{"id":266029,"date":"2023-01-01T18:00:33","date_gmt":"2023-01-01T18:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=266029"},"modified":"2023-01-01T18:38:31","modified_gmt":"2023-01-01T18:38:31","slug":"jmj-lisboa-2023-e-preciso-dar-seguimento-afirma-d-manuel-clemente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jmj-lisboa-2023-e-preciso-dar-seguimento-afirma-d-manuel-clemente\/","title":{"rendered":"JMJ Lisboa 2023: \u00ab\u00c9 preciso dar seguimento\u00bb \u00e0 Jornada Mundial da Juventude &#8211; D. Manuel Clemente"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">\u00abSou um trabalhador da mem\u00f3ria\u00bb, afirma o cardeal-patriarca em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA no contexto do Dia Mundial da Paz<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_266025\" aria-describedby=\"caption-attachment-266025\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266025\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-CLemente_AE_IMG_0164.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-266025\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>2023 \u00e9 o ano da Jornada Mundial da Juventude e j\u00e1 falaremos sobre esse grande acontecimento. Mas comecemos pela mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz, em que fala da pandemia e da guerra. O Papa pergunta \u201co que \u00e9 que aprendemos com esta situa\u00e7\u00e3o de pandemia?\u201d. Encaminho esta pergunta para o cardeal-patriarca de Lisboa&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Espero, como o Papa espera, que tenhamos aprendido alguma coisa. O essencial que ele lembra \u00e9 que \u201cNingu\u00e9m se salva sozinho\u201d, nem do ponto de vista espiritual nem do ponto de vista humano. E isso devia ter sido ainda mais claro com a pandemia. A pandemia n\u00e3o respeitou fronteiras, rapidamente se expandiu de uma ponta \u00e0 outra do mundo e ningu\u00e9m ficou imune. Dev\u00edamos ter aprendido isso, que s\u00f3 em conjunto&#8230; E tanta gente trabalhou nesse sentido, desde governos, aos laborat\u00f3rios, as igrejas, as institui\u00e7\u00f5es sociais que tanto trabalharam para que a pandemia se ultrapassasse da melhor maneira, onde j\u00e1 se ultrapassou, porque ainda n\u00e3o \u00e9 uma batalha ganha em todo o lado, mas muito se fez.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O Papa diz na mensagem que uma das heran\u00e7as maiores da pandemia \u00e9 a consci\u00eancia da fraternidade. Conseguiu-se esse ideal, que era tamb\u00e9m da democracia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Creio que a pandemia foi ensejo para isso e que nalguns casos se verificou no espa\u00e7o religioso e no espa\u00e7o social. Mas que seja suficiente, a\u00ed j\u00e1 tenho mais d\u00favidas, porque a humanidade \u00e0s vezes aprende, mas tamb\u00e9m esquece com muita facilidade e gosta de voltar \u00e0s normalidades que nem sempre s\u00e3o as melhores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Papa alerta para outro problema: quando est\u00e1vamos a sair lentamente, porque ainda n\u00e3o est\u00e1 a batalha ganha no que diz respeito \u00e0 pandemia (e outras coisas que possam surgir, porque os v\u00edrus continuam, estes ou outros, porque tamb\u00e9m se adaptam e sobrevivem para mal nosso), aparece esta guerra, na outra fronteira da Europa, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na outra fronteira da Europa&#8230; N\u00f3s estamos a entrar num ano, e agora num inverno que em Portugal \u00e9 como \u00e9, apesar das recentes tempestades, mas nada que se compare a viver a 40 graus negativos, sem aquecimento, sem g\u00e1s, com as estruturas b\u00e1sicas destru\u00eddas, por vezes em lenha porque as matas tamb\u00e9m foram destru\u00eddas e devastadas pelo conflito&#8230; Como \u00e9 que se sobrevive nestas condi\u00e7\u00f5es? E n\u00e3o s\u00f3 l\u00e1, porque daquela regi\u00e3o do mundo vem muito cereal que ali se produz e \u00e9 exportado para muitos lados que precisam urgentemente dele, h\u00e1 o problema tamb\u00e9m dos combust\u00edveis, concretamente do petr\u00f3leo e o que s\u00e3o os seus derivados, h\u00e1 o problema do g\u00e1s, h\u00e1 a subida dos pre\u00e7os, h\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o e por isso mais dificuldades das fam\u00edlias atenderem \u00e0s necessidades b\u00e1sicas (alimenta\u00e7\u00e3o, conforto essencial).