{"id":265480,"date":"2023-01-02T09:00:51","date_gmt":"2023-01-02T09:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=265480"},"modified":"2022-12-29T12:00:51","modified_gmt":"2022-12-29T12:00:51","slug":"dorsal-atlantica-dia-mundial-da-paz-a-forca-nao-faz-a-uniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dorsal-atlantica-dia-mundial-da-paz-a-forca-nao-faz-a-uniao\/","title":{"rendered":"Dorsal atl\u00e2ntica &#8211; Dia mundial da paz: a for\u00e7a n\u00e3o faz a uni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Jos\u00e9 J\u00falio Rocha, Diocese de Angra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-265482 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/pe_jose_julio_rocha.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>A express\u00e3o \u201cano novo, vida nova\u201d conta cada vez com menos adeptos. N\u00e3o comer doces, deixar de fumar, ir ao gin\u00e1sio, ter mais tempo para a fam\u00edlia s\u00e3o alguns dos mais amados prop\u00f3sitos da infinita parafern\u00e1lia de desejos para um ano novo. Os prop\u00f3sitos de ano novo s\u00e3o uma institui\u00e7\u00e3o. O seu fracasso tamb\u00e9m. A quest\u00e3o ter\u00e1 a ver com o conceito que temos de futuro. O que \u00e9 o futuro? \u201cAmanh\u00e3 jejuo eu\u201d. E, quando chegar o amanh\u00e3, continuarei a dizer \u201camanh\u00e3 jejuo eu\u201d, porque h\u00e1 sempre um amanh\u00e3. At\u00e9 ao infinito. O problema \u00e9 quando o futuro se faz presente, quando o amanh\u00e3 se faz hoje. O futuro n\u00e3o existe. O futuro fabrica-se agora, n\u00e3o se espera. A procrastina\u00e7\u00e3o como estilo de vida leva-nos ao cen\u00e1rio de uma poltrona, uma televis\u00e3o, umas pantufas e um telecomando para ver, passivamente, o mundo passar por n\u00f3s.<\/p>\n<p>No primeiro dia de cada ano, de h\u00e1 cinquenta e seis janeiros para c\u00e1, os Papas t\u00eam-nos oferecido mensagens de paz. No seu conjunto, cont\u00eam uma extraordin\u00e1ria riqueza doutrinal e pastoral, onde a esperan\u00e7a e a exig\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o da paz t\u00eam a primazia. Este ano, o Papa Francisco encontrou um t\u00edtulo estranho para a mensagem de ano novo: \u201cNingu\u00e9m pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir da covid-19 para tra\u00e7ar sendas de paz.\u201d Confesso que esperava a palavra \u201cUcr\u00e2nia\u201d no t\u00edtulo ou, pelo menos, uma refer\u00eancia mais ou menos expl\u00edcita \u00e0 invas\u00e3o russa e \u00e0 guerra na Europa. Em vez disso, t\u00e3o atual e urgente, o Papa refere-se, outra vez, \u00e0 pandemia que parou o mundo. Mas tem toda a l\u00f3gica. Todos recordamos que o primeiro pa\u00eds europeu a ser flagelado seriamente pelo famigerado coronav\u00edrus foi a It\u00e1lia. Est\u00e1vamos em Mar\u00e7o de 2020 e tudo fechou, tudo parou. Na expetativa e no medo, come\u00e7aram a aparecer cartazes nas varandas e nas janelas, com um esperan\u00e7oso arco-\u00edris e a frase que se tornou viral: \u201candr\u00e0 tutto bene\u201d. Em Portugal, quando a vaga chegou, traduzimos para \u201cvai ficar tudo bem\u201d. O mundo juntava-se \u00e0 volta de um inimigo comum. O universo unia-se, respirava-se esperan\u00e7a, porque a esperan\u00e7a brilha forte nos lugares mais escuros e mais tem\u00edveis. O coro ruidoso dos \u201copinionmakers\u201d ressaltava aos quatro ventos que essa pandemia tinha que trazer li\u00e7\u00f5es para um futuro melhor, mais humano e justo. Essa travagem a fundo trazia, como fator positivo, a exig\u00eancia de, juntos, pensarmos um mundo melhor. A imagem de um papa solit\u00e1rio a caminhar, sob os pingos de chuva, pela deserta pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, era o cen\u00e1rio perfeito para o mundo inteiro mudar: estamos no mesmo barco, ou nos salvamos juntos ou nos perdemos juntos.<\/p>\n<p>Piorou\u2026<\/p>\n<p>Os extremismos extremaram-se pol\u00edtica e socialmente; a emerg\u00eancia ambiental agravou-se drasticamente; a guerra, essa realidade est\u00fapida e abstrusa, que acompanha a humanidade como se lhe estivesse presa \u00e0 pela, regressou em toda a sua magn\u00edfica estupidez e brutalidade; as consequ\u00eancias econ\u00f3micas e financeiras parecem formar a tempestade perfeita.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o termo \u201cjuntos\u201d \u00e9, mais uma vez na \u00e9tica de Francisco, uma quest\u00e3o de vida ou de morte. A globaliza\u00e7\u00e3o de quase todas as coisas menos da fraternidade e do amor estabeleceu clivagens quase incur\u00e1veis no nosso planeta ferido. J\u00e1 n\u00e3o temos sa\u00eddas de emerg\u00eancia: ou nos juntamos para salvar isto tudo ou destruiremos o nosso mundo enquanto jogamos \u00e0 bisca de tr\u00eas.<\/p>\n<p>O jogo do patriarca das R\u00fassias, Kirill II, tem sido um pouco pior do que execr\u00e1vel. Com uma fortuna pessoal avaliada entre 1,5 e 4 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, oligarca como os outros, o patriarca escandalizou-se com a possibilidade de uma parada<em> gay<\/em> em Kiev e preferiu aderir \u00e0 insanidade de Putin, justificando uma guerra infame, com a morte de milhares de inocentes e um pa\u00eds destru\u00eddo, \u00e0 invas\u00e3o dos contravalores corrompidos do Ocidente.<\/p>\n<p>Diz o papa: \u201cEsta guerra, juntamente com todos os outros conflitos espalhados pelo globo, representa uma derrota n\u00e3o apenas para as partes diretamente envolvidas mas tamb\u00e9m para a humanidade inteira. E enquanto para a Covid-19 se encontrou uma vacina, para a guerra ainda n\u00e3o se encontraram solu\u00e7\u00f5es adequadas.\u201d<\/p>\n<p>2023, como quase todos os anos, n\u00e3o vai ser f\u00e1cil. H\u00e1 demasiadas guerras em curso, demasiadas guerras na forja. A nossa incapacidade para trabalharmos juntos pela paz \u00e9 perturbante.<\/p>\n<p>\u201cJuntos\u201d \u00e9 a palavra que ainda n\u00e3o sabemos declinar. \u00c9 por isso que este \u00e9 um tempo de esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jos\u00e9 J\u00falio Rocha, Diocese de Angra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":265482,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-265480","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=265480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265480\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/265482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=265480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=265480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=265480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}