{"id":268284,"date":"2023-01-20T09:00:04","date_gmt":"2023-01-20T09:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=268284"},"modified":"2023-01-19T17:52:00","modified_gmt":"2023-01-19T17:52:00","slug":"redescobrir-o-tesouro-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/redescobrir-o-tesouro-da-fe\/","title":{"rendered":"Redescobrir o tesouro da f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-268285 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Vagueava eu, um dia, pela bonita biblioteca do Semin\u00e1rio Maior do Porto, \u00e0 procura de um novo livro que me oferecesse mais umas boas horas de agrad\u00e1vel leitura, e, sem querer, chega-me \u00e0s m\u00e3os \u00abIntrodu\u00e7\u00e3o ao Cristianismo\u00bb, do agora falecido Papa Bento XVI, vers\u00e3o brasileira, editado em 1968. \u00c9 uma sorte termos entre m\u00e3os o livro certo para o momento certo da vida. Recomendo-o vivamente a todos os crist\u00e3os. Com a clareza e a profundidade de um proeminente te\u00f3logo e um fecundo pensador, o Papa Bento XVI (ent\u00e3o Professor Ratzinger) reflete sobre os contornos e ambiguidades de ser crente e faz uma apresenta\u00e7\u00e3o geral do Cristianismo, defendendo a razoabilidade e riqueza do conte\u00fado e da viv\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3, que n\u00e3o nos deixa indiferentes.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do livro, mais concretamente no pref\u00e1cio da primeira edi\u00e7\u00e3o e na introdu\u00e7\u00e3o, O Papa Bento XVI conta duas hist\u00f3rias simples, de que se serviu para refletir sobre o valor da f\u00e9 e da dif\u00edcil condi\u00e7\u00e3o de ser crente. A primeira hist\u00f3ria \u00e9 a do \u00abJo\u00e3ozinho feliz\u00bb, uma boa par\u00e1bola daquilo que muitos crentes cat\u00f3licos t\u00eam feito da f\u00e9 nos \u00faltimos anos e que outros poder\u00e3o fazer ou n\u00e3o. Jo\u00e3ozinho tinha ganho uma barra de ouro com o seu esfor\u00e7o e trabalho. Achando que ela era demasiado pesada e inc\u00f3moda, troco-a primeiro por um cavalo, depois trocou o cavalo por uma vaca, a vaca por um ganso e o ganso por uma pedra de amolar. Como esta lhe pareceu insignificante e de pouco valor, acabou por lan\u00e7\u00e1-la ao rio. Livre de tudo, achou que, finalmente, tinha ganho o dom precioso da liberdade completa. Nem se deu conta de que teve um tesouro nas m\u00e3os e de troca em troca acabou por deit\u00e1-lo fora. Agora era livre, mas n\u00e3o tinha nada. E era livre para qu\u00ea? Era ilusoriamente livre e o que o esperava agora era viver no vazio.<\/p>\n<p>Muitos crist\u00e3os cat\u00f3licos, por vezes, olham para a f\u00e9 crist\u00e3 como um conjunto de princ\u00edpios e valores demasiado pesado e inc\u00f3modo, que em vez de ajudar a ser livre e apontar o verdadeiro caminho para uma vida totalmente realizada, pelo contr\u00e1rio, retira a liberdade e asfixia a vida. Possivelmente, tudo seria bem melhor sem a \u00absubmiss\u00e3o\u00bb \u00e0 f\u00e9. Talvez esta convic\u00e7\u00e3o tenha nascido devido a um discurso moralista e regrador que a Igreja hier\u00e1rquica adotou durante muitos anos. A impress\u00e3o, sem d\u00favida errada, que impera na sociedade \u00e9 que a religi\u00e3o ou a f\u00e9 \u00e9 um conjunto de mandamentos, regras e proibi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o \u00abimpostas\u00bb aos fi\u00e9is. Logo, a vida \u00e9 muito mais interessante e agrad\u00e1vel sem o jugo e o fardo dos c\u00f3digos religiosos. O que se fez ent\u00e3o? Sem terem descoberto a beleza e a grandeza da f\u00e9 que t\u00eam e fortemente influenciados pela mentalidade dominante, que teima em alimentar um debate enviesado e ex\u00edguo \u00e0 volta da religi\u00e3o, muitos cat\u00f3licos v\u00e3o cedendo \u00e0 imprud\u00eancia de reinterpretar a sua f\u00e9, ano ap\u00f3s ano, at\u00e9 chegarem a um m\u00ednimo essencial, que mais n\u00e3o \u00e9 que um cristianismo light, feito \u00e0 medida das conveni\u00eancias, necessidades e apetites de cada um. Sem se darem conta est\u00e3o na fase da pedra de amolar. N\u00e3o demorar\u00e1 muito, at\u00e9 daquela \u00abr\u00e9stia\u00bb de f\u00e9 v\u00e3o abdicar, afirmando com ar solene que \u00abj\u00e1 se deixaram dessa coisa da Igreja e da religi\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Quem nunca descobriu um tesouro, como a f\u00e9 \u00e9, nunca o defender\u00e1 e lhe dar\u00e1 o devido valor. Este \u00e9 o problema de muitos cat\u00f3licos. Por for\u00e7a de v\u00e1rios fatores, dos quais destacaria um percurso catequ\u00e9tico titubeante e deficit\u00e1rio e influ\u00eancia do discurso p\u00f3s-moderno sobre temas da doutrina da Igreja Cat\u00f3lica, colocados de forma descontextualizada em rela\u00e7\u00e3o ao todo da mensagem crist\u00e3, nunca chegaram ao \u00e2mago do conte\u00fado e da viv\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3, assente numa rela\u00e7\u00e3o viva com Jesus Cristo vivo e ressuscitado, caminho, verdade e vida. Quem descobre este tesouro valioso e o partilha com os outros, dificilmente abdica dele.<\/p>\n<p>Espero sinceramente que a pr\u00f3xima Jornada Mundial da Juventude, mais do que colecionar mais uma experi\u00eancia para o curr\u00edculo religioso, mais do que um grande evento ou um grande encontro \u00edmpar, para o qual j\u00e1 estamos a caminhar com os motores a todo o vapor, sirva, sobretudo, para os jovens redescobrirem a beleza e o tesouro de ouro da f\u00e9, a import\u00e2ncia de se viver de Deus e com Deus, que nos torna livres e realizados como pessoas humanas, e se tornem verdadeiramente presen\u00e7a de Cristo e da Igreja em todas as realidades que os envolvem e ambientes que frequentam, e protagonistas de uma humanidade tecida pelos valores do Evangelho. A Jornada ser\u00e1 para muitos jovens um ponto de chegada de um ano vivido com muita intensidade, mas tem de ser, sobretudo, o ponto de partida para a renova\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do mundo, que bem precisa de mudan\u00e7as e de esperan\u00e7a, e os jovens cat\u00f3licos, com os outros tamb\u00e9m, t\u00eam de ser a for\u00e7a dessas mudan\u00e7as e dessa esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-268284","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=268284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268284\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=268284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=268284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=268284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}