{"id":265356,"date":"2022-12-28T12:04:35","date_gmt":"2022-12-28T12:04:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=265356"},"modified":"2022-12-28T12:04:35","modified_gmt":"2022-12-28T12:04:35","slug":"saber-aprender-a-tomar-ciber-anti-histaminicos-no-natal-e-ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-tomar-ciber-anti-histaminicos-no-natal-e-ano-novo\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A tomar ciber-anti-histam\u00ednicos no Natal&#8230; e Ano Novo"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>In\u00fameros emails, imagens, v\u00eddeos e pergaminhos sem fim de respostas em grupos WhatsApp a desejar Feliz Natal. N\u00e3o fui imune a este &#8220;ciber-v\u00edrus&#8221; (para alguns) e cumpri o pr\u00f3-forma de preparar uma mensagem de Natal para uma lista de cientistas associada a uma confer\u00eancia internacional que organizo. Li o que me chegou dos outros? N\u00e3o. Apaguei ou passei \u00e0 frente. Espero que leiam o cart\u00e3o digital que preparei? Gostaria, mas n\u00e3o tenho muitas esperan\u00e7as. N\u00e3o ligar muito a estas mensagens natal\u00edcias enviadas com boa inten\u00e7\u00e3o faz de mim uma m\u00e1 pessoa ou terei tomado um ciber-anti-histam\u00ednico mental para superar a alergia de mensagens a desejar Feliz Natal que proliferam nesta \u00e9poca e proliferar\u00e3o no Ano Novo?<\/p>\n<figure id=\"attachment_265357\" aria-describedby=\"caption-attachment-265357\" style=\"width: 1440px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/cyber-colorful-capsule-1-1322021.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-265357 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/cyber-colorful-capsule-1-1322021.jpg\" alt=\"\" width=\"1440\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/cyber-colorful-capsule-1-1322021.jpg 1440w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/cyber-colorful-capsule-1-1322021-312x260.jpg 312w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/cyber-colorful-capsule-1-1322021-1024x853.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/cyber-colorful-capsule-1-1322021-768x640.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/cyber-colorful-capsule-1-1322021-1080x900.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/cyber-colorful-capsule-1-1322021-1280x1067.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/cyber-colorful-capsule-1-1322021-980x817.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/cyber-colorful-capsule-1-1322021-480x400.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1440px) 100vw, 1440px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-265357\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Ale_Paiva em FreeImages<\/figcaption><\/figure>\n<figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma alergia surge como reac\u00e7\u00e3o excessiva a subst\u00e2ncias que s\u00e3o, usualmente, inofensivas para o nosso organismo. Ningu\u00e9m sabe bem qual o motivo de termos alergias, mas os estudos apontam que essas surgiram na sequ\u00eancia dos estilos de vida modernos. Considerando que a vida, hoje, n\u00e3o \u00e9 apenas f\u00edsica, mas tamb\u00e9m digital, a reac\u00e7\u00e3o ciber-al\u00e9rgica que tive \u00e0 multiplicidade de mensagens a desejar Feliz Natal come\u00e7a a ser um resultado destes tempos modernos ligados \u00e0 Era da Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o de n\u00e3o ligar nenhuma \u00e0s mensagens de Natal, nem de as enviar (excepto o dito pr\u00f3-forma que referi), ou responder a muito poucas, foi estar empenhado com a fam\u00edlia; voltar \u00e0s caminhadas que h\u00e1 algum tempo n\u00e3o fazia; tentei recuperar na leitura e na escrita ap\u00f3s um semestre de aulas; e (confesso) n\u00e3o experimentar nada de novo ou cativante nas in\u00fameras mensagens recebidas. Durante um almo\u00e7o de Natal em fam\u00edlia, algu\u00e9m questionava se as pessoas que enviavam e respondiam a estas in\u00fameras mensagens natal\u00edcias, n\u00e3o estariam sozinhas ou a retirar tempo \u00e0 fam\u00edlia por ser quase imposs\u00edvel n\u00e3o faz\u00ea-lo. Cheguei a imaginar a situa\u00e7\u00e3o meio c\u00f3mica de algu\u00e9m a dar um abra\u00e7o e a responder com o <em>smartphone<\/em> ao mesmo tempo. Estarei a satirizar algo com valor?<\/p>\n<p>Num <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@oricardofrade\/video\/7177710551903014150?is_from_webapp=v1&amp;item_id=7177710551903014150\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">coment\u00e1rio<\/a>; pertinente aos jantares de Natal das empresas serem s\u00f3 fachada, o meu amigo e empres\u00e1rio Ricardo Frade atribu\u00eda a raz\u00e3o ao facto dos empregados n\u00e3o precisarem de um jantar para que os empregadores lhes digam como gostam deles, mas do ano inteiro nesse registo. Por que raz\u00e3o, a \u00fanica mensagem que recebo daquela pessoa s\u00f3 acontece no Natal ou Ano Novo, mas durante o ano inteiro n\u00e3o nos falamos? Nem sequer seria por estarmos chateados um com o outro, mas pela simples raz\u00e3o de n\u00e3o vivermos no mesmo s\u00edtio ou participarmos nas mesmas actividades, nada de mais. Por outro lado, poder\u00edamos dar valor ao facto da pessoa se lembrar de n\u00f3s, mas o conte\u00fado da mensagem