{"id":266205,"date":"2023-01-06T09:00:45","date_gmt":"2023-01-06T09:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=266205"},"modified":"2023-01-03T10:32:30","modified_gmt":"2023-01-03T10:32:30","slug":"o-abraco-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-abraco-do-natal\/","title":{"rendered":"O abra\u00e7o do Natal"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228266 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Findamos, recentemente, o encantador e bel\u00edssimo per\u00edodo do Natal do Senhor. Este ano, em particular, na comunidade paroquial a mim confiada pela Santa Igreja, fui deveras surpreendido pela envolv\u00eancia contagiante do povo de Deus em torno do Deus Menino. No dia solene do Natal do Senhor e na sua oitava, fomos agraciados com a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos Meninos Jesus de todas as fam\u00edlias na Santas Missas. A forma \u00fanica como cada um, dos mais novos aos mais velhos, seguravam Deus Menino foi um regalo para a vista e para a alma. Esta sublime manifesta\u00e7\u00e3o do santo povo de Deus inquietou-me, confesso. Como pode um Menino ser tanto em t\u00e3o pouco? Como pode este Menino perturbar-me ao ponto de me colocar em quest\u00e3o, ao ponto de me questionar na e pela forma como sou e como vivo? Como pode este Menino suscitar em mim os valores mais nobres e sublimes? E, mais importante, como pode este Menino projectar-me para uma Palavra, para uma Promessa de vida e de esperan\u00e7a?<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente esta \u00faltima quest\u00e3o que mais gera significado ao significado da nossa vida. Pois, na doa\u00e7\u00e3o livre (e diria, at\u00e9, corajosa!) de Deus em dar-se, em se fazer um connosco, em ser um entre n\u00f3s, n\u00e3o pela opul\u00eancia ou pela magnanimidade segundo os crit\u00e9rios do mundo, mas nascer na maior pobreza e simplicidade poss\u00edveis e inimagin\u00e1veis. Poderia Deus ter escolhido nascer em lautos e faustosos pal\u00e1cios, mas n\u00e3o. Escolheu o lugar mais perif\u00e9rico da exist\u00eancia e da sociedade de ent\u00e3o. Mais, Ele que fora rejeitado em todas as casas humanas apenas encontrou \u2018abrigo\u2019 numa manjedoura, sob o acolhimento puro dos animais dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Isto inquieta e perturba. Como pode este \u2018marginal\u2019 ser tanto e tudo em n\u00f3s? Deus tem o feliz h\u00e1bito de nos desconstruir a partir das nossas certezas e matizes. \u00c9 encantador! Por isso, o amor \u2013 o verdadeiro amor \u2013 implicar\u00e1, sempre e de antem\u00e3o, o acolhimento aut\u00eantico, simples e generoso do outro em todas as suas idiossincrasias. E, neste acolhimento, o acto de amar implicar\u00e1, inevitavelmente, uma rela\u00e7\u00e3o, uma rela\u00e7\u00e3o dual\u00f3gica e dial\u00f3gica.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico psiquiatra, Dr. Jos\u00e9 Gameiro, escreveu a este prop\u00f3sito que \u201co amor \u00e9 um sentimento, mas \u00e9, sobretudo, uma rela\u00e7\u00e3o. Qualquer pessoa consegue descrever, mais ou menos, a sua rela\u00e7\u00e3o de amor, mas n\u00e3o consegue explicar porque ama. O como \u00e9 muito mais f\u00e1cil que o sentimento. Os atributos que arranjamos para justificar que amamos algu\u00e9m s\u00e3o facilmente destru\u00eddos quando a rela\u00e7\u00e3o acaba ou balan\u00e7a, e quase nunca o \u201cobjeto de amor\u201d mudou. Foi a rela\u00e7\u00e3o que mudou ou foi mudando.\u201d (Dr. Jos\u00e9 Gameiro, <em>In. Expresso<\/em>, n\u00ba. 2616, 16\/12\/2022).<\/p>\n<p>Hoje, mais do que nunca, somos convidados a esta rela\u00e7\u00e3o que se sente e que imana do Pres\u00e9pio de Bel\u00e9m. No abra\u00e7o eterno do Menino Jesus, que, ali\u00e1s, nas suas m\u00faltiplas representa\u00e7\u00f5es iconogr\u00e1ficas aparece sempre de bra\u00e7os abertos, desejoso de nos abra\u00e7ar, de nos acolher n\u2019Ele e, n\u2019Ele acolhidos, compreender a vida como um abra\u00e7o constante que a todos deve acolher e envolver, somos desafiados a pautar a nossa vida como uma hist\u00f3ria de bra\u00e7os abertos at\u00e9 ao abra\u00e7o final na Cruz do Senhor Jesus.<\/p>\n<p>Termino com a habitual sagacidade do senhor Cardeal D. Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a. Diz ele que \u201co Natal deixa-nos com um presente nas m\u00e3os: confia-nos um verbo para todos os dias do ano. E esse verbo \u00e9 nascer. Um acontecimento que normalmente colocamos no princ\u00edpio da vida e do qual pensamos que ocorre uma \u00fanica vez. Ora, o Natal entrega-nos o verbo nascer como um programa de vida, um mapa sempre em aberto, sempre a ser refeito. O menino que o Natal celebra diz a cada um: \u201cAgora nasce tu\u201d (<em>In. Expresso<\/em>, n\u00ba. 2617, 23\/12\/2022).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><u>\u00a0<\/u><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-266205","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266205\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}