{"id":267606,"date":"2023-01-17T09:00:03","date_gmt":"2023-01-17T09:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=267606"},"modified":"2023-01-17T21:18:37","modified_gmt":"2023-01-17T21:18:37","slug":"lusofonias-as-dez-licoes-paraguaias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-as-dez-licoes-paraguaias\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; As dez li\u00e7\u00f5es paraguaias"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Buenavista, na Bol\u00edvia.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_267608\" aria-describedby=\"caption-attachment-267608\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-LicoesParaguaias-21-01-2023.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-267608\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-LicoesParaguaias-21-01-2023.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-LicoesParaguaias-21-01-2023.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-LicoesParaguaias-21-01-2023-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-LicoesParaguaias-21-01-2023-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-LicoesParaguaias-21-01-2023-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-LicoesParaguaias-21-01-2023-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-LicoesParaguaias-21-01-2023-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-LicoesParaguaias-21-01-2023-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-LicoesParaguaias-21-01-2023-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-267608\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Tony Neves<\/figcaption><\/figure>\n<p>Deixei Asuncion e cheguei a Santa Cruz de la Sierra, o que quer dizer que sa\u00ed do Paraguai e entrei na Bol\u00edvia. Na chegada \u00e0 Am\u00e9rica Latina, ido de Roma, encontrei um povo sereno a viver tempos de calma, embora na esta\u00e7\u00e3o muito quente. Mas encontrei a Bol\u00edvia a ferro e fogo, depois da pris\u00e3o do Governador de Santa Cruz, acusado pelo Governo de golpista. L\u00e1 voltaremos outro dia. Agora queria fazer um balan\u00e7o das tr\u00eas semanas paraguaias.<\/p>\n<p>A li\u00e7\u00e3o n\u00ba1 recebi-a do povo. Percorri o pa\u00eds, fazendo milhares de kms e sempre encontrei pessoas sorridentes e simp\u00e1ticas, sempre prontas a ajudar e a facilitar a vida de quem \u00e9 estrangeiro, n\u00e3o fala a l\u00edngua, n\u00e3o conhece a cultura e est\u00e1 de passagem, como era o meu caso.<\/p>\n<p>A segunda li\u00e7\u00e3o entrou-me pelos olhos. O pa\u00eds \u00e9 verde, por b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus mas tamb\u00e9m por op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas antigas. Desde h\u00e1 muito que \u00e9 proibido abater \u00e1rvores sem permiss\u00e3o e sem um compromisso na sua substitui\u00e7\u00e3o. Encontramos estradas que t\u00eam enormes \u00e1rvores no meio, porque n\u00e3o foi dada a autoriza\u00e7\u00e3o de corte. Mas \u2013 e \u00e9 pena que apare\u00e7am mas! \u2013 vi hectares e hectares de desmata\u00e7\u00e3o feita para a cria\u00e7\u00e3o intensiva de gado ou planta\u00e7\u00e3o de soja, numa aposta de monocultura que destr\u00f3i as florestas e abre as portas \u00e0s \u2018fumiga\u00e7\u00f5es\u2019 contra pragas, matando muitas esp\u00e9cies e atacando a biodiversidade.<\/p>\n<p>Fiquei marcado pelo respeito que t\u00eam aos \u2018pa\u00eds\u2019, termo guarani que usam para falar do Padre. Onde quer que cheguemos e sejamos reconhecidos como padres, logo as pessoas juntam as m\u00e3os e pedem a b\u00ean\u00e7\u00e3o, antes de darem um grande abra\u00e7o, sauda\u00e7\u00e3o muito t\u00edpica daqui, mesmo em tempos p\u00f3s-covid. O povo afirma-se muito cat\u00f3lico, tendo como centro de peregrina\u00e7\u00f5es, o Santu\u00e1rio da Virgem de Caacup\u00e9.