{"id":266638,"date":"2023-01-07T09:00:34","date_gmt":"2023-01-07T09:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=266638"},"modified":"2023-01-11T10:25:43","modified_gmt":"2023-01-11T10:25:43","slug":"da-etica-e-a-da-sua-ausencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/da-etica-e-a-da-sua-ausencia\/","title":{"rendered":"Da \u00c9tica e a da Sua Aus\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><em>Santos Cabral, Diocese de Coimbra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-266640 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Nos \u00faltimos dias, e uma vez mais, o nosso quotidiano foi invadido por\u00a0 uma not\u00edcia que transmite a forma como se negam valores fundamentais numa sociedade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Na verdade, por detr\u00e1s da constru\u00e7\u00e3o harmoniosa do Estado de Direito descrito na Constitui\u00e7\u00e3o, em que tudo \u00e9 pensado para defesa dos cidad\u00e3os, existe uma outra realidade semiclandestina onde a vida p\u00fablica, ami\u00fade, realmente se desenvolve. A verdadeira Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se desenrola, muitas vezes, em gabinetes transparentes, mas em lugares mais escondidos, sem limpidez, seja na discri\u00e7\u00e3o dos grandes escrit\u00f3rios de advogados, seja em ambientes reservados.<\/p>\n<p>Parte da classe pol\u00edtica ocupa o Estado para, em primeiro lugar, a partir dele cumprir os seus objectivos e o programa com que se cativou o eleitorado. Mas, logo em seguida, ocorre, parcialmente, a \u201cpatrimonializa\u00e7\u00e3o\u201d do aparelho de Estado em fun\u00e7\u00e3o duma constela\u00e7\u00e3o de interesses particulares, ou seja, muitas vezes, consuma-se um desvio dos objectivos pol\u00edticos mais nobres, passando para primeiro lugar a satisfa\u00e7\u00e3o dos interesses particulares do partido governante; dos seus militantes e seguidores. Quando se chega a esse ponto \u00e9 a pr\u00f3pria estrutura do Estado de Direito que entra em crise e a democracia corre o risco de se dissolver.<\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o pol\u00edtica, nomeadamente com a submiss\u00e3o do interesse p\u00fablico a interesses privados, tem impl\u00edcitas patologias \u00f3bvias, sendo a corrup\u00e7\u00e3o a mais vis\u00edvel. A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 o desgoverno no seu estado puro.<\/p>\n<p>Nega-se o interesse comum, e afrontam-se os cidad\u00e3os, quando aqueles que t\u00eam por miss\u00e3o servir, e n\u00e3o a de se servirem, transformam e tratam como bem pr\u00f3prio, aquilo que \u00e9 perten\u00e7a colectiva ou decidem em nome de todos, mas pretendendo, ilegitimamente, favorecer alguns.<\/p>\n<p>O fen\u00f3meno da \u201cpatrimonializa\u00e7\u00e3o\u201d da coisa p\u00fablica, e da captura do Estado por interesses privados, apresenta hoje a caracter\u00edstica fundamental da sua globalidade e perman\u00eancia. Subverte o regime democr\u00e1tico e, invadindo todos os sectores do Estado, perde a natureza de uma mera deriva conjuntural, assumindo-se como estrutural e caracter\u00edstica do regime. \u00c9 transversal \u00e0s for\u00e7as pol\u00edticas e determinante nas rela\u00e7\u00f5es entre o sector p\u00fablico e privado<\/p>\n<p>Todas as \u00e1reas denominadas de risco-desde os grandes investimentos estruturais at\u00e9 ao neg\u00f3cio dos submarinos, passando pelos avi\u00f5es, rodovias e ferrovias ou pontes at\u00e9 aos aeroportos; desde a comiss\u00e3o no grande neg\u00f3cio de aquisi\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os para o Estado at\u00e9 \u00e1 desanexa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea situada em zona de reserva, passando pela altera\u00e7\u00e3o do PDM- apresentam-se como um universo do desgoverno que nos afecta.<\/p>\n<p>O grau de anomia \u00e9tica \u00e9, por vezes, de tal forma intenso que se transita dos grandes grupos econ\u00f3micos para o Governo e do Governo para os grandes grupos econ\u00f3micos numa confus\u00e3o de interesses e pap\u00e9is. Adjudicam-se contratos sem concurso e fazem-se concursos em que a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 igual para todos os concorrentes. As empresas p\u00fablicas s\u00e3o muitas vezes \u201ccoutadas privadas\u201d reservadas aos titulares do bloco central de interesses cujos lugares s\u00e3o repartidos de acordo com crit\u00e9rios pragm\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o da qualidade, e da \u00e9tica, no comportamento de alguns decisores pol\u00edticos tem, como contraponto, uma sociedade civil demasiadamente ausente e distante, niilista em termos de valores, e entretida no palco que lhe \u00e9 oferecido na discuss\u00e3o das denominadas \u201cquest\u00f5es fracturantes\u201d que, muitas vezes, mais n\u00e3o s\u00e3o do que cortinas de fumo que ocultam quest\u00f5es bem mais complexas, e fundamentais, onde se joga o nosso destino colectivo.<\/p>\n<p>Como afirma o Papa Francisco a corrup\u00e7\u00e3o revela uma conduta antissocial t\u00e3o forte que mina a validade das rela\u00e7\u00f5es e, portanto, os pilares sobre os quais se apoia uma sociedade: a coexist\u00eancia entre as pessoas e a voca\u00e7\u00e3o para desenvolv\u00ea-la. A corrup\u00e7\u00e3o destr\u00f3i tudo isso, substituindo o bem comum por um interesse particular que contamina toda a perspetiva geral.<\/p>\n<p>No inicio deste ano de 2023 ficam os Votos de que a \u00c9tica n\u00e3o seja uma palavra v\u00e3\u00a0 no comportamento dos nossos\u00a0 governantes.<\/p>\n<p><em>Santos Cabral, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santos Cabral, Diocese de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":266640,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-266638","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266638","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266638"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266638\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}