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Papa alerta para um conflito que est\u00e1 muito dif\u00edcil de se resolver: come\u00e7ou em mar\u00e7o passado, j\u00e1 temos quase um ano disto. As consequ\u00eancias agravam-se e o perigo de alastramento direto ou indireto \u00e9 real, porque n\u00e3o nos podemos esquecer \u2013 eu nem quero pensar nisso &#8211; que as duas guerras mundiais do s\u00e9culo passado come\u00e7aram com conflitos localizados: a primeira nos Balc\u00e3s, era s\u00f3 ali e depois n\u00e3o foi, durou quatro anos e morreram milh\u00f5es de pessoas como nunca tinha acontecido e outras ficaram muitas inutilizadas pelos gazes; depois veio a segunda guerra mundial e tamb\u00e9m era ali, na Alemanha e na Pol\u00f3nia, depois acabou por ser o que foi com milh\u00f5es de mortos. As coisas come\u00e7am relativamente localizadas, mas se n\u00e3o h\u00e1 cuidado, esta antisolidariedade e a conjuga\u00e7\u00e3o de fatores rapidamente se expande. E \u00e9 efetivamente um grande perigo. O Papa est\u00e1, e estamos n\u00f3s todos com ele, muito preocupado com este problema da guerra naquela fronteira da Europa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Semana ap\u00f3s semana, o Papa repete apelos \u00e0 paz&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Est\u00e1 realmente muito preocupado com isso e com todas as raz\u00f5es para se preocupar&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_266026\" aria-describedby=\"caption-attachment-266026\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266026\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_AE_IMG_0254.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-266026\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Podemos depreender pelo decorrer da guerra que a voz do Papa n\u00e3o \u00e9 ouvida, n\u00e3o chega a essa geografia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As coisas chegam aonde chegam, mas os interesses s\u00e3o o que s\u00e3o! Concretamente os governantes russos t\u00eam a ideia que t\u00eam e v\u00e3o dizendo: que \u00e9 um espa\u00e7o que lhes est\u00e1 destinado, ou quase, e que portanto se t\u00eam de sujeitar; na Ucr\u00e2nia h\u00e1 esta resist\u00eancia que n\u00e3o era esperada, mas mostra uma enorme capacidade de ser ela, como \u00e9, como na\u00e7\u00e3o e resistindo \u00e0 invas\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e infraestruturas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tudo isto podia ser aplicado no outro sentido: todo o potencial que a humanidade vai acrescentando podia ser \u00f3timo e ben\u00e9fico para uma sociedade mais solid\u00e1ria e que respondesse efetivamente aos problemas mundiais, at\u00e9 com a consci\u00eancia acrescida de que se n\u00e3o se resolvem no todo, tamb\u00e9m n\u00e3o se resolvem na parte, porque direta ou indiretamente tudo se liga e interliga, quer do ponto de vista econ\u00f3mico, quer do ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista da subsist\u00eancias, quer do ponto de vista dos produtos b\u00e1sicos para a economia mundial&#8230; E afund\u00e1mo-nos todos quando pod\u00edamos, pelo contr\u00e1rio, emergir todos para uma sociedade diferente. E h\u00e1 hoje outro risco que n\u00e3o havia nos conflitos mundiais anteriores, que \u00e9 a sofistica\u00e7\u00e3o do armamento, o nuclear&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E essa pode ser uma estrat\u00e9gia errada: ir armando cada vez mais a Ucr\u00e2nia?