{"id":26698,"date":"2007-09-03T13:18:21","date_gmt":"2007-09-03T13:18:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/09\/03\/quarta-cruzada-e-a-unidade-dos-cristaos\/"},"modified":"2007-09-03T13:18:21","modified_gmt":"2007-09-03T13:18:21","slug":"quarta-cruzada-e-a-unidade-dos-cristaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quarta-cruzada-e-a-unidade-dos-cristaos\/","title":{"rendered":"Quarta cruzada e a unidade dos crist\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p>Quando o Papa Jo\u00e3o XXIII era Representante Pontif\u00edcio na Turquia e na Gr\u00e9cia, uma grande fome e mis\u00e9ria atingiu a Gr\u00e9cia. O N\u00fancio Apost\u00f3lico conseguiu uma razo\u00e1vel oferta monet\u00e1ria que pensou aplicar nos ortodoxos mais pobres. Contudo dizia, se eles sabem que a oferta veio da Igreja cat\u00f3lica atrav\u00e9s de mim, preferem morrer de fome a aceit\u00e1-la, porque na sua vis\u00e3o o que n\u00f3s queremos \u00e9 a conquista e o poder. Esta mentalidade anti-romana tem muitos antecedentes hist\u00f3ricos, mas um domina todos os outros \u2013 a quarta cruzada que saqueou  as riquezas de Constantinopola no ano de 1204.  2 \u2013 A guerra santa da 4\u00aa cruzada foi um sacril\u00e9gio que terminou com a ru\u00edna da cidade de Constantinopola, confirmou a inimizade fundamental entre oriente e ocidente e envenenou todos os pa\u00edses ortodoxos, com as consequ\u00eancias que ainda hoje dilaceram a unidade da Igreja, tendo provocado uma fractura que o Conc\u00edlio Vaticano II n\u00e3o conseguiu ainda hoje sanar.  O Papa Inoc\u00eancio III aprovou a quarta cruzada para libertar o t\u00famulo de Cristo em Jerusal\u00e9m, mas a depend\u00eancia do Doge de Veneza, que forneceu os barcos para transportar o ex\u00e9rcito crist\u00e3o, levou \u00e0 pilhagem da cidade de Constantinopola para pagar as despesas. Em lugar de atacar os infi\u00e9is mu\u00e7ulmanos que tomaram a cidade santa de Jerusal\u00e9m, os cruzados pilaram, trucidaram e mataram outros crist\u00e3os. Contribuiu para esta chacina e espolia\u00e7\u00e3o da cidade, o pedido do jovem Alexis, filho do imperador Isaque que, deposto do trono por seu irm\u00e3o, lhe arrancou os olhos e o colocou na pris\u00e3o. Este jovem Alexis deslocou-se \u00e0 Europa e prometeu riquezas incont\u00e1veis aos cruzados se eles libertassem seu pai, de forma a mais tarde herdar o trono. Convenceu, al\u00e9m disso, que os crist\u00e3os gregos se submeteriam \u00e0 autoridade do Papa e que assim terminaria o cisma que afligia a cristandade desde h\u00e1 dois s\u00e9culos.  Quando os cruzados atacavam as muralhas da gloriosa cidade, o usurpador do trono fugiu e o imperador cego foi colocado no trono juntamente com seu filho. Alexis pediu aos venezianos para levantar o cerco \u00e0 cidade; aqueles trazem dois tronos em ouro para pai e filho com a esperan\u00e7a do pagamento das despesas da expedi\u00e7\u00e3o. Quando abrem os cofres do tesouro imperial encontram-no vazio! Os venezianos prometem vingar-se, o povo revolta-se com a venda das rel\u00edquias e \u00edcones sagrados e o clero recusa submeter-se a Roma. A multid\u00e3o invade o pal\u00e1cio imperial, dep\u00f4e o imperador e o filho que s\u00e3o postos na pris\u00e3o, exigem a sa\u00edda dos estrangeiros e nomeiam um novo imperador que obriga Alexis a ingerir uma bebida envenenada antes de o estrangular com suas m\u00e3os. O velho imperador morreu de maus tratos na masmorra. Alexis Murzuphle, o novo imperador, n\u00e3o se sente obrigado a nenhum pagamento e n\u00e3o aceita unir-se a Roma. O Doge de Veneza convenceu os cruzados a atacarem a cidade e partilharem das suas riquezas, esperando a nomea\u00e7\u00e3o de um novo Patriarca e imperador latinos, convencendo que o massacre dos gregos era leg\u00edtimo. Os venezianos entram na cidade, saqueiam, matam e incendeiam, roubam os cavalos de bronze, a pala de ouro e at\u00e9 o \u00edcone da padroeira da cidade \u2013 a Nicopeia \u2013 que transportam para Veneza! Os crist\u00e3os do oriente nunca mais esqueceram a carnificina e n\u00e3o perdoam. A instala\u00e7\u00e3o de um imp\u00e9rio latino fantoche teve curta dura\u00e7\u00e3o, mas teve a finalidade de impedir que o Papa excomungasse os cruzados, como j\u00e1 decidira fazer.  