{"id":267730,"date":"2023-01-15T13:44:19","date_gmt":"2023-01-15T13:44:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=267730"},"modified":"2023-01-15T13:44:19","modified_gmt":"2023-01-15T13:44:19","slug":"unidade-e-colaboracao-sem-subserviencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/unidade-e-colaboracao-sem-subserviencia\/","title":{"rendered":"Unidade e colabora\u00e7\u00e3o sem subservi\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-184289 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cLavai-vos, purificai-vos\u201d porque \u201cas vossas m\u00e3os est\u00e3o cheias de sangue\u201d. Este \u00e9 o apelo de Isa\u00edas ao povo de Jud\u00e1 no s\u00e9culo oitavo antes de Cristo (Is 1, 15.16). Este continua a ser o apelo a matraquilhar na empedernida caixa timp\u00e2nica dos nossos tempos. Infelizmente, e apesar do desenvolvimento da ci\u00eancia e do progresso civilizacional, os ouvidos humanos est\u00e3o cada vez mais duros e surdos: o martelo, a bigorna, o estribo, a trompa de Eust\u00e1quio e companhia foram-se \u00e0s malvas, moucaram, entupidos que est\u00e3o com a infind\u00e1vel cera das tropelias! Tantos gritos dolorosos de gente espezinhada, perseguida, refugiada, maltratada e morta por m\u00e3os cuidadas por especializadas manicures e ensanguentadas com o sangue dos fr\u00e1geis e inocentes que n\u00e3o lhes merecem aten\u00e7\u00e3o. O preconceito racial, as ideologias t\u00f3xicas, a mania das superioridades, os fundamentalismos fan\u00e1ticos que matam em nome de Deus, a indiferen\u00e7a perante o sofrimento de uns e a prepot\u00eancia de outros, os imperialismos doentios, a ilus\u00e3o das linhagens e das grandezas, tudo isso e o que mais for reclama capacidade para desmontar sistemas de opress\u00e3o, defender a justi\u00e7a, promover a fraternidade.<\/p>\n<p>No tempo de Isa\u00edas, o reino de Jud\u00e1 vive uma \u00e9poca de grande prosperidade econ\u00f3mica e independ\u00eancia pol\u00edtica, tem uma atividade religiosa intensa, realiza festas grandiosas, tem culto pomposo nos santu\u00e1rios. Tudo parece correr \u00e0s mil maravilhas e de vento em popa, mas tudo mascara uma situa\u00e7\u00e3o bem diferente na ordem social e espiritual. Reinavam as injusti\u00e7as, a arbitrariedade dos ju\u00edzes, a corrup\u00e7\u00e3o das autoridades, a cobi\u00e7a dos grandes propriet\u00e1rios, a opress\u00e3o dos governantes, a seguran\u00e7a dos ricos que ofereciam sacrif\u00edcios no templo e rejeitavam os pobres como se a riqueza fosse uma b\u00ean\u00e7\u00e3o e a pobreza um castigo. Eivada por este ambiente, a religi\u00e3o torna-se formal e ritual, entrela\u00e7ada entre o poder civil e religioso sem que algu\u00e9m se levante a denunciar o mal-estar e a iniquidade existentes. Esta triste situa\u00e7\u00e3o agrava-se com o reaparecimento de uma grande pot\u00eancia, a Ass\u00edria, que pressiona Israel e Jud\u00e1 para serem seus vassalos. O profeta Isa\u00edas enche-se de brios, tira as m\u00e3os dos bolsos, pega no \u2018megafone\u2019 e sai-lhes a caminho. Denuncia a hipocrisia reinante, denuncia a oferta de sacrif\u00edcios faustosos no templo enquanto se oprime o pobre, denuncia as m\u00e1s estruturas pol\u00edticas, sociais e religiosas, insurge-se contra os l\u00edderes corruptos, defende os desfavorecidos, condena a alian\u00e7a com as grande pot\u00eancias, combate os \u00eddolos presentes na sociedade, enra\u00edza o direito e a justi\u00e7a exclusivamente em Deus, mostra que a na\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 salva se permanecer fiel a Deus e ao seu projeto que tem a justi\u00e7a como valor supremo.