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isso j\u00e1 est\u00e1 dito desde h\u00e1 muito tempo. Concretamente na constitui\u00e7\u00e3o \u201cGaudium et Spes\u201d, do Vaticano II, nunca por demais lembrada, sobre a Igreja no mundo contempor\u00e2neo, fala-se disso: ningu\u00e9m pense que com esta pol\u00edtica do armamento contra armamento, mais armamento, se chegar\u00e1 a uma outra coisa que n\u00e3o seja gastos in\u00fateis, subdesenvolvimento que podia ter sido resolvido aplicando esses meios e o perigo acrescido de que, com algum descuido ou tonteira, isso possa deflagrar em termos definitivos, tragicamente definitivos para a humanidade em geral.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Como analisa o posicionamento e o pronunciamento da Igreja Ortodoxa Russa em todo este conflito?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 isso, \u00e9 russa. E temos de situar os pronunciamentos no s\u00edtio onde s\u00e3o feitos. Pelo que leio e pelo que ou\u00e7o de pessoas que conhecem diretamente essa realidade, que n\u00e3o \u00e9 o meu caso, apenas como leitor interessado que acompanha estas coisas, h\u00e1 uma mentalidade panrussa: uma \u00e1rea de influ\u00eancia que consideram ben\u00e9fica e tem de ser protegida e n\u00e3o pode ser interferida por outras presen\u00e7as&#8230; Esta mentalidade est\u00e1 l\u00e1, j\u00e1 esteve com outras conota\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, agora tem as que tem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Lei da eutan\u00e1sia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O Papa Francisco refere, na mensagem para o Dia Mundial da Paz, como estava a afirmar tamb\u00e9m o D. Manuel Clemente, que estes problemas est\u00e3o interligados, um leva ao outro e s\u00f3 os piora, concretizando, por exemplo, no problema de garantir os cuidados de sa\u00fade para todos. \u00c9 um problema que tamb\u00e9m atravessamos em Portugal e, apesar disso, decorre o processo legislativo da eutan\u00e1sia. \u00c9 um passo em falso?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 completamente um passo em falso! Eu tenho visitado &#8211; e agora nestes dias que antecederam o Natal de uma maneira especial, como sempre acontece &#8211; uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es que mostram que h\u00e1 alternativas a isto: h\u00e1 alternativas pelos cuidados paliativos, h\u00e1 alternativas pelo cuidado das pessoas. Quem \u00e9 acompanhado, quem n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3, quer viver. E mesmo essa \u00faltima fase da exist\u00eancia, desde que tenha esses meios de uma sociedade que verdadeiramente acompanhe, conforte, elimine a dor, podem ser momentos vividos em paz. E eu n\u00e3o estou a falar de cor: h\u00e1 uma s\u00e9rie de rostos que me est\u00e3o a passar pela mem\u00f3ria recente onde isso aconteceu, porque houve a companhia, houve paliativo, uma sociedade que encobre, que envolve, que n\u00e3o deixa s\u00f3, e esse \u00e9 que \u00e9 o caminho. O que devemos dar como sociedade e sociedade organizada \u2013 e isso chama-se Estado, isso chama-se pol\u00edtica \u2013 \u00e9 a todas as pessoas a possibilidade de serem acompanhadas em todas as fases da exist\u00eancia, serem valorizadas naquilo que em cada fase pode contribuir para o bem comum (h\u00e1 coisas que s\u00f3 a idade permite oferecer). O caminho n\u00e3o essa legisla\u00e7\u00e3o que se prop\u00f5e ou possa vir a acontecer \u2013 esperemos que n\u00e3o -, mas o contr\u00e1rio: institui\u00e7\u00f5es que se alargam, tantos bons exemplos que a\u00ed est\u00e3o em que a resposta pode ser outra e a vida pode ser plenamente vivida desde que devidamente acompanhada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_266049\" aria-describedby=\"caption-attachment-266049\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266049\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0216.