{"id":267844,"date":"2023-01-16T10:30:11","date_gmt":"2023-01-16T10:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=267844"},"modified":"2023-01-16T10:34:26","modified_gmt":"2023-01-16T10:34:26","slug":"homilia-de-entrada-de-d-armando-esteves-na-diocese-de-angra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-entrada-de-d-armando-esteves-na-diocese-de-angra\/","title":{"rendered":"Homilia de entrada de D. Armando Esteves na diocese de Angra"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><em>1. &#8220;Se me erguer nas asas da aurora \/ e for viver para al\u00e9m do mar,<\/em> <em>tamb\u00e9m ali a Tua m\u00e3o descer\u00e1 sobre mim \/ e a Tua direita me segurar\u00e1.&#8221; (Salmo 139) <\/em><\/p>\n<p>1. Com esta mesma confian\u00e7a e em ora\u00e7\u00e3o como o salmista, me dirijo a v\u00f3s, irm\u00e3os e amigos a\u00e7orianos! Na minha primeira palavra como Bispo da diocese de Angra, deixo um agradecimento a Deus por mais esta prova do Seu Amor para comigo. Venho completamente livre e com a mesma alegria e disponibilidade do primeiro \u201csim\u201d, dado j\u00e1 na juventude. Perceber a vontade de Deus \u00e9 uma gra\u00e7a e torna tudo simples! N\u00e3o venho repetir o j\u00e1 feito porque Deus \u00e9 sempre novo! Envio daqui um abra\u00e7o fraterno a <strong>todo o Povo a\u00e7oriano<\/strong> deste maravilhoso arquip\u00e9lago, t\u00e3o aprimoradamente desenhado pelo Criador, bem como a todos esses aut\u00eanticos mission\u00e1rios da f\u00e9, da cultura e dos costumes que s\u00e3o <strong>os a\u00e7orianos da di\u00e1spora<\/strong>. Quero manifestar a minha proximidade a quem sofre: os doentes, os fr\u00e1geis e todos os que sofrem sem esperan\u00e7a. Confio-os ao Senhor<strong>. A todos os jovens <\/strong>deixo, em ano de Jornada Mundial da Juventude, o maior abra\u00e7o, amigo e pr\u00f3ximo, com votos de um grande ano para a juventude. Oxal\u00e1 se fa\u00e7a ouvir por todo o lado, um grito novo e jovem, um <strong>grito de esperan\u00e7a!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sa\u00fado e agrade\u00e7o<\/strong> a todos os aqui presentes. Sa\u00fado e agrade\u00e7o a Sua Excel\u00eancia Reverend\u00edssima o Sr. D. Ivo Scapolo, nosso N\u00fancio Apost\u00f3lico, a quem pe\u00e7o que fa\u00e7a chegar ao Santo Padre a garantia da minha ora\u00e7\u00e3o, unidade e fidelidade; ao Sr. D. Jos\u00e9 Ornelas, Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, ao Sr. D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa e metropolita da Prov\u00edncia Eclesi\u00e1stica a que pertencemos, ao Sr. D. Manuel Linda, bispo do Porto e seus auxiliares, tamb\u00e9m aqui presentes e de quem me despe\u00e7o hoje com gratid\u00e3o e amizade, D. Jo\u00e3o Lavrador, meu antecessor, aqui presente e tamb\u00e9m ele, antes, auxiliar do Porto, ao Sr. D. Antonino bispo de Portalegre\/Castelo Branco, ao Sr. D. Ant\u00f3nio Luciano meu bispo em Viseu e todos os outros meus car\u00edssimos irm\u00e3os bispos. A vossa presen\u00e7a \u00e9 para mim de grande \u00e2nimo. Obrigado.\u00a0 Sa\u00fado e agrade\u00e7o ao Sr. C\u00f3nego H\u00e9lder Mendes, at\u00e9 agora Administrador Diocesano, bem como a TODOS, mesmo todos, os que, com ele e em sede vacante, continuaram fielmente a servir a diocese, at\u00e9 ao mais humilde servidor nas comunidades eclesiais. Sa\u00fado os cl\u00e9rigos, consagrados, e todos os leigos que s\u00e3o sinal de esperan\u00e7a no mundo. Agrade\u00e7o aos muitos amigos vindos da par\u00f3quia do Viso e ao seu p\u00e1roco, os vindos de Viseu e do Porto. Um abra\u00e7o especial aos meus familiares presentes.