O Papa Inoc\u00eancio III hesita, condenou a atitude dos cruzados, mas como os turcos atacavam a Europa n\u00e3o quis dividir a cristandade. O clero de Constantinopola re\u00fane-se em Niceia e resiste \u00e0s tentativas de reconcilia\u00e7\u00e3o, at\u00e9 aos nossos dias. Duas l\u00ednguas e duas culturas afrontavam-se, os gregos diziam que os latinos eram brutos e sem cultura, os cruzados desconfiam das subtilezas dos gregos que classificam de perf\u00eddia. At\u00e9 ao ataque de Constantinopola, a viol\u00eancia verbal e a suspeita n\u00e3o constitu\u00edam motivo de ruptura. O saque da cidade fez explodir a ira acumulada ao longo dos s\u00e9culos, transformou-se num aut\u00eantico cataclismo. Constantinopola, que \u00abfoi o esplendor de todas as cidades e a luz do mundo bebeu o c\u00e1lice da c\u00f3lera\u00bb (Olivier Cl\u00e8ment) destruiu-se a cultura e a ci\u00eancia que de alguma forma, protegeu a civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do islamismo.  3 \u2013 O movimento ecum\u00e9nico com as igrejas crist\u00e3s do Oriente, desde a Gr\u00e9cia at\u00e9 \u00e0 R\u00fassia, sente-se afectado pelo saque de Constantinopola. Os Papas, desde Paulo VI, t\u00eam-se humilhado, pedido perd\u00e3o, ajoelhado perante patriarcas, mas a ferida ainda n\u00e3o sarou. As rela\u00e7\u00f5es com os ortodoxos russos e o seu Patriarca est\u00e3o ainda muito frias, os gestos prof\u00e9ticos de Jo\u00e3o Paulo II atenuaram mas n\u00e3o desfizeram o gelo que vem do passado, at\u00e9 porque n\u00e3o s\u00e3o todos disc\u00edpulos do Patriarca Aten\u00e1goras.  Quando visitamos a actual Istambul, o que farei dentro em breve, os guias turcos interpelam-nos sobre estes factos hist\u00f3ricos instigados pelo clero ortodoxo, principalmente quando nos encontramos na mais bela bas\u00edlica de todos os tempos &#8211; a Agia Sophia (Sabedoria Divina) levantada no s\u00e9culo VI pelo imperador Justiniano. A queda de Constantinopola, no ano de 1543, conquistada por Ahmet II, dizem os gregos, \u00e9 o resultado do saque da sua antiga cidade que nunca mais se restabeleceu das feridas de 1204. Os ortodoxos orientais t\u00eam dificuldade, apesar dos pedidos de perd\u00e3o dos Papas, dos encontros ecum\u00e9nicos e teol\u00f3gicos, de se libertarem da tenta\u00e7\u00e3o de que o cristianismo ocidental \u00e9 activismo, conquista, poder dos quais a tomada e saque de Constantinopola \u00e9 o s\u00edmbolo mais eloquente. Apesar de tudo, os caminhos para a unidade prosseguem para al\u00e9m de todas as fracturas abertas no cora\u00e7\u00e3o dos ortodoxos e cat\u00f3licos. Os muros de separa\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegam ao C\u00e9u nem ao trono de Deus\u2026 Funchal, 02 de Setembro de 2007  <i>\u2020Teodoro de Faria Bispo Em\u00e9rito do Funchal       <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o Papa Jo\u00e3o XXIII era Representante Pontif\u00edcio na Turquia e na Gr\u00e9cia, uma grande fome e mis\u00e9ria atingiu a Gr\u00e9cia. O N\u00fancio Apost\u00f3lico conseguiu uma razo\u00e1vel oferta monet\u00e1ria que pensou aplicar nos ortodoxos mais pobres. 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