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-266049\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O presidente Marcelo Rebelo de Sousa, a prop\u00f3sito deste processo legislativo, fala de uma presen\u00e7a dos cat\u00f3licos na sociedade cada vez menos relevante, na cultura, na comunica\u00e7\u00e3o social, e que torna espinhosa a magistratura chamada a decidir estes casos&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Reparei nessas declara\u00e7\u00f5es do senhor presidente. \u00c9 uma perspetiva. Mas tamb\u00e9m se pode ver noutros termos: o que n\u00f3s t\u00ednhamos at\u00e9 agora era uma sociedade, com certeza tocada pela tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, que n\u00e3o punha em causa certos valores, como temos na pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o. O artigo 24 \u00e9 taxativo: \u201co direito \u00e0 vida humana \u00e9 inviol\u00e1vel\u201d. E foi escrito assim, dizem os constituintes, sem mais nada, para ser assim absolutamente tomado. N\u00f3s t\u00ednhamos, at\u00e9 a\u00ed (e j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o quase 50 anos), um conjunto de valores b\u00e1sicos que n\u00e3o eram postos em causa. N\u00e3o era tanto o caso de haver mais ou menos cat\u00f3licos na vida ativa ou na vida pol\u00edtica. Era porque a pr\u00f3pria sociedade assumia isso como valores b\u00e1sicos. Mas isso foi h\u00e1 meio s\u00e9culo e de h\u00e1 meio s\u00e9culo para c\u00e1 repar\u00e1mos noutra coisa: nesta sociedade &#8211; e n\u00e3o podemos generalizar isto, porque estamos a falar nesta sociedade, da Alemanha para c\u00e1, do Norte da Am\u00e9rica e nalgumas outras regi\u00f5es do mundo, n\u00e3o estamos a falar na humanidade no seu todo \u2013 caminhou-se ou descaminhou-se muito no sentido da individualiza\u00e7\u00e3o da vida, h\u00e1 possibilidades disso, os consumos s\u00e3o muito fortes. De certa maneira, toda a pr\u00e1tica do consumo vai no sentido de conjugar o produto \u00e0 capacidade de usufruir: se \u00e9 novo, se \u00e9 jovem, se \u00e9 capaz, se tem sa\u00fade, pode comprar, pode fazer&#8230; E parece que quando isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, pela idade ou pela doen\u00e7a, ent\u00e3o mais vale desistir. E isto \u00e9 novo, isto n\u00e3o acontecia&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>N\u00e3o a ver com o ser ou n\u00e3o cat\u00f3lico&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isto \u00e9 geral. E \u00e9 muito interessante verificar que da parte da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal quer na problem\u00e1tica do aborto, quer agora na problem\u00e1tica da eutan\u00e1sia, A Igreja ativa, e concretamente os seus respons\u00e1veis, sempre t\u00eam caminhado em termos de frente comum. Reparemos que aquilo que dizem os comunicados do episcopado s\u00e3o coisas muito semelhantes ao que t\u00eam dito a Ordem dos M\u00e9dicos, a Ordem dos Advogados, a Ordem dos Enfermeiros, o que t\u00eam dito v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o confessionais. E at\u00e9 as religi\u00f5es mais expressivas na sociedade, que t\u00eam feito comunicados em conjunto. Portanto, isto n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de cat\u00f3licos, isto \u00e9 uma quest\u00e3o humana e tamb\u00e9m social e cultural. At\u00e9 devo dizer, com a idade que tenho, a meio dos setenta, que olhando para tr\u00e1s, em termos de organiza\u00e7\u00f5es profissionais cat\u00f3licas (e agora estamos a falar neste campo), m\u00e9dicos cat\u00f3licos, juristas cat\u00f3licos e outras organiza\u00e7\u00f5es assim, eu at\u00e9 talvez veja hoje&#8230; Tiro o talvez: vejo mais milit\u00e2ncia do que via h\u00e1 20 ou 30 ou 40 anos&#8230; Agora, numa sociedade que j\u00e1 n\u00e3o comunga ou parece n\u00e3o comungar de uma base dos valores que eram geralmente aceites por todos e est\u00e3o na pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o, como disse, lembrando esse artigo 24.