{"id":26831,"date":"2007-09-08T13:33:07","date_gmt":"2007-09-08T13:33:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/08\/diferenca-e-igualdade-nas-ipss\/"},"modified":"2007-09-08T13:33:07","modified_gmt":"2007-09-08T13:33:07","slug":"diferenca-e-igualdade-nas-ipss","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/diferenca-e-igualdade-nas-ipss\/","title":{"rendered":"Diferen\u00e7a e igualdade nas IPSS"},"content":{"rendered":"<p>Discurso do presidente da CEP na abertura da XXIV Semana da Pastoral Social   <!--more--> A XXIV Semana da Pastoral Social tem uma tem\u00e1tica muito sugestiva e actual: \u201cIdentidade Crist\u00e3 das Institui\u00e7\u00f5es de Ac\u00e7\u00e3o Social da Igreja\u201d.  Referir \u201cIdentidade\u201d \u00e9, \u00e0 partida, sintom\u00e1tico. Reconhece-se algo de peculiar que pode distinguir de Institui\u00e7\u00f5es id\u00eanticas n\u00e3o como confronto mas complementariedade imprescind\u00edvel. N\u00e3o se trata de contentar-se com os par\u00e2metros comuns mas aceita-se, dum modo natural, uma diferen\u00e7a que o adjectivo \u201ccrist\u00e3\u201d sugere.  Num mundo dominado pelo pluralismo, este adjectivo pode parecer mais uma perspectiva que apenas distingue como quem usa um r\u00f3tulo ou um h\u00e1bito. S\u00f3 que o problema \u00e9 de ra\u00edzes mais profundas.  Com efeito, a diferen\u00e7a crist\u00e3 ultrapassa o mundo dos \u201cpropriet\u00e1rios\u201d e interpela para que no seu ser e agir expressem e testemunhem uma originalidade nascida duma \u201cBoa Nova\u201d que continua a imprimir um projecto claramente de \u00edndole cristol\u00f3gica, antropol\u00f3gica e eclesiol\u00f3gica.  Como enquadramento cristol\u00f3gico aponta-se para algo que n\u00e3o necessita de estar nos cart\u00f5es de apresenta\u00e7\u00e3o mas que deve transparecer dum modo inequ\u00edvoco nos servi\u00e7os prestados. Ser\u00e1 descontextualizado supor e esperar que os agentes operem em nome de Cristo e em favor da pessoa de Cristo? O sil\u00eancio do testemunho e a for\u00e7a do amor s\u00e3o mais eloquentes do que muitos slogans ou declara\u00e7\u00f5es de princ\u00edpios.  Como espa\u00e7os duma antropologia espec\u00edfica, o humanismo deve perpassar as atitudes quotidianas de quem sabe que s\u00f3 um humanismo integral, que harmoniza o material e o espiritual, consegue proporcionar condi\u00e7\u00f5es de felicidade aut\u00eantica. Reduzir a um destes aspectos pode tornar deficiente toda a ac\u00e7\u00e3o.  A eclesialidade tamb\u00e9m nunca pode ser colocada entre par\u00eantesis como algo de que nos envergonhamos. As institui\u00e7\u00f5es identificam-se por este cunho que n\u00e3o pode ser meramente estat\u00edstico permitindo que o sil\u00eancio desvirtue o seu verdadeiro car\u00e1cter.  A identidade crist\u00e3, estando nos princ\u00edpios dum consciente cristianismo, dum sadio humanismo e duma eclesilogia respons\u00e1vel, deve envolver o conhecimento dos utentes que sabem \u2013 e talvez esperem \u2013 que quem os est\u00e1 a servir ou a dirigir a institui\u00e7\u00e3o nunca pode disfar\u00e7ar ou desconsiderar um estilo caracter\u00edstico.  Bastar\u00e1 um profissionalismo competente numa qualidade fria dos servi\u00e7os prestados?  Ser\u00e1 ultrapassado ou desenquadrado da realidade social esperar das nossas Institui\u00e7\u00f5es esta identidade que diferencia? Poderemos contentar-nos com as exig\u00eancias das Entidades governamentais? Nunca nos ser\u00e1 permitido pautar o n\u00edvel das exig\u00eancias pelo m\u00ednimo ou encontrar artimanhas para esconder incompet\u00eancias ou fugas \u00e0s determina\u00e7\u00f5es oficiais. Acontece, por\u00e9m, que h\u00e1 um fio de ouro que atravessa o quotidiano e que marca indelevelmente o ADN das nossas Institui\u00e7\u00f5es.  