<\/p>\n<p>Dos <strong>39 bispos<\/strong> que ajudaram a fazer a hist\u00f3ria da Igreja nesta Regi\u00e3o, agora Aut\u00f3noma, destaco D. Jos\u00e9 Pedro da Silva que me ordenou padre em 1982. Era natural da Ilha de S. Jorge e foi meu bispo de Viseu. Por fim, lembro D. Jo\u00e3o Maria Pimentel, 28\u00ba Bispo de Angra meu conterr\u00e2neo de Oleiros (\u00e9 um risco para os A\u00e7ores um bispo ser natural de Oleiros!!! Os \u00fanicos 2, aqui foram bispos) Aproveito para saudar o P. Luis, ali p\u00e1roco e outros conterr\u00e2neos aqui presentes\u2026.<\/p>\n<p>2. N\u00e3o menos importante, pelo contr\u00e1rio, sinto-me muito honrado e sa\u00fado o Sr. Dr. Luis Garcia, Presidente da Assembleia <strong>Legislativa dos A\u00e7ores<\/strong>, o Sr, Dr. Jos\u00e9 Manuel Bolieiro, Presidente do Governo Regional dos A\u00e7ores e todos os membros do seu Governo; o Sr. Embaixador Pedro Catarino, representante da Rep\u00fablica para os A\u00e7ores, o sr Presidente da C\u00e2mara de Angra do Hero\u00edsmo, outros presidentes de C\u00e2mara e todos os membros do poder local, das for\u00e7as armadas e de seguran\u00e7a, da pol\u00edtica, da economia, do setor social ou da justi\u00e7a, do mundo acad\u00e9mico, da sa\u00fade, da comunica\u00e7\u00e3o social, empresarial, cultural, associativo, desportivo e do mundo das artes\u2026 quanto precisamos de artistas que pintem a beleza de Deus e das suas criaturas!!!<\/p>\n<p>Iremos conhecer-nos, se Deus quiser! Podeis contar comigo sempre \u201c<em>da melhor vontade\u201d,<\/em> como dizem os nossos escuteiros mais novos, os Lobitos.<\/p>\n<p><strong>Na hist\u00f3ria dos A\u00e7ores<\/strong> que tenho estado a revisitar, lida tamb\u00e9m na vida de figuras ilustres aqui nascidas ou nos livros de autores a\u00e7orianos, tenho descoberto a alma deste povo a\u00e7oriano e da sua forma de ser e estar, da sua a\u00e7orianidade, para usar um termo t\u00e3o caro a Vitorino Nem\u00e9sio. Encanta-me e d\u00e1-me esperan\u00e7a a marca de gente genuinamente boa e simp\u00e1tica, t\u00e3o apreciada por quem aqui chega, mas ao mesmo tempo, t\u00e3o corajosa e resiliente que nem as for\u00e7as incontrol\u00e1veis vindas do interior da terra ou do mais secreto do mar alguma vez venceram. Descubro uma inigual\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o com a terra, o mar e o C\u00e9u. Aqui sente-se que a f\u00e9 \u00e9 constitutiva da vida, dos costumes e da hist\u00f3ria e que, sem ela, os A\u00e7ores n\u00e3o seriam o que s\u00e3o. diz Raul Brand\u00e3o no seu livro, \u2018<em>As Ilhas Desconhecidas\u2019<\/em>: <em>\u201co povo sente como eu o terror sagrado do mar e s\u00f3 h\u00e1 uma coisa a fazer, \u00e9 a gente entregar-se&#8230;\u201d.<\/em> De facto nestas terras nascidas do ventre perigoso, mas rico, do mar, sente-se que Deus \u00e9 de casa, \u00e9 da fam\u00edlia, est\u00e1 nos perigos como na festa, explica-se Amor na solidariedade com o pr\u00f3ximo, basta ver a devo\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito Santo, ou Misericordioso nos fracassos e pecados na piedade cr\u00edstica do Senhor Santo Cristo ou Bom Jesus dos Milagres. \u00c9 um Deus que dan\u00e7a com todos e at\u00e9 d\u00e1 p\u00e3o a todos, pela m\u00e3o de irm\u00e3os, mesmo que estes fiquem de m\u00e3os e arcas vazias!<\/p>\n<p>Quanto a aprender e replicar\u2026<\/p>\n<p><strong>3. Ajuda-nos o Evangelho <\/strong>de hoje que fala de Jo\u00e3o Batista e do in\u00edcio da vida p\u00fablica de Jesus. Muitos pintaram esta cena com Jo\u00e3o Batista de indicador a apontar para Jesus. S\u00f3 Ele era digno de ser seguido, dele vinha a salva\u00e7\u00e3o. A miss\u00e3o de Jo\u00e3o \u00e9 hoje a nossa: aprontar e apontar caminhos por onde Jesus passe para gerar homens novos para novos tempos. Vivemos numa \u00e9poca que mudou, com institui\u00e7\u00f5es todas elas postas \u00e0 prova, tamb\u00e9m a Igreja e a fam\u00edlia, onde at\u00e9 a pr\u00f3pria