nem sequer refere o nosso nome\u2026<\/p>\n<p>Quando preparei a mensagem de Natal a enviar \u00e0 comunidade cient\u00edfica ligada \u00e0 tal confer\u00eancia internacional, pensei no significado universal e profundo que poderia dar \u00e0 mensagem a partir da imagem escolhida de um pinheiro de Natal e lembrei-me das ramifica\u00e7\u00f5es que nascem do tronco comum dos primeiros investigadores que desbravaram caminho na nossa \u00e1rea cient\u00edfica. Desejar &#8220;Feliz Natal&#8221; serviu para reconhecer o valor das origens na cultura cient\u00edfica que existe hoje. Poderia-se pensar que ao centrar a minha mensagem em ramifica\u00e7\u00f5es, havia esquecido o essencial do Natal que seria a celebra\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus, mas n\u00e3o \u00e9 Ele a origem da cultura centrada no amor que dignifica cada ser humano? N\u00e3o \u00e9 essa mensagem de dignidade humana suficientemente universal e que pode expressar-se atrav\u00e9s do reconhecimento de como estamos todos ligados pela hist\u00f3ria num fio condutor que parte dos primeiros que nos antecederam?<\/p>\n<p>A \u00e9poca natal\u00edcia \u00e9 uma oportunidade \u00fanica de evangeliza\u00e7\u00e3o porque a nossa esp\u00e9cie renova-se em cada beb\u00e9 que nasce. Se testemunharmos a cultura que nos moveu at\u00e9 hoje, oferecemos a cada beb\u00e9 um ponto de partida para novos voos na consci\u00eancia do sentido e significado da nossa exist\u00eancia. Uma exist\u00eancia que se sente no concreto de todos os dias. Se durante todo o ano n\u00e3o dou aten\u00e7\u00e3o a uma pessoa, n\u00e3o \u00e9 com uma mensagem de Natal que lhe mostrarei o quanto lhe quero bem. Deus, ao fazer-Se humano em Jesus, mostrou-nos incomparavelmente como nos quer bem. Mas esse \u201cquerer bem\u201d sente-se todos os dias se estivermos atentos ao sinais que nos deixa. Por isso, quando os contacto s\u00e3o mais pontuais, talvez fosse bom discernimento torn\u00e1-lo o mais pessoais poss\u00edvel. Por exemplo, um telefonema sem pressa pode ser uma forma de encarnar o quanto queremos bem ao outro, valendo mais do que qualquer mensagem, imagem ou v\u00eddeo.<\/p>\n<p>As pessoas que se sentem sozinhas poder\u00e3o encontrar algum conforto nas in\u00fameras mensagens recebidas a desejar-lhes \u201cFeliz Natal\u201d. Sentem que algu\u00e9m se lembra delas, independentemente de n\u00e3o inclu\u00edrem o seu nome no cart\u00e3o digital ou mensagem. O que pode criar alergias numa boa parte das pessoas cansadas da superficialidade da vida digital com as mensagens natal\u00edcias, pode ser essencial para uma parte das pessoas que vive a &#8220;alergia&#8221; da solid\u00e3o. Fiquei a pensar no que se poderia tomar, metaforicamente, como anti-histam\u00ednico para ambos os casos.<\/p>\n<p>Apagar os emails sem os ler, ou n\u00e3o ligar muito \u00e0s mensagens recebidas a desejar Feliz Natal \u00e9 como se fosse a ciber-histamina do sistema ciber-imunit\u00e1rio humano a reagir a uma ciber-alergia desencadeada pela facilidade com que a informa\u00e7\u00e3o flui no estilo de vida digital da quotidianidade. Nesse sentido, diria que um primeiro ciber-anti-histam\u00ednico (c-a-h) seria a <em>paci\u00eancia<\/em>, de modo a n\u00e3o julgar como superficial quem envia votos gerais de Feliz Natal. Um segundo c-a-h seria a <em>pessoalidade<\/em>, ou seja, aplicando a regra de ouro, faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti. Por exemplo, gostarias que te telefonassem pessoalmente? Ent\u00e3o, pega do <em>smartphone<\/em> e s\u00ea o primeiro a dar esse passo. Um terceiro c-a-h poderia ser a <em>aten\u00e7\u00e3o dedicada<\/em>, sobretudo aos que est\u00e3o \u00e0 nossa volta, evitando o risco de estarmos conectados ao mundo, preocupados com as mensagens a enviar, e ficar desligados daqueles que nos rodeiam. Por fim, um quarto c-a-h de teor mais espiritual seria a <em>ora\u00e7\u00e3o incessante<\/em> onde nos confiamos a Deus, confiamos os outros a Deus, e repetimos nos momentos de maior fragilidade, por exemplo, <em>\u00ab\u00c9s Tu, Senhor, o meu \u00fanico bem.\u00bb<\/em>, como Santa Teresinha do Menino Jesus, ou <em>\u00abSenhor Jesus Cristo, tem piedade de mim.\u00bb<\/em> como a ora\u00e7\u00e3o hesicasta que purifica o nosso cora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o quatro poss\u00edveis ciber-anti-histam\u00ednicos que podemos experimentar na festa de entrada no novo ano de 2023 que se aproxima. Um momento de passagem onde aguardamos, com esperan\u00e7a, que seja a transi\u00e7\u00e3o para um ano melhor e mais profundo. Pois, como diria o escritor brasileiro Fernando Sabino, <em>\u00abNo fim tudo d\u00e1 certo, e se n\u00e3o deu certo \u00e9 porque ainda n\u00e3o chegou ao fim.\u00bb<\/em> A vida continua porque se renova.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-265356","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265356","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=265356"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265356\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=265356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=265356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=265356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}