{"id":266218,"date":"2023-01-03T11:30:27","date_gmt":"2023-01-03T11:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=266218"},"modified":"2023-01-03T11:33:53","modified_gmt":"2023-01-03T11:33:53","slug":"lusofonias-ninguem-aguenta-a-forca-do-iguacu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-ninguem-aguenta-a-forca-do-iguacu\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Ningu\u00e9m aguenta a for\u00e7a do Igua\u00e7u"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, nas Cataratas do Igua\u00e7u, Brasil<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-CataratasIguacu-6-1-2023.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-266221\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-CataratasIguacu-6-1-2023.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-CataratasIguacu-6-1-2023.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-CataratasIguacu-6-1-2023-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-CataratasIguacu-6-1-2023-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-CataratasIguacu-6-1-2023-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-CataratasIguacu-6-1-2023-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-CataratasIguacu-6-1-2023-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-CataratasIguacu-6-1-2023-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Lusofonias-CataratasIguacu-6-1-2023-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Olho, fascinado, as Cataratas do Igua\u00e7u e as imagens do filme \u2018A Miss\u00e3o\u2019 (que vi logo em 1986) escorrem-me na mem\u00f3ria. Estas quedas enormes de \u00e1gua, unem tr\u00eas pa\u00edses: o Paraguai, o Brasil e a Argentina, poucos dias depois desta se tornar campe\u00e3 do mundo de futebol! Naquele long\u00ednquo s\u00e9c. XVIII, os jesu\u00edtas deram um novo f\u00f4lego \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas que viviam nas \u00e1reas do Paraguai, com as famosas \u2018Redu\u00e7\u00f5es\u2019. Estas Miss\u00f5es apostavam num desenvolvimento integral que passava pelo an\u00fancio do Evangelho, mas tamb\u00e9m pela educa\u00e7\u00e3o, agricultura, sa\u00fade, m\u00fasica, artes e of\u00edcios. O filme \u2018A Miss\u00e3o\u2019, com Robert de Niro e Jeremy Irons, Palma de Ouro de Cannes, come\u00e7a aqui nesta cataratas e, com a m\u00fasica fant\u00e1stica de Ennio Morricone, ganharia o pr\u00e9mio de melhor banda sonora e, com Chris Menges, venceria o \u00d3scar da melhor fotografia. Pudera, com estas paisagens de sonho, nem outra coisa se esperava\u2026<\/p>\n<p>Aqui, ensopado pelos vapores de \u00e1gua, vi-me a subir estas cascatas com o Padre Jesu\u00edta, pedra atr\u00e1s pedra, sempre e tentar n\u00e3o cair para o abismo. E recordo aquele belo toque de flauta que abriu o cora\u00e7\u00e3o dos \u00edndios e as portas ao an\u00fancio do Evangelho e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o de S. Carlos, que marcaria estas terras paraguaias, com o seu povo guarani que vivia na parte superior das cataratas.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos marcha-atr\u00e1s na agenda compactada dos \u00faltimos dias. Deixei Lima depois do Natal e regressei a San Lorenzo, com o Irm\u00e3o Mariano Espinoza, o \u00fanico paraguaio Espiritano a trabalhar no seu pa\u00eds natal. Os oito latino-americanos que se preparam, no Noviciado continental, para serem futuros Espiritanos, tiveram direito ao seu \u2018passeio anual\u2019 e a escolha reca\u00edu sobre as cataratas. Para mim, foi providencial, pois h\u00e1 muitos anos que sonhava com esta oportunidade. E valeu bem a pena!