{"id":266384,"date":"2023-01-11T09:00:51","date_gmt":"2023-01-11T09:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=266384"},"modified":"2023-01-11T18:02:09","modified_gmt":"2023-01-11T18:02:09","slug":"esta-palavra-adeus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/esta-palavra-adeus\/","title":{"rendered":"Esta palavra \u201cadeus\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Professor-Antonio-Morgado-guarda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-266386 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Professor-Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Professor-Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Professor-Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Professor-Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Professor-Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Professor-Antonio-Morgado-guarda.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Adolescente ainda, sa\u00ed pela primeira vez do mundo pequeno da minha aldeia, para ficar um trimestre fora da casa paterna. Era aquele tempo de mobilidade muito limitada, particularmente para quem vivia numa aldeia longe de vias de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o me lembro se a minha falecida m\u00e3e &#8211; ou o meu falecido pai &#8211; pronunciou a palavra \u201cadeus\u201d na despedida. Mas sei, e disso lembro-me bem, que, com embargo na voz, disse mais do que uma vez \u201cDeus te acompanhe\u201d. E parti, de comboio, com a f\u00e9 e a esperan\u00e7a de viajar com a b\u00ean\u00e7\u00e3o da invoca\u00e7\u00e3o de minha m\u00e3e a Deus. E a situa\u00e7\u00e3o ficou na minha mem\u00f3ria profunda. H\u00e1 imagens que \u00e9 imposs\u00edvel esquecer.<\/p>\n<p>S\u00e3o tamb\u00e9m dessa natureza as imagens da guerra. Da guerra na Europa. Da guerra na Ucr\u00e2nia. Da guerra \u00e0 nossa porta. Imagens de morte e de separa\u00e7\u00f5es. O marido que se despede da esposa. O pai que se despede do filho. O soldado que abra\u00e7a o seu filho. O filho, quase beb\u00e9, que tomou um comboio ao colo da m\u00e3e a caminho do ex\u00edlio. O marido, o pai, o soldado, a m\u00e3e, o filho quase beb\u00e9 que s\u00e3o muitos. Maridos, pais, soldados, m\u00e3es, filhos quase beb\u00e9s, numa esta\u00e7\u00e3o do caminho de ferro \u00e0 espera de um comboio. A caminho de um ex\u00edlio. \u00c0 espera de um abra\u00e7o amigo numa terra estranha. Com a esperan\u00e7a chorada e a terra regada de l\u00e1grimas. \u00c9 o monstro da guerra.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei como se diz em ucraniano. Nem ser\u00e1 preciso. O dramatismo das imagens era evidente. Eu vi. Eu ouvi a voz do drama. Era o \u201cadeus\u201d. Era o \u201cat\u00e9 \u00e0 vista\u201d. Despedida e esperan\u00e7a mesmo contra toda a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 o deixei escrito noutras ocasi\u00f5es. H\u00e1 palavras e express\u00f5es do corriqueiro dizer que possuem uma hist\u00f3ria extraordinariamente significativa de que nem sempre temos consci\u00eancia quando as utilizamos. \u00c9 assim a evolu\u00e7\u00e3o natural das l\u00ednguas. Assim tamb\u00e9m se diz. Os especialistas sabem-no bem e at\u00e9 d\u00e3o nomes ao fen\u00f3meno. \u00c9 a evolu\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica. \u00c9, pois, bem sabido, embora o esque\u00e7amos, que as palavras possuem uma longa hist\u00f3ria. Bem interessante, tantas vezes.