{"id":268298,"date":"2023-01-22T09:30:27","date_gmt":"2023-01-22T09:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=268298"},"modified":"2023-01-20T10:06:20","modified_gmt":"2023-01-20T10:06:20","slug":"sociedade-e-necessario-que-os-poderes-instituidos-tenham-capacidade-para-distribuir-a-riqueza-de-outra-maneira-americo-monteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sociedade-e-necessario-que-os-poderes-instituidos-tenham-capacidade-para-distribuir-a-riqueza-de-outra-maneira-americo-monteiro\/","title":{"rendered":"Sociedade: \u00ab\u00c9 necess\u00e1rio que os poderes institu\u00eddos tenham capacidade para distribuir a riqueza de outra maneira\u00bb &#8211; Am\u00e9rico Monteiro"},"content":{"rendered":"<p><em>A Confer\u00eancia Anual da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz colocou em di\u00e1logo empres\u00e1rios e trabalhadores crist\u00e3os na defesa de \u201csal\u00e1rios justos contra a pobreza\u201d. Am\u00e9rico Monteiro, da Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica (LOC -MTC), que apresentou a vis\u00e3o dos trabalhadores, \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia.<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268301\" aria-describedby=\"caption-attachment-268301\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-268301 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia3-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-268301\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A realidade que estamos a viver, em que se acentua o custo de vida, com uma infla\u00e7\u00e3o muito elevada, torna ainda mais urgente a discuss\u00e3o dos sal\u00e1rios?<\/em><\/p>\n<p>Torna se urgente pela discuss\u00e3o que se est\u00e1 a ter. A discuss\u00e3o tem decorrido \u00e9 que todos perderemos todos perderemos poder de compra\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 o que diz o ministro das Finan\u00e7as\u2026<\/em><\/p>\n<p>Ele far\u00e1 as suas an\u00e1lises, mas \u00e9 o \u00f3bvio, \u00e9 evidente que qualquer aumento que n\u00e3o supere os 8% \u00e9 perda de poder de compra.<\/p>\n<p>Aqui coloca-se uma preocupa\u00e7\u00e3o: da pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia vem a indica\u00e7\u00e3o de que os sal\u00e1rios poderiam subir um bocadinho mais do aquilo que o Governo est\u00e1 a pensar fazer. Isso exige muita reflex\u00e3o, muita discuss\u00e3o, porque noutros anos, em que as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram m\u00e1s, em termos de infla\u00e7\u00e3o, os trabalhadores, a maioria dos trabalhadores, tiveram aumentos inferiores \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Ora, com a infla\u00e7\u00e3o a este n\u00edvel e a perda de sal\u00e1rios que foi decorrendo durante os anos de crise que vivemos, tem de se pensar nisto de uma outra forma. A exig\u00eancia tem de ser maior, \u00e9 evidente. ETodas as institui\u00e7\u00f5es, todos os poderes, t\u00eam de olhar para isto de forma a corresponder \u00e0quilo que s\u00e3o as exig\u00eancias do momento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o justo seria um aumento da ordem dos 8%?<\/em><\/p>\n<p>Acima dos 8%, porventura por perdas havidas em anos anteriores, deveria ser mais \u00e0 volta dos 10%. Isto para equilibrar aquilo que os trabalhadores &#8211; aqueles que t\u00eam vencimentos e que trabalham \u2013 t\u00eam perdido ao longo dos anos. Num ano t\u00e3o duro como este, convinha haver alguma melhoria e n\u00e3o s\u00f3 a atualiza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o s\u00f3 perto da atualiza\u00e7\u00e3o. E parece-me que estamos um pouco longe da atualiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o que \u00e9 que \u00e9 um sal\u00e1rio justo perante a realidade que aponta para uma percentagem da ordem dos 30% de pessoas com contrato de trabalho e que vivem na pobreza?