{"id":267516,"date":"2023-01-15T09:30:03","date_gmt":"2023-01-15T09:30:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=267516"},"modified":"2023-01-12T17:16:43","modified_gmt":"2023-01-12T17:16:43","slug":"o-aumento-da-esperanca-de-vida-nao-tem-sido-acompanhado-com-a-qualidade-que-era-necessaria-padre-lino-maia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-aumento-da-esperanca-de-vida-nao-tem-sido-acompanhado-com-a-qualidade-que-era-necessaria-padre-lino-maia\/","title":{"rendered":"\u00abO aumento da esperan\u00e7a de vida n\u00e3o tem sido acompanhado com a qualidade que era necess\u00e1ria\u00bb &#8211; Padre Lino Maia"},"content":{"rendered":"<p><em>Presidente da CNIS liderou a \u00fanica lista ao oitavo congresso eleitoral que se realizou este s\u00e1bado, em F\u00e1tima, e \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_154772\" aria-describedby=\"caption-attachment-154772\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-154772 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-154772\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 cerca de um ano dizia, neste mesmo espa\u00e7o, que n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de se recandidatar. O que o demoveu?<\/em><\/p>\n<p>Mantive, diria, at\u00e9 ao limite essa decis\u00e3o. Se aparecesse outra lista, claramente, eu recuava, mas n\u00e3o apareceu mais nenhuma lista. Aquilo que eu tinha dito, em Conselho Geral, que apertou comigo, digamos assim, para que continuasse, \u00e9 que n\u00e3o era candidato, mas dispon\u00edvel para servir sempre estaria, num setor em que acredito piamente. Confiava que aparecessem outras pessoas, porque era necess\u00e1rio, considero necess\u00e1rio um rejuvenescimento, uma renova\u00e7\u00e3o no setor, na lideran\u00e7a do setor. N\u00e3o apareceu nenhuma lista porque me pareceu que, por esse pa\u00eds fora, todos se convenceram de que eu continuaria, n\u00e3o deveria ter falado na disponibilidade em continuar a servir, mas era servir de outra maneira. N\u00e3o apareceram outras listas, todos me pressionaram para continuar e \u00e9 no esp\u00edrito de servi\u00e7o que estou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se, por um lado, quer dizer que est\u00e3o contentes com o seu trabalho, se virmos o copo meio vazio, pode querer dizer outra coisa\u2026<\/em><\/p>\n<p>Pode tamb\u00e9m querer dizer que n\u00e3o h\u00e1 muita gente dispon\u00edvel para um exerc\u00edcio volunt\u00e1rio da fun\u00e7\u00e3o. Neste mundo em que, repito, acredito piamente &#8211; at\u00e9 porque penso que \u00e9 o setor que melhor aplica em Portugal a Doutrina Social da igreja, aqueles nove princ\u00edpios -, claro que os dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es t\u00eam tamb\u00e9m outras ocupa\u00e7\u00f5es, estar ao servi\u00e7o, a n\u00edvel do pa\u00eds, \u00e9 de facto dif\u00edcil. Muitas vezes aquilo que mais, diria, atormenta um l\u00edder deste setor s\u00e3o as negocia\u00e7\u00f5es: negocia\u00e7\u00f5es com o Estado, com o Governo, negocia\u00e7\u00f5es com sindicatos e movimentar um bocado, promover a forma\u00e7\u00e3o deste setor, dirigentes e trabalhadores. \u00c9 um trabalho extenuante, mas gratificante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No programa de candidatura, \u201cA Miss\u00e3o das IPSS: Princ\u00edpios E Valores\u201d, para o mandato 2023\/2026, a sua lista enaltece a forma como as IPSS lidaram com a pandemia, falando numa afirma\u00e7\u00e3o do Setor Social Solid\u00e1rio no espa\u00e7o p\u00fablico. \u00c9 um capital importante de confian\u00e7a para este novo ciclo?