<\/p>\n<p>Talvez seja isso o que se passa com o \u00abadeus\u00bb que arrasta consigo a for\u00e7a das nossas despedidas acompanhadas, quantas vezes, de olhos humedecidos de emo\u00e7\u00e3o saudosa. Gesto de despedida em momentos de separa\u00e7\u00e3o entre pessoas e das pessoas a coisas do mundo, o \u00abadeus\u00bb cont\u00e9m toda uma sabedoria de vida, peregrinos que somos nos caminhos da exist\u00eancia. Peregrina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem retorno e que transforma a vida num cont\u00ednuo \u201cadeus\u201d.<\/p>\n<p>Disso parece ningu\u00e9m ter qualquer d\u00favida. Todos n\u00f3s j\u00e1 teremos dito \u00abadeus\u00bb vezes sem conta. Ontem, na semana passado, no passado m\u00eas, no ano transacto. Talvez hoje mesmo. Nas despedidas dos nossos encontros familiares e de amigos. \u201cAdeus\u201d acompanhado, ou n\u00e3o, de um emocionado abra\u00e7o ou de significativo movimento da m\u00e3o. At\u00e9 nas despedidas de coisas e acontecimentos, como nas l\u00e1grimas do \u201cadeus\u201d de um povo a um campeonato mundial de futebol. At\u00e9 em \u00e9pocas especiais do tempo, como passagem de ano, na despedida do \u00abano velho\u00bb que se mistura com uma sauda\u00e7\u00e3o ao \u00abano novo\u00bb que se espera possa ser cheio de bem. Ou de bens. N\u00e3o admira, portanto, que o \u201cadeus\u201d apare\u00e7a com tanta frequ\u00eancia no mundo da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale, pois, a pena revisitar essa palavrinha \u201cadeus\u201d, t\u00e3o repetidamente dita e talvez esquecida no seu profundo significado. Mesmo quando dita com a maior emo\u00e7\u00e3o e com embargo na voz.<\/p>\n<p>\u00c9 bem simples. E, talvez, j\u00e1 todos o tenhamos pensado. A palavra \u00abadeus\u00bb \u00e9 composta de duas: \u00aba\u00bb e \u00abDeus\u00bb. De preposi\u00e7\u00e3o, a palavrinha \u201ca\u201d transmutou-se em s\u00edlaba e aglutinou-se a \u201cDeus\u201d.\u00a0 O \u201ca\u201d j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 um prefixo a apontar para a sua origem: a Deus.<\/p>\n<p>Bem singela, esta composi\u00e7\u00e3o. E fico a pensar em termos equivalentes de outras l\u00ednguas. Seja o \u201cadieu\u201d do franc\u00eas, o \u201cadi\u00f3s\u201d do espanhol e o \u201cadio\u201d da l\u00edngua italiana. Faz\u00ea-lo \u00e9 uma impossibilidade absoluta, mas ficaremos com vontade de visitarmos outras l\u00ednguas para al\u00e9m destas que nos s\u00e3o pr\u00f3ximas, geogr\u00e1fica e linguisticamente.<\/p>\n<p>O prefixo \u201ca\u201d ter-se-\u00e1 anteposto ao termo \u201cDeus\u201d em tempos idos quando as pessoas faleciam nas pr\u00f3prias casas, acompanhadas por familiares e amigos ou mesmo por um sacerdote, que ajudavam os moribundos a aceitar a morte com tranquilidade e paz de esp\u00edrito. Era assim o antigo cerimonial de uma boa morte: presen\u00e7a, companhia e ora\u00e7\u00e3o. E quando a morte chegava mesmo e os olhos do moribundo se fechavam, far-se-ia a ora\u00e7\u00e3o final, com uma esp\u00e9cie de encomenda\u00e7\u00e3o da alma \u201ca Deus\u201d. Verdadeiramente uma \u00abmorte assistida\u00bb, humana e santa.<\/p>\n<p>Entrega da alma a Deus, desejo de paz e bem para o moribundo e despedida do ente querido por parte de quem ficava e de quem muito o amava. E continua a amar. Por isso se invocava, se pedia, o supremo bem, a paz da eternidade na companhia de Deus. Eu, crian\u00e7a que era, ainda presenciei situa\u00e7\u00f5es destas na minha aldeia. E vivi-as como quem participava num momento de superior transcend\u00eancia. E era mesmo. Sem qualquer d\u00favida.