{"id":26673,"date":"2007-08-31T16:46:43","date_gmt":"2007-08-31T16:46:43","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/08\/31\/um-homem-de-cultura-de-fe-e-da-universidade\/"},"modified":"2007-08-31T16:46:43","modified_gmt":"2007-08-31T16:46:43","slug":"um-homem-de-cultura-de-fe-e-da-universidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-homem-de-cultura-de-fe-e-da-universidade\/","title":{"rendered":"Um homem de cultura, de f\u00e9 e da universidade"},"content":{"rendered":"<p>O percurso do Pe. Fernando Crist\u00f3v\u00e3o <!--more--> Um homem do mundo da cultura que exerce o seu trabalho de pastoral sobretudo na universidade. O Pe. Fernando Crist\u00f3v\u00e3o foi condecorado no dia 10 de Junho pelo Presidente da Rep\u00fablica pelo seu trabalho na \u00e1rea da cultura. \u00c9 professor catedr\u00e1tico da Universidade Cl\u00e1ssica.   Desde cedo reservou a sua vida de sacerdote para as academias, para as bibliotecas e na defesa da l\u00edngua portuguesa. Quando foi ordenhado sacerdote, aos 23 anos, o Cardeal Cerejeira mandou-o para a direc\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio, ainda antes de ser constru\u00eddo.   Esteve nove anos no Semin\u00e1rio de Almada de onde transitou para um Externato Manuel de Melo, no Barreiro. Foi ent\u00e3o enviado para a Universidade, local onde realizou a sua licenciatura em Rom\u00e2nicas, a par da actividade enquanto professor do Semin\u00e1rio e de outras actividades que mantinha.Quando estava na universidade foi nomeado para o Instituto e Cultura de L\u00edngua Portuguesa, hoje Instituto Cam\u00f5es, onde desenvolveu um trabalho na defesa da pol\u00edtica da l\u00edngua portuguesa, como o pr\u00f3prio afirma.  \u201cA experi\u00eancia no ICLP foi essencial para mim enquanto ser humano mas tamb\u00e9m enquanto sacerdote\u201d, afirma o Pe. Fernando Crist\u00f3v\u00e3o ao Programa ECCLESIA. O contacto com outras culturas ajudou a perceber o fen\u00f3meno moderno do multiculturalismo que, afirma ter ganho \u201cgraves implica\u00e7\u00f5es dentro da f\u00e9 crist\u00e3\u201d.    Sobre a edi\u00e7\u00e3o do \u00abDicion\u00e1rio Tem\u00e1tico da Lusofonia\u00bb o professor afirma haver um grande equ\u00edvoco quando se fala de lusofonia. \u201cA economia, a tecnologia, a religi\u00e3o, que \u00e9 um dos elementos fortes da lusofonia, s\u00e3o factores fundamentais, mas a l\u00edngua \u00e9 o factor de uni\u00e3o\u201d, considera. \u201c\u00c9 certo que Lusofonia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 l\u00edngua, mas sem ela n\u00e3o se chega a lado nenhum e atr\u00e1s da l\u00edngua vem o problema das culturas e das afinidades\u201d.   <b>Um sacerdote na universidade<\/b> O minist\u00e9rio sacerdotal ligado \u00e0 Universidade pode ser exercido de diversas formas: na assist\u00eancia espiritual \u00e0 JUC, por exemplo, que \u00e9 especializada. O Pe. Fernando Crist\u00f3v\u00e3o explica que h\u00e1 um problema grave pois \u201c\u00e9 no dom\u00ednio da ci\u00eancia e da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que n\u00f3s trabalhamos\u201d. O sacerdote relembra uma express\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II que diz ser preciso inculturar a f\u00e9 na cultura e a cultura na f\u00e9.   \u201cEle afirma que h\u00e1 dois caminhos para chegar ao mesmo objectivo. Um deles \u00e9 a proclama\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, directa e sistem\u00e1tica, do ponto de vista eclesial do testemunho crist\u00e3o. O outro \u00e9 muito diferente pois indica o trabalhar a cultura, tornar poss\u00edvel que a cultura forme o homem, para que seja verdadeiramente culto e que o capacite para fazer uma escolha\u201d.   Quando o Papa diz \u201cpassar de uma cultura \u00e0 f\u00e9\u201d significa \u201cpreparar os elementos porque uma mente culturalmente aberta tem mais condi\u00e7\u00f5es tanto para optar como para recusar\u201d, sublinha. \u201cSignifica que h\u00e1 dois caminhos para levar a pessoa a amar a f\u00e9 directamente e a p\u00f4-lo em condi\u00e7\u00f5es de fazer escolhas\u201d. Essa \u00e9 a miss\u00e3o que abra\u00e7a. Afirma n\u00e3o ser f\u00e1cil, \u201cque muitos n\u00e3o compreendem at\u00e9 mesmo dentro da Igreja, mas devagarinho chega-se l\u00e1\u201d.  A evangeliza\u00e7\u00e3o da cultura tem de entrar nas prioridades da Igreja Cat\u00f3lica. Em Portugal, de acordo com as estat\u00edsticas at\u00e9 europeias, recorda o professor catedr\u00e1tico, \u201cquase 90% da popula\u00e7\u00e3o afirma-se cat\u00f3lica e no entanto, as outras estat\u00edsticas apontam para os 30% que v\u00e3o \u00e0 missa. E daqui surge a terminologia dos \u00abpraticantes e dos n\u00e3o praticantes\u00bb que levanta uma incongru\u00eancia\u201d.   \u201cExiste uma pastoral muito bem organizada para 20%, mas quem \u00e9 que se preocupa com os outros 70%? Todos sabem que os 70% continuam a dizer teimosamente que s\u00e3o cat\u00f3licos, quando agora muitas vezes \u00e9 motivo de descrimina\u00e7\u00e3o. O que se faz a esta gente? E os 70% que t\u00eam uma viv\u00eancia crist\u00e3 quando nascem, no baptismo, no casamento, quando os filhos fazem a primeira comunh\u00e3o, na doen\u00e7a e depois nos funerais? Mas n\u00e3o h\u00e1 uma verdadeira pastoral organizada para isto. H\u00e1 actos pontuais\u201d, aponta.   \u201cOs novos tempos criam novas necessidades e novas iniciativas, mas penso que uma iniciativa importante seria reunir os padres que est\u00e3o no ensino, nas for\u00e7as armadas e pensar que pastoral para eles\u201d, indica.  E aponta ainda outro problema. \u201cConsidero que em Portugal os leigos est\u00e3o na menor idade\u201d. Colaboram nas par\u00f3quias \u201ce assim devem continuar, mas pergunto: perante esta laiciza\u00e7\u00e3o meio jacobina, pois h\u00e1 um laicismo que se quer transformar numa nova religi\u00e3o do Estado, mas n\u00e3o h\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es que, sem recorrer a \u00abbandeirinhas\u00bb fa\u00e7am valer e mostrar os seus valores onde a sua f\u00e9 ir\u00e1 transparecer\u201d. O Pe. Fernando Crist\u00f3v\u00e3o sublinha a diferen\u00e7a entre as manifesta\u00e7\u00f5es de f\u00e9 \u201cque ainda bem que existem e \u00e9 preciso faz\u00ea-las publicamente mas outra coisa \u00e9 que a f\u00e9 n\u00e3o se exibe, mas n\u00e3o se esconde. Onde est\u00e3o os jornalistas, os deputados que s\u00e3o cat\u00f3licos e que n\u00e3o puxam de estandartes invocando a sua religi\u00e3o mas profissionalmente defendam e se manifestem. Trata-se de coer\u00eancia cient\u00edfica\u201d.   Por isso afirma que as novas gera\u00e7\u00f5es j\u00e1 s\u00e3o naturalmente pag\u00e3s porque o conhecimento n\u00e3o passa, quando atrav\u00e9s da Hist\u00f3ria de Portugal \u201cse ensinavam coisas importantes n\u00e3o se tratando de uma quest\u00e3o religiosa\u201d. A evangeliza\u00e7\u00e3o na universidade \u00e9 uma prioridade por si tra\u00e7ada.  As mudan\u00e7as clericais s\u00e3o outro assunto abordado pelo professor catedr\u00e1tico. \u201cAs par\u00f3quias precisam de clero, mas uma coisa \u00e9 a par\u00f3quia territorial outra coisa \u00e9 aquilo que eu chamo de \u00abpar\u00f3quia virtual\u00bb. \u00c9 muito importante que os padres estejam tamb\u00e9m voltados para o ensino das v\u00e1rias \u00e1reas cient\u00edficas e est\u00e1 a diminuir bastante, com grande preju\u00edzo\u201d.   <b>Homenagem<\/b> Foi realizado um conjunto de estudos, em homenagem ao Pe. Fernando Crist\u00f3v\u00e3o, pelos colegas da Universidade e amigos, resultando no livro \u201cHomo Viatur\u201d. A somar \u00e0 condecora\u00e7\u00e3o no dia 10 de Junho pelo Presidente da Rep\u00fablica o professor aforma ser \u201csempre agrad\u00e1vel ver que os outros percebem um pouco o trabalho que realizamos\u201d. Recusa a ret\u00f3rica para afirmar que o livro \u00e9 \u201cum produto de um trabalho que equipas. Essa \u00e9 uma grande felicidade na minha vida. Em todos os lugares por onde passei tive a sorte de arranjar equipas extraordin\u00e1rias\u201d.   Sublinha ser uma homenagem \u00e0 equipa do Dicion\u00e1rio que foi \u201cuma obra de \u00abloucos\u00bb onde participaram mais de 300 pessoas, reunindo cerca de 30 universidade e Institutos de Ensino Superior em v\u00e1rios pontos do mundo\u201d.   <b>Cultura e Igreja<\/b>  \u201cN\u00e3o h\u00e1 receitas para que a Igreja se fa\u00e7a mais presente no mundo cultural\u201d, pois o caminho \u201cpassa antes pela presen\u00e7a\u201d.   \u201cH\u00e1 quem aponte a necessidade de um Conc\u00edlio, opini\u00e3o que eu partilho, porque o mundo de agora \u00e9 muito diferente\u201d. Mas o professor desejaria um Conc\u00edlio ecum\u00e9nico, \u201c\u00e0 semelhan\u00e7a do que acontecia antigamente, englobando protestantes, ortodoxos. Possivelmente s\u00f3 se aprovariam duas ou tr\u00eas bases mas a for\u00e7a que da\u00ed advinha seria grande\u201d, pois conclui que as culturas est\u00e3o misturadas mas \u201ch\u00e1 um choque e h\u00e1 muitos problemas daqui derivados\u201d. Relembra o problema do relativismo cultural \u201cque Bento XVI sempre alerta\u201d e da incapacidade de escolha, por isso afirma \u201ca cultura tem de avan\u00e7ar em outros moldes\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O percurso do Pe. 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