<\/em><\/p>\n<p>Diria que n\u00e3o s\u00f3 com a pandemia. As Institui\u00e7\u00f5es &#8211; n\u00e3o foi o presidente da CNIS, foram as Institui\u00e7\u00f5es. A equipa diretiva &#8211; quero sublinhar, n\u00e3o \u00e9 o presidente, \u00e9 uma equipa diretiva- da CNIS movimentou-se muit\u00edssimo bem, dedicou-se profundamente e ajudou os dirigentes das v\u00e1rias Institui\u00e7\u00f5es, que souberam superar as dificuldades criadas pela pandemia. Est\u00e3o a saber superar tamb\u00e9m, com muita dificuldade, estas dificuldades agora, com o aumento da infla\u00e7\u00e3o, com a guerra na Ucr\u00e2nia que tem repercuss\u00f5es muito fortes, at\u00e9 no acolhimento de refugiados. S\u00e3o dirigentes, s\u00e3o Institui\u00e7\u00f5es muito importantes neste pa\u00eds e d\u00e3o, diria, uma certa serenidade, um certo bem-estar, uma certa confian\u00e7a ao povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A pandemia veio mostrar a necessidade de maior articula\u00e7\u00e3o entre a Seguran\u00e7a Social e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. \u00c9 urgente mudar atual modelo de resposta \u00e0 velhice?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Muitas vezes, no passado recente e mais long\u00ednquo, se pensou que estas institui\u00e7\u00f5es eram importantes e faziam muito bem aos idosos. Mas, diria, era no acolhimento, pensando que os idosos n\u00e3o precisariam de cuidados de sa\u00fade: apenas uma cama, um conv\u00edvio, uma refei\u00e7\u00e3o e pouco mais.<\/p>\n<p>Os idosos precisam de cuidados de sa\u00fade. O aumento da esperan\u00e7a de vida n\u00e3o tem sido acompanhado com a qualidade que era necess\u00e1ria e, portanto, as pessoas v\u00e3o ficando mais dependentes, com comorbilidades, \u00e9 necess\u00e1rio que a sa\u00fade acompanhe.<\/p>\n<p>Neste momento, devo dizer que um dos \u201cbons frutos\u201d da pandemia foi que, de facto, o Estado, o Governo \u2013 n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa, mas aqui quero sublinhar &#8211; come\u00e7ou a despertar para a necessidade de p\u00f4r a Sa\u00fade tamb\u00e9m em articula\u00e7\u00e3o com a Seguran\u00e7a Social, para apoiar estas institui\u00e7\u00f5es. J\u00e1 est\u00e3o a ser dados alguns passos.<\/p>\n<p>Dizia o primeiro-ministro que a minha grande vit\u00f3ria foi p\u00f4r em di\u00e1logo Sa\u00fade e Seguran\u00e7a social. N\u00e3o gosto de falar em vit\u00f3rias pessoais, mas foi, diria, um efeito da pandemia e est\u00e3o a ser dados passos nesse sentido, h\u00e1 j\u00e1 algumas decis\u00f5es importantes. Em breve, outras ser\u00e3o anunciadas.<\/p>\n<p>Os nossos idosos, n\u00e3o apenas idosos, repito, precisam muito de cuidados de sa\u00fade, porque a maior parte dos que est\u00e3o em ERPI e Lar, em Centros de Dia tamb\u00e9m, para al\u00e9m do Apoio Domicili\u00e1rio, s\u00e3o pessoas com bastantes depend\u00eancias, com doen\u00e7as\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para n\u00e3o falar daqueles que s\u00e3o abandonados no Hospital. Conhece essa realidade\u2026<\/em><\/p>\n<p>Conhe\u00e7o essa realidade, temos acompanhado e temos uma solu\u00e7\u00e3o, por isso digo que em breve talvez tenhamos mais boas not\u00edcias a dar. Essa \u00e9 uma delas.<\/p>\n<p>Em devido tempo, fizemos um levantamento das pessoas que \u201cvegetam\u201d, n\u00e3o gosto da express\u00e3o, mas \u00e9 isso: vegetam nos hospitais, tiveram alta cl\u00ednica, n\u00e3o tiveram alta social, foram abandonadas nos hospitais e l\u00e1 est\u00e3o, contraindo at\u00e9 doen\u00e7as, criando dificuldade nas movimenta\u00e7\u00f5es internas dos hospitais e ocupando camas que seriam necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pode levantar um pouco do v\u00e9u do que \u00e9 que est\u00e1 a ser pensado?<\/em><\/p>\n<p>Apresentamos primeiro um modelo de solu\u00e7\u00e3o e fizemos o levantamento de Institui\u00e7\u00f5es que podem absorver essas pessoas e j\u00e1 est\u00e1 a ser articulado um modelo de transporte, de passagem dessas pessoas para os lares das Institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar de um n\u00famero significativo de pessoas\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s fizemos o levantamento e, na altura passava, de 1000 pessoas, 1500 quase, que estavam nessa situa\u00e7\u00e3o. Penso que se n\u00f3s conseguirmos, e conseguimos, para j\u00e1, absorver, passe a express\u00e3o, cerca de 700 pessoas que est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 