<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 outra quest\u00e3o. Mais do que os sal\u00e1rios, n\u00f3s vivemos numa sociedade muito injusta e, portanto, como todas as entidades sabem &#8211; e como a nossa entidade mais alta, o Papa Francisco, nos diz &#8211; \u00e9 preciso uma distribui\u00e7\u00e3o da riqueza mais concreta. N\u00f3s n\u00e3o podemos estar a analisar os custos do sal\u00e1rio hoje, numa empresa, aos mesmos n\u00edveis de h\u00e1 20 ou 30 anos, que era um outro tipo de realidade, em que as empresas tinham muito mais m\u00e3o de obra, etc.<\/p>\n<p>Temos de nos atualizar na reflex\u00e3o e ver que hoje as coisas evolu\u00edram muito, \u00e9 preciso que a riqueza seja mais bem distribu\u00edda. O grande chav\u00e3o \u00e9 1% da popula\u00e7\u00e3o no mundo tem quase 80% da riqueza do mundo\u2026 \u00e9 um chav\u00e3o e \u00e9 uma realidade, infelizmente, que devia ser combatida por quem tem poder para isso, colocando determinado tipo de impostos, de exig\u00eancias, para que a distribui\u00e7\u00e3o fosse maior. Mas \u00e9 verdade que nas pr\u00f3prias sociedades, em cada pa\u00eds por si s\u00f3, as diferen\u00e7as tamb\u00e9m s\u00e3o gritantes. \u00c9 necess\u00e1rio que os poderes institu\u00eddos tenham capacidade para distribuir a riqueza de outra maneira. H\u00e1 tantos projetos, tantas din\u00e2micas a\u00ed pelo pa\u00eds, dinheiro a ser investido, etc. \u00c9 necess\u00e1rio, quando se trabalha isso, que se exija que mais dinheiro chegue a quem trabalha, para que os trabalhadores, toda a popula\u00e7\u00e3o, tenham uma vida mais digna e mais compat\u00edvel com os tempos de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Sal\u00e1rio M\u00ednimo Nacional \u00e9 agora de 760 euros, mais 55 do que em 2022. \u00c9 um passo para ajudar a superar a pobreza em que muitos trabalhadores se encontram?<\/em><\/p>\n<p>O sal\u00e1rio m\u00ednimo nos \u00faltimos anos tem dado um bom salto. H\u00e1 que reconhecer isso. Sabemos que os estudos feitos, por parte do Estado, \u00e0quilo que \u00e9 o rendimento que tira as pessoas da pobreza \u00e9 muito inferior \u00e0quilo que deveria ser o real. O rendimento que deveria ter cada trabalhador teria de ser um pouco superior ao sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, para que o n\u00edvel de pobreza baixasse bastante no nosso pa\u00eds. H\u00e1 que reconhecer que o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional tem puxado os sal\u00e1rios mais baixos para cima, mas n\u00f3s temos um problema muito grave em Portugal, que \u00e9 a escassez de negocia\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>Os trabalhadores que n\u00e3o est\u00e3o enquadrados no sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional e na contrata\u00e7\u00e3o coletiva, que cada vez s\u00e3o mais &#8211; os trabalhadores qualificados, os trabalhadores com uma carreira nas empresas -, est\u00e3o a ganhar sal\u00e1rios muit\u00edssimo baixos. Ora, se n\u00e3o h\u00e1 negocia\u00e7\u00e3o coletiva, que \u00e9 o que passa acima do sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, quer dizer que s\u00f3 o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional n\u00e3o chega\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 bom para os que t\u00eam os sal\u00e1rios mais baixos, para os que est\u00e3o a come\u00e7ar as suas profiss\u00f5es t\u00eam dado alguma ajuda de atualiza\u00e7\u00e3o, mas ao n\u00edvel da negocia\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, mais com as entidades patronais e as entidades at\u00e9 do pr\u00f3prio Estado, que negoceiam os contratos coletivos de trabalho, isso n\u00e3o tem funcionado. Tem sido uma percentagem muito baixa de negocia\u00e7\u00e3o, de contrata\u00e7\u00e3o coletiva, e por valores muito baixos, uma vez que a disponibilidade para negociar melhores condi\u00e7\u00f5es tem sido muito fraca no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ou seja, estamos a ter ou deixar de ter uma esp\u00e9cie de sal\u00e1rio m\u00e9dio em Portugal. E recordo que, por exemplo, dados da Seguran\u00e7a Social de Outubro passado dizem que mais de 2 milh\u00f5es de trabalhadores ganhavam em outubro at\u00e9 800 euros\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim. A