<\/p>\n<p>A quinta li\u00e7\u00e3o \u00e9 cultural. Embora sejam poucas as comunidades cem por cento ind\u00edgenas, o guarani \u00e9 l\u00edngua oficial que todos falam, nas aldeias ou nas cidades. A l\u00edngua \u00e9 sempre a alma de um povo e este \u2013 sejam as pessoas de origem mais europeia ou latino-americana \u2013 tem honra de ser guarani. Por isso, os mission\u00e1rios fazem quest\u00e3o de aprender a l\u00edngua.<\/p>\n<p>Os paraguaios valorizam muito a sua gastronomia tradicional. Por isso, oferecem (e vendem em todo lado) a chipa gua\u00e7u (feita de farinha de milho verde, ovos, queijo, gordura de porco) ou o simples chipa (feita com farinha de mandioca), a sopa paraguaia (esp\u00e9cie de p\u00e3o de queijo), o bori bori (milho, queijo, clara de ovos, carne e verduras \u2013 uma esp\u00e9cie de carne estufada), as empanadas (como croquetes), o mbeju (prato com farinha de milho e mandioca, queijo e carne de porco). E bebe-se o cosido, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de ch\u00e1 muito doce\u2026 Na quadra de Natal, fazem o cleric\u00f4, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de salada de frutas com rum ou outro \u00e1lcool. Provei tudo e tudo \u00e9 excelente!<\/p>\n<p>O Natal -outra li\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 um tempo muito quente, vivido com intensidade. H\u00e1 pres\u00e9pios enormes e lindos em todas as institui\u00e7\u00f5es e jardins das casas. At\u00e9 no aeroporto internacional de Asuncion est\u00e1 um grande pres\u00e9pio, nas chegadas dos passageiros. E, nas Igrejas e Capelas, n\u00e3o pode nunca faltar!<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 cultura e \u00e0 auto-estima dos paraguaios. Em muitas povoa\u00e7\u00f5es por onde passei, encontrei grandes letreiros a dizer que est\u00e1vamos numa capital de algo importante. Assim, Caacup\u00e9 \u00e9 a capital espiritual do pa\u00eds; General Resquin \u00e9 a capital do Mbeju; Naranjito \u00e9 a capital da laranja doce; San Vicente \u00e9 a capital da mandioca; Guayeibi \u00e9 a capital da banana e do anan\u00e1s; Ayala \u00e9 a capital da chipa; Itaugu\u00e1 \u00e9 a capital do Nanduti, um tecido em forma de teia, que traduz uma lenda paraguaia muito ancestral\u2026<\/p>\n<p>A nona li\u00e7\u00e3o recebi-a da natureza com a visita \u00e0s Cataratas do Igua\u00e7u. S\u00e3o patrim\u00f3nio da humanidade e ali conclu\u00ed que Deus faz coisas que n\u00e3o conseguimos imitar! S\u00e3o de encher de olhos aquelas largas dezenas de quedas de \u00e1gua, tendo como express\u00e3o m\u00e1xima a \u2018garganta do inferno\u2019. Estas Cataratas juntam tr\u00eas pa\u00edses: o Brasil, a Argentina e o Paraguai.<\/p>\n<p>A \u00faltima li\u00e7\u00e3o recebi-a ao longo de todos estes dias vividos no Paraguai. Por onde quer que passasse, a qualquer hora do dia, via rodas de gente sentada debaixo das \u00e1rvores, a conversar, a comer, ou a beber o seu mate (de manh\u00e3) ou terer\u00e9 (de tarde), num ambiente muito distendido e familiar.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dez li\u00e7\u00f5es t\u00e3o profundas, mergulho agora neste ambiente tenso da Bol\u00edvia e dele falarei nas pr\u00f3ximas cr\u00f3nicas.<\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - As dez li\u00e7\u00f5es paraguaias\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/2bUiIBiwJYsRa7S1d1HWCE?si=jAcVfH3EQEKuuMEuBqfMig&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Buenavista, na 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