{"id":26720,"date":"2007-09-04T11:19:05","date_gmt":"2007-09-04T11:19:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/04\/perspectivas-da-missao-para-o-seculo-xxi\/"},"modified":"2007-09-04T11:19:05","modified_gmt":"2007-09-04T11:19:05","slug":"perspectivas-da-missao-para-o-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/perspectivas-da-missao-para-o-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Perspectivas da Miss\u00e3o para o s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p>Globaliza\u00e7\u00e3o e pluralismo irracional s\u00e3o os desafios para quem anuncia Cristo no terceiro mil\u00e9nio <!--more--> A Miss\u00e3o para o s\u00e9culo XXI \u00e9 a tem\u00e1tica de fundo que preencher\u00e1 as Jornadas Mission\u00e1rias deste ano, de 14 a 16 de Setembro, em F\u00e1tima. Tais Jornadas s\u00e3o de \u00e2mbito nacional, sob a responsabilidade da &#8220;Comiss\u00e3o-Miss\u00f5es&#8221; da Confer\u00eancia Episcopal, de an\u00e1loga Comiss\u00e3o dos Institutos de Vida Consagrada, e das Obras Mission\u00e1rias Pontif\u00edcias. Dentro deste vasto quadro tem\u00e1tico, diversos sub-temas de clara pertin\u00eancia ser\u00e3o trazidos \u00e0 Assembleia: uma tentativa de  aproxima\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica do s\u00e9culo que vai vir, lendo nele, por antecipa\u00e7\u00e3o e \u00e0 luz do Evangelho, as car\u00eancias e anseios de humanismo impl\u00edcitos na textura cultural que se esbo\u00e7a e no contexto socio-pol\u00edtico que se vai definindo &#8211; anseios e car\u00eancias que, inseridos na hist\u00f3ria dos homens, pertencem \u00e0 Hist\u00f3ria  de Salva\u00e7\u00e3o que a Incarna\u00e7\u00e3o de Cristo selou como tal.  Esses anseios e car\u00eancias podem,desse modo, ser tidos como &#8220;pedras de apoio&#8221;, &#8220;esperas&#8221; (as &#8220;pierres d&#8217;attente&#8221; faladas no P\u00f3s-Conc\u00edlio) para o an\u00fancio e o testemunho eclesial do Mist\u00e9rio de Cristo. Ser\u00e1 depois recordado que o &#8220;sujeito operativo&#8221; da Miss\u00e3o \u00e9 sempre a Comunidade local (qui\u00e7\u00e1 representada naqueles que s\u00e3o seus delegados), na pluralidade dos seus Grupos de vida e ac\u00e7\u00e3o, e das pessoas que no seu seio vivem a fraternidade crist\u00e3 de uma mesma Eucaristia. Por\u00e9m, importa ter em conta duas exig\u00eancias: os conte\u00fados centrais constitutivos da Miss\u00e3o (constitutivos, por isso n\u00e3o-manipul\u00e1veis) condensam-se na pessoa e Mist\u00e9rio de Cristo a anunciar, na sua qualidade de dom &#8220;te\u00e2ndrico&#8221; do amor de Deus pela Humanidade, e, usando um conceito de S.Paulo, de &#8220;Recapitulador Pascal&#8221; da realidade humana &#8211; Ele, o &#8220;Homem Perfeito&#8221;. Depois, h\u00e1 que considerar que a tarefa mission\u00e1ria est\u00e1 marcada, desde o mandato de Cristo aos Ap\u00f3stolos, pela universalidade ou &#8220;catolicidade&#8221;) do testemunho e do servi\u00e7o da &#8220;Boa Nova&#8221;: -&#8220;ide (subentende-se &#8220;todos&#8221;, a Igreja) a todo o mundo&#8221;, &#8220;e anunciai o Evangelho da convers\u00e3o de vida&#8221;.  Desse modo, ter\u00e1 de ser na inter-comunh\u00e3o cat\u00f3lica das Comunidades (&#8220;todos os crist\u00e3os respons\u00e1veis pela Miss\u00e3o em todo o mundo&#8221;), a que envia e a que acolhe o &#8220;agente da Miss\u00e3o&#8221; (que nessa condi\u00e7\u00e3o se torna elo de liga\u00e7\u00e3o entre ambas), que ter\u00e1 de se processar o an\u00fancio de Cristo e o servi\u00e7o do Evangelho, promovendo a incultura\u00e7\u00e3o dos valores evang\u00e9licos nas circunst\u00e2ncias culturais da localidade onde actuar\u00e1 o mission\u00e1rio que veio ou vai, o qual, por isso, come\u00e7a por se &#8220;aculturar&#8221;.  <b>Nova e igual<\/b> Poder\u00e1 surgir uma pergunta: mas a Miss\u00e3o do s\u00e9culo XXI n\u00e3o \u00e9 a mesma dos s\u00e9culos precedentes?  Sim e N\u00e3o. Exactamente a mesma ou do mesmo modo -n\u00e3o, se considerarmos que a hist\u00f3ria avan\u00e7a, as sociedades evoluem, as culturas se interinfluenciam e sucedem-se as gera\u00e7\u00f5es. \u00c9 que a Miss\u00e3o, tal como a Igreja, \u00e9 de certo modo &#8220;FUNCIONAL&#8221;, para pessoas e grupos contextualizados  em dada cultura e determinada fase da hist\u00f3ria: &#8220;por causa de n\u00f3s e da nossa salva\u00e7\u00e3o&#8221;, diz-se no Credo a prop\u00f3sito do pr\u00f3prio Mist\u00e9rio de Cristo, que antes de tudo \u00e9 justamente Dom de Deus em fun\u00e7\u00e3o da Humanidade. A resposta poder\u00e1 ser sim, em tr\u00eas perspectivas parciais: relativamente \u00e0 perenidade do n\u00facleo central do an\u00fancio mission\u00e1rio (Cristo Humanado e Pascal, com a sua proposta  de humana renova\u00e7\u00e3o, em cada homem e na Comunidade que eles constituem, a qual, pela ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, se torna &#8220;sacramento de Cristo&#8221;).  Parcialmente sim tamb\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o com a exig\u00eancia gen\u00e9rica de a Miss\u00e3o  dever ter sempre em conta as &#8220;esperas &#8221; e anseios humanos de que acima se falou; ainda sim, se considerarmos que a proposta mission\u00e1ria reclama sempre ades\u00e3o livre de f\u00e9, coroada por uma convers\u00e3o \u00e0 nova fraternidade inaugurada pelo Baptismo e tornada plena pela Eucaristia. Alguns dos desafios que o pr\u00f3ximo s\u00e9culo colocar\u00e1 \u00e0 Miss\u00e3o, j\u00e1 se divisam no horizonte: as sequelas de uma globaliza\u00e7\u00e3o (ou &#8220;mundializa\u00e7\u00e3o&#8221;, preferem dizer os franceses)que priveligia a dimens\u00e3o econ\u00f3mica da sociedade e a frui\u00e7\u00e3o material. Tal globaliza\u00e7\u00e3o gera vacuidade de valores e pode conduzir \u00e0 injusti\u00e7a de um acesso desigual aos bens da cria\u00e7\u00e3o (lembrar as rela\u00e7\u00f5es Norte-Sul do Planeta).  Outro efeito poder\u00e1 ser um pluralismo irracional de ideias que obscurece a percep\u00e7\u00e3o da verdade acerca da pessoa humana e da vida, ou abre caminho a propostas de espiritualidade de tipo ima-nentista que se pretendem alternativa \u00e0 Mensagem crist\u00e3. Enquanto se n\u00e3o ultrapassar o hiper-racionalismo herdado dos s\u00e9culos XVIII-XIX, n\u00e3o faltar\u00e1 quem afirme que o mais sensato \u00e9 ficar-se num c\u00f3modo agnosticismo, pensando encontrar &#8220;transcend\u00eacia&#8221; dentro do pr\u00f3prio homem, ou retomando, nas tentativas actuais de neo-paganismo, a vis\u00e3o de Spinoza que tudo resumia no bin\u00f3mio &#8220;Deus, sive Natura&#8221;- Deus \u00e9 a pr\u00f3pria Natureza(por esse caminho v\u00e3o os Esoterismos da actualidade, por absor\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o hindu da Divindade). Dada a pluralidade de propostas para-religiosas e a intromiss\u00e3o de ideologias no campo da \u00c9tica, uma das atitudes mission\u00e1rias fundamentais para o s\u00e9culo que vem ser\u00e1 a pr\u00e1tica de um verdadeiro di\u00e1logo, com os dois tempos que ele implica de escuta e de proposta. H\u00e1 ainda campo para ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria no campo da pol\u00edtica, onde o Laicado crist\u00e3o ter\u00e1 de exercer a sua Miss\u00e3o baptismal. \u00c9 que