{"id":26865,"date":"2007-09-10T15:46:46","date_gmt":"2007-09-10T15:46:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/10\/portugal-na-festa-do-ecumenismo\/"},"modified":"2007-09-10T15:46:46","modified_gmt":"2007-09-10T15:46:46","slug":"portugal-na-festa-do-ecumenismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-na-festa-do-ecumenismo\/","title":{"rendered":"Portugal na festa do ecumenismo"},"content":{"rendered":"<p>D. Manuel Fel\u00edcio destaca compromissos comuns assumidos em Sibiu, desde a ecologia \u00e0 justi\u00e7a social <!--more--> Portugal fez-se representar na festa do ecumenismo que decorreu na cidade romena de Sibiu at\u00e9 este Domingo, 9 de Setembro. Uma dela\u00e7\u00e3o oficial de 15 pessoas, liderada por D. Manuel Fel\u00edcio, deixou a marca dos cat\u00f3licos do nosso pa\u00eds em momentos de reflex\u00e3o, celebra\u00e7\u00e3o e conv\u00edvio guiados por um objectivo comum: a unidade dos crist\u00e3os.  O membro da Comiss\u00e3o Episcopal para a Doutrina da F\u00e9 e Ecumenismo destaca o facto de as recomenda\u00e7\u00f5es finais desta Assembleia Ecum\u00e9nica Europeia (AEE) procurarem olhar para o &#8220;p\u00f3s-assembleia&#8221;, abrindo perspectivas de futuro.  A AEE percorreu um longo caminho at\u00e9 chegar a Sibiu: Roma, Wittenberg e as dioceses de cada pa\u00eds. Nesse sentido, o &#8220;momento festivo&#8221; que se viveu na Rom\u00e9nia serviu sobretudo para &#8220;motivar as pessoas e os grupos para que comece, propriamente, uma nova etapa no di\u00e1logo ecum\u00e9nico partir das experi\u00eancias bonitas partilhadas uns com os outros&#8221;.  Das v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es de delegados cat\u00f3licos, anglicanos, protestantes e ortodoxos transpareceu a sensa\u00e7\u00e3o de que era necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a no modelo ecum\u00e9nico. D. Manuel Fel\u00edcio refere \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que, daquilo que viveu nestes dias, brota a sensa\u00e7\u00e3o de que &#8220;o modelo de assembleia est\u00e1 algo esgotado&#8221;.  &#8220;As novidades doutrinais n\u00e3o aparecem, o que havia para colocar em cima da mesa j\u00e1 est\u00e1 colocado. Esta assembleia, por outro lado, n\u00e3o foi programada tanto para uma partilha de experi\u00eancias, mas para os not\u00e1veis e representantes das Igrejas terem a sua palavra&#8221;, relata.  O representante portugu\u00eas considera, por isso, que no futuro as organiza\u00e7\u00f5es desta natureza &#8220;n\u00e3o podem ser doutrinais, discursivas, ter\u00e3o de ser essencialmente festa da partilha daquilo que o Esp\u00edrito vai realizando nas comunidades e nos crist\u00e3os&#8221;.  A nota fundamental vai, assim, para aquilo que mobiliza os crist\u00e3os numa &#8220;pr\u00e1tica comum&#8221;, em particular na Europa, onde se exige que os crist\u00e3os &#8220;tenham presen\u00e7a organizada nas v\u00e1rias frentes de resolu\u00e7\u00e3o de problemas e de abertura de horizontes&#8221;.  A respeito deste tema, o Bispo da Guarda saudou o &#8220;bom discurso&#8221; de Dur\u00e3o Barroso, presidente da Comiss\u00e3o Europeia, que assumiu a vontade de ter a colabora\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, abrindo portas para que o documento conclusivo referisse que &#8220;a Europa esteve representada ao mais alto n\u00edvel&#8221;.  <b>Presen\u00e7a portuguesa<\/b> Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a de crist\u00e3os do nosso pa\u00eds, D. Manuel Fel\u00edcio destaca a possibilidade que foi dada para apresentar &#8220;o trabalho realizado, sobretudo, ao longo do \u00faltimo ano&#8221;, devidamente ilustrado nos locais da AEE. A delega\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias Igrejas crist\u00e3s de Portugal teve ainda um encontro &#8220;formal&#8221;, onde se vincou o desejo de &#8220;continuar o trabalho, em especial junto das comunidades de base, n\u00e3o tanto com grandes confer\u00eancias ou reuni\u00f5es, procurando sensibilizar para o di\u00e1logo e a coopera\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica junto das comunidades&#8221;, com iniciativas concretas. D. Manuel Fel\u00edcio destacou, neste \u00e2mbito, que o &#8220;modelo de trabalho que se est\u00e1 a realizar no Porto \u00e9 inspirador para outras dioceses&#8221;.  A Pastora Eunice Alves, da Igreja Metodista, tamb\u00e9m destaca este encontro da delega\u00e7\u00e3o portuguesa como um grande momento vivido em Sibiu. &#8220;Foi um momento muito rico de partilha e de esbo\u00e7o de projectos para o futuro&#8221;, afirma.  