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Tudo isso \u00e9 confirmado pelo n\u00famero do \u00faltimo Censos, sobre a pr\u00e1tica cat\u00f3lica?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00c9 curioso&#8230; Este Censos de 2021, onde 80% dos que responderam sobre a religi\u00e3o disseram que eram cat\u00f3licos, \u00e9 surpreendente! N\u00e3o correspondem \u00e0 pr\u00e1tica dominical, que atingir\u00e1 15% no nosso pa\u00eds \u2013 n\u00e3o sei, neste momento &#8211; no total das dioceses&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Corresponde a uma identidade?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma identidade ou um conjunto de valores que mesmo que j\u00e1 n\u00e3o se vivam da maneira como se viviam, s\u00e3o sentidos ou consentidos. F\u00e1tima tem um papel muito importante, passa por l\u00e1 cerca de um milh\u00e3o de portugueses todos os anos. Depois a quest\u00e3o da morte, do al\u00e9m, do significado da vida continua muito presente e tem um significado tamb\u00e9m cat\u00f3licos, al\u00e9m doutros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 um conjunto de sentimentos religiosos que se integram na gal\u00e1xia cat\u00f3lica que faz com que 80% da popula\u00e7\u00e3o se continua a dizer como tal! Ainda bem&#8230; Mas h\u00e1 muito trabalho a fazer para que al\u00e9m de ser um sentimento difuso seja uma pr\u00e1tica consequente, e isso quer dizer Doutrina Social da Igreja.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Tamb\u00e9m em processos legislativos como este da eutan\u00e1sia&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em todas as dimens\u00f5es, quer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica. Em rela\u00e7\u00e3o a tudo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>JMJ Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Falemos da Jornada Mundial da Juventude. O Papa Francisco numa mensagem v\u00eddeo dirigida \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da jornada e aos jovens portugueses, pediu-lhes para sonhar, para fazerem uma jornada original. O que \u00e9 que esta jornada, de 1 a 6 de agosto, vai ter de original?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu creio que tem a ver com a pr\u00f3pria escolha de Lisboa. Recordo-me, e remontamos a 2015 ou 2016&#8230; Eu sou o bispo mais antigo na confer\u00eancia e quando para l\u00e1 entrei, no final de 1999, j\u00e1 de vez que em quando vinha essa conversa \u201cse fiz\u00e9ssemos uma Jornada Mundial da Juventude em Portugal?\u201d&#8230; Era uma conversa recorrente. Depois, come\u00e7\u00e1vamos a ver a Jornada Mundial da Juventude com 2 milh\u00f5es, com 3 milh\u00f5es&#8230; Somos um pa\u00eds de 10 milh\u00f5es: onde \u00e9 que alojamos, onde \u00e9 que metemos tanta gente&#8230; Parecia uma coisa imposs\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Come\u00e7ou a sussurrar-nos que havia interesse da parte de Roma, que organiza a jornada, que \u00e9 uma iniciativa papal, que nesta pontinha da Europa, a apontar para outros continentes, para a \u00c1frica, para o Atl\u00e2ntico, seria bom, seria positivo. Foi muito nessa base que apresentei a candidatura de Lisboa, que foi aceite. Era para ser em 22 agora vai ser em 23. E isto j\u00e1 marca a JMJ de Lisboa 2023 no sentido da universalidade, na preocupa\u00e7\u00e3o em trazer gente de todo o lado e de arranjar meios para que isso aconte\u00e7a, porque uma viagem de avi\u00e3o de um pa\u00eds da \u00c1frica, de um pa\u00eds da \u00c1sia n\u00e3o \u00e9 barata&#8230; Arranjar meios para que isso aconte\u00e7a, pelo menos com uma representa\u00e7\u00e3o