os sinais s\u00e3o de que vai continuar o jogo semi-obscuro de Grupos que tentam apagar a visibilidade social da Igreja, ou retirar  do contexto social valores crist\u00e3os fundamentais, como os que se referem \u00e0 vida e \u00e0 fam\u00edlia. \u00c9 campo \u00e0 espera da Miss\u00e3o dos Leigos crist\u00e3os. Paralelamente, por outro lado, vai aparecendo uma textura de progressos cient\u00edficos ou t\u00e9cnicos, com afirma\u00e7\u00f5es de cultura aonde se poderiam discernir, por hip\u00f3tese, v\u00e1lidas &#8220;sementes do Verbo&#8221;, ou certa &#8220;prepara\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica&#8221;, valorizando estes conceitos da Patr\u00edstica alexandrina do s\u00e9culo III-IV,que o Conc\u00edlio assumiu.  Tais progressos prometem aligeirar as limita\u00e7\u00f5es da vida humana e o peso da pobreza em boa parte da Humanidade. Ser\u00e1 ainda  sinal a considerar a consci\u00eancia crescente de que a salva\u00e7\u00e3o em Cristo ter\u00e1 de marcar as rela\u00e7\u00f5es Homem-Natureza (o cl\u00e1ssico problema da continuidade &#8220;cristol\u00f3gica&#8221; entre Cria\u00e7\u00e3o e Reden\u00e7\u00e3o, sugerido na Carta aos Colossenses). E outros &#8220;apelos&#8221; e outras &#8220;esperas&#8221; que o di\u00e1logo dentro das Jornadas pode vir a evidenciar.  <b>Miss\u00e3o pluriforme<\/b> H\u00e1 mais um dado a ter em conta. A Miss\u00e3o da Igreja, devido \u00e0 diferen\u00e7a de circunst\u00e2ncias em que se exerce, torna-se pluriforme. \u00c9 usual a distin\u00e7\u00e3o  entre &#8220;Miss\u00e3o ad intra&#8221; (no seio da pr\u00f3pria Comunidade de perten\u00e7a) e a &#8220;Miss\u00e3o ad extra&#8221; (pelo mundo fora). Mas as duas, no fundo, s\u00e3o uma s\u00f3. Por outras palavras: s\u00e3o dois pain\u00e9is de um mesmo d\u00edptico, diferenciados pelas circunst\u00e2ncias, duas vertentes da mesma e \u00fanica Miss\u00e3o de Cristo, prolongadas pela Igreja Seu sacramento,a qual actualiza a Incarna\u00e7\u00e3o e o Mist\u00e9rio Pascal no tempo e nos espa\u00e7os humanos. Desse modo, mal seria que uma das duas dimens\u00f5es da Miss\u00e3o viesse obscurecer a outra, j\u00e1 que as duas se integram e mutuamente se exigem. \u00c9 de lembrar o que escreveu Paulo VI na &#8220;Evangelii Nuntiandi&#8221;:  a Igreja ter\u00e1 de se auto-evangelizar (e nessa medida se abre \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo), afim de poder evangelizar o mundo. Os dois pain\u00e9is do d\u00edptico completam-se, e por esse motivo a organiza\u00e7\u00e3o eclesial da Miss\u00e3o ter\u00e1 de considerar o  balanceamento dos dois aspectos: \u00e9 indispens\u00e1vel viver e exercer a Miss\u00e3o na sua globalidade, sem a trair nem trair a Igreja, sem obliterar qualquer das duas dimens\u00f5es.  <i>Pe. Manuel Gon\u00e7alves, C.S.Sp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Globaliza\u00e7\u00e3o e pluralismo irracional s\u00e3o os desafios para quem anuncia Cristo no terceiro mil\u00e9nio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[199,201,206,207,261,326],"class_list":["post-26720","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-espiritualidade","tag-etica","tag-familia","tag-fatima","tag-missoes","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26720","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26720"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26720\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26720"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26720"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26720"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}