antropologia busca novos termos. O Evangelho interpela-nos: como \u201cestender a passadeira\u201d a Jesus para que o Evangelho se torne a mais poderosa mensagem da hist\u00f3ria de hoje? Podemos apontar a Eucaristia e Sacramentos, a caridade fraterna, o perd\u00e3o, etc., mas vejamos: depois que os disc\u00edpulos deixaram Jo\u00e3o batista e passaram a seguir Jesus, os cegos come\u00e7avam a ver, os coxos a caminhar\u2026 A presen\u00e7a de Jesus a caminhar no meio do Povo de Deus que somos todos n\u00f3s trar\u00e1 a mesma esperan\u00e7a de ent\u00e3o, os mesmos milagres aos nossos limites e trevas. Estas origens precisam ser revisitadas!<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 o mesmo <strong>Cordeiro de Deus<\/strong> que tira o pecado e o mal do mundo apontado por Jo\u00e3o. Precisamos aprender com o momento culminante da sua miss\u00e3o quando, na cruz, substitui o grito de pecadores e de todos os que sofrem: \u201cPai porque me abandonaste?\u201d. Se Deus pode derrubar os poderosos de seus tronos como cantou Maria, precisamos pedir-Lhe que nos ensine a derrubar os \u201cpobres\u201d suspensos na mesma cruz de Cristo e p\u00f4-los a caminhar connosco, a evangelizar-nos! \u00c9 nestas feridas que nos podemos encontrar de facto todos, como uma \u00fanica fam\u00edlia humana. A Igreja \u00e9, desde sempre, laborat\u00f3rio do Reino, escola de fraternidade. Ent\u00e3o a mensagem crist\u00e3 n\u00e3o pode ser uma t\u00e9cnica para fazer pessoas boazinhas, foi e \u00e9 uma investida de Deus na hist\u00f3ria dos homens para os despertar das suas trevas e entusiasmar pela Luz que brilha\u2026 Precisamos, para bem deste nosso belo planeta, deixar Cristo \u00e0 solta no meio dos homens.<\/p>\n<p><strong>4. Prioridades?<\/strong> Tenho algumas: as vossas. Podia falar da pobreza, cultura e forma\u00e7\u00e3o, das voca\u00e7\u00f5es, da comunh\u00e3o, da participa\u00e7\u00e3o de todos, etc\u2026 Mas, tamb\u00e9m eu, como a Igreja, n\u00e3o posso nem quero ser centro ou caminhar s\u00f3. O centro \u00e9 s\u00f3 Cristo. Assim, sublinho 3 que j\u00e1 est\u00e3o na agenda da diocese:<\/p>\n<p><strong><em>a) Acolhimento e valoriza\u00e7\u00e3o das pessoas<\/em><\/strong><em>.<\/em> Estive aqui h\u00e1 36 anos. As impress\u00f5es s\u00e3o todas boas, venho sem preconceitos, nem os quero ter. Em primeiro lugar, est\u00e3o as pessoas. Em Igreja, n\u00e3o h\u00e1 desconhecidos, h\u00e1 irm\u00e3os. \u00c9 natural querer conhecer-vos e dar-me a conhecer, pois esta \u00e9 a base da evangeliza\u00e7\u00e3o e de qualquer progresso: sem rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o se avan\u00e7a. Acolher, escutar respeitosamente, descobrir a riqueza que h\u00e1 em quem pensa de forma diferente, animar a todos, trabalhem ou n\u00e3o connosco, sejam mais ou menos crentes. Gostaria de poder cumprir ao dizer que <strong>a comunica\u00e7\u00e3o, a minha porta e cora\u00e7\u00e3o estar\u00e3o sempre abertos para todos<\/strong>: cl\u00e9rigos ou leigos, mais ricos ou pobres, mais idosos ou jovens. \u00c9 conveniente telefonar antes! Seja na casa episcopal ou em qualquer casa em outras ilhas. Que n\u00e3o se diga que o bispo est\u00e1 muito ocupado.<\/p>\n<p>Convido cada um a <strong>cuidar dos membros dos seus grupos<\/strong> eclesiais ou outros, mas sempre com o olhar no mundo \u00e0 vossa volta, nunca fechados! Oxal\u00e1 cada um ou cada uma possa descobrir a sua pr\u00f3pria riqueza, aquele dom espec\u00edfico que Deus deu a cada um. O bem maior que podemos fazer aos outros n\u00e3o \u00e9 o de lhes comunicar a nossa riqueza, mas despertar as suas. Ajudemos a que todos se sintam felizes no que fazem e o fa\u00e7am o melhor poss\u00edvel. Algu\u00e9m dizia que \u201cas capacidades murcham com as cr\u00edticas e