quest\u00e3o \u00e9 essa: quer dizer que metade dos trabalhadores por conta de outrem em Portugal ganham um sal\u00e1rio at\u00e9 800 euros. Na situa\u00e7\u00e3o de custo de vida que temos, da habita\u00e7\u00e3o, da alimenta\u00e7\u00e3o, do salto que estas coisas deram, \u00e9 um sal\u00e1rio muito baixo. E isso acontece porque, nos espa\u00e7os onde deveria haver negocia\u00e7\u00e3o, digamos, para aproximar esses sal\u00e1rios ou puxar os sal\u00e1rios para outros n\u00edveis, n\u00e3o tem havido disponibilidade, n\u00e3o tem havido acordos. Mesmo os acordos que t\u00eam existido trouxeram alguma regress\u00e3o de direitos, de condi\u00e7\u00f5es de trabalho, etc., que nos tempos de hoje j\u00e1 n\u00e3o deveriam estar a acontecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso faz-se atrav\u00e9s de mais negocia\u00e7\u00e3o coletiva\u2026<\/em><\/p>\n<p>Tem de ser, s\u00f3 pode ser atrav\u00e9s disso. N\u00e3o tem l\u00f3gica estar a ser por imposi\u00e7\u00e3o, por decreto-lei. Isso n\u00e3o se faz acima do sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, portanto, tem de haver vontade do lado das entidades patronais. Tem de haver reflex\u00e3o para que atualizemos hoje o valor que as empresas t\u00eam de atribuir ao fator trabalho, porque os tempos s\u00e3o outros, as empresas t\u00eam muito menos trabalhadores a produzir muito mais, a dar muito mais rendimento. Ora, tem de haver melhores sal\u00e1rios para que quem est\u00e1 no local de trabalho se sinta motivado, interessado, para levar tamb\u00e9m as empresas para a frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os \u00faltimos dados dizem-nos que a emigra\u00e7\u00e3o de portugueses para o estrangeiro regrediu um pouco, relativamente ao que vinha acontecendo. Perante esta situa\u00e7\u00e3o, e se n\u00e3o houver essa melhoria salarial, receia que volte a aumentar o n\u00famero de emigrantes na procura de mais conforto?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos que hoje o tipo de emigra\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 muito diferente do de h\u00e1 alguns anos. S\u00e3o pessoas qualificadas no ensino portugu\u00eas, e em especial ensino p\u00fablico, que depois v\u00e3o dar os seus conhecimentos noutro pa\u00eds, \u00e0s vezes em condi\u00e7\u00f5es inferiores \u00e0s dos naturais desses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Sabemos que, na Europa e por outros s\u00edtios no mundo, a quest\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um problema de falta de reconhecimento, de igualdade com as pessoas. Mas apesar de tudo, em termos de valores de sal\u00e1rios, justifica esse esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>\u00c9 normal que tenha baixado, por v\u00e1rias raz\u00f5es. Hoje, o desafio \u00e9 para que se aplique a sabedoria, os conhecimentos, no pr\u00f3prio pa\u00eds, mas \u00e9 evidente que as pessoas t\u00eam aspira\u00e7\u00f5es a n\u00edveis de vida que depois n\u00e3o conseguem e, portanto, v\u00e3o dar esses contributos para outros pa\u00edses. Por essas raz\u00f5es econ\u00f3micas ou, em especial, por raz\u00f5es econ\u00f3micas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_268299\" aria-describedby=\"caption-attachment-268299\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268299\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/americo-monteiro-ecclesia1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-268299\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Por estes dias assistimos \u00e0 luta dos professores por melhores condi\u00e7\u00f5es. E n\u00e3o est\u00e1 em causa apenas a quest\u00e3o salarial. O protesto envolve tamb\u00e9m as carreiras e as condi\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o. Que exemplo precisamos do Estado empregador, para a realidade das empresas?<\/em><\/p>\n<p>Aquilo que, para mim, \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o maior, de facto, \u00e9 a efetiva\u00e7\u00e3o das pessoas. Um oper\u00e1rio quase n\u00e3o compreende como \u00e9 que um professor pode estar 10, 15 anos, todos os anos, sem saber para onde vai dar aulas e a ir para locais do pa\u00eds distantes do seu local de resid\u00eancia, deixar filhos deixar o seu c\u00f4njuge.