O Santo Padre \u00e9 verdadeiramente elucidativo sobre o perfil espec\u00edfico da autenticidade caritativa da Igreja, na Enc\u00edclica \u201cDeus \u00e9 Amor\u201d. Espero que estes dias acolham este documento como uma refer\u00eancia imprescind\u00edvel. A\u00ed refere a import\u00e2ncia do compromisso da Igreja em manter \u201ctodo o esplendor desta ac\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o a dissolvendo na organiza\u00e7\u00e3o assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma\u201d (D.C.E. 31). Parece-me particularmente responsabilizante quando se dirige \u00e0queles \u201cque trabalham nas institui\u00e7\u00f5es caritativas da Igreja\u201d que, entre outras coisas, devem distinguir-se pela \u201cforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, \u201c\u00e9 preciso lev\u00e1-los \u00e0quele encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu \u00edntimo ao outro de tal modo que, para eles, o amor do pr\u00f3ximo j\u00e1 n\u00e3o seja um mandamento, por assim dizer, imposto de fora, mas uma consequ\u00eancia resultante da sua f\u00e9, que se torna operativa pelo amor (cf. Gl. 5, 6)\u201d.  \u201c\u00c9 dever das organiza\u00e7\u00f5es caritativas da Igreja refor\u00e7ar de tal modo esta consci\u00eancia nos seus membros, que estes, atrav\u00e9s do seu agir \u2013 como tamb\u00e9m do seu falar, do seu sil\u00eancio, do seu exemplo -, se tornem testemunhas cred\u00edveis de Cristo\u201d (D.C.E. 31).  Como interpela\u00e7\u00e3o e esquecendo muitos outros aspectos, direi que tudo deve ter uma origem: o amor como obra da f\u00e9. A f\u00e9 motiva e impulsiona; olhando para Cristo que amou em primeiro lugar, testemunharemos um amor que nunca pode ser mera filantropia, nem simples \u00e9tica fraterna ou mera concretiza\u00e7\u00e3o de programas estatais.  Trata-se duma obra da f\u00e9 (opus fidei), uma ac\u00e7\u00e3o nascida da ades\u00e3o a Cristo que se torna inspira\u00e7\u00e3o e for\u00e7a tornando-o poss\u00edvel e aut\u00eantico. A hist\u00f3ria da humanidade mostra que n\u00e3o se trata duma utopia.  Como manifesta\u00e7\u00e3o da f\u00e9, atrevo-me a referir que esta \u201cacontece\u201d na Igreja e sei que para agir em favor dos povos pode parecer n\u00e3o ser necess\u00e1rio fazer refer\u00eancia \u00e0 Igreja. Penso, por\u00e9m, que \u00e9 chegada a hora de perder a vergonha, presente na cultura dominante, de nos assumirmos como Igreja. Parece impor-se uma certa alergia a esta dimens\u00e3o. Sem complexos devemos mostrar esta marca que \u00e9 a raz\u00e3o da exist\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. Nesta dimens\u00e3o, valem se agem como Igreja e para ser \u201csinal\u201d da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria que a mesma Igreja deve ter diante de si. Sendo Igreja, devem tornar-se \u201cSacramento\u201d, ou seja, um meio que nunca se arvora em fim, o que afasta qualquer ideia de superioridade ou autoridade. S\u00e3o como tantas outras mas com uma matriz que as diferencia.  Gostaria de rezar para que estas Jornadas se tornem um ponto de partida, na reflex\u00e3o e na ac\u00e7\u00e3o, para integrar as I.P.S.S. da Igreja no seu verdadeiro lugar e com uma identidade muito pr\u00f3pria. Para exigir um reconhecimento legal na linha de poder usufruir de contributos iguais, nunca deveremos renunciar ao que nos deveria distinguir. Saibamos ouvir a voz do Esp\u00edrito e abracemos a coragem de caminhar pelos Seus itiner\u00e1rios. O mundo saber\u00e1 agradecer-nos com o reconhecimento e Deus recompensar\u00e1 pela fidelidade, situada nas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas onde a compet\u00eancia e profissionalismo provocam uma excel\u00eancia poder\u00e1 exigir algo que mais ningu\u00e9m tem capacidade de oferecer.  Bons trabalhos e melhores resultados para bem das nossas comunidades.   <i>+ Jorge Ortiga, Presidente da C.E.P. e A. Primaz   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso do presidente da CEP na abertura da XXIV Semana da Pastoral Social<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[282],"class_list":["post-26831","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-pastoral-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26831\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}