<\/p>\n<p>Hoje, a coragem prof\u00e9tica \u00e9 agulha no palheiro, \u00e9 coisa da qual estamos muito pobres. Apesar do bem que t\u00eam feito, as Igrejas crist\u00e3s \u201cem muitas partes do mundo, percebem como se acomodaram diante de normas sociais e como se calaram e foram c\u00famplices no que diz respeito \u00e0 injusti\u00e7a social\u201d. Criaram divis\u00f5es entre si, divis\u00f5es que, embora em processo de aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 unidade, ainda t\u00eam dificuldade em descer das suas raz\u00f5es e se abrirem a Cristo que deu a vida e reza para que todos sejam um, como Ele e o Pai s\u00e3o um (Jo 17, 20-24). Apesar deste dinamismo das Igrejas crist\u00e3s, apesar desta mudan\u00e7a, embora lenta, de mentalidades e vontades, ainda h\u00e1 quem corra e se canse optando pelo dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0quela que conduz \u00e0 meta. Por a\u00ed \u00e9 que ningu\u00e9m vencer\u00e1! Se as Igrejas t\u00eam o dever de cumprir as leis justas e colaborar na constru\u00e7\u00e3o do bem comum, n\u00e3o podem viver subservientes ao poder reinante seja ele qual for. Cada um no seu lugar e na sua miss\u00e3o. Por estes dias, fomos espectadores de um presidente mui religioso, numa sozinha e aparente serenidade de meter d\u00f3, com direito a um pontifical s\u00f3 para si, com um l\u00edder religioso conivente na pomposidade desse culto, mas ambos de m\u00e3os orgulhosamente sujas de sangue apostados que est\u00e3o na destrui\u00e7\u00e3o de um povo, de irm\u00e3os! Conforme a entrevista ao jornal Corriere della Sera, o Papa Francisco ter\u00e1 dito ao l\u00edder religioso de Moscovo: \u201cIrm\u00e3o, n\u00e3o somos cl\u00e9rigos do Estado, n\u00e3o podemos usar a linguagem da pol\u00edtica, mas sim a de Jesus\u201d. A linguagem e o caminho de Jesus outros n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o os de fazer o bem sem olhar a quem, lutando pela justi\u00e7a e pelo bem comum: \u201cFelizes os perseguidos por causa da justi\u00e7a: deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us\u201d (Mt 5,10).<\/p>\n<p>A unidade e o bem-estar social reclamam verdade, justi\u00e7a e liberdade. Esta tarefa \u00e9 um desafio para todos, tamb\u00e9m para as Igrejas crist\u00e3s chamadas a ouvir os gritos dos que sofrem e a denunciar as estruturas que criam e alimentam a injusti\u00e7a. \u201cSe as Igrejas unirem as suas vozes \u00e0 dos oprimidos, o seu grito de justi\u00e7a e de liberta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 ampliado\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o tema proposto para a Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os deste ano de 2023, que decorre de 18 a 25 de janeiro, baseia-se em Isa\u00edas 1, 27: \u201cAprendei a fazer o bem, procurai a justi\u00e7a, chamai \u00e0 raz\u00e3o o espoliador, fazei justi\u00e7a ao \u00f3rf\u00e3o, tomai a defesa da vi\u00fava\u201d. Os respons\u00e1veis pela iniciativa j\u00e1 nos fizeram chegar o Gui\u00e3o do qual me estou a servir, como tamb\u00e9m me sirvo do Livro de Isa\u00edas e seu coment\u00e1rio b\u00edblico. O Gui\u00e3o traz uma reflex\u00e3o sobre o tema e material de apoio para viver essa semana como um \u201ctempo perfeito para os crist\u00e3os reconhecerem que as nossas Igrejas e confiss\u00f5es n\u00e3o podem ficar separadas por conta das divis\u00f5es que existem dentro da mais ampla fam\u00edlia humana. Orar juntos pela unidade dos crist\u00e3os permite uma reflex\u00e3o sobre aquilo que nos une e nos compromete para enfrentar a opress\u00e3o e a divis\u00e3o vivida na humanidade\u201d. A justi\u00e7a exige \u201cum tratamento verdadeiramente igualit\u00e1rio para corrigir a desvantagem hist\u00f3rica baseada na \u2018ra\u00e7a\u2019, no g\u00e9nero, na religi\u00e3o ou no \u2018status\u2019 socioecon\u00f3mico\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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