florescem com os incentivos\u201d. Desde que venham do cora\u00e7\u00e3o, acrescentaria eu. Envolvei-vos como fam\u00edlias e chamai fam\u00edlias. N\u00e3o h\u00e1 c\u00e9lula mais sinodal que a fam\u00edlia e, delas, podemos aprender melhor o que seja \u201ccaminhar juntos\u201d! Atrevo-me a dizer: nada sem a fam\u00edlia. Nada sem as \u201cigrejas dom\u00e9sticas\u201d! A evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser feita apenas por uns poucos s\u00e1bios, mas por todos os batizados. Os membros da fam\u00edlia perceber\u00e3o porventura melhor o clamor dos que pedem melhor acolhimento, que n\u00e3o sejam julgados ou at\u00e9 rejeitados. Saber\u00e3o como integrar os de op\u00e7\u00f5es diferentes, as novas fam\u00edlias, os divorciados, etc.,\u00a0 Dizia Bento XVI: \u201c<em>N\u00e3o somos um produto casual e sem sentido. Cada um de n\u00f3s \u00e9 o fruto de um pensamento de Deus. Cada um de n\u00f3s \u00e9 querido, cada um de n\u00f3s \u00e9 amado, cada um \u00e9 necess\u00e1rio\u201d.\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><strong><em>b) \u00c9 segunda prioridade o S\u00ednodo 2023\/24 que aqui j\u00e1 fez caminho. <\/em><\/strong>A sinodalidade n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica nova, mas uma experi\u00eancia de reciprocidade, onde a diversidade \u00e9 riqueza, a partilha de sonhos uma necessidade e a unidade um milagre. \u00c9 por isso que o Esp\u00edrito Santo \u00e9 o grande protagonista da sinodalidade e s\u00f3 Ele nos pode levar a perceber o que Deus tem a dizer de novo \u00e0 Igreja. Dar-lhe-emos continuidade, n\u00e3o tanto pelos resultados, mas pela experi\u00eancia que faremos, caminhando juntos. \u201cO S\u00ednodo de 2023 e 2024 n\u00e3o \u00e9 para produzir documentos, mas para suscitar sonhos\u2026\u201d, diz o Papa Francisco. Numa Igreja sinodal o estilo \u00e9 j\u00e1 evangeliza\u00e7\u00e3o e a comunh\u00e3o, como dizia j\u00e1 a Novo Millennio Ineunte, o &#8220;princ\u00edpio educativo&#8221; das comunidades crist\u00e3s. Nesta escola, a vida da Igreja ser\u00e1 mais participada por todos, menos clerical e mais capaz de compreender e dialogar com as novas culturas.<\/p>\n<p><strong><em>c) A terceira prioridade ser\u00e3o os jovens e a <\/em>Jornada Mundial da Juventude<\/strong>. Ela ser\u00e1 uma oportunidade para um exerc\u00edcio pr\u00e1tico do di\u00e1logo entre a Igreja e a sociedade civil. A Jornada Mundial da Juventude \u00e9 de todos, \u00e9 de um pa\u00eds que vai acolher a maior manifesta\u00e7\u00e3o mundial de juventude depois do in\u00edcio da COVID 19. Teremos jovens de todo o mundo em casa. Nenhum jovem a\u00e7oriano dever\u00e1 ficar de fora a ver passar os avi\u00f5es ou os navios e n\u00e3o falo apenas dos ligados \u00e0s par\u00f3quias ou Movimentos. Todos t\u00eam lugar e voz! <strong>A tudo o que tenha a ver com Jovens ou Jornada Mundial da Juventude, darei prioridade na minha agenda deste ano<\/strong>. Gostaria de participar da vossa agenda e caminhar convosco, car\u00edssimos jovens. Solicito aos padres, religiosos, animadores, dirigentes do CNE e outros Movimentos juvenis que tudo fa\u00e7am para se prepararem com os jovens e caminharem juntos at\u00e9 Lisboa. Que regresseis depois e nos ajudeis a construir um futuro convosco. Que esta seja uma prioridade evangelizadora, pois n\u00e3o h\u00e1 renova\u00e7\u00e3o na Igreja nem na sociedade, sem o protagonismo dos jovens. Nunca digamos que eles n\u00e3o sabem ou n\u00e3o querem\u2026 caminhemos com eles!