{"id":26849,"date":"2007-09-10T11:05:11","date_gmt":"2007-09-10T11:05:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/10\/atrever-se-a-acreditar-na-familia-como-dom\/"},"modified":"2007-09-10T11:05:11","modified_gmt":"2007-09-10T11:05:11","slug":"atrever-se-a-acreditar-na-familia-como-dom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/atrever-se-a-acreditar-na-familia-como-dom\/","title":{"rendered":"Atrever-se a acreditar na fam\u00edlia como dom"},"content":{"rendered":"<p> Estamos a encerrar a peregrina\u00e7\u00e3o arciprestal ao Santu\u00e1rio da Penha. Devemos ter diante de n\u00f3s que a peregrina\u00e7\u00e3o deve ser momento para reflectir para partilhar o que vivemos. Peregrinar, reflectir, partilhar \u00e9 o trin\u00f3mio que tem norteado todas as peregrina\u00e7\u00f5es da Arquidiocese.  Peregrinando, estamos a aceitar que a Igreja \u00e9 o Povo de Deus em caminho n\u00e3o ao lado da hist\u00f3ria humana mas integrado nas vicissitudes dum mundo que nos envolve. N\u00e3o nos identificamos com o mundo mas estamos no mundo e, segundo o Evangelho de hoje, n\u00e3o para ser um ex\u00e9rcito declarando guerras e condenando quem vive dum modo diferente. Queremos construir uma torre, ou seja, algo vis\u00edvel e que possa mostrar com clarivid\u00eancia quem somos pondo, deste modo, em quest\u00e3o tantas outras maneiras de interpretar a vida.  Esta edifica\u00e7\u00e3o da torre exige muita reflex\u00e3o e pondera\u00e7\u00e3o. Os c\u00e1lculos nunca est\u00e3o efectuados. Necessitamos de os actualizar para que as intemp\u00e9ries n\u00e3o destruam quanto vamos edificando. N\u00e3o pensar pode ser sin\u00f3nimo de fracasso e desilus\u00e3o.  A peregrina\u00e7\u00e3o ao Santu\u00e1rio da Penha acontece, sempre, no in\u00edcio do Ano Pastoral. \u00c9 uma coincid\u00eancia feliz para que o arciprestado reinicie a caminhada dum novo ano pastoral em sintonia com a diocese e entre todas as comunidades. Sabemos que o Programa Pastoral n\u00e3o \u00e9 op\u00e7\u00e3o facultativa. \u00c9 algo normativo que os crist\u00e3os assim como as comunidades paroquiais e todas as institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas, nomeadamente as Irmandades, devem interpretar. Celebrar 60 anos da dedica\u00e7\u00e3o deste Santu\u00e1rio \u00e9 mais um motivo para dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria e tornar-mo-nos fi\u00e9is aos apelos da Igreja nos tempos que passam.  No itiner\u00e1rio delineado, de trabalho sobre a fam\u00edlia, este ano queremos recolher quanto semeamos durante dois anos para dar profundidade a uma pastoral familiar verdadeiramente interpelativa. Se os anos anteriores foram de alheamento ou sonol\u00eancia, infelizmente sei que \u00e9 isto que acontece em algumas comunidades, devemos aproveitar o tempo perdido e acreditar que ainda vamos a tempo. Assim o queiramos.  Temos diante de n\u00f3s um novo Programa sintetizado no lema: \u00abFam\u00edlia, dom e compromisso\u00bb. Que poder\u00e1 dizer isto aos casais e \u00e0s par\u00f3quias?  