{"id":26718,"date":"2007-09-04T10:36:13","date_gmt":"2007-09-04T10:36:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/04\/madre-teresa-10-anos-depois\/"},"modified":"2007-09-04T10:36:13","modified_gmt":"2007-09-04T10:36:13","slug":"madre-teresa-10-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/madre-teresa-10-anos-depois\/","title":{"rendered":"Madre Teresa, 10 anos depois"},"content":{"rendered":"<p>A 5 de Setembro de 1997, o cora\u00e7\u00e3o de Madre Teresa de Calcut\u00e1 deu o \u00faltimo suspiro. Passados dez anos, a obra que a &#8220;santa das sarjetas&#8221; ergueu continua viva e o seu sorriso perdurar\u00e1. Esta data ficar\u00e1 na hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX. Durante a sua vida, ela simbolizava o amor aos mais carenciados. Aquela fr\u00e1gil mulher tinha uma for\u00e7a inesgot\u00e1vel e colocava em pr\u00e1tica as palavras do Evangelho: &#8220;Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo&#8221; (Mt 22, 39).  Com o final do mil\u00e9nio \u00e0 porta desapareceu a mulher que se entregou aos &#8220;mais pobres dos pobres&#8221; e deixou muitos cora\u00e7\u00f5es desamparados. Uma paragem card\u00edaca, depois de v\u00e1rias pneumonias e crises de mal\u00e1ria, &#8220;levaram&#8221; Madre Teresa. Viveu com o cora\u00e7\u00e3o, o cora\u00e7\u00e3o a matou. A humanidade perdeu algu\u00e9m que, por nada ter nem poder, tinha toda a autoridade porque ningu\u00e9m conseguia dizer n\u00e3o a um pedido que ela formulasse. Calcut\u00e1 chorou, provavelmente, como nenhuma outra cidade do mundo, a morte desta mulher que escolheu a gigantesca metr\u00f3pole indiana para viver toda uma vida ao servi\u00e7o daqueles que n\u00e3o tinham ningu\u00e9m. &#8220;Era uma verdadeira santa admirada por todos os indianos, independentemente da sua religi\u00e3o&#8221; &#8211; sublinhavam os habitantes de Calcut\u00e1.  <b>Voca\u00e7\u00e3o precoce<\/b> Em Skopje, capital da Maced\u00f3nia, pequena cidade com cerca de vinte mil habitantes, nasceu, a 26 de Agosto de 1910, Ganxhe Bojaxhiu. A sua fam\u00edlia era cat\u00f3lica e pertencia \u00e0 minoria albanesa que vivia no Sul da antiga Jugosl\u00e1via. Um dia ap\u00f3s o seu nascimento, Ganxhe recebeu o Baptismo e a sua educa\u00e7\u00e3o teve lugar numa escola estatal durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial. Com um timbre de voz muito suave e harmonioso, a pequena Ganxhe tornou-se solista do coro da igreja da sua aldeia e, mais tarde, chegou a dirigir esse mesmo coro paroquial. Ainda crian\u00e7a, Ganxhe entrou para a Congrega\u00e7\u00e3o Mariana das Filhas de Maria que tinha uma filial na sua par\u00f3quia. Os mais pobres da regi\u00e3o recorriam \u00e0 Igreja para diminu\u00edrem as suas car\u00eancias. Ganxhe sentia a sua voca\u00e7\u00e3o a crescer ao assistir a esta actividade de assist\u00eancia aos mais carecidos. &#8220;Aos p\u00e9s da Virgem de Letnice escutei um dia o chamamento que me apelava a servir Deus&#8221; &#8211; disse, posteriormente, Madre Teresa e, confessou ainda, que descobriu a intensidade do chamamento &#8220;com uma grande alegria interior&#8221;. Quando completou 18 anos, o apelo \u00e0 vida religiosa tornou-se irresist\u00edvel para a jovem e, a 25 de Dezembro de 1928, partiu de Skopje rumo a Rathfarnham, na Irlanda, onde se situa a Casa Geral do Instituto da Beata Virgem Maria. Ganxhe tinha como ideal ser mission\u00e1ria na \u00cdndia e um sacerdote jesu\u00edta contribuiu para esta doa\u00e7\u00e3o aos mais pobres devido \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de que, na \u00cdndia, as freiras dessa congrega\u00e7\u00e3o faziam um &#8220;excelente&#8221; trabalho. Depois de uma longa viagem, a futura religiosa chegou \u00e0 casa das Irm\u00e3s de Nossa Senhora do Loreto. A estadia em Rathfarnham foi um porto intercalar j\u00e1 que embarcou rumo a Bengala. Durante a primeira semana esteve em Calcut\u00e1 e da\u00ed viajou at\u00e9 Dajeerling, ao semin\u00e1rio da Congrega\u00e7\u00e3o fundada pela mission\u00e1ria Mary Ward. Feitos os estudos e chegada a hora de professar os votos tempor\u00e1rios de Pobreza, Castidade e Obedi\u00eancia &#8211; 24 de Maio de 1931 &#8211; Ganxhe escolheu o nome de Teresa. De acordo com as constitui\u00e7\u00f5es da Congrega\u00e7\u00e3o do Loreto devia mudar de nome. &#8220;Escolhi chamar-me Teresa&#8221; &#8211; contou anos depois, devido \u00e0 figura inspiradora de Santa Teresa D&#8217;\u00c1vila. No entanto &#8220;n\u00e3o foi pela grande Teresa que escolhi o nome &#8211; disse &#8211; mas sim pela pequena: Santa Teresa de Lisieux&#8221;. Encarregada de dar forma\u00e7\u00e3o espiritual \u00e0s &#8220;Filhas de Santa Ana&#8221; &#8211; hoje formam uma congrega\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma &#8211; Teresa absorveu o estilo de vida bengali e, posteriormente, transmitiu-o \u00e0s suas freiras, quando criou as &#8220;Mission\u00e1rias da Caridade&#8221;.  <b>Uma viagem luminosa<\/b> O momento da viragem aconteceu de forma imprevista. Num dos seus relatos, Teresa conta que, a 10 de Setembro de 1946, numa viagem para o convento de Dajeerling, onde ia fazer os exerc\u00edcios espirituais, enquanto rezava sentiu um &#8220;chamamento dentro do chamamento&#8221;. A mensagem era clara: &#8220;devia deixar o convento do Loreto (em Calcut\u00e1) e entregar-se ao servi\u00e7o dos mais pobres e viver entre eles&#8221;. Com a &#8220;ilumina\u00e7\u00e3o divina&#8221;, Teresa sentiu uma hesita\u00e7\u00e3o: como realiz\u00e1-la. Este dia de Setembro ficou marcado na hist\u00f3ria das Mission\u00e1rias da Caridade e, obviamente, no livro da vida de Madre Teresa como o &#8220;Dia da Inspira\u00e7\u00e3o&#8221;. Teresa de Calcut\u00e1 pensava nos pobres da cidade que todas as noites morrem pelas ruas e, na manh\u00e3 seguinte, s\u00e3o lan\u00e7ados para os carros de limpeza como se fossem lixo. N\u00e3o se habituava a este &#8220;terr\u00edvel espect\u00e1culo matinal&#8221;. Queria fazer algo em prol daqueles esquel\u00e9ticos a pedir esmola na rua e a esperar que o tempo os levasse. A luz recebida no trajecto de Calcut\u00e1 para Dajeerling foi objecto de medita\u00e7\u00e3o no retiro de Teresa. Este terminou numa pergunta muito concreta: &#8220;Que poderei fazer por estes infelizes?&#8221;. Abandonado o h\u00e1bito da Congrega\u00e7\u00e3o do Loreto, a Irm\u00e3 Teresa comprou um sari branco, debruado de azul e colocou-lhe no ombro uma pequena cruz. Foi com esta nova indument\u00e1ria &#8211; o vestido duma modesta mulher indiana &#8211;  que passou a ser conhecida no mundo inteiro. A vida da religiosa sofreu novos contornos e quando a Santa S\u00e9 reconheceu a Congrega\u00e7\u00e3o &#8211; 7 de Outubro de 1950 pelo Papa Pio XII &#8211; a institui\u00e7\u00e3o da Madre Teresa de Calcut\u00e1 contava com centenas de membros em todo o mundo. Primeiro, come\u00e7ou a levar os moribundos para um lar onde eles pudessem morrer em paz e com dignidade. De seguida, abriu um orfanato. De forma gradual, outras mulheres se lhe uniram neste projecto. Nasceu uma nova Congrega\u00e7\u00e3o religiosa &#8211; &#8220;Mis-sion\u00e1rias da Caridade&#8221; &#8211; para se dedicar aos mais pobres entre os pobres. A luz do projecto ganhou ra\u00edzes no solo f\u00e9rtil e as voca\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a surgir. Neste viveiro vocacional &#8211; muitas das mulheres que aderiram foram antigas alunas &#8211; Madre Teresa v\u00ea uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus. Sem opera\u00e7\u00f5es de marketing, o trabalho da consagrada albanesa ganhava visibilidade e as voca\u00e7\u00f5es para &#8220;Mission\u00e1rias da Caridade&#8221; surgiam a bom ritmo. De abrigo em abrigo, Teresa de Calcut\u00e1 dava &#8211; mais do que donativos &#8211; li\u00e7\u00f5es de higiene e moral, palavras amigas e as m\u00e3os sempre prest\u00e1veis para qualquer trabalho. N\u00e3o foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crian\u00e7as famintas e sujas, deficientes, enfermos de toda a esp\u00e9cie, gritavam por ela com os olhos inundados de esperan\u00e7a: Madre Teresa! Madre Teresa! <i>Lu\u00eds Filipe Santos &#8211; AE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 5 de Setembro de 1997, o cora\u00e7\u00e3o de Madre Teresa de Calcut\u00e1 deu o \u00faltimo suspiro. Passados dez anos, a obra que a &#8220;santa das sarjetas&#8221; ergueu continua viva e o seu sorriso perdurar\u00e1. Esta data ficar\u00e1 na hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX. Durante a sua vida, ela simbolizava o amor aos mais carenciados. 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