Destes dias na Rom\u00e9nia, a Pastora metodista sublinha os compromissos assumidos no campo da &#8220;paz, da promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, a busca da unidade&#8221; entre os crist\u00e3os. Compromissos que &#8220;t\u00eam de ser postos em pr\u00e1tica a partir de agora, nos nossos contextos&#8221;.  <b>Superar dificuldades<\/b> Ao longo de cinco dias, cerca de 3 mil representantes de 350 Igrejas e comunidades crist\u00e3s estiveram a reflectir conjuntamente sobre o tema \u201cA luz de Cristo ilumina todos. Esperan\u00e7a de renova\u00e7\u00e3o e de unidade na Europa\u201d.  Sibiu assistiu a duas din\u00e2micas diferentes que se entrela\u00e7aram durante alguns momentos: por um lado os te\u00f3logos e peritos no ecumenismo, pessoas que se encontram regularmente e que assumem um consenso sobre a maior parte dos problemas teol\u00f3gicos; por outro lado, representantes de Igrejas que n\u00e3o est\u00e3o no centro do movimento ecum\u00e9nico &#8211; como a Igreja Ortodoxa da R\u00fassia ou algumas correntes da pr\u00f3pria Igreja romena-, e colocam em quest\u00e3o os consensos ecum\u00e9nicos, considerados compromissos perigosos.  Conhecidas as dez recomenda\u00e7\u00f5es que os participantes deixaram, no final dos trabalhos, sublinha-se a necessidade de identificar as experi\u00eancias que melhor podem servir a unidade dos crist\u00e3os, como as peregrina\u00e7\u00f5es ecum\u00e9nicas ou o estudo comum da teologia.  Num texto de quatro p\u00e1ginas, h\u00e1 poucas refer\u00eancias aos temas que dividem as igrejas crist\u00e3s: pede-se que se prossiga o debate sobre o reconhecimento m\u00fatuo do baptismo e que sejam organizadas mais iniciativas comuns.  No texto onde s\u00e3o vis\u00edveis outras preocupa\u00e7\u00f5es, que passam pela promo\u00e7\u00e3o dos direitos dos imigrantes e das minorias \u00e9tnicas na Europa, um forte apoio aos Objectivos do Mil\u00e9nio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para reduzir a pobreza no mundo, a regula\u00e7\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o e um compromisso ecol\u00f3gico, no contexto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas &#8211; uma esp\u00e9cie de Doutrina Social Ecum\u00e9nica que se come\u00e7a a desenhar.  Os participantes recomendam que se estude a &#8220;responsabilidade europeia pela justi\u00e7a ecol\u00f3gica, para enfrentar a amea\u00e7a da mudan\u00e7a clim\u00e1tica&#8221;. A declara\u00e7\u00e3o pede mesmo que se reserve o per\u00edodo de 1 de Setembro a 4 de Outubro para &#8220;a protec\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o de estilos de vida dur\u00e1veis&#8221;.  A mensagem final da AEE inclui declara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre os jovens, o &#8220;futuro do ecumenismo&#8221;. Esses mesmos jovens escreveram a sua mensagem, onde \u00e9 poss\u00edvel ler palavras-chave como unidade, testemunho, paz, justi\u00e7a, migra\u00e7\u00f5es ou ecologia &#8211; condensando o que foi o esp\u00edrito das discuss\u00f5es destes dias, na Rom\u00e9nia.  Uma cr\u00edtica muito dura \u00e9 endere\u00e7ada pelas novas gera\u00e7\u00f5es aos respons\u00e1veis eclesiais, pedindo que &#8220;deixem de competir entre si e comecem a viver verdadeiramente o Evangelho&#8221;, precisando que &#8220;n\u00e3o devemos testemunhar as din\u00e2micas de poder das nossas Igrejas, mas Cristo&#8221;.  \u00c0 imagem do que sucede no nosso pa\u00eds, \u00e9 entre as novas gera\u00e7\u00f5es que o dinamismo ecum\u00e9nico conhece novo desenvolvimentos, um pouco \u00e0 margem das quest\u00f5es institucionais, teol\u00f3gicas, morais e pastorais que provocam grandes fracturas. A diversidade de perspectivas sobre os v\u00e1rios temas, dentro das Igrejas e comunidades eclesiais, fazem com que haja pontos de acordo entre os que pertencem a Igrejas diferentes, mesmo quando afastados dos que fazem parte da sua mesma comunidade.  O desafio, deixado pelo pr\u00f3prio Bento XVI na mensagem que enviou aos participantes da AEE, passa por criar novos espa\u00e7os de encontro e de &#8220;confian\u00e7a rec\u00edproca&#8221;, na Europa, para superar divis\u00f5es seculares e dificuldades recentes, mas cada vez mais complexas.  <i>Foto: CCEE-CEC\/Ag. Siciliani<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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