Ser\u00e1 de mais, junto da Senhora da Penha, pedir \u00e0s Fam\u00edlias crist\u00e3s que parem um pouco, se sentem para dialogar, efectuem um pouco de sil\u00eancio para ouvir que Deus, no meio de tanta confus\u00e3o comunicada por todos os meios e acreditar que a felicidade que as fam\u00edlias pretendem se encontra num dom que Ele e mais ningu\u00e9m quer fazer? Evidentemente que este dom suscita compromissos concretos que parecem anquilosados e doutras \u00e9pocas. As coisas de Deus n\u00e3o se demonstram nem passam pela publicidade. Vivem-se e quanto mais se interiorizam mais felicidade proporcionam. Car\u00edssimas fam\u00edlias, parai e acolhei o dom de Deus.  Tamb\u00e9m aqui, junto da Senhora, coloco todas as par\u00f3quias, em primeiro lugar do arciprestado de Guimar\u00e3es mas, em simult\u00e2neo, de toda a Arquidiocese e pe\u00e7o-lhes que n\u00e3o iniciem o ano entrando na corrente do sempre igual. Que ousem parar para, em comum, em Conselho Pastoral, e envolvendo todas as pessoas empenhadas, compreender o que importa realizar para que as fam\u00edlias todas, mesmo aquelas indiferentes, tenham o que \u00e9 necess\u00e1rio para compreender o dom que Deus \u00e9 para elas e empenhar-se em compromissos de quem acredita que o futuro da humanidade passa pela fam\u00edlia. Sabemos que as nossas fam\u00edlias navegam em \u00e1guas inquinadas de diversa proveni\u00eancia. Bastar\u00e1 refugiar-se numa pastoral do \u201csempre  o mesmo\u201d que j\u00e1 n\u00e3o convence ningu\u00e9m?  Pode parecer que as for\u00e7as adversas s\u00e3o superiores. A primeira leitura alerta para o essencial. \u00abQuem poder\u00e1 conhecer, Senhor, os Vossos des\u00edgnios, se V\u00f3s n\u00e3o lhe dais a Sabedoria e n\u00e3o lhe enviais o Vosso Esp\u00edrito\u00bb (Sab. Primeira leitura). Para deixar-se conduzir pela Sabedoria teremos de suscitar um encontro com a Palavra de Deus. Estamos, na verdade, a verificar, que na confus\u00e3o dum subjectivismo, muita gente est\u00e1 a descobrir a Palavra de Deus. Se muitos a desconsideram, muitos a procuram. S\u00e3o verdadeiras as palavras de Am\u00f3s: \u00abDias vir\u00e3o em que vou mandar a fome sobre o pa\u00eds: n\u00e3o ser\u00e1 fome de p\u00e3o nem sede de \u00e1gua, mas fome de ouvir a palavra de Deus\u00bb (Am\u00f3s 8,11). Sabemos que persiste a fome de p\u00e3o mas o mundo necessita &#8211; e come\u00e7a a manifest\u00e1-lo &#8211; da Palavra. \u00c9 esta que a comunidade deve anunciar e celebrar.  A condi\u00e7\u00e3o para que as fam\u00edlias acolham o dom de Deus est\u00e1 no compromisso duma Pastoral que oferece mais Palavra de Deus e menos moralismos. S\u00f3 a Palavra liberta e sugere caminhos de aut\u00eantica realiza\u00e7\u00e3o humana.  A Segunda  Leitura d\u00e1-nos um exemplo elucidativo. S. Paulo escreve a um seu disc\u00edpulo (Filemon) para que acolha o seu escravo que o tinha abandonado. N\u00e3o era costume e a lei condenava. S. Paulo ultrapassa os racioc\u00ednios humanos e pede que o receba \u00abcomo a mim pr\u00f3prio\u00bb pois ele, na f\u00e9, tornou-se \u00abirm\u00e3o muito querido\u00bb.  A mentalidade hodierna manifesta o crit\u00e9rio da defesa da dignidade pessoal em confronto com os outros. Vale o que \u201cpenso e quero\u201d e os outros devem submeter-se \u00e0 minha maneira de pensar e viver. Daqui surgem as viol\u00eancias dom\u00e9sticas, a autonomia dos filhos perante os pais, a emancipa\u00e7\u00e3o da mulher, a desconsidera\u00e7\u00e3o da vida a nascer. H\u00e1 f\u00f3rmulas de aut\u00eantica \u00abescravatura\u00bb camuflada em muitas fam\u00edlias. Atenuaram-se as apar\u00eancias e, em muitos casos, pretende-se impor a imagem de fam\u00edlias exemplares. Acontece, por\u00e9m, que a realidade \u00e9 totalmente diferente.  