<\/p>\n<p>No tempo actual, de sociedade de bem-estar e distra\u00eddos que andamos da nossa condi\u00e7\u00e3o de seres limitados, contingentes e mortais, vamos morrendo em espa\u00e7os institucionalizados, na esperan\u00e7a de uns momentos mais para esta nossa breve vida. E ainda bem. S\u00f3 que isso significa tamb\u00e9m \u2013 j\u00e1 tantos o fizeram notar &#8211; que expuls\u00e1mos a morte das nossas casas, embora ela entre virtualmente todos os dias, atrav\u00e9s de filmes, s\u00e9ries, guerras e at\u00e9 jogos v\u00eddeos que t\u00e3o cedo fazem parte do entretenimento e v\u00edcios de morte de muitos. Contradi\u00e7\u00f5es dos tempos. E a morte vem. E o \u00abadeus\u00bb j\u00e1 raramente \u00e9 um \u00aba Deus\u00bb a n\u00e3o ser \u00e0 dist\u00e2ncia ou quando o moribundo j\u00e1 \u00e9 um cad\u00e1ver.<\/p>\n<p>De uma invoca\u00e7\u00e3o de f\u00e9 e esperan\u00e7a, o \u201ca Deus\u201d das sociedades tradicionais e crist\u00e3s de outrora, transmutou-se para o \u201cadeus\u201d de simples despedida. De quem fica para quem parte. De quem parte para quem fica. Consciente ou inconscientemente, vamos dizendo \u201cadeus\u201d a Deus. Ironia do humano viver: um \u201cadeus\u201d gra\u00e7as ao \u201ca Deus\u201d.<\/p>\n<p>Por ser um \u201cadeus\u201d gra\u00e7as ao \u201ca Deus\u201d, Deus continua a estar l\u00e1, no \u201cadeus\u201d. No \u201cadeus\u201d da l\u00edngua. Na escrita e no som. No \u201cadeus\u201d e noutras formas de dizer \u201cadeus\u201d, mesmo daqueles que n\u00e3o acreditam em Deus.<\/p>\n<p>Foi por a\u00ed que comecei lembrando a minha m\u00e3e na minha primeira partida. O \u201cadeus\u201d de hoje \u00e9 o \u201cDeus te acompanhe\u201d ou o \u201cvai com Deus\u201d dos nossos progenitores. Tendo n\u00f3s expulsado Deus do espa\u00e7o p\u00fablico, estas express\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o comuns nos tempos que correm e o \u201cadeus\u201d \u00e9 o mais usual. Mas no \u201cadeus\u201d encontra-se o \u201cDeus te acompanhe\u201d. No \u201cadeus\u201d est\u00e1 um \u201cDeus desconhecido\u201d. Um \u201cDeus ignorado\u201d. Ou at\u00e9 um \u201cDeus negado\u201d. Os mist\u00e9rios da sem\u00e2ntica de uma l\u00edngua s\u00e3o li\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>As despedidas nem sempre s\u00e3o f\u00e1ceis. Dizer \u201cadeus\u201d \u00e9 bem dif\u00edcil. Pode ser dram\u00e1tico, mesmo. Toda a separa\u00e7\u00e3o tem o seu qu\u00ea de doloroso, particularmente se for for\u00e7ada por elementos estranhos. Foram dolorosamente dram\u00e1ticas aquelas despedidas dos refugiados ucranianos. Vimos as imagens. Tantas. S\u00e3o estas separa\u00e7\u00f5es que cont\u00eam maior dinamismo da esperan\u00e7a do reencontro. Por isso s\u00e3o festivos os reencontros. Foram de festa os reencontros dos ucranianos ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o da cidade de Kherson. Vimos as imagens. Simb\u00f3lica cidade. Simb\u00f3licos festejos. De \u201cadeus \u00e0 guerra\u201d e de espera da Paz, sabendo embora que, quem assim espera, sabe que se encontra perante um campo aberto de possibilidades.<\/p>\n<p>Importar\u00e1 reaprender a dizer \u201cadeus\u201d. O \u201cadeus\u201d ser\u00e1 tamb\u00e9m um \u201cadeus\u201d [a Deus] de sauda\u00e7\u00e3o para a Alegria do reencontro. \u201cA Deus\u201d encomendamos a tranquilidade da Paz. Dos vivos e dos mortos. Como nas origens.<\/p>\n<p>\u201cAdeus\u201d 2022. \u201cA Deus\u201d 2023.<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado<\/em><br \/>\nmorgado.salvado@gmail.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":266386,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-266384","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266384"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266384\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266386"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}