<\/p>\n<p>Claro que, dos sal\u00e1rios, todos nos queixamos. Numa altura destas, com o n\u00edvel de vida, de custo de vida que temos, mas h\u00e1 outras condi\u00e7\u00f5es em que era necess\u00e1rio dar a volta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>quilo que nos diz leva-nos ao cerne da pergunta que \u00e9: como \u00e9 que o Estado disp\u00f5e de pessoas que est\u00e3o ao seu servi\u00e7o como se fossem quase pe\u00e7as dispens\u00e1veis, que vai escolhendo conforme as necessidades? <\/em><\/p>\n<p>O problema \u00e9 que isso \u00e9 uma pr\u00e1tica de que nos lembramos desde sempre. Por que \u00e9 que isso n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o melhor ou n\u00e3o tem, por exemplo, maior rapidez na aproxima\u00e7\u00e3o das pessoas do seu local de resid\u00eancia? Noutros tempos isso acontecia, mas o avan\u00e7o da sua carreira levava a que, com alguma rapidez, alguns anos se aproximasse do seu local de resid\u00eancia.<\/p>\n<p>Hoje isso n\u00e3o acontece porque se fica uma, duas dezenas de anos como prec\u00e1rio, como a ver o que \u00e9 que vai sair a seguir. E isso, de fato \u00e9 um assunto s\u00e9rio e preocupante. Conhe\u00e7o pessoas que fazem a experi\u00eancia de dar um ano de aulas onde sejam colocados e, depois, chegam ao fim do ano, notam que lhe cresceram os filhos longe, que perderam o espa\u00e7o de afetividade, de conv\u00edvio, que a vida assim n\u00e3o \u00e9 vida de futuro e t\u00eam de prescindir de trabalhar, pelo menos nessa \u00e1rea. E, portanto, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a quest\u00e3o dos sal\u00e1rios, h\u00e1 outras quest\u00f5es que s\u00e3o exigentes e que merecem preocupa\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Continuando agora nesta tem\u00e1tica e at\u00e9 olhando para outras profiss\u00f5es, gostava de o confrontar com uma outra assimetria que se vive no pa\u00eds, onde um trabalhador numa determinada regi\u00e3o tem um sal\u00e1rio superior a outro de uma outra regi\u00e3o, e por outro lado com a disparidade cada vez mais acentuada dos sal\u00e1rios\u2026. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m da LOC?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o, mas desde muito jovem que, estudando sobre isso ou procurando, n\u00f3s sabemos que, consoante a regi\u00e3o em que se vive, se podem ter melhores condi\u00e7\u00f5es ou menos condi\u00e7\u00f5es. H\u00e1 setores, h\u00e1 regi\u00f5es que t\u00eam outro tipo de compensa\u00e7\u00e3o pelo esfor\u00e7o, porventura pelos trabalhos mais t\u00e9cnicos, produ\u00e7\u00f5es muito mais rent\u00e1veis, e permitem outros n\u00edveis de vida. Eu cheguei a trabalhar numa empresa que teve 5 mil trabalhadores. Hoje essa empresa produz muito mais, com cerca de mil trabalhadores. Quem gere estas empresas n\u00e3o pode estar a pensar, que nestas condi\u00e7\u00f5es, se continue a aplicar s\u00f3 no valor do trabalho, em termos de sal\u00e1rios, cerca de 14, 15%. Porventura \u00e9 preciso repartir melhor. Para n\u00e3o serem s\u00f3 os acionistas a ganhar fortunas com este tipo de empresas.<\/p>\n<p>No fundo, quando \u00e9 para o lado dos trabalhadores, que s\u00e3o quem produz os bens, n\u00e3o vem o rendimento suficiente e justo. Essas coisas t\u00eam de mudar. Sabemos tamb\u00e9m que em Portugal h\u00e1 a realidade das micro e pequenas empresas, que s\u00e3o em grande maioria, e \u00e9 preciso tamb\u00e9m criar condi\u00e7\u00f5es para que estas empresas sejam vi\u00e1veis, tenham condi\u00e7\u00f5es de rendimento, para que os trabalhadores n\u00e3o sejam t\u00e3o diferenciados daqueles que trabalham em sectores mais produtivos, mais bem pagos, etc.