j\u00e1 um passo muito bom. Pondo em marcha esse modelo, em breve conseguiremos libertar os hospitais. N\u00e3o \u00e9 que as pessoas sejam um problema\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o social para esta popula\u00e7\u00e3o, ainda\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. At\u00e9 porque, muitas vezes, essas pessoas precisam de duas fases de aten\u00e7\u00e3o: uma fase prim\u00e1ria, que \u00e9 de uns seis meses, em que estar\u00e3o nos lares e precisam de cuidados de sa\u00fade e de uma esp\u00e9cie de readapta\u00e7\u00e3o \u00e0 nova situa\u00e7\u00e3o, que obriga a uma aten\u00e7\u00e3o especial. Depois de readaptados, digamos assim, transitam para outras vagas nos lares, para continuarmos a poder receber mais pessoas e encaminh\u00e1-las para uma solu\u00e7\u00e3o mais digna, de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Depois da pandemia, veio a guerra e a infla\u00e7\u00e3o. Sabemos que as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o subfinanciadas e os \u00faltimos anos vieram agravar a situa\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que o setor pode crescer e inovar quando sente tantas dificuldades em assegurar a sobreviv\u00eancia das suas Institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9, de facto, um problema que come\u00e7a a ser enfrentado e que, lentamente, ir\u00e1 ser resolvido. Foi assinado um pacto de coopera\u00e7\u00e3o em 23 de dezembro de 2021, em que o Estado se compromete a caminhar para os 50% de financiamento em rela\u00e7\u00e3o aos custos das Institui\u00e7\u00f5es. J\u00e1 est\u00e3o a ser dados passos, temos feito estudos, e vemos que invertemos uma situa\u00e7\u00e3o gravosa. De ano para ano, at\u00e9 2017, 2018, o financiamento do Estado vinha a diminuir. Agora, em 2018, come\u00e7amos a inverter de facto, a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1, lentamente, uma melhor situa\u00e7\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 boa\u2026 Ali\u00e1s, neste momento, em dezembro at\u00e9 pareceu que o problema poderia estar resolvido nas Institui\u00e7\u00f5es, porque houve antecipa\u00e7\u00e3o, quer de apoios previstos para 2023, quer da atualiza\u00e7\u00e3o dos acordos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Chegou a falar numa ideia de falsa abund\u00e2ncia\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Ali\u00e1s, vou chamando a aten\u00e7\u00e3o para que as Institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o embandeirar em diria entusiasmo, porque j\u00e1 neste m\u00eas de janeiro v\u00e3o sentir que, afinal, o apoio \u00e9 s\u00f3 0,8% mais do que no ano passado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O objetivo \u00e9 atingir os 50% em outubro de 2004\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade. Tenho tido rea\u00e7\u00f5es, porque quando foi assinado o pacto de coopera\u00e7\u00e3o, estava previsto que a Legislatura e terminasse em 2024. Depois houve elei\u00e7\u00f5es, come\u00e7ou uma nova legislatura e agora vou vendo que algum h\u00e1 alguma press\u00e3o para que se avance para 2026\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que \u00e9 o final da pr\u00f3xima legislatura&#8230;..<\/em><\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, provavelmente antes do final desta legislatura, tenhamos, diria, o colapso desta legislatura e o come\u00e7o de outra. E ent\u00e3o vamos sempre protelando a data. Eu espero que n\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas receia por a\u00ed elei\u00e7\u00f5es antecipadas novamente?<\/em><\/p>\n<p>Parece evidente que, neste momento, isso possa acontecer. Eu queria que fosse at\u00e9 ao fim, e penso que todos os portugueses tamb\u00e9m. N\u00e3o est\u00e1 aqui subjacente uma quest\u00e3o partid\u00e1ria, mas n\u00f3s precisamos de estabilidade.