<\/p>\n<p>Sa\u00edmos bem cedo do Bairro Reducto para enfrentar uma longa estrada, sempre ladeada de um verde que pacifica os olhos e impressiona. Desde h\u00e1 muitos anos que os governos t\u00eam uma evidente preocupa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, bem clara na legisla\u00e7\u00e3o relativa ao abate de \u00e1rvores. Por mais original que pare\u00e7a, encontramos estradas alcatroadas com grandes \u00e1rvores no meio, pois foi preciso contorn\u00e1-las, uma vez que n\u00e3o havia autoriza\u00e7\u00e3o de as cortar! Tamb\u00e9m impressiona o facto de haver muito territ\u00f3rio e pouca gente, ainda por cima a viver em povoamento disperso. H\u00e1 imensas fazendas de gado, campos de soja a perder de vista \u2013 a vers\u00e3o menos ecol\u00f3gica deste pa\u00eds! &#8211; e h\u00e1 tamb\u00e9m muitos terrenos que s\u00e3o charcos e, por isso, nem d\u00e3o para construir nem para cultivar.<\/p>\n<p>A primeira etapa desta viagem de mais de 800 kms levou-nos a Caacup\u00e9, capital espiritual do pa\u00eds, como est\u00e1 dito na estrada. O povo venera a Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o que, segundo lenda que vem do in\u00edcio do s\u00e9c. XVII, salvou um jovem \u00edndio das flechas de outros que o matariam se o vissem. S\u00f3 que ele escondeu-se atr\u00e1s de um arbusto de erva mate (utilizada nos ch\u00e1s quentes das manh\u00e3s) e invocou a Senhora da Concei\u00e7\u00e3o. Eles passaram sem o ver e, por isso, o jovem Jos\u00e9 fez do tronco deste arbusto uma est\u00e1tua de Nossa Senhora, dando in\u00edcio a um Santu\u00e1rio que hoje re\u00fane milh\u00f5es de peregrinos por ano e \u00e9 o pulm\u00e3o espiritual do pa\u00eds. Ali rezei e visitei o novo museu que conta esta hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Seguimos viagem at\u00e9 \u00e0 fronteira com o Brasil, a Ciudad del Este, enorme (a 2\u00aa maior do pa\u00eds!), bonita e a abarrotar de brasileiros que fazem dele o seu espa\u00e7o de vida e de compras, dada a diferen\u00e7a de pre\u00e7os entre os dois pa\u00edses. Ali dormimos com o objectivo de nos fazermos \u00e0 fronteira bem cedo, pois previa-se muito tr\u00e2nsito. Impressiona ver a fila de kms de cami\u00f5es estacionados ao longo da estrada de acesso \u00e0 ponte sobre o Rio Paran\u00e1, a fronteira. Entre o acordar \u00e0s 6h30 e o olhar as primeiras cataratas do Igua\u00e7u, passaram-se seis longas horas, de filas e esperas. Mas, quando os olhos puderam atravessar de mansinho a floresta nativa que se mant\u00e9m virgem e est\u00e1 cheia de on\u00e7as e outros animais selvagens, entramos no para\u00edso terrestre, \u2018uma das sete maravilhas da natureza, patrim\u00f3nio da humanidade\u2019 \u2013 como est\u00e1 escrito em muitos muros e cartazes. Depois foi s\u00f3 abrir os olhos e contemplar, algo que parece quase imposs\u00edvel quando estamos acompanhados de milhares de pessoas que falam todas as l\u00ednguas e t\u00eam rostos que mostram a nossa humanidade sem fronteiras.<\/p>\n<p>Ainda com os olhos cheios deste encanto da natureza, deste voltar \u00e0 manh\u00e3 da Cria\u00e7\u00e3o como narra o livro do G\u00e9nesis, regressamos a casa e, na linha do horizonte, j\u00e1 est\u00e1 o Cap\u00edtulo do Grupo, evento que acontece cada oito anos e deve avaliar a miss\u00e3o realizada e programar os anos que a\u00ed v\u00eam. \u00c9 um evento de grande alcance que precisa de muita inspira\u00e7\u00e3o para que os Espiritanos sejam fi\u00e9is ao seu carisma mission\u00e1rio e constituam um valor acrescentado para a Igreja e o povo que vivem em terras paraguaias.<\/p>\n<p>Desejo um 2023 inspirado e pac\u00edfico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, nas Cataratas do Igua\u00e7u, 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