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A LOC est\u00e1 atenta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o muito prec\u00e1ria de muitos trabalhadores migrantes. \u00c9 esta economia mata como bem alerta o Papa Francisco. Ou \u00e9 uma das economias que mata? <\/em><\/p>\n<p>Eu dizia estes dias, numa conversa, que infelizmente n\u00f3s n\u00e3o temos a influ\u00eancia, a proximidade que gostar\u00edamos de ter com os trabalhadores migrantes que est\u00e3o no nosso pa\u00eds e que, de facto, sofrem situa\u00e7\u00f5es muito complicadas. Ultimamente, tivemos a hist\u00f3ria de muitos timorenses que vieram e que depois v\u00e3o para zonas de produ\u00e7\u00e3o intensiva agr\u00edcola e que acabam os trabalhos sazonais e ficam, digamos, perdidos numa terra que n\u00e3o conhecem, sem rendimentos, etc.<\/p>\n<p>Portanto, o que n\u00f3s achamos \u00e9 que deve haver exig\u00eancia junto de quem recorre a esse tipo de trabalhadores. Para n\u00f3s s\u00e3o trabalhadores como os portugueses e devem ter os mesmos direitos, devem ser considerados como tal. E se os empregos s\u00e3o sazonais, tem de haver outras compensa\u00e7\u00f5es que ultrapassem isso.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que n\u00f3s consideramos que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por haver falta de trabalhadores que se v\u00e3o buscar esses trabalhadores. \u00c9 porque s\u00e3o mais baratos. \u00c9 porque trabalham mais tempo em piores condi\u00e7\u00f5es, menos exigentes\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>T\u00eam menos consci\u00eancia dos seus direitos, eventualmente&#8230;. <\/em><\/p>\n<p>E t\u00eam menos poder de reivindica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 a enquadrar a quest\u00e3o numa esp\u00e9cie &#8220;escravatura&#8221;? <\/em><\/p>\n<p>Podemos dizer assim. N\u00f3s sabemos que a escravatura destes tempos n\u00e3o s\u00e3o a escravatura de h\u00e1 100 anos, n\u00e3o \u00e9? Mas n\u00e3o deixa de ser um tipo de explora\u00e7\u00e3o que hoje n\u00e3o \u00e9 conceb\u00edvel. N\u00e3o se pode aceitar.<\/p>\n<p>Os trabalhadores que v\u00eam \u2013 muitos, n\u00f3s sabemos, atrav\u00e9s de redes de angaria\u00e7\u00e3o destes trabalhadores que lhes ret\u00eam os passaportes &#8211; est\u00e3o sem liberdade de circula\u00e7\u00e3o, est\u00e3o a pagar a obriga\u00e7\u00f5es que se comprometeram com os passadores que os trouxeram do estrangeiro, e isso sim \u00e9 a escravatura de hoje. Porque quando um trabalhador n\u00e3o tem a sua liberdade, n\u00e3o tem as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas dignas e neste caso na habita\u00e7\u00e3o, etc., pois n\u00f3s sabemos o que tem acontecido&#8230;. isso \u00e9 um tipo de escravatura que nenhum pa\u00eds deve aceitar que ocorra. E, portanto, deve preocupar se com isso. A LOC preocupa-se com essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 importante esta confer\u00eancia que houve no s\u00e1bado, que juntou v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas &#8211; Justi\u00e7a e Paz, LOC, os empres\u00e1rios e gestores, entre outras &#8211; seja um momento que ajude a assumir um compromisso comum, que ajude a dignificar ainda mais o trabalho? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma confer\u00eancia anual da Comiss\u00e3o Nacional de Justi\u00e7a e Paz, mas como membro do compromisso social-crist\u00e3o, que \u00e9 um grupo de organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas crist\u00e3s que se re\u00fanem de forma peri\u00f3dica para falar das quest\u00f5es sociais e do trabalho, fomos desafiados a participar e a fazer parte desta confer\u00eancia conjunta. Resultou um manifesto, que vai ser divulgado de seguida, que deixa algumas linhas de compromisso e de desafio, junto destas problem\u00e1ticas de que temos estado a falar: das migra\u00e7\u00f5es, dos sal\u00e1rios baixos e, at\u00e9, dos contributos para as institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social &#8211; que, sendo contributos \u00e0s vezes baixos por parte do Estado, tamb\u00e9m dificultam depois que os sal\u00e1rios sejam melhores. As pessoas cuidadoras de gente, que passaram uma vida de trabalho depois, \u00e0s vezes continuam a ganhar sal\u00e1rios muito baixos, a ter