Se os crist\u00e3os forem capazes de seguir o conselho de S. Paulo o cen\u00e1rio amargo de muito sofrimento dentro de muitas casas desaparecia. Aqui est\u00e1 a for\u00e7a da Palavra de Deus. A comunidade familiar deve ser, efectivamente, esta conviv\u00eancia quotidiana entre pessoas que consideram os outros como \u00abirm\u00e3os muito queridos\u00bb a quem se faz ou deixa de fazer algo \u00abcomo a mim pr\u00f3prio\u00bb. Esta regra de ouro pode tornar as fam\u00edlias geradoras de felicidade.  \u00c9 esta a miss\u00e3o da Igreja. H\u00e1 aqui uma novidade desconhecida. Quase sempre ostentamos a bandeira das obriga\u00e7\u00f5es, com exig\u00eancias permanentes, e n\u00e3o pensamos naquilo que a comunidade paroquial deve proporcionar. H\u00e1 comunidades paroquiais que s\u00f3 esperam, quando deveriam ir ao encontro de todas as fam\u00edlias com iniciativas estimuladoras da viv\u00eancia da voca\u00e7\u00e3o matrimonial para este viver, na alegria, como \u201cirm\u00e3os muito queridos\u201d.  Se a fam\u00edlia \u00e9 um dom de Deus e deve tornar-se compromisso na Igreja e na Sociedade, a Igreja tem a obriga\u00e7\u00e3o de ser dom para a fam\u00edlia. Como o fazer? Maria, em Can\u00e1 da Galileia, mostrou um carinho e uma ternura muito grande por aquela fam\u00edlia. Que Ela suscite em todos os sacerdotes e em todos os crist\u00e3os empenhados, individualmente e em grupos, uma paix\u00e3o pela fam\u00edlia. A fam\u00edlia \u00e9 a torre a edificar pelas comunidades paroquiais. Como fazer? Paremos, reflictamos, troquemos ideias, respeitemos os ritmos de crescimento. O Esp\u00edrito suscitar\u00e1 as respostas oportunas a problemas candentes que teimamos em n\u00e3o querer ver. A lei de \u00abver-se\u00bb no outro \u00e9 o caminho a seguir. Sejamos int\u00e9rpretes dum Programa Pastoral que, sendo Arquidiocesano, deve encontrar caracteriza\u00e7\u00f5es em todas as par\u00f3quias.   N\u00e3o ser\u00e1 esta a melhor maneira de recordar quantos deram vida a este Santu\u00e1rio? Eu quero agradecer a todos, vivos ou falecidos, o amor pela Penha. Espero que o Santu\u00e1rio seja esta Torre esplendorosa a mostrar os dons de Deus e a suscitar compromissos para, atrav\u00e9s das fam\u00edlias, criarmos um mundo melhor.  Que N\u00aa. Sra. da Penha agrade\u00e7a a todos e nos d\u00ea for\u00e7a para continuar a construir uma Igreja, corpo de Cristo, vis\u00edvel.   Peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 Penha &#8211; 09\/09\/2007  <i>\u2020 Jorge Ortiga, A.P.    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos a encerrar a peregrina\u00e7\u00e3o arciprestal ao Santu\u00e1rio da Penha. Devemos ter diante de n\u00f3s que a peregrina\u00e7\u00e3o deve ser momento para reflectir para partilhar o que vivemos. Peregrinar, reflectir, partilhar \u00e9 o trin\u00f3mio que tem norteado todas as peregrina\u00e7\u00f5es da Arquidiocese. 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