de cada um desses lugares&#8230; A preocupa\u00e7\u00e3o do lugar dos jovens com defici\u00eancia, para que n\u00e3o fiquem de fora, a perspetiva ecol\u00f3gica: fazer disto um movimento ecol\u00f3gico, que deixar\u00e1 como heran\u00e7a um enorme Parque Tejo para a popula\u00e7\u00e3o, onde se possa usufruir dessa boa ecologia que temos aqui&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 um conjunto de fatores que est\u00e1 muito presente nesta jornada e tem a ver com o tempo que vivemos. E o Papa tamb\u00e9m tem dito que espera que esta jornada seja para um n\u00famero representativo da juventude mundial um desconfinamento. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que numa altura da vida, a adolesc\u00eancia, em que \u00e9 mais preciso conviver, brincar e estar com os outros, muita juventude mundial esteve confinada em casa. E a internet n\u00e3o resolve tudo e \u00e0s vezes at\u00e9 complica quando substitui outros meios de conv\u00edvio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_266047\" aria-describedby=\"caption-attachment-266047\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266047\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0272.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-266047\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Na mensagem para JMJ, o Papa fala num novo come\u00e7o para esses jovens&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E sobretudo de conviv\u00eancia, de estar uns com os outros e de todo o lado. E esperemos que seja assim, porque a oportunidade \u00e9 grande.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Pelos contactos que vai tendo e pelas visitas que v\u00e3o acontecendo doutros pa\u00edses, a expectativa \u00e9 grande para a presen\u00e7a de representa\u00e7\u00f5es de todos os pa\u00edses do mundo?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 muito grande. Mas a organiza\u00e7\u00e3o da jornada, e concretamente o senhor D. Am\u00e9rico Aguiar, que \u00e9 o presidente da Funda\u00e7\u00e3o JMJ Lisboa 2023, tem-se multiplicado nesses contactos, naquele setor que estava h\u00e1 pouco a sublinhar, naqueles que menos possibilidades teriam para vir, concretamente todo o mundo dos Palops e que v\u00e3o desde a Guin\u00e9 at\u00e9 Timor. H\u00e1 presen\u00e7as que s\u00e3o mais do que garantidas: os nossos irm\u00e3os espanh\u00f3is est\u00e3o cheios de vontade de vir (n\u00e3o podem vir todos, porque n\u00e3o cabem&#8230; T\u00eam de dar lugar a outros&#8230;), italianos&#8230; pela Europa em geral. Mas com a preocupa\u00e7\u00e3o: que venham tamb\u00e9m de s\u00edtios que, mesmo mais afastados e com viagens mais caras, n\u00e3o deixem de vir. E est\u00e1-se a fazer tudo nesse sentido&#8230; O poss\u00edvel!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A JMJ acontece numas circunst\u00e2ncias muito particulares para a sociedade para a Igreja, em Portugal e no mundo. A primeira, que pedia o coment\u00e1rio ao D. Manuel Clemente, \u00e9 o ambiente sinodal de escuta. A jornada, e por informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 partilhadas por D. Am\u00e9rico Aguiar, far\u00e1 essa mudan\u00e7a nas catequeses, que seriam dadas por bispos de todo o mundo e que agora v\u00e3o escutar os jovens. H\u00e1 essa novidade?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E \u00e9 muito interessante. J\u00e1 participei noutras jornadas, at\u00e9 como catequista, e d\u00e1 muito jeito, porque tem de coincidir a oferta com a procura. Se vamos com um discurso preparado, o melhor que sabemos e podemos, vamos com a mentalidade que temos, com a idade que temos, que pode j\u00e1 n\u00e3o corresponder \u00e0s perguntas ou ao modo como as perguntas s\u00e3o feitas e que v\u00eam de duas ou tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es depois de n\u00f3s. E dar essa oportunidade aos catequistas, sejam bispos sejam outros, de escutarem as interpela\u00e7\u00f5es para depois adequar a resposta evang\u00e9lica, porque \u00e9 disso que se trata, a essas situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 muito \u00fatil. \u00c9 sinodalidade: fazer um caminho em conjunto em que todos escutam todos e todos v\u00e3o com todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Recordemos a reuni\u00e3o de jovens de todo o mundo no Vaticano, a reuni\u00e3o sinodal em torno do tema da juventude. Devolver o protagonismo aos jovens vai acontecer nesta jornada?