<\/p>\n<p>Este princ\u00edpio de ano est\u00e1 a ser bastante perigoso, digamos assim, e est\u00e1 a levantar receios de que o Governo n\u00e3o se aguente at\u00e9 ao fim. Espero que que se aguente e que governe bem. \u00c9 isso que \u00e9 importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda relativamente \u00e0 quest\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o financeira das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social e tamb\u00e9m do aumento da infla\u00e7\u00e3o, queria colocar aqui dois dados que pedia o seu coment\u00e1rio. Soubemos agora que o pre\u00e7o da comida registou a maior subida em quase 40 anos e tivemos ainda na semana que passou o Conselho Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa a manifestar preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o social e tamb\u00e9m com as dificuldades econ\u00f3micas e financeiras por que passam as fam\u00edlias. Como \u00e9 que olha para as medidas adotadas pelo Governo para combater a crise?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o insuficientes. Nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o ao aumento dos custos com a alimenta\u00e7\u00e3o. Eu vejo que, por exemplo, aqui ao lado, na Espanha, foram adotadas medidas diferentes, libertando a alimenta\u00e7\u00e3o de IVA, por exemplo. Eu penso que isso devia ter sido tamb\u00e9m feito em Portugal, mas n\u00e3o foi. Ali\u00e1s, em devido tempo &#8211; e tive apoio bastante consistente de v\u00e1rios partidos &#8211; propus que para as institui\u00e7\u00f5es, a alimenta\u00e7\u00e3o fosse isenta de IVA. Durante este ano. N\u00e3o era sempre.\u00a0 A proposta era para que fosse inclu\u00edda no Or\u00e7amento de Estado, mas n\u00e3o foi consagrada. Penso que se podia ter de facto avan\u00e7ado mais, at\u00e9 porque &#8211; claro que \u00e9 muito importante que Portugal diminua a sua d\u00edvida, \u00e9 muito importante que, de facto n\u00e3o haja um d\u00e9fice excessivo nas contas p\u00fablicas &#8211; mas o Estado no ano que terminou, por for\u00e7a do aumento de pre\u00e7os tamb\u00e9m teve um aumento da receita.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, isto que aconteceu agora com as institui\u00e7\u00f5es em dezembro 2022, de antecipar, apoios previstos para 2023 e antecipar a atualiza\u00e7\u00e3o dos acordos para dezembro de 2022 significou e foi um reflexo disso mesmo. Portanto, havia uma receita grande no Estado, foi necess\u00e1rio canaliz\u00e1-la para que n\u00e3o parecesse que est\u00e1vamos no pa\u00eds das maravilhas, at\u00e9 por causa dos apoios europeus. Era importante que n\u00e3o houvesse um excesso de receita.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Olhando para o novo mandato, que aqui \u00e9 tamb\u00e9m uma das preocupa\u00e7\u00f5es desta conversa, o programa de candidatura aludiu a tentativas por parte da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica de transformar os dirigentes em meros executantes de ordens e instru\u00e7\u00f5es alheias. O que \u00e9 que est\u00e1 exatamente em causa aqui? <\/em><\/p>\n<p>Primeiro \u00e9 importante preservar a identidade destas Institui\u00e7\u00f5es. E quando falo de identidade &#8211; que n\u00e3o \u00e9 por estar a falar na R\u00e1dio Renascen\u00e7a, e n\u00e3o \u00e9 por eu ser padre que eu digo &#8211; \u00e9 para dizer que a identidade tem muito a ver com aquilo que eu j\u00e1 disse. Com um p\u00f4r em pr\u00e1tica a doutrina social da Igreja: uma aten\u00e7\u00e3o aos mais carenciados, a defesa da dignidade da pessoa, a defesa da vida a participa\u00e7\u00e3o, a subsidiariedade, a solidariedade, depois participa\u00e7\u00e3o do bem comum, etc.<\/p>\n<p>Ora, \u00e9 importante preservar a identidade destas institui\u00e7\u00f5es e depois a autonomia. Elas n\u00e3o s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Estado, s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es particulares. E, por vezes, nota-se uma excessiva intromiss\u00e3o do Estado na gest\u00e3o quotidiana das Institui\u00e7\u00f5es. Podia dar imensos exemplos, mas isso ocuparia muito tempo. E, portanto, a grande batalha que temos de travar \u00e9 a defesa da identidade e a preserva\u00e7\u00e3o da autonomia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E mant\u00e9m apreens\u00e3o face ao processo de transfer\u00eancia de compet\u00eancias para as autarquias? