{"id":268277,"date":"2023-01-19T17:43:26","date_gmt":"2023-01-19T17:43:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=268277"},"modified":"2023-01-19T17:45:30","modified_gmt":"2023-01-19T17:45:30","slug":"a-cruz-escondida-216","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-216\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Maryamu, uma jovem crist\u00e3 prisioneira do Boko Haram na Nig\u00e9ria<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-268280\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Maryamu-Joseph-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Nove anos de terror<\/strong><\/p>\n<p>Esteve em cativeiro numa floresta no norte da Nig\u00e9ria. Maryamu Joseph tem hoje 16 anos, mas era ainda uma crian\u00e7a quando foi levada da sua aldeia, Bazza, por terroristas do Boko Haram. Raptada em 2014, aos 7 anos, Maryamu passou todo este tempo num verdadeiro inferno no acampamento dos jihadistas na floresta de Sambisa. Conseguiu fugir e aceitou, agora, partilhar as dolorosas mem\u00f3rias desses nove anos de terror\u2026<\/p>\n<p>Maryamu Joseph teve coragem para contar a sua hist\u00f3ria. As palavras que disse a Patience Ibile, da Funda\u00e7\u00e3o AIS, s\u00e3o um testemunho poderoso que nos ajuda a compreender melhor a amea\u00e7a brutal que paira sobre os Crist\u00e3os na Nig\u00e9ria, mas muito particularmente no norte do pa\u00eds. Maryamu foi raptada, violentada, passou nove anos em cativeiro at\u00e9 que conseguiu fugir. Est\u00e1 agora a tentar recuperar das experi\u00eancias dram\u00e1ticas que foi for\u00e7ada a testemunhar, como o assassinato brutal de um dos seus irm\u00e3os, decapitado \u00e0 sua frente. Maryamu Joseph est\u00e1 em tratamento no Centro Traum\u00e1tico da Diocese de Maiduguri, constru\u00eddo com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o AIS e que se destina a ajudar quem passou por experi\u00eancias de stress p\u00f3s-traum\u00e1tico. \u201cO Boko Haram atacou a minha comunidade em Fevereiro de 2013\u201d, recorda Patience. \u201cLevaram 22 de n\u00f3s para uma floresta densa e caminh\u00e1mos durante 22 dias antes de chegarmos ao destino. Colocaram os crist\u00e3os em jaulas, como animais\u201d, explica na sua l\u00edngua materna, hausa. \u201cA primeira coisa que fizeram foi converter-nos \u00e0 for\u00e7a ao Isl\u00e3o. Mudaram o meu nome para Aisha, um nome mu\u00e7ulmano, e avisaram-nos para n\u00e3o rezarmos como crist\u00e3os, ou ser\u00edamos mortos. Quando fiz 10 anos, queriam casar-me com um dos chefes, mas recusei. Como castigo, trancaram-me numa jaula durante um ano inteiro. Traziam comida uma vez por dia e passavam-na por debaixo da porta, sem nunca abrirem a jaula.\u201d<\/p>\n<p><strong>Longo pesadelo<\/strong><\/p>\n<p>Todo o relato \u00e9 assim, de uma crueza imensa, como quando a jovem crist\u00e3, hoje com 16 anos de idade, lembra o dia, em Novembro de 2019, em que os terroristas capturaram tamb\u00e9m dois dos seus irm\u00e3os e os levaram para o acampamento onde ela se encontrava. \u201cS\u00f3 Deus sabe como eu me senti quando os vi. Eles pegaram num dos meus irm\u00e3os e mataram-no mesmo diante dos meus olhos. Trataram o corpo do meu irm\u00e3o tal como uma galinha antes de ser cozinhada. Fiquei devastada. Disse a mim mesma: \u2018Quem ser\u00e1 o pr\u00f3ximo?\u2019 Uns dias depois comecei a ter pesadelos, comecei a alucinar\u2026\u201d Mas o pesadelo haveria de acabar. Foi h\u00e1 seis meses, no dia 8 de Julho, quando, aproveitando um momento de distra\u00e7\u00e3o, conseguiu fugir com mais uma d\u00fazia de companheiros de infort\u00fanio. Conseguiram chegar a Maiduguri e foram levados para um acampamento da Igreja. Agora, \u00e9 preciso de recome\u00e7ar. A experi\u00eancia no Centro de Traumatologia est\u00e1 a ser muito importante para este processo. Um caminho que est\u00e1 a ser feito lentamente e que tem vindo a trazer a jovem Maryamu Joseph de regresso ao Cristianismo, de regresso a casa. \u201cA primeira coisa que fizeram foi rezar por mim e encorajar-me a voltar \u00e0 minha f\u00e9. Estou feliz por regressar ao Cristianismo. Desde que regressei a Maiduguri, a dor diminuiu. Espero que, com o tempo, Deus me ajude a superar a amargura e a abra\u00e7ar a paz.\u201d A hist\u00f3ria de Maryamu faz recordar a de Leah Sharibu, uma jovem crist\u00e3 em cativeiro do Boko Haram desde o dia 19 de Fevereiro de 2018. Nesse dia, Leah foi raptada juntamente com cerca de uma centena de colegas da sua escola em Dapchi. A sua hist\u00f3ria \u00e9 tamb\u00e9m extraordin\u00e1ria e emblem\u00e1tica. Poucos dias ap\u00f3s o ataque \u00e0 escola, todas as outras raparigas foram libertadas menos ela. Leah Sharibu, ent\u00e3o com 15 anos de idade, recusou renunciar ao Cristianismo, como os terroristas exigiam. Teve a coragem de continuar em cativeiro para permanecer fiel \u00e0 sua religi\u00e3o. Apesar de todos os apelos, nomeadamente dos seus pais e de institui\u00e7\u00f5es como a Funda\u00e7\u00e3o AIS, esta jovem crist\u00e3 continua ref\u00e9m do Boko Haram.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | <a href=\"www.fundacao-ais.pt\">www.fundacao-ais.pt<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maryamu, uma jovem crist\u00e3 prisioneira do Boko Haram na Nig\u00e9ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-268277","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=268277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268277\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=268277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=268277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=268277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}