uma situa\u00e7\u00e3o de vida muito complicada. E, portanto, este desafio de discutirmos o sal\u00e1rio justo contra a pobreza \u00e9 o nosso contributo das organiza\u00e7\u00f5es da Igreja como desafio a que todas as \u00e1reas da sociedade se preocupem com a quest\u00e3o dos sal\u00e1rios justos, mas tamb\u00e9m da disparidade de sal\u00e1rios. Esse problema tamb\u00e9m surge. Havendo tanta gente a ganhar sal\u00e1rios baixos, havendo pessoas a ganhar sal\u00e1rios que n\u00e3o s\u00e3o aceit\u00e1veis pela diferen\u00e7a nos dias de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 importante que o discurso pol\u00edtico de quem diz representar o pensamento cat\u00f3lico seja mais centrado nas preocupa\u00e7\u00f5es sociais e de combate \u00e0 pobreza, assumindo os problemas dos mais necessitados em vez de diabolizar, tantas vezes, quem \u00e9 pobre? <\/em><\/p>\n<p>Eu acho que tem raz\u00e3o na pergunta. E n\u00f3s, como membros da Igreja, como movimento de Igreja, temos esta preocupa\u00e7\u00e3o, que chamo aqui \u00e0 li\u00e7a em termos de discuss\u00e3o. No pr\u00f3prio S\u00ednodo, que est\u00e1 a decorrer e a preparar-se, as quest\u00f5es laborais quase n\u00e3o aparecem. Agora, no documento ao n\u00edvel Continental, n\u00e3o aparece. E \u00e0s vezes refletimos e tentamos colocar essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3pria Igreja, nas suas din\u00e2micas normais os trabalhadores est\u00e3o muito afastados. Afastados da participa\u00e7\u00e3o, das din\u00e2micas da Igreja. E depois na participa\u00e7\u00e3o, como qualquer outra pessoa. Para n\u00f3s \u00e9 um desafio grande que a Igreja acolha estas preocupa\u00e7\u00f5es das pessoas, por profiss\u00f5es. \u00c9 nossa preocupa\u00e7\u00e3o que a vida das pessoas passe pelas quest\u00f5es da pr\u00f3pria Igreja e que, a partir da viv\u00eancia de cada um, as preocupa\u00e7\u00f5es da Igreja em responder, em ajudar a refletir e levar as pessoas ao discernimento de uma vida em busca de melhores valores, em busca de proximidade, de solidariedade, de respeito pelo outro, etc. Isto passar\u00e1 muito por cativarmos as pessoas atrav\u00e9s das suas circunst\u00e2ncias. E, portanto, a Igreja deveria acolher, atender e preocupar-se mais com este tipo de realidades, com a quest\u00e3o do trabalho. A Igreja institui\u00e7\u00e3o, mas atrav\u00e9s dos seus membros dos quais a LOC faz parte. N\u00f3s n\u00e3o consideramos que somos pouco ouvidos. Consideramos que a nossa mensagem passa pouco. Dentro das coisas da Igreja, nas din\u00e2micas da Igreja e na sociedade tamb\u00e9m n\u00e3o passa tanto como isso. N\u00e3o \u00e9 nada de novo, n\u00e3o \u00e9 nada de fora. \u00c9 uma din\u00e2mica com um processo, um m\u00e9todo pr\u00f3prio de trabalho que leva \u00e0 consciencializa\u00e7\u00e3o de cada um para assumir o seu compromisso de vida. Na vida familiar, na vida do trabalho, na vida da Igreja, na vida social, dar o seu contributo como crist\u00e3o para pela transforma\u00e7\u00e3o do mundo. \u00c9 o nosso esfor\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Confer\u00eancia Anual da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz colocou em di\u00e1logo empres\u00e1rios e trabalhadores crist\u00e3os na defesa de \u201csal\u00e1rios justos contra a pobreza\u201d. Am\u00e9rico Monteiro, da Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica (LOC -MTC), que apresentou a vis\u00e3o dos trabalhadores, \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":268301,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[247],"class_list":["post-268298","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-loc-mtc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=268298"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268298\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268301"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=268298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=268298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=268298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}