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um exemplo. Em devido tempo o Estado\/ Governo &#8211; repito, n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f3nimos, mas pronto, o Governo gere, digamos assim, o Estado &#8211; solicitou \u00e0s institui\u00e7\u00f5es a presta\u00e7\u00e3o destes servi\u00e7os. N\u00e3o foi, diria, por voto pr\u00f3prio das Institui\u00e7\u00f5es que come\u00e7aram a prestar estes servi\u00e7os. E, de repente, o Estado decide transferir estes servi\u00e7os para as autarquias.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E, entretanto, as Institui\u00e7\u00f5es que tinham contratado&#8230;&#8230; <\/em><\/p>\n<p>Tinham contratado pessoas,\u00a0identificado equipamentos para montar estes servi\u00e7os, \u00e9 assim um tratar mal. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 neste aspeto. Claro que a quest\u00e3o da transfer\u00eancia de compet\u00eancias foi um processo &#8211; \u00a0no princ\u00edpio, tenho de sublinhar, concordei que as autarquias pudessem exercer algum servi\u00e7o no acompanhamento, no atendimento das pessoas, e em que passada a fase da constru\u00e7\u00e3o de estradas e de infraestruturas,\u00a0 \u00e9 preciso que as autarquias se voltem\u00a0 para as pessoas &#8211; mas o que n\u00e3o podia ser era, que de facto,\u00a0 fosse passada uma esponja sobre aquilo que j\u00e1 estava contratado com as Institui\u00e7\u00f5es e que as Institui\u00e7\u00f5es prestavam e muito bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No que diz respeito ao setor social, a\u00a0transfer\u00eancia de compet\u00eancias concluir-se-\u00e1 em mar\u00e7o. Da maior parte dos munic\u00edpios tem recebido a ideia de que as Institui\u00e7\u00f5es Particulares v\u00e3o manter essas compet\u00eancias no que diz respeito, por exemplo, ao Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o e \u00e0 A\u00e7\u00e3o Social? <\/em><\/p>\n<p>Da parte de muitas c\u00e2maras h\u00e1 essa manifesta\u00e7\u00e3o de vontade em celebrar acordos com as Institui\u00e7\u00f5es que j\u00e1 desenvolvem estas compet\u00eancias e estes servi\u00e7os. Temos tido um di\u00e1logo bom com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios e vamos ter reuni\u00f5es de trabalho. Claro que cada c\u00e2mara \u00e9 uma c\u00e2mara, e, portanto, \u00e9 um mundo. A Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios n\u00e3o pode impor \u00e0s c\u00e2maras que sigam este ou aquele modelo, mas h\u00e1, diria um exerc\u00edcio, um magist\u00e9rio que pode ser exercido.<\/p>\n<p>Reparo que bastantes c\u00e2maras est\u00e3o dispon\u00edveis para isso mesmo, at\u00e9 porque reconhecem que as Institui\u00e7\u00f5es t\u00eam experi\u00eancia. E depois tamb\u00e9m quero aqui sublinhar um aspeto inc\u00f3modo, e que cria alguns problemas: o acompanhamento do RSI (Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o). Eu, como dirigente de institui\u00e7\u00f5es, digo que \u00e9 uma compet\u00eancia de que facilmente abriria m\u00e3o. Como autarca, eu n\u00e3o queria esse servi\u00e7o porque, de facto, \u00e9 um servi\u00e7o que traz \u00f3nus a quem o presta&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E tem peso pol\u00edtico, ou seja, est\u00e1 a entrar diretamente na vida de um eleitor e talvez o trabalho n\u00e3o seja feito com a mesma autonomia como na institui\u00e7\u00e3o&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Evidentemente. Agora, da parte das Institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o h\u00e1 problemas com votos. H\u00e1 sim com servi\u00e7os e, portanto, as Institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o dispon\u00edveis para continuar a prestar este servi\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Padre Lino Maia, continua a sonhar com a presen\u00e7a do setor social na concerta\u00e7\u00e3o social? