e1 \u00e0 dist\u00e2ncia de um clique no telem\u00f3vel, no computador.<\/p>\n<p>A Igreja, nela os seus principais agentes da pastoral, n\u00e3o podem ficar alheios a esta realidade, nem permanecer como analfabetos destes novos conhecimentos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos. \u00c9 necess\u00e1rio investir nestas novas \u00e1reas, ter \u00a0um conhecimento suficiente para as poder usar nas respostas, nos debates sobre as mat\u00e9rias da f\u00e9. Infelizmente, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, isso n\u00e3o acontece na Igreja em Portugal. Que diremos a algu\u00e9m que nos questione sobre, por exemplo: \u2018Como provas a exist\u00eancia de Deus? O que \u00e9 a Ressurrei\u00e7\u00e3o? O que \u00e9 o C\u00e9u e o inferno?\u2019 etc. O mais f\u00e1cil, como fuga para a frente, \u00e9 responder: \u2018Deus existe e pronto\u2026 Porque h\u00e1 uma for\u00e7a que criou tudo isto\u2026 N\u00f3s acreditamos que h\u00e1 algu\u00e9m\u2019 ou \u2018A Igreja ensina isso e eu sinto c\u00e1 dentro que \u00e9 assim\u2026\u2019. Mas qual \u00e9 o adolescente, jovem ou adulto que hoje se contenta com este g\u00e9nero de respostas? Ningu\u00e9m fica satisfeito e muito menos convencido com algo deste g\u00e9nero. Hoje, talvez mais do que nunca, os p\u00e1rocos, os catequistas, os animadores de grupos de jovens t\u00eam de alargar o seu conhecimento para al\u00e9m daquilo que j\u00e1 receberam, das disciplinas teol\u00f3gicas que estudaram. A filosofia e a ci\u00eancia tem de estar hoje presentes na pan\u00f3plia de mat\u00e9rias a estudar e conhecer. H\u00e1 poucas semanas viv\u00edamos o acontecimento da morte do Papa Em\u00e9rito Bento XVI &#8211; a sua vida foi essencialmente dedicada a ligar a f\u00e9 com a raz\u00e3o &#8211; e quantos n\u00e3o foram tocados pelos seus escritos, pelas suas palavras proferidas em col\u00f3quios, palestras, catequeses, homilias. \u00c9 este tamb\u00e9m o exemplo que somos chamados a seguir.<\/p>\n<p>Com a pandemia, durante o tempo em que fic\u00e1mos confinados em nossas casas, tive a oportunidade de gastar algum tempo a procurar alguns conte\u00fados, na plataforma digital Youtube, sobre ci\u00eancia e f\u00e9. Nessa minha procura encontrei alguns conte\u00fados interessantes, mas houve um professor universit\u00e1rio que me prendeu, que me fez procurar alguns dos seus livros e ouvir algumas das suas prele\u00e7\u00f5es \u2013 o seu nome \u00e9 John Lennox. John Lennox, nascido numa fam\u00edlia protestante da Irlanda do Norte (uma fam\u00edlia tolerante) \u00e9 atualmente professor em\u00e9rito de Matem\u00e1tica na Universidade de Oxford, embora a sua <em>alma mater<\/em> seja a Universidade de Cambridge. Desde jovem procurou fazer o encontro entre f\u00e9 e raz\u00e3o, tendo nesse caminho podido conhecer e ouvir C. S. Lewis (Clive Stapels Lewis) \u2013 o que o influenciaria de forma muito incisiva. A sua paix\u00e3o pela Sagrada Escritura, o seu estudo profundo de mat\u00e9rias teol\u00f3gicas, aliado ao seu olhar de cientista e tamb\u00e9m fil\u00f3sofo, fazem dele hoje \u2013 a meu ver \u2013 um dos grandes pensadores e transmissores do cristianismo, com uma linguagem atual, acess\u00edvel, porque simples, e fazendo uso da ci\u00eancia e da filosofia, para chegar a muitos. Hoje ele \u00e9 convidado por muitas universidades e comunidades crist\u00e3s, para mostrar que racionalmente, cientificamente, Deus existe e que o ate\u00edsmo n\u00e3o tem raz\u00e3o. De entre os v\u00eddeos que pude ver, recordo-me de ver uma das suas palestras no Youtube, a qual foi dada a estudantes e docentes de medicina, da Universidade de Yale, sobre o tema: \u201c<em>Onde est\u00e1 Deus no sofrimento?<\/em>\u201d. Um dos seus livros \u00e9 uma resposta ao conhecido f\u00edsico brit\u00e2nico Stephen Hawking, conhecido pelo seu ate\u00edsmo militante \u2013 o livro chama-se \u201c<em>God &amp; Stephen Hawking<\/em>\u201d (trad. Deus e Stephen Hawking).<\/p>\n<p>N\u00f3s Igreja precisamos de ouvir e ler autores como este que acabei de apresentar, pois eles abrem o nosso conhecimento para dimens\u00f5es que nos escapam \u2013 as da ci\u00eancia \u2013 e que s\u00e3o fundamentais para hoje, para os desafios que se nos colocam, para as respostas que temos de dar, numa linguagem nova, para darmos raz\u00f5es da nossa f\u00e9, para que outros se possam questionar sobre a possibilidade de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":269350,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-269348","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269348","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=269348"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269348\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=269348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=269348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=269348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}