<\/p>\n<p>5. Finalmente, convido todos a fazer seu <strong>o sonho do Papa Francisco<\/strong> para a Igreja. Come\u00e7aremos em breve a preparar a celebra\u00e7\u00e3o dos 500 anos da nossa Diocese. Que Igreja queremos daqui a 10 anos? O Papa sonha uma Igreja Povo de Deus a caminho, mission\u00e1ria porque toda ela em sa\u00edda, que n\u00e3o se desgaste a falar para dentro, a preocupar-se apenas e sempre com os mesmos, mas fale para fora, at\u00e9 aos afastados e descrentes, e diga apenas o<strong> Evangelho<\/strong>. Sonhemos juntos para esta nossa diocese a <strong>Igreja da Esperan\u00e7a<\/strong>, capaz de galvanizar a todos, descentrada de si pr\u00f3pria, em cada grupo formal ou informal, confraria, associa\u00e7\u00e3o, movimento ou outro. A Igreja nas suas express\u00f5es, n\u00e3o existe para si pr\u00f3pria. Se a Igreja \u00e9 a nossa casa, o irm\u00e3o \u00e9 a nossa voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Escolhi como meu <strong>Lema episcopal:<\/strong> \u201c<strong>Eis a tua m\u00e3e\u201d!<\/strong> O Cordeiro de Deus de que fal\u00e1mos, na cruz, torna-se o \u00fanico Bom Pastor e modelo para todos os pastores, porque d\u00e1 ensina a dar a vida pelos seus, at\u00e9 ao fim. Ao lado da cruz, Jesus v\u00ea Jo\u00e3o com Maria e diz-lhe: \u201cEis a tua M\u00e3e\u201d. Jo\u00e3o, ap\u00f3stolo e bispo, representa, com Maria, todo o povo novo nascido da P\u00e1scoa de Jesus: hierarquia e carisma! Numa Igreja Povo de Deus, sinodalidade e minist\u00e9rio episcopal pertencem igualmente \u00e0 natureza da Igreja. Car\u00edssimos padres, \u00e9 com este modelo de Pastor e com a capacidade geradora desta M\u00e3e &#8211; que \u00e9 Maria e \u00e9 a Igreja &#8211; que gostaria de construir convosco um presbit\u00e9rio unido, criativo e capaz de gerar vida e atrair vidas renovadas. Um presbit\u00e9rio de homens de esperan\u00e7a e n\u00e3o acomodados e menos ainda desanimados. Os irm\u00e3os, ao servi\u00e7o de quem Deus nos coloca, precisam que sejamos os primeiros a viver por amor e a servir por amor cada mulher e homem. Que sejamos os primeiros a testemunhar, por experi\u00eancia feita, que o nosso Deus \u00e9 um Deus de Amor e n\u00e3o deixa ningu\u00e9m de fora. \u00c9 f\u00e1cil ensinar mais dif\u00edcil viver o que se ensina. Pe\u00e7amos \u00e0 M\u00e3e do C\u00e9u que, com a sua prote\u00e7\u00e3o materna, a nossa igreja diocesana seja uma m\u00e3e para todos.<\/p>\n<p>Tenho consci\u00eancia que Ser bispo \u00e9 miss\u00e3o bem maior que as minhas capacidades. Por isso, <strong>confio-me e confio a Diocese <\/strong>a Nossa Senhora, M\u00e3e e Rainha dos A\u00e7ores, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos padroeiros S\u00e3o Salvador do Mundo, ao Beato Jo\u00e3o Batista Machado e \u00e0 vossa ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Termino:<\/strong> Quando, do outro lado do mar, ainda no Porto, falava dos A\u00e7ores, comecei a dizer, como piada: \u00c9 j\u00e1 ali do outro lado da rua, desta rua de \u00e1gua. Agora, que j\u00e1 aqui estou, no outro lado da rua, confesso-me mais completo! Este \u201coutro lado da rua\u201d sois v\u00f3s e sou j\u00e1 eu! Sair de um lugar ou de n\u00f3s pr\u00f3prios \u00e9 sempre ficar mais rico!<\/p>\n<p><em>Missa da Entrada Solene do 40\u00ba Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues<br \/>\n<\/em><em>Angra do Hero\u00edsmo, 15 de janeiro de 2023 <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":267808,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[169],"class_list":["post-267844","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-angra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=267844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267844\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/267808"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=267844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=267844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=267844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}