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 muito importante. Este setor emprega mais de 250 mil pessoas e, por exemplo, quando se trata de definir, o sal\u00e1rio m\u00ednimo e o impacto que isso tem, que compensa\u00e7\u00f5es que deve haver, era importante &#8211; n\u00e3o apenas nesse especto &#8211; que estivesse l\u00e1 este setor representado, na concerta\u00e7\u00e3o social. E n\u00e3o digo a CNIS, muito embora a CNIS seja quem emprega mais. Mas era muito importante, \u00e9 muito importante, e reparo que h\u00e1 disponibilidade por parte de alguns agentes, alguns que j\u00e1 t\u00eam assento na concerta\u00e7\u00e3o social, para considerar essa necessidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ainda a respeito da guerra na Ucr\u00e2nia, a CNIS assume a inten\u00e7\u00e3o de continuar a cooperar com as autoridades em mat\u00e9ria de asilo. Teme que a resposta solid\u00e1ria possa ser menos forte, com o arrastar do conflito? Suponho que essa seja uma das prioridades para os pr\u00f3ximos anos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Infelizmente, a guerra est\u00e1 para durar e eu temo que continuem e at\u00e9 com mais intensidade a vir pessoas da Ucr\u00e2nia para c\u00e1. AS institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o a acolher e a acolher empregando, o que \u00e9 importante. E tamb\u00e9m formando, ensinando por exemplo o portugu\u00eas, e garantindo alojamento. Eu penso que estas tr\u00eas componentes s\u00e3o muito importantes. \u00c9 trabalho, alojamento e forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma \u00faltima pergunta que est\u00e1 de algum modo relacionada com a anterior e que tem a ver com a defesa dos direitos humanos. A Igreja e o Papa em particular j\u00e1 alertaram em diversas ocasi\u00f5es para poss\u00edveis casos de tr\u00e1fico e de explora\u00e7\u00e3o, no caso dos refugiados da Ucr\u00e2nia.<\/em><\/p>\n<p><em>Por c\u00e1, tivemos recentemente noticias de deten\u00e7\u00f5es de pessoas ligadas a redes de tr\u00e1fico.<\/em><\/p>\n<p><em>De que forma, as Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade, que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas da realidade, podem ajudar a combater este tipo de fen\u00f3meno?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Podem e combatem, at\u00e9 porque n\u00f3s temos Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade por todo o pa\u00eds e a capilaridade \u00e9 not\u00f3ria. Agora, o que as Institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o propriamente agentes policiais, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E combatem pela denuncia? <\/em><\/p>\n<p>A denuncia direi que n\u00e3o \u00e9 propriamente uma matriz das Institui\u00e7\u00f5es. Mas combatem de outra maneira, acolhendo mesmo os refugiados. Como eu dizia, garantindo trabalho digno. E penso que \u00e9 importante, porque muitas vezes essas redes n\u00e3o garantem trabalho digno nem alojamento. Portanto, \u00e9 desta maneira com o trabalho digno, com o alojamento e com a forma\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 uma forma concreta de combater isso. Claro que n\u00e3o acautela todos estes oportunistas, mas, de algum modo, diminui o seu \u00e2mbito de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da CNIS liderou a \u00fanica lista ao oitavo congresso eleitoral que se realizou este s\u00e1bado, em F\u00e1tima, e \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":154772,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[314],"class_list":["post-267516","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=267516"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267516\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/154772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=267516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=267516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=267516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}