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 est\u00e1 a acontecer. A jornada \u00e9 de jovens para jovens, basicamente! Esse dinamismo at\u00e9 come\u00e7ou l\u00e1 mais para tr\u00e1s, com o s\u00ednodo sobre os jovens, de onde saiu o documento \u201cCristo vive\u201d, que est\u00e1 muito presente, e ainda houve, ainda antes da reuni\u00e3o sinodal, uma s\u00e9rie de reuni\u00f5es, tamb\u00e9m com jovens e a ausculta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m com jovens de Portugal. E h\u00e1 um grupo que continua a assessorar o Papa neste sentido da adequa\u00e7\u00e3o ao mundo juvenil. Isto j\u00e1 vai com um grande lastro e \u00e9 preciso que continue. E se forem \u00e0 sede da jornada, ao COL, o Comit\u00e9 Organizador Local, na antiga Manuten\u00e7\u00e3o Militar do Beato, podem ver todos os dias e todas as noites, o que por l\u00e1 se passa em termos juvenis. Portanto, isto \u00e9 de jovens para jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Abusos na Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>As jornadas v\u00e3o acontecer uns meses depois da Comiss\u00e3o Independente para o Estudo de Abusos Sexuais de Crian\u00e7as na Igreja Cat\u00f3lica Portuguesa divulgar o seu relat\u00f3rio. Que momento \u00e9 este para a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Foi um momento que a Igreja quis. Efetivamente, isto \u00e9 um problema n\u00e3o s\u00f3 da Igreja, como todos sabemos, mas tamb\u00e9m nos toca a n\u00f3s e infelizmente dentro das nossas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es pode acontecer. Ent\u00e3o quisemos saber: nome\u00e1mos uma comiss\u00e3o, que funciona por si e por isso \u00e9 independente, para escutar quem se quisesse pronunciar, fazer um estudo do que aconteceu, desde 1950 (portanto grand\u00edssima parte desse estudo refere-se a situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 muito passadas e felizmente ultrapassadas ou, \u00e0s vezes, pela ordem natural das coisas, porque as pessoas entretanto morreram). O que importa \u00e9 que da\u00ed se tire uma s\u00e9rie de conclus\u00f5es sobre o que \u00e9 que n\u00e3o pode acontecer, como \u00e9 que se pode evitar que isso aconte\u00e7a e como fazer de cada ambiente eclesial um ambiente seguro. At\u00e9 \u00e9 um bom servi\u00e7o que fazemos \u00e0 sociedade em geral porque, como sabemos, estamos a falar de uma percentagem muito reduzida do problema. Basta estar atento \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria e em todos os meios atinge todos os setores sociais. N\u00f3s estamos a fazer a nossa parte e certamente que outros a far\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<figure id=\"attachment_266048\" aria-describedby=\"caption-attachment-266048\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266048\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Manuel-Clemente_IMG_0283.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-266048\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Poder\u00e1 decorrer da\u00ed algum afastamento dos jovens, uma diminui\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o na jornada?