{"id":268760,"date":"2023-02-06T09:00:25","date_gmt":"2023-02-06T09:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=268760"},"modified":"2023-01-25T10:34:02","modified_gmt":"2023-01-25T10:34:02","slug":"o-que-significa-rezar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-que-significa-rezar\/","title":{"rendered":"O que significa rezar?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Esta pergunta \u00e9 o resultado de uma caminhada com os crismandos da minha amada Par\u00f3quia e que tive a felicidade e a gra\u00e7a de os poder acompanhar nesta bel\u00edssima e inaudita viagem pelos trilhos da F\u00e9. Naturalmente, a quest\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o e de que tudo isto significa imp\u00f4s-se-nos. Da\u00ed a pergunta: o que significa rezar? Telegraficamente, rezar \u00e9 viver diante de Deus. E, como tal, rezar n\u00e3o \u00e9 um acto, mas uma atitude. Por outras palavras, quando eu tomo uma decis\u00e3o, quando tomo uma atitude sobre determinada coisa ou me proponho a determinado objectivo, a assun\u00e7\u00e3o dessa atitude determinar\u00e1 a exist\u00eancia de um conjunto de actos que ir\u00e3o fundamentar e justificar a mesma.<\/p>\n<p>Assim compreendemos que a condi\u00e7\u00e3o primeira da ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a confian\u00e7a. Quando confiamos, quando nos entregamos e nos lan\u00e7amos para Deus, quando damos este \u2018salto no escuro\u2019, a\u00ed sentiremos o verdadeiro sentido da confian\u00e7a como porta da F\u00e9. E da confian\u00e7a brota, inexoravelmente, a rela\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo. Por isso, a ora\u00e7\u00e3o tem uma dimens\u00e3o performativa, relacional, dual\u00f3gica e dial\u00f3gica.<\/p>\n<p>Gostava que pud\u00e9ssemos viajar pelo mar da Sagrada Escritura e ir at\u00e9 ao primeiro Livro de Samuel, cap\u00edtulo 1, vers\u00edculos 1-21. Aqui seremos surpreendidos pela \u2018li\u00e7\u00e3o\u2019 de Ana. Ana, uma mulher sofrida pela sua impossibilidade de ser m\u00e3e, que vive a ang\u00fastia de uma vida sem vida, que \u00e9 menosprezada pela sua pr\u00f3pria fam\u00edlia e tribo, ensina-nos como rezar. Na sua ang\u00fastia, ela oferece-se, na sua tristeza, ela consagra-se e promete dar o melhor. Mas qual melhor? Aquilo que ela pede, isto \u00e9, um filho var\u00e3o. E sabeis? Ela \u00e9 escutada e atendida, e cumprir\u00e1 a sua promessa, dando a Deus o que d\u2019Ele recebeu: o seu filho Samuel (que significa \u201ceu pedia a Deus\u201d).<\/p>\n<p>Outro epis\u00f3dio b\u00edblico extramente belo \u00e9 o do Evangelho de Marcos, cap\u00edtulo 1, vers\u00edculos 40-42, quando um leproso se aproxima de Jesus \u00e9 lhe suplica: \u201cSe quiseres, podes curar-me\u201d. O mais curioso deste epis\u00f3dio b\u00edblico \u00e9 a atitude deste homem que agonia com a lepra. \u00c9 importante recordar que um doente com lepra estava impedido de se aproximar das pessoas, havendo at\u00e9 espa\u00e7os consignados para estes enfermos. Na maioria das ocasi\u00f5es, a lepra significava o fim da vida social, relacional, familiar e, at\u00e9, religiosa pela sua impossibilidade de ir ao Templo.<\/p>\n<p>Ora, imagine o estimado leitor a coragem deste homem em se aproximar de Jesus. Vamos reler o epis\u00f3dio b\u00edblico e ver a beleza narrativa deste Evangelho: \u201cNaquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: \u00abSe quiseres, podes curar-me\u00bb. Jesus, compadecido, estendeu a m\u00e3o, tocou-lhe e disse: \u00abQuero: fica limpo\u00bb. No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo.\u201d Fico fascinado como esta per\u00edcope nos acaba por ensinar a rezar. Vejam, em primeiro, a atitude do leproso \u00e9 de algu\u00e9m que n\u00e3o teme Jesus, que n\u00e3o tem nada a perder e, por isso, avan\u00e7a decidida e confiadamente. Em segundo, a sua postura corporal manifesta a consci\u00eancia transcendental de Jesus ao prostrar-se de joelhos e ao suplicar. Ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 assim que nos devemos apresentar perante Deus Nosso Senhor? Em terceiro, reparem na humildade do seu pedido: \u00abSe quiseres, podes curar-me\u00bb. \u2018Se quiseres\u2019 n\u00e3o \u00e9 exigir, n\u00e3o \u00e9 negociar, n\u00e3o \u00e9 reclamar. Antes, \u00e9 express\u00e3o daquele que se reconhece carente e eternamente dependente de Deus, aquele que s\u00f3 \u00e9 se for n\u2019Ele, por Ele e com Ele. E remata: \u2018podes curar-me\u2019. O mesmo \u00e9 dizer: \u201cSenhor, tu podes tudo; Tu \u00e9s o meu tudo\u201d. Que encanto o testemunho que este leproso nos d\u00e1! Na verdade, um homem sem Deus \u00e9 um homem desarrumado, sem rumo. Em quarto, e \u00faltimo, repare na reac\u00e7\u00e3o t\u00e3o ternurenta de Jesus: \u201cJesus, compadecido, estendeu a m\u00e3o, tocou-lhe e disse: \u00abQuero: fica limpo\u00bb\u201d. Jesus mostra-nos o quanto Deus nos ama, o quanto Ele nos escuta e como Ele quer que lhe dirijamos a palavra. Mais, Jesus n\u00e3o tem nojo, ou asco, ou repulsa pelo leproso (quantos de n\u00f3s n\u00e3o ter\u00edamos, n\u00e3o \u00e9?). Pelo contr\u00e1rio, Jesus toca-lhe, acolhe-o e afirma: \u00abQuero: fica limpo\u00bb! No entanto, Jesus adverte o leproso: \u201cN\u00e3o digas nada a ningu\u00e9m, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Mois\u00e9s ordenou, para lhes servir de testemunho\u201d (Mc 1, 41). Porque \u00e9 que Jesus lhe faz este pedido? Entendamos que no tempo de Jesus a lepra era a mesma coisa que a morte, grosso modo. Portanto, curar um leproso era t\u00e3o dif\u00edcil como ressuscitar um morto! Os sacerdotes tinham a fun\u00e7\u00e3o de &#8220;declarar puro&#8221; um leproso que tivesse sarado e curado, mas n\u00e3o tinham o poder de &#8220;torn\u00e1-lo puro&#8221;, isto \u00e9, de cur\u00e1-lo, uma vez que a cura de um leproso era uma obra exclusiva de Deus. Assim compreendemos que Jesus, com este pedido, procura testificar a sua pr\u00f3pria identidade e a sua pr\u00f3pria miss\u00e3o, isto \u00e9, revelar ao povo de Deus, a Israel, que Ele \u00e9 o Messias esperado, o Filho eterno de Deus que vem para todos curar e a todos salvar. Como \u00e9 encantador a pedagogia da F\u00e9!<\/p>\n<p>Posto isto, compreendemos que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o exerc\u00edcio constante da lembran\u00e7a de Deus. \u00c9 como se a presen\u00e7a de Deus fosse como que uma m\u00fasica de fundo, tal e qual como quando estamos num restaurante ou num bar. Sem nos apercebermos muito dela, ela ali est\u00e1, serena, a acompanhar-nos e a envolver-nos. No entanto, esta lembran\u00e7a da presen\u00e7a de Deus exige que saibamos disciplinar a nossa vida a fim de termos este tempo a s\u00f3s com o Senhor, este tempo que gera presen\u00e7a, rela\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o. E aos poucos vamos sentindo a ac\u00e7\u00e3o de Deus a mexer e a remexer na nossa pr\u00f3pria vida, at\u00e9 ao ponto, sem sabermos muito como, de come\u00e7ar a ter os mesmos sentimentos de Deus.<\/p>\n<p>Santo Agostinho, na sua indiscrit\u00edvel sagacidade, afirmava que \u201ca tua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o teu desejo\u201d, isto \u00e9, se tu O desejas o dia inteiro, ent\u00e3o tu rezas o dia inteiro. T\u00e3o simples, n\u00e3o \u00e9?! J\u00e1 o falecido e saudoso D. Henrique Soares (bispo da Diocese de Palmares, Brasil) ia mais longe ao garantir que \u201cquem n\u00e3o reza \u00e9 ateu\u201d. Fica, portanto, a pergunta: o que significa rezar?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-268760","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268760","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=268760"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268760\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=268760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=268760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=268760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}