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Julgo que n\u00e3o. Uma das coisas que nos tem sido dita por quem est\u00e1 a trabalhar e sistematizar as informa\u00e7\u00f5es \u00e9 que a grande maioria das pessoas que se queixaram n\u00e3o se afastaram da Igreja. Perceberam que era um problema com este ou aquele fulano ou fulana, n\u00e3o era um problema geral, e de alguma maneira se tentou ultrapassar. N\u00e3o me parece&#8230; At\u00e9 por esta atitude de ser a pr\u00f3pria Igreja a tomar a iniciativa (\u00e9 bom n\u00e3o esquecer isto).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O que significa para si este ano de 2023? \u00c9 um ano em que completa 75 anos, h\u00e1 formalidades que se cumprem nesta idade, como bispo, mas perguntava-lhe o que significa este ano, com a realiza\u00e7\u00e3o da JMJ?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As coisas ligam-se&#8230; O ano passado dei uma entrevista em que tamb\u00e9m me foi perguntado isso e eu disse: acho importante \u2013 e j\u00e1 o disse ao Papa \u2013 que haja um patriarca mais jovem, que esteja mais pr\u00f3ximo de toda esta problem\u00e1tica. Quer queiramos quer n\u00e3o, 75 s\u00e3o 75&#8230; A nossa cabe\u00e7a foi feita noutra altura, a nossa \u201cforma mentis\u201d, para dizer isto de uma maneira mais sofisticada, \u00e9 a que \u00e9. Tentamos acompanhar, mas era bom que houvesse algu\u00e9m que depois desse seguimento. Isto fica tudo no ar, mas \u00e9 preciso dar seguimento&#8230; E vir algu\u00e9m mais novo, mais capaz, mais dentro deste mundo e at\u00e9 dentro das tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o, onde eu sou completamente imigrante digital, onde n\u00e3o h\u00e1 muito a fazer&#8230; Cada um \u00e9 como \u00e9: ainda penso com a esferogr\u00e1fica e escrevo postais \u00e0 m\u00e3o&#8230; Haver algu\u00e9m que seja mais deste tempo \u00e9 a melhor maneira de dar continua\u00e7\u00e3o a isto. O Papa sabe disto e, quando ele quiser, tanto fico como vou: antes, durante ou depois&#8230; Quando ele quiser.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Aqui em Lisboa tivemos esta outra realidade que foi o falecimento do senhor D. Daniel. Lisboa costuma ser servida por quatro bispos, dada a dimens\u00e3o do territ\u00f3rio&#8230; Temos um quarto da popula\u00e7\u00e3o de Portugal, temos tr\u00eas regi\u00f5es pastorais, cada um delas tem mais gente do que algumas dioceses portuguesas e, para haver um acompanhamento concreto, como estamos habituados a fazer em Lisboa, das par\u00f3quias, da vigararias, institui\u00e7\u00f5es, movimentos, grupos, \u00e9 um trabalho enorme&#8230; O senhor D. Daniel foi-se embora e deixou-nos muita saudade! Era um grande bispo! Acredito que ele esteja a trabalhar no c\u00e9u, mas precisamos de um trabalho mais na terra&#8230; O senhor D. Am\u00e9rico est\u00e1 superocupado com a jornada e basicamente isto est\u00e1 entregue a dois septuagen\u00e1rios, o senhor D. Joaquim e eu, que fazemos 75 at\u00e9 ao ver\u00e3o. O Santo Padre est\u00e1 a par disto tudo: decida como ele decidir e o que decidir est\u00e1 certo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Ter\u00e1 a oportunidade tamb\u00e9m depois de dar mais tempo \u00e0 Hist\u00f3ria e \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o, que tanto gosta?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Isso \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o dar, porque est\u00e1 c\u00e1 comigo desde pequenino: desde crian\u00e7a que sou um trabalhador da mem\u00f3ria&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abSou um trabalhador da mem\u00f3ria\u00bb, afirma o cardeal-patriarca em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA no contexto